Mais Apelidos

Aqui vão mais seis apelidos, cinco dos quais têm graça, sobretudo, pela adjectivação:

– Coelho Salvador

– Grilo Rosado

– Fradinho Salgado

– Cana Verde Rico

– Gaita Grave

– Conceição Cagarelho

Exceptuando o Cagarelho, que não fica nada bem í  Conceição, nem a ninguém, temos um coelho que salva, um grilo cor-de-rosa, um frade que não é insosso, uma cana verde com problemas de concordância no género e uma gaita com sons baixos.

Continuo í  coca…

A namorada de Sócrates e o PSD de Menezes

O novo PSD, o de Menezes, não quer que a jornalista Fernanda Câncio seja contratada pela RTP-2 para fazer um programa qualquer sobre bairros sociais ou coisa que o valha.

E por que será que o novo PSD, o de Menezes, não quer a Câncio na RTP-2.

Porque é má jornalista, tem os dentes podres, é feia como o demo, é malcriadona e diz asneiras a toda a hora?

Não.

O novo PSD, o de Menezes, não quer a Câncio na RTP-2 porque tem «um relacionamento com o primeiro-ministro», segundo disse Rui Gomes da Silva, um dos chefes do novo PSD, o de Menezes, que também já foi um dos chefes do PSD do Sr. Lopes, o Santana.

Fiquei chocado quando li esta notícia. Eu, que pensava que o engenheiro Sócrates, além de ser apenas engenheiro técnico, era, também, um bocado misógino, havendo até, quem tivesse dito, durante a campanha eleitoral, que ele poderia ser homossexual – afinal, tem uma namorada!

Chama-se Fernanda Câncio e Sócrates até já mexeu os cordelinhos para ela ir trabalhar para a RTP e fazer reportagens que hão-de arrastar o Luís Filipe Menezes pela lama e destruir o seu novo PSD.

Se isto não é teoria da perseguição, é conversa de porteiras.

Sem ofensa para as porteiras…

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Jardim sem graça

Alberto João Jardim faz lembrar aqueles cómicos que nos massacram com piadas e graçolas, anos e anos a fio. No princípio, achamos graça e até dizemos que o tipo tem jeito. Passado algum tempo, dizemos que o fulano se está a repetir e que começamos a ficar fartos. Finalmente, já não podemos ver o homem í  frente.

O mesmo se passa com Jardim. Há 30 anos, talvez lhe achássemos graça – agora, até enjoa.

A última de Jardim – sobre o facto de não existir sessão solene da Assembleia Regional, para dar as boas vindas ao Presidente Cavaco, disse: «eu acho bem não haver uma sessão solene, acho que era dar uma péssima imagem da Madeira mostrar o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa (…). Eu cá não apresento aquela gente a ninguém (…). Acho que isso ia ter repercussões negativas no turismo e na própria qualidade do ambiente».

Não é preciso recordar que o “bando de loucos” a que Jardim se refere, foi eleito pelo povo da Madeira – o mesmo que elege, cronicamente, Alberto João.

Que me desculpem alguns madeirenses, mas têm o dirigente que merecem…

“Third”, dos Portishead

portishead.jpegNunca fui muito í  bola com a música dos Portishead. Aquela coisa dos discos parecerem riscados, sempre me pareceu um truque intelectualóide. E a voz da menina irritava-me, sempre tão aflita, tão deprimida, tão “tirem-me daqui, que não suporto viver”! A arte como sofrimento encenado, sempre me fez comichões. Além disso, confesso que também nunca os ouvi com atenção.

Em 2005, no entanto, a voz de Beth Gibbons despertou-me a atenção, no disco “Cinema”, de Rodrigo Leão. Ela canta o tema “Lonely Carousel”, nesse disco. E fiquei com vontade de ouvir melhor os discos dos Portishead.

Agora, que saiu o terceiro, exactamente chamado “Third”, fiz uma revisão da matéria e posso dizer que gosto, mas em doses pequeninas, como um bom whisky. Ontem, por exemplo, decidi ouvir os três discos de enfiada e sobrevivi com alguma dificuldade. Tanta melancolia deixa um gajo deprimido!…

Sopranos – 6ª série

sopanos6.jpgChegou ao fim a mãe e o pai da nova geração de séries de televisão e, sem dúvida, uma das melhores.

Acabou em boa altura. A família está numa encruzilhada: Meadow quer ser advogada e defender as minorias; A. J. quer ir para a tropa, representar os States no Afeganistão; Carmela adapta-se í s mortes, í s amantes, a tudo, desde que tenha uma casa na praia, um relógio com diamantes ou um bom carro; Tony Soprano depois de levar um tiro do tio, mata o seu próprio sobrinho e vê o seu braço direito, Sílvio Dante, moribundo, ligado í s máquinas.

A sexta série é uma das mais violentas e mais abjecta, em termos de sentimentos. Toda a psicopatia daquela malta é revelada em todo o seu esplendor. O desprezo pela vida, ao mesmo tempo que as tradições da família são preservadas a todo o custo.

O modo abrupto como a o último episódio termina foi uma boa opção, como quem diz que a história, afinal, continua mas, valerá a pena continuar a contá-la?

Mamas de silicone vencem Simpsons

O país de Hugo Chavez continua a surpreender.

A entidade reguladora da televisão venezuelana, que é uma entidade estatal, decidiu proibir a emissão dos Simpsons, por considerar que se trata de uma série “imprópria para crianças”.

Em seu lugar, a Televen (a RTP lá do sítio), começou a emitir a série Baywatch.

De facto, as crianças venezuelanas, sobretudo os rapazinhos, devem achar mais interessante ver as maminhas de silicone a saltitar das meninas das Marés Vivas, em vez dos bonecos amarelos dos Simpsons a beber cerveja e a arrotar.

Resta dizer que o nome da entidade reguladora da televisão Venezuela é, ela mesma, “imprópria para crianças”, já que se chama Conatel…

“Crónicas de Uma Pequena Ilha”, de Bill Bryson

cronicaspequenailha.jpg“Notes From a Small Island” foi publicado em 1995 e os ingleses não devem ter ficado muito satisfeitos com o título que Bryson escolheu; no entanto, comparando com a Austrália, a Inglaterra não passa de uma pequena ilha.

Como é habitual, a leitura destas crónicas de Bryson é muito divertida e escolhi alguns nacos, quase ao acaso.

Sobre a passividade e a paciência dos ingleses:

“Sempre achei lamentável – de um ponto de vista global – que uma experiência tão importante, no que diz respeito í  organização de uma sociedade, fosse calhar ao povo russo quando afinal o povo britânico teria lidado com ela muito melhor. Tudo aquilo que é necessário para levar a cabo um sistema socialista rigoroso é algo que, afinal, faz parte do instinto do povo britânico. Para começar, gostam de passar por privações. São bons a trabalhar em união face a uma situação adversa, em benefício de um bem comum como é evidente. São capazes de se manter em filas durante tempo indeterminado, de forma paciente, e aceitar com resignação impar uma necessidade de racionamento, restrições leves e uma súbita e preocupante escassez de bens essenciais, como só alguém que já alguma vez esteve num supermercado í  procura de pão, numa tarde de sábado, poderá compreender. Sentem-se í  vontade face a burocracias sem rosto e, como a Sra. Tatcher provou, são tolerantes para com as ditaduras. Possuem um dom especial para dizerem piadas acerca da autoridade, sem a desafiarem de facto, e ficam deveras satisfeitos com a derrocada dos ricos e dos poderosos. A partir dos 25 anos, a maioria dos britânicos veste-se como os alemães da parte leste. Em resumo, as circunstâncias são todas a favor.”

