Vivam os passeios rebaixados!

É uma das grandes conquistas das obras do Metro Sul do Tejo. Os passeios rebaixados facilitam a vida aos cidadãos com deficiência, mas, sobretudo, í  malta que quer estacionar os seus carrinhos em cima do passeio e não quer dar cabo das jantes.

Exemplo 1:

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Exemplo 2:

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Exemplo 3:

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Exemplo 4:

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Exemplo 5:

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Obrigado, Câmara de Almada!

Sócrates de volta í  santa terrinha

Foram 6 meses de grandes andanças por essa Europa fora, terminando com o frenesim da Cimeira com os dirigentes africanos e com a assinatura do Tratado de Lisboa.

Sócrates não parou! E foi vê-lo a dar grandes abraços ao Sarko francês, sonoras beijocas í  alemã Angie, tratar tu-cá, tu-lá com os grandes dirigentes, quer da Europa, quer de ífrica, como Kadhafi, esse grande ex-terrorista, agora mais bonzinho.

Há dois níveis de leitura destes acontecimentos: ter sido o governo português a organizar a cimeira com os dirigentes africanos e passar a existir um Tratado com o nome de Lisboa, não deixa de prestigiar o nosso país (primeiro nível de leitura), mas para que raio é isso serve (segundo nível)?

Agora, querem que a malta referende o tal Tratado. Para quê? Qual é a alternativa? Sair da União Europeia? Voltar ao escudo?

E como posso eu votar (a favor ou contra) se não faço a mínima ideia do que é o Tratado de Lisboa – e, muito sinceramente, não estou interessado em saber?

No fim do mês, Sócrates deixa de ser o grande líder da Europa e vai voltar í  terra.

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E tem já um grande desafio pela frente: explicar por que escolheu a Dulce Pontes, a gritar a Canção do Mar e a dar aos braços, qual gaivota etilizada, para abrilhantar a cerimónia da assinatura do Tratado.

Porque hoje é sábado

camioneta2.jpgE porque hoje é sábado, lá está a puta da camioneta a ocupar todo o passeio em frente í  minha casa!

Ainda não descobri quem é o dono da camioneta, mas suspeito que more no mesmo prédio que eu e que desconheça o meu site, caso contrário, já tinha vindo tocar í  minha campainha…

Como prometi, tenho enviado todos os dias, um mail para a Câmara de Almada, para o vereador da mobilidade, com a fotografia da camioneta mas, até agora, ainda não recebi qualquer resposta.

Mas como hoje é sábado, os automobilistas pensam que os transeuntes podem voar, em vez de andarem pelos passeios.

carronopasseio.jpgEntão, agora, que os passeios estão rebaixados em frente í s passadeiras para peões, é ainda mais fácil subir para os ditos, como é o caso deste carro todo modernaço, também parado junto ao meu prédio.

Portanto, quem venha de Cacilhas, a subir a 25 de Abril, a empurrar um carrinho de bebé, por exemplo, quando chega í quele passeio, tem que se desviar da camioneta, passando por baixo da arcada do prédio, onde o passeio tem vários degraus. Depois, ao retomar o passeio, tem que se desviar do carro modernaço, para poder continuar a subir a avenida.

betel.jpgE já agora… a vida também não está fácil para certos e determinados automobilistas, nomeadamente aqueles que têm a estúpida mania de cumprir as regras. Logo na ruazinha abaixo do meu prédio, os senhores da Betel (uma instituição que ajuda pobres e necessitados, segundo apregoam), decidiram que uma das faixas de rodagem é para estacionamento, e toca de estacionarem ali uma das suas camionetas. Portanto, quem vier da direita, em direcção í  25 de Abril, só tem é que contornar a camioneta da Betel, passando para a outra faixa – isto, se não vier outro carro em sentido contrário, ou se não estiver um estacionado, também na faixa de rodagem, em frente í  casa que vende baterias.

