“Quantum of Solace”, de Marc Forster

—Não gostei deste filme do 007.

Talvez tenha sido porque:

– a sala estava cheia e o calor era insuportável! a Lusomundo do Fórum Almada não deve saber onde fica o botão da temperatura do ar condicionado e, mesmo de t-shirt, senti um calor de ananases!

– o som estava tão alto que gramei as apresentações dos próximos filmes tapando os ouvidos ou ficava surdo. Como o filme do Bond é uma sucessão de explosões, saí da sala com um zumbido que se manteve até í s 3 da manhã;

– durante todo o filme, ouvi o irritante som do “nha-nhac” da malta toda a empatnurrar-se com quilos de pipocas e o “shlurp-shlurp” da gajada a absorver quilolitros de Pepsi (bilhac!);

– o filme tem um intervalo idiota, que apenas serve para o “refill” das pipocas e da Pepsi;

– as cadeiras são incómodas.

Apesar disto:

A história deste “Quantum of Solace” é tão simples que eu não percebi nada. Entram uma série de organizações, tipo MI-6, CIA, PSP, GNR, BPN, MOSAD, FENPROF, CGTP e PCP-ML e, í s tantas, um tipo já não sabe quem é que está a bater em quem.

O filme é uma sucessão alucinante de perseguições e explosões e cenas de porrada, tão rápidas, com uma montagem tão frenética que ninguém percebe nada do que se passa, de quem bate em quem, de quem mata quem.

O realizador diz, em entrevista, que este Bond é mais humano porque tem menos engenhocas. í“ pá! Estás a delirar: mais realista, mais humano? Deves estar a brincar comigo – o gajo leva tanta porrada que devia ter morrido a meio do filme! E um Bond sem engenhocas, não é um Bond – é como um Superman sem super-poderes!

A Bond girl não tem graça nenhuma. Está muito traumatizada porque a mãezinha dela e a mana mais velha foram violadas por um presidente boliviano que é um cliché ambulante e, por isso mesmo, devia pertencer a outro filme. Nos filmes de Bond, as gajas não estão traumatizadas – gostam é de porrada e de uma boa queca…

Enfim, o Daniel Craig é, de facto, um bom Bond – mas este Quantum é uma seca…

Coiso Público

Estava eu no meu recato quando o Público decidiu (mais uma vez), citar um texto de O Coiso, mais precisamente o texto anterior, sobre a avaliação dos professores.

E logo uma chuva de comentários me caiu em cima.

Estou a colocá-los, a todos, no site, porque alguns são bem esclarecedores sobre a elevação da discussão deste tema, nomeadamente o comentário da Dona Gisela, que gostaria que eu não tivesse nascido e me chama merdoso. Espero que a Dona Gisela não seja professora, caso contrário, lá se vai a dignidade da classe…

Insisto: não ponho em causa a justeza dos protestos dos professores. Mas numa democracia madura, que já tem quase 35 anos de existência, estes assuntos deviam ser discutidos em sede própria e não com folclore de rua.

É a minha modesta opinião.

Avaliação dos professores – nova proposta

A ministra da Educação faz mal em não dar ouvidos aos professores. Ela é teimosa e não está a perceber que, deste modo, o PS está a perder votos.

Ontem, mais uma vez, milhares de professores alugaram autocarros e, í  boa maneira das manifestações de apoio ao Estado Novo (as chamadas manifestações espontâneas, largamanente organizadas) ou, melhor, í  boa maneira das manifestações organizadas pelo PCP durante o PREC – lá vieram eles, avenida acima, contra o processo de avaliação proposto (imposto?) pelo ministério.

E a ministra devia olhar para aqueles cartazes e escutar aqueles cânticos, para saber com quem está a lidar.

Um dos cartazes dizia: “Não í  Escola da bandalheira, para acabar com tanta asneira”.

É bonito.

Um grupo de professoras com excesso de peso, subia a avenida de braço dado e escandia:

“Piu, piu, piu – a ministra já caiu!”

Educativo.

Com tanta originalidade, a ministra bem podia nomear alguns destes crâneos para a ajudar a elaborar um novo processo de avaliação.

A minha proposta é a que segue:

INQUÉRITO DE AUTO-AVALIAí‡íƒO AOS PROFESSORES

1. Escreva o seu nome completo (não é permitido copiar pelo BI)

2. Pensa que as suas actividades pedagógicas têm contribuído para um ensino mais digno, justo e assim?

A) Sim  B) Não  C) Não sabe/Não responde

Penso que com este método de avaliação, todos os professores ficavam satisfeitos, a progressão na carreira continuaria tranquilamente, a ministra deixaria de ter chatices e acabavam-se com as manifestações, o Sócrates dormia mais descansado e o PS ganhava mais uns votos.

í€ vossa consideração…

Dear Obama

E o Obama lá ganhou as eleições norte-americanas!

Onde isto já chegou: um negro na Casa Branca! Qualquer dia, temos um cigano em Belém!

Confesso que também me entusiasmei com a vitória do Obama. Em primeiro lugar porque, se fosse norte-americano, votaria sempre nos democratas; em segundo lugar, pelo facto de Obama ser negro e nós (e sabeis a quem me refiro…) torcemos sempre pelos teoricamente “mais fracos”.

No entanto, não sejamos assim tão ingénuos: a diferença entre democratas e republicanos notar-se-á muito, no que í  política externa dos EUA diz respeito?

O que fará Obama, que McCain não faria?

Desvia a guerra do Iraque para o Afeganistão? Acaba de vez com o apoio incondicional a Israel? Passa a considerar a Europa um parceiro de igual estatura, sem a menorizar?

E internamente, terá coragem para criar, finalmente, um Serviço Nacional de Saúde, que acabe, de vez com a vergonha de os Estados Unidos terem, em algumas áreas, índices de saúde medíocres?

A taxa de mortalidade infantil, por exemplo: nos EUA é de 6,3 mortes por mil nascimentos, enquanto em Portugal é de 4,8.

A expectativa criada em redor de Obama foi enorme, mas se o gajo começar armado em Chefe do Mundo, nunca mais voto nele!

300 Salazares

O meu cunhado Fernando, que é advogado, foi convidado a dar a sua opinião profissional sobre alguns casos de violência doméstica, no programa da TVI, “Você na TV”.

Aceitou e safou-se muito bem, explicando o que tinha que explicar, de um modo simples e directo. Não tenho dúvida de que os espectadores perceberam o que ele quiz dizer e ficaram mais esclarecidos.

Eu nunca vejo a TVI, excepto se transmite algum jogo do Benfica. Mas hoje abri uma excepção, para ver o Fernando.

Claro que se pode questionar a participação num programa tão reles, como o do Goucha. Valerá a pena? Não será até imoral participar numa coisa tão abjecta como aquela?

Acho que o Fernando fez bem em aceitar. Pelo menos, ele fez o contraponto ao chorrilho de asneiras que foram os testemunhos dos outros convidados e as parvoíces populistas do Goucha. Pelo menos, o Fernando explicou que a decisão de libertar alguém a meio da pena é tomada por um juiz, não é nada de automático, que é não é por isso que se evita ou se acelera o cometimento de mais um crime, etc. Foi ponderado, esclarecedor e correcto.

No entanto, Fernando, aquilo são pérolas a porcos.

O tio da jovem que foi assassinada pelo ex-marido, apesar de demonstrar grande consternação pela sua perda, não deixou de afirmar que o que o país precisa é de “300 Salazares”!

Por que carga de água o pobre do homem haveria de querer 300 Salazares?

A primeira coisa que um Salazar (e não eram preciso 300) faria era calar o homem – e, de caminho, calava também o Goucha, o que não deixaria de ser uma vantagem…

“Os Lusíadas”, de Zé Paulo

—O Zé Paulo é meu irmão.

Dito isto, quero garantir que, ao dizer que este cd duplo do Zé Paulo é muito interessante, não estou a fazer nenhum favor fraternal.

Há muitos anos que o Zé Paulo faz música “caseira”. É tudo da sua autoria ou, como ele costuma dizer “feito por mim, do princípio ao fim”. É ele que compõe, arranja, mistura, toca todos os instrumentos, grava em cd, faz as capas e distribui pela família e amigos.

Mas este “Os Lusíadas” merecia uma plateia mais ampla. São dez faixas que percorrem os 10 cantos de Os Lusíadas. Por vezes, a música faz-nos lembrar o Jean Michel Jarre, nos seus tempos bons; outras vezes, lembramo-nos do Vangelis ou da música para filmes de John Williams.

Quem estiver interessado em conhecer este trabalho, contacte zepaulo@netcabo.pt.

Não te cales, Manuela!

—Já percebi por que razão Manuela Ferreira Leite esteve tanto tempo calada.

Manuela estava apenas a tomar balanço!

E agora, que começou a falar, é bom que não se cale, porque a senhora, apesar daquele ar sério, é de uma comicidade formidável.

Qual Buster Keaton, que fazia os maiores disparates sempre com aquele fácies fechado, Manuela diz, por exemplo, que a decisão de aumentar o salário minimo em 24 euros, “roça a irresponsabilidade” (e a conotação do verbo “roçar” é sempre curiosa…) – e diz, agora, que a construção das grandes obras públicas (aeroporto e TGV) contribuem para resolver os problemas do desemprego… de Cabo Verde e da Ucrânia!

í“ Manuela, a senhora é impagável!

Que boa piada!

Embora se tenha esquecido dos brasileiros. Os nossos irmãos brasileiros imigrados, apesar de preferirem a restauração, o turismo ou outras ocupações alternativas, também trabalham nas obras. Bem como os guineenses, alguns quenianos e mesmo um ou outro marroquino.

Por favor, Manuela – não se cale!

Desde os tempos áureos do Sr. Lopes que não me divertia tanto com a leitura de entrevistas políticas.

“There Will Be Blood”, de PT Anderson

—Um filmaço (quase duas horas e meia) para proporcionar um óscar a Daniel Day-Lewis, que faz o papel de Daniel Plainview, um prospector de petróleo, na Califórnia do princípio do século 20.

Plainview não olha a meios para conseguir os seus intentos, chegando a utilizar o seu falso filho como chamariz para obter melhor preços nas terras que vai comprando.

O centro do filme acaba por ser o duelo entre Plainview e Eli Sunday (Paul Dano), que se julga representante de Deus na Terra, fundando uma igreja evangélica, í  qual Plainview promete doar 5 mil dólares, em troca de poder perfurar o território. No entanto, nunca vai cumprir essa promessa e a relação entre os dois homens degrada-se, ao longo dos anos.

Day-Lewis faz um papelão, muito distante das suas anteriores prestações, é mau como as cobras, obstinado, violento e, como todos os tipos que se dedicam a vida inteira a uma só coisa, um pouco louco.

E, no fim, haverá sangue, claro…

“Beatles – A História Secreta”, de Geoffrey Giuliano

—Na contracapa deste livro, lê-se: “a leitura deste livro mudará para sempre a maneira como vemos e ouvimos os Beatles”.

Não muda coisa nenhuma!

O livro é uma aglomerado de pequenos pormenores sem importância nenhuma, descrições de crises de mau humor de John Lennon, como McCartney se entregava í s drogas, como Ringo era um tipo porreiro, embora alcoólico e como Harrison era o mais simpático deles todos, muito Hare Krishna, etc e tal.

Não há história secreta nenhuma – apenas episódios soltos que talvez não tenham sido conhecidos porque, no tempo dos Beatles (1962-1970), os meios de comunicação social não eram tão agressivos e intrusivos como são hoje. Mesmo assim, os Beatles foram obrigados a viver uma vida inteira praticamente como reclusos, sobretudo durante aqueles oito anos de maior exposição.

Enfim, acabei por ler o livro todo por inércia, mas confesso que perdi o meu tempo…

Tenham medo, tenham muito medo!

O general Loureiro dos Santos disse que os militares estão descontentes com a política do Governo em relação í s Forças Armadas e que esse descontentamento poderia “conduzir a actos de desespero”, atitudes “irreflectidas”, por parte de “militares mais jovens”.

Ontem, dezenas de oficiais juntaram-se para um jantar em que se debateu, í  porta fechada, “o mal-estar” que se vive nas Forças Armadas.

O general Silvestre dos Santos disse que estes problemas “existem há muito tempo, mas que se agravaram em 2005, quando foram tomadas medidas í  revelia dos militares”, sobretudo no que diz respeito í  assistência na doença. Acrescentou que é urgente “os órgãos de soberania tomarem decisões antes que a situação se agrave”. Disse mais: a situação “poderá não chegar í s consequências do 25 de Abril, mas poderá agudizar-se”.

E os militares farão o quê?!

Dão um tiro no Sócrates? Invadem a Assembleia da República? Fecham os quartéis e vão para casa? Declaram guerra í  Mauritânia? Pintam a cara de preto? Rasgam os uniformes? Fazem uma manifestação todos nus?

Tudo isto seriam atitudes irreflectidas, como disse Loureiro dos Santos.

Estamos, portanto, no campo das ameaças.

É uma boa maneira de tratar dos problemas.

Os médicos, para obterem melhores salários, poderão ameaçar receitar os antibióticos errados.

Os professores, em vez de andarem aos gritos na Avenida da Liberdade, podem combinar não dar mais que 8 valores a todos os alunos, em todas as disciplinas.

Os trabalhadores que recolhem o lixo, podem passar a espalhá-lo pelas ruas.

Os motoristas dos transportes públicos podem começar a andar sempre em marcha atrás…

Independentemente de terem, ou não, razão nas suas reivindicações (a história da assistência na doença também daria pano para mangas, nomeadamente, a utilização dos cartões da ADME, ADMA, etc por toda a família, vizinhos e amigos…) – penso que os militares não têm o direito de fazerem ameaças deste género para tentarem vergar o poder político.

Ou então, eu estou enganado e vamos mas é fazer mais um golpe de Estado.

Estou disponível até í  próxima quarta-feira.

Depois, acabam-se as férias e teremos que combinar outra altura…