Ota era melhor…

Então, afinal, parece que já não vai ser na Ota. Agora, Alcochete é que é.

Acho mal.

Ota ficava melhor, como aeroporto internacional – toda a gente é capaz de dizer «Ota», dos francófonos aos anglo-saxónicos, dos árabes aos aborígenes.

Agora, peçam a um inglês para dizer «Alcochete» e vão ver a confusão que vai ser. O tipo terá que dobrar a língua de tal modo, que acaba por preferir aterrar em Madrid.

E depois, há sempre o perigo dos americanos olharem para o nome (Al Cochete) e pensarem que é algum aeroporto da Al Qaeda.

Invasão í  vista.

“Por Aqui e Por Ali”, de Bill Bryson

bryson_walk.jpgInvejo o Bill Bryson, a quem pagam para viajar. Depois, ele “só” tem que escrever um livro sobre isso.

Este chama-se “A Walk in the Woods” mas, mais uma vez, o responsável pela edição portuguesa achou o título pateta e decidiu chamar-lhe “Por aqui e Por Ali”.

Bryson publicou o livro em 1997 e nele conta as suas caminhadas pelo trilho dos Apalaches, que vai desde a Geórgia ao Maine, atravessando as Carolinas, a Virgínia, a Pensilvânia, um pouco de Nova Iorque, e depois o Massachussets, o New Hampshire e Vermont. São mais de 3300 km, dos quais Bryson “apenas” percorreu 1400, por vezes sozinho, outras vezes acompanhado pelo seu amigo Katz.

Sempre com muito humor e com preocupações ambientais quanto baste, sem entrar em histerias, Bryson vai-nos descrevendo as suas longas caminhadas por uma das maiores florestas do planeta, ao longo das montanhas dos Apalaches (mais de 350 picos com mais de 1500 metros de altitude). O Trilho dos Apalaches é o mais antigo e longo do mundo, e ficou concluído em 1937.

Um daqueles livros que sabe bem ler com companhia. E um tipo fica logo com vontade de tentar percorrer, pelo menos, uma parte desse trilho.

“It was 40 years ago today”

sgtpeppers.jpg…Sgt Pepper taught the band to play”

Fez ontem 40 anos que os Beatles editaram o álbum que mudou a história da música pop-rock.

O primeiro álbum dito conceptual, com uma espécie de elo de ligação entre as várias faixas, com uma certa coerência entre as músicas, e não apenas um conjunto de canções coleccionadas num mesmo disco; o primeiro álbum de música pop-rock com a ajuda de orquestra sinfónica (“A Day in the Life”) e de truques de gravação, como pí´r a fita a girar ao contrário (“Being for the Benefit of Mr. Kite!”); o primeiro disco a ter uma capa com algum cuidado “artístico”. Enfim, digam o que disserem os detractores dos Beatles, fez-se história com este disco.

Naquela altura, em 1967, eu tinha apenas 14 anos e vivia em Portugal. O disco quase me passou despercebido. Só cerca de um ano depois comecei a ouvir e a conhecer algumas das faixas deste álbum. E, então, já os Beatles tinham lançado o duplo branco, que sempre foi (e continua a ser) o meu preferido.

Em Fevereiro de 1969, consegui finalmente juntar o dinheiro suficiente para comprar o duplo branco. Vinha numerado e tudo – é o número 510204. Ainda ali está, embora já nem tenha pick-up (alguém sabe o que é um pick-up, ou um gira-discos?).

Quanto ao “Sgt Pepper’s”, só o comprei (o vinil, bem entendido), aos 25 anos e o cd, quando já ia nos 34 anos!

Seja como for, “Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band” continua a ser, 40 anos, depois, um disco que se ouve, do princípio ao fim, com a mesma emoção – enfim, com uma emoção temperada pelos anos. Aos 15 anos, ouvir os Beatles a debitarem “Good Morning! Good Morning!”, com galos a cantarem, ao fundo, ou escutar a voz algo metálica de Lennon, a cantar “Lucy in the Sky with Diamonds”, sabendo que ele se estava referir a LSD (sobretudo porque não se sabia muito bem o que era isso de drogas alucinogénicas…), bom, essa emoção, claro que já não existe, porque já não tenho 15 anos.

E isto também não é nostalgia. Não tenho saudades dos meus 15 anos. Sinto-me muito bem com 54 anos e poder estar “alive and kicking”, 40 anos depois (o mesmo já não podem dizer Lennon e Harrison…).

“Six Feet Under” – 5ª série

setepalmos5.jpgAssim terminou uma das melhores séries de televisão desta nova vaga que tem inundado o mercado nos últimos anos. E terminou bem, antes que a fórmula se esgotasse.

Durante 5 anos fomos seguindo as vidas da família Fisher e do seu negócio muito particular de “funeral directors”. Nate não chega a ver a sua filha Willa, que Brenda dá í  luz antes do tempo, porque tem um novo AVC, pouco depois de ter dado uma facada no matrimónio com Maggie, filha de George, o bipolar que casou com Ruth, mãe de Nate.

Só este pedaço dava para uma série completa. Mas ainda há David, cuja relação com Keith se vai desenvolvendo, ao ponto de ambos adoptarem dois irmãos negros, rebeldes e sempre desprezados. E há Claire, que vai amadurecendo, ultrapassando a sua relação quase doentia com Bill, irmão de Brenda, outro bipolar e acaba por aceitar um emprego em New York, depois de se relacionar com Ted, um conservador republicano, o oposto de si própria.

E Ruth, que não desiste de encontrar alguém que tome o lugar do Sr. Fisher, morto logo no primeiro episódio. Depois de renegar George, por não estar para aturar mais um maluco, ainda tenta voltar a um antigo namorado, mas é nesse mesmo dia que o seu filho morre, sem que ela esteja presente.

E Brenda, cujos pais, ambos psicoterapeutas, a marcaram de forma indelével, ao ponto de ela continuar a fantasiar uma relação incestuosa com o irmão.

E poderia continuar a dar exemplos, já que a riqueza desta série é imensa; para além disso, os actores são excelentes, a realização competente e a fotografia muito acima da média.

Terei saudades desta série.