E agora, vou enviar esta texto para o senhor vereador, a ver o que é que ele diz…

“Proibido!” – de António Costa Santos

proibido.jpgAntónio Costa Santos (ACS, como eu), escreve com graça. Mas, mesmo que não escrevesse, as proibições que ele recorda são, por si só, um fartar de rir.

É que, durante o Estado Novo, era proibido, por exemplo: usar biquíni, acender um isqueiro na rua sem licença, ir de míni-saia para o liceu, beber coca-cola, jogar í s cartas nos comboios, dar beijos em público e andar de bicicleta sem licença.

Menos piada tinham outras proibições: ler certos livros, ver certos filmes, comprar certos discos, casar com uma professora e, para uma mulher casada, viajar para o estrangeiro, sem o consentimento do marido!

ACS escreveu uma pequena crónica para cada uma destas proibições e decidiu editar tudo em livro, e fez muito bem.

Suspeito, no entanto, que apenas tipos acima dos 50 anos se sintam tentados a comprar e ler este livrinho, já que a sua leitura fazia muita falta a malta mais nova que anda sempre a dizer que «isto agora está muito pior!»… Pior que quê? Pior que proibir uma mulher casada de viajar para o estrangeiro, sem o consentimento do marido?

Dr. ou DJ?

Alguém sabe quem é a Rita Mendes?

Mesmo que haja por aí alguém que saiba, não interessa muito. Interessa isto, que li na íšnica de sábado passado. A tal Rita Mendes começou a ser DJ há cerca de um ano. Actualmente, cobra mil euros por 3 horas a meter discos.

Quer dizer: basta que a Ritinha trabalhe 12 horas por mês para ganhar o mesmo que eu, que trabalho cerca de 200 horas.

Qual dê-érre, qual carapuça – DJ é que é!

“Amores Perros” – de Alejandro Gonzalez Ií±árritu

amorcao.jpgTrês histórias que se encontram num cruzamento, ou melhor dizendo, que se chocam num choque de automóveis: a do jovem que ganha umas massas com os combates entre cães, a da manequim, que tem um caniche, e que rouba o marido í  outra e a do vadio, ex-guerrilheiro, sempre rodeado de vira-latas, e que se transformou num assassino a soldo.

Três histórias que nos mostram três formas de amor entre humanos, e entre humanos e cães

Gostei mais da história do homem “maduro”, que engata a manequim boazona, acabando por abandonar a mulher. Pouco depois de se ter mudado para a casa nova, juntamente com a manequim, o caniche desta cai num buraco do soalho e, logo a seguir, ela sofre o violento acidente de viação, que é o ponto de encontro das três histórias.

O ritmo é bom, as histórias são interessantes, os actores são bons, a produção é profissional (só nome da produtora artística diz tudo: Brigitte Broche).

Com filmes destes, Hollywood fica com as orelhas a arder.

Puta da camioneta!

Ontem, enviei este mail para a Câmara de Almada:

“Caro Sr. vereador:
Muito bonitos, os espaços envolventes do MST, aqui, em Cacilhas, na avenida 25 de Abril.
Passeios amplos, rebaixados onde devem sê-lo, adaptados aos cidadãos com deficiência ou aos carrinhos com bebés.

Mas de que servem esses passeios se, invariavelmente, estão atravancados com carros?
Em anexo, segue uma foto de uma camioneta que, TODOS os fins-de-semana, está estacionada í  porta do prédio onde resido.
O que é preciso fazer para acabar com isto?!

Cumprimentos”

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Como não me responderam, hoje reenviei o mail. E tenciono reenviá-lo todos os dias, até que alguém me responda.

“Cultura – tudo o que é preciso saber” – de Dietrich Schwanitz

cultura.jpgGraças a um poder de síntese formidável, Schwanitz consegue, em cerca de 500 páginas, ensinar-nos tudo o que convém saber, para se ter uma Cultura, digamos, razoável.

O livro começa com a História europeia, continua com a Literatura, fazendo-nos um resumo de uma dúzia de obras fundamentais, passa pela História da Arte, pela História da Música, fala, depois, dos grandes filósofos, terminando com algumas considerações finais, as quais incluem o “que convém não saber”, porque ser culto também implica saber o que não se deve saber…

O tom do livro alterna entre o humor fino e frases inextricáveis, de difícil compreensão. É, portanto, impossível dizer qual é o tom geral desta obra, que seria muito mais fácil de ler se o autor estivesse sempre bem disposto. Segundo parece, Schwanitz morreu o ano passado, vítima de ataque cardíaco e não me custa pensar que, enquanto estava a escrever este livro, deve ter tido alguns maus momentos.

Mas quando estava bem disposto, a sua produção é um fartar de rir.

Para começar, o autor fala-nos nas obras fundamentais da cultura ocidental, como a Ilíada, a Odisseia e, claro, a Bíblia. No que respeita a esta última, depois de nos contar, muito resumidamente como Deus criou Adão e Eva e o Paraíso, comenta:

«foi assim que se deu o acontecimento que viria a ser conhecido como pecado original, com todas as suas consequências: a descoberta do sexo e da vergonha, a invenção da parra e da moral, a expulsão do jardim, a condenação a um trabalho remunerado regular e o estreitamento da bacia devido í  postura vertical com o acréscimo de um nascimento correspondentemente prematuro e, já agora, doloroso, um prolongado período de dependência total da criança, prazos educacionais prolongados e uma sobrecarga generalizada para a mulher, devido ao seu papel de liderança por ocasião do pecado original».

Para além de alguns momentos de humor, como este, o livro está cheio de aforismos muito acertados. Como este, a propósito da revolução americana: «as revoluções não eclodem quando as pessoas passam pior mas sim na altura em que pensam que pouco as separa de estarem melhor».

Schwanitz parece não nutrir grande simpatia pela psicanálise. A propósito dos psicanalistas, diz: «a psicanálise (…) criava os problemas cuja solução apregoava. Isso tornava o mercado insaciável. Quanto mais a psicanálise se divulgava, maior era a necessidade de reforços. Era como uma bebida que faz sede: uma espécie de necessidade que se reproduz a si própria, breve, uma droga».

Esta citação mostra que o autor não é imparcial. De facto, ao explicar-nos o que é importante para a nossa cultura, Schwanitz toma partido e dá-nos a sua opinião.

É também o caso desta citação, a propósito da Universidade e das novas “…ciências”: «cada vez mais especialidades envergaram o traje da ciência e estabeleceram-se nas universidades apesar de, na realidade, não passarem de práticas academicamente nobilitadas: é o caso do jornalismo, das artes teatrais, da investigação sobre o ensino das línguas, da direcção artística, da politologia e de diversas disciplinas psicológicas situadas algures entre o xamanismo e a banha da cobra».

O livro poderia ser ainda mais interessante se o autor não estivesse tão preocupado em escrever para alemães e se o texto não fosse, por vezes, tão complexo (a menos que haja, de vez em quando, algumas coisas que se perdem com a tradução).

Prison Break – 2

prisonbreak2.jpgOs manos Scofield conseguiram fugir da prisão mas os seus problemas só agora começaram. A Companhia – um conglomerado de multinacionais muito más, que dominam tudo e todos, incluindo a Presidente da República – não vai descansar enquanto não os apanhar. No seu encalço, coloca um agente do FBI com graves problemas psicopatológicos e um asiático-americano sem super-ego, capaz de matar toda a gente com um sorriso nos lábios.

Como sempre, Paul Scofield mantém aquele ar de menino que precisa urgentemente de uns beijinhos e de umas festinhas e não perde a calma em circunstância alguma. No fundo, parece tão psicopata como todos os outros.

Esta segunda série mantém os mesmos níveis de dependência, terminando cada episódio com algo que nos obriga a ter que ver o episódio seguinte, sob pena de não dormirmos descansados.

