“A Filha Única”, de Guadalupe Nettel (2020)

As escritoras mulheres continuam a dominar.

Ultimamente tenho lido livros de qualidade, escritos por mulheres e cada vez gosto mais delas!

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Este livro é um excelente exemplo. Li-o em dois dias, em duas viagens, de Lisboa ao Porto e vice-versa.

Guadalupe Nettel é uma escritora mexicana que, com este livro, foi finalista do Booker Internacional de 2003.

O livro aborda uma questão complexa: ter ou não ter filhos. É aceitável não os ter?

A história é narrada por Laura, que decidiu não ter filhos e ela conta a história da sua amiga Alina que, depois de ter decidido não ter filhos, acabou por alterar a sua ideia e procurar a natalidade a todo o custo. Acabou por engravidar e enfrentar um grande problema: uma filha com uma doença genética incompatível com a vida, aparentemente.

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Paralelamente, conhecemos a história da vizinha de Laura, viúva recente, e com um filho de oito anos violento e revoltado e ainda a pequena história dos pombos que estão a chocar ovos na varanda de Laura.

Aconselho vivamente!

“Annie John”, de Jamaica Kinkaid (1983)

Jamaica Kinkaid é o pseudónimo da escritora Elaine Potter Richardson, nascida em 1949 na ilha de Antígua e Barbuda. Aos 17 anos, deixou a sua ilha natal e emigrou para Nova Iorque. Acabou por se tornou colaboradora da revista New Yorker e este “Annie John” foi o seu romance de estreia.

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É um pequeno livro que se lê de uma penada e que nos deixa tristes por acabar, ao contrário de muitos calhamaços que agora se escrevem e que não precisavam de ser tão densos e longos.

O livro, quem sabe autobiográfico, conta-nos a história de uma menina, Anni John, que vive numa ilha caribenha com o pai, um homem já velho, e a mãe, muito mais nova que ele e com quem Annie tem uma relação muito próxima – relação que se vai modificando à medida que ela cresce.

Todo o livro é delicioso e escolho este pedaço como podia escolher outro qualquer:

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“Passámos pelo consultório do médico que disse três vezes à minha mãe que eu não precisava de óculos e que lhe recomendou que, se eu sentisse que tinha a vista fraca, tomasse um copo de sumo de cenoura por dia, para a fortalecer. Isto aconteceu quando eu tinha oito anos. todos os dias, no intervalo, corria para o portão da escola, onde a minha mãe me esperava com um copo de sumo de cenoura acabadas de ralar e espremer; depois de beber, corria outra vez para me juntar às minhas colegas. Bem sabia que não tinha problema nenhum nos olhos, mas tinha lido recentemente, no The Schoolgirl’s Own Annual, uma história cuja heroína, uma rapariga poucos anos mais velha do que eu, me impressionara tanto com o modo como estava sempre a endireitar os óculos pequenos e redondos, com armação de tartaruga, que senti que precisava de ter uns óculos iguais”.

Recomendo!

A avó do Ventura queria dois Salazares

O André Ventura é um cómico.

Melhor: o André Ventura é um palhaço.

Dizem os dicionários que palhaço é um actor que tem a intenção de divertir o público e basta ver Ventura, quer no Parlamento, quer agora na campanha eleitoral, para perceber que é essa a sua intenção.

Ao se pôr aos saltinhos, quando alguém da comitiva diz para se porem todos aos saltos, quando fala aos jornalistas, a desdizer o que o seu cabeça de lista acabou de dizer, ao escutar, com aquele ar contristado, o depoimento de um imigrante, voltando-lhe logo as costas – em tudo, Ventura tenta fazer palhaçada.

Mas a maior de todas foi quando se referiu à avó.

Não conheço a avozinha do Ventura, nem sei se a senhora ainda será viva. Caso esteja viva, seria bom que algum jornalista procurasse entrevistá-la para obter a sua confirmação sobre as afirmações do seu neto. Disse o Ventura que a avó costumava dizer que “isto só ia lá com dois Salazares”.

Coim aquele ar sorridente que ele gosta de afivelar, lambendo as beiças com frequência, como se estivesse permanentemente com sede, Ventura concluiu, dizendo que, agora, já não eram precisos dois Salazares porque havia um Ventura.

Ficámos, então, a saber que o Ventura acha que vale por dois Salazares. Portanto, se o Botas esteve no Poder 36 anos, teríamos de aturar o Ventura 72 anos!

Ventura, sem qualquer ternura/ merda, merda, merda pura

André, quer queiras, quer não/ terás de voltar para o Algueirão…

“A Idade do Vício”, de Deepti Kapoor (2023)

Poucas informações se obtêm sobre esta escritora indiana que, neