“A Conspiração Contra a América”, de Philip Roth

conspiracao.jpgA ideia deste novo livro de Roth é engenhosa: em 1940, quando Hitler se preparava para iniciar a 2ª Guerra, Charles Lindbergh concorre í s eleições norte-americanas e derrota Roosevelt.

Lindbergh era, na altura, um verdadeiro herói, depois das suas façanhas na aeronáutica e consegue derrotar o candidato democrata, prometendo aos americanos que estes não vão interferir na guerra dos europeus.

A Alemanha, a Itália e o Japão podem, assim, tomar conta do mundo, perante a neutralidade dos EUA.

Sendo Lindbergh um simpatizante das ideias nazis, os judeus americanos começam a temer que lhes aconteça o mesmo que aos judeus da Europa.

O livro é narrado pelo próprio Philip Roth que, na altura, tinha 9 anos e vivia uma vida tranquila, com os pais e o irmão mais velho, em Newark, num bairro maioritariamente judeu.

A vitória de Lindbergh muda totalmente a vida desta família e muda, também, a História do Mundo.

O mais curioso nesta obra de Roth é exactamente o facto de o livro ser narrado por alguém que, em 1940, tinha 9 anos. Assim, as mudanças na vida daquele miúdo, na vida dos seus pais e do seu irmão, dos seus amigos e dos judeus daquele bairro, são uma parábola das mudanças que ocorrem em todo o mundo.

Imaginem, só por um momento, que os Estados Unidos tinham um presidente nazi e que, em vez de entrarem na 2ª Guerra, ao lado da Grã-Bretanha, se mantinham neutrais e que, mais tarde, declaravam guerra ao Canadá?

Perturbador, no mínimo.

O 3º Mundo em todo o seu esplendor

Notícia de ontem, no Público:

“Só nos últimos dois anos desapareceram cerca de 180 tampas de esgoto e grelhas de sumidouros na área do concelho de Vila Franca de Xira.”

Segundo o jornal, o passado mês de Dezembro, foi o pior: foram roubadas 87 tampas de esgoto!

Um povo que rouba tampas de esgoto tem o país que merece!

“Six feet under” – 4ª série

setepalmos4.jpgBrilhante, é o mínimo que se pode dizer desta série da HBO.

Tendo como pano de fundo, a Funerária Fisher & Diaz, vamos acompanhando, ao longo de 12 episódios, as vidas atribuladas de uma série notável de personagens: Nate, que acabou de perder a mulher (sabemos, no último episódio, que não foi suicídio), continua í  procura de um sentido para a sua vida; Brenda, que não é capaz de manter uma relação estável e que acaba por voltar para Nate; David, que quer assumir a sua relação homossexual com Keith, como uma relação monogâmica, mas que não resiste a uma nova aventura sexual, nem que seja com o canalizador; Ruth, que descobre que o seu novo marido é, no fundo, um paranóico, com terror de catástrofes; Claire, que anda í  procura da sua identidade artística e se mete cada vez mais nas drogas; Rico, que vê o seu casamento desabar…

E as personagens secundárias são, também, todas elas, muito ricas e perturbadas, como convém: a mãe de Brenda, psicoterapeuta e ninfomaníaca; o irmão de Brenda, maníaco-depressivo; os amigos de Claire, todos eles artistas perturbados.

Cada episódio começa, como de costume, com uma morte estranha e inesperada, mas o funeral já não é o centro da trama, como nas primeiras séries. A família Fisher poderia ser proprietária, por exemplo, de uma padaria, que iria dar no mesmo – embora uma Funerária dê o tom ideal í  série.

Parece que a 5ª série será a última, o que é pena, mas também se compreende que o tema acabe por se esgotar.

Com a verdade me enganas

Sócrates foi í  China. Conseguiu grandes contratos, novos investimentos, melhores relações comerciais, acordos bilaterais?

Não sabemos.

O que sabemos é que o ministro da Economia, Manuel Pinho, disse, perante empresários chineses, que um dos atractivos de investir em Portugal, era o facto de, por cá, os salários serem baixos.

Os indígenas revoltaram-se.

Toda a Oposição quis linchar o ministro.

Até os sindicatos, que há décadas reclamam melhores salários, que convocam greves para reivindicar aumentos salariais, que criticam a política de miséria do Governo – até os sindicatos vilipendiaram o ministro por ele ter dito que, em Portugal, os salários são baixos.

Mas afinal: os nossos salários são baixos ou são altos?

Vejam lá se decidem!

socrates_salarios.jpg