No entanto, começa com algo de pouco credível: o excelente T-Bag, consegue colocar a sua mão decepada numa geleira, que rouba a campistas e obriga um veterinário a re-implantar-lhe a mão. Vão dar banho ao cão!

Depois, ao longo desta fuga maluca, os manos Scofield mantêm uma máquina zero impecável, o que lhes confere aquele ar modernaço, sport-chic, mas nós não percebemos como arranjam eles tempo para ir ao barbeiro.

No último episódio desta 2ª série, o Big Chief da Companhia, que, afinal, é general e usa bata branca, parece que é uma espécie de cientista, que estará a testar o Paul Scofield. Se assim é, fica provado que os argumentistas ficaram sem ideias para esta série e escusam de fazer greves que, de mim, não levam aumento de ordenado.

Aguardemos…

Kadhafi aconselha: metralha com moderação

A cimeira Europa-ífrica, que decorre este fim-de-semana, em Lisboa, é uma autêntica colecção de cromos e, de entre eles, destaca-se o líder líbio, Muammar Kadhafi.

Kadhafi gosta de viajar com a tenda atrás. Não confia na segurança dos hotéis e prefere fazer ó-ó na tenda que transporta consigo. Este fim-de-semana, o homem mandou instalar a tenda no Forte de S. Julião da Barra mas, como a tenda não tem ar condicionado, parece que Kadhafi tem rapado um barbeiro dos antigos.

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Entretanto, fez publicar na imprensa, um anúncio de página inteira que é um verdadeiro monumento í s alucinações provocadas pelo deserto.

O anúncio começa com a frase «bem-vindos ao site oficial de Muammar Al Gathafi» e continua com a afirmação «a Convenção de Otava de 1997 deve ser revista».

Essa Convenção é sobre minas terrestres e Al Gathafi está de acordo com algumas partes do texto. Está de acordo, por exemplo, com a decisão de «retirar todas as minas anti-pessoal e anti-tanque e outras por explodir em cerca de 60 países» e está de acordo com «o tratamento e a reabilitação das vítimas».

No entanto, o líder líbio não está de acordo com:

«1. A total proibição do fabrico e utilização de minas terrestres

2. A destruição da reserva de minas terrestres»

Não sei porquê, mas parece-me que existe aqui uma contradição: por um lado, Kadhafi aceita que se destruam as minas ainda por rebentar, mas é contra a proibição do fabrico de novas minas!

E porquê?

O texto do anúncio é elucidativo: «os países fortes, que são capazes de violentar a terra dos outros para os destruir com as suas armas estratégicas mortais, nunca pensaram nas necessidades dos fracos que não têm armas ofensivas; que não têm outra coisa a não ser armas defensivas como minas.»

Por outras palavras: Kadhafi é contra as minas que não chegaram a explodir, nos países em que já não há guerra – mas é a favor de que as minas continuem a explodir nos países que ainda estão em guerra.

Enfim, o sol do deserto é forte e o aquecimento do encéfalo produz coisas deste género…

 

Mas o Público de hoje traz outro anúncio de página inteira, ainda mais curioso.

O anúncio chama a atenção para o site de Kadhafi, em www.algathafi.org.

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E tem esta frase engraçadíssima: «o perigo das armas metralhadoras contra os seres humanos baseia-se no seu uso exagerado».

É como o álcool, que se deve consumir com moderação – também as metralhadoras devem ser usadas com conta, peso e medida.

Metralha os teus inimigos, mas com moderação. Mata-os só um bocadinho, acerta-lhes só com meia dúzia de balas da tua arma metralhadora, não os fures todos de um lado ao outro, segue a palavra de Kadhafi.

Mas o líder líbio diz outras coisas que não parecem fazer sentido (lost in translation?…), como, por exemplo: «a análise intelectual é o código dos acontecimentos»; ou ainda: «pela piedade humana há necessidade de apoiar o meu apelo para anular as armas metralhadoras exceptuando as outras armas convencionais».

Por favor, Kadhafi, sai da torreira do sol, homem!