Sobre o grande amor dos britânicos pelos animais: 

“Não existe nada que me faça sentir mais inadaptado na Grã-Bretanha do que a atitude dos seus habitantes para com os animais, í  excepção da crença inabalável que possuem em relação í s previsões climatéricas e o gosto geral por piadas que envolvam a palavra «bottom». Sabiam que a National Society for the Prevention of Cruelty to Children foi fundada 60 anos depois da Royal Society for Prevention of Cruelty to Animals, e como uma derivação desta? E sabiam que, em 1994, a Grã-Bretanha votou a favor de uma directiva da União Europeia que requeria a fixação de períodos de descanso para os animais de carga, mas contra a que estabelecia períodos de descanso para trabalhadores das fábricas?”

Sobre a imprevisibilidade do clima, na Inglaterra: 

“Tenho um pequeno recorte, já um bocado velho, que trago comigo e do qual me sirvo, í s vezes, para me divertir. Foi tirado de um boletim meteorológico que vinha no Western Daily Mail e diz: «previsão: tempo seco e quente, mas mais fresco e com alguma chuva».”

Sobre a cultura geral dos ingleses:

“Ao fim e ao cabo, é um país onde a grande final de um programa como Mastermind é frequentemente ganha por motoristas de táxis e guarda-freios. Nunca cheguei í  conclusão se isto é impressionante ou assustador – se é um país onde os maquinistas conhecem Tintoretto e Leibniz, ou um país onde as pessoas que conhecem Tintoretto e Leibniz acabam como maquinistas.”

São quase 350 páginas de devaneios de um americano, passeando por Inglaterra, tomando nota das idiossincrasias dessa pequena grande ilha, sempre com muito humor. E ficamos a saber que, afinal, não é só em Portugal que os patos-bravos dão cabo das cidades, construindo monstros de vários andares e descaracterizando as cidades do interior.

Alberto João Jardim mostra o caminho

A “Pequena Esmeralda” é um assunto recorrente nos media.

Apesar da solidariedade que podemos sentir pela miúda, não deixa de ser irritante o modo como os órgãos de comunicação tomaram partido, endeusando o sargento, que é pai afectivo da “Pequena Esmeralda” e diabolizando o pai biológico que, pelos vistos, há anos que anda a tentar obter a custódia da filha.

Não vou tomar partido, porque o assunto só me interessa como exemplo do mau jornalismo.

Ontem, mais um episódio: o tribunal tinha determinado que o pai afectivo levasse a “Pequena Esmeralda” (mesmo quando atingir a maioridade, a Esmeralda há-de continuar a ser pequena…) a visitar o pai biológico.

O encontro iria ter lugar no tribunal. No entanto, e apesar do dispositivo de segurança digno de uma estrela pop, a multidão de curiosos (avisados pela comunicação social) e de jornalistas era tal, que a miúda, compreensivelmente, teve medo de sair do carro e o encontro não aconteceu. Mas os jornalistas já se apressaram a dizer quando e onde será o novo encontro, para que tudo se possa repetir.

A reportagem que vi na televisão era mais um exemplo de voyeurismo barato: o sargento, de pé, junto ao carro, esbracejando lá para dentro; no interior do carro, a “Pequena Esmeralda”, com um rodela de distorção no rosto, cirandava entre o banco da frente e o de trás; depois, o pai biológico entrava noutro carro, e raspava-se, com a multidão de donas de casa sem nada para fazer, a gritar “vai-te embora! Malandro!”

Alberto João Jardim é que mostra como se deve fazer: proibiu a presença de jornalistas no congresso do PSD-Madeira. Diz ele que é para evitar que alguns “empregados da comunicação social” venham, depois, dizer mentiras sobre o que se passa no congresso. O eterno presidente da Madeira diz que só deixa os jornalistas entrarem para assistirem aos seus discursos de abertura e de fecho.

E podem crer que aquilo vai estar cheio de jornalistas.

A menos que, í  mesma hora, a “Pequena Esmeralda” tenha marcado algum encontro com alguém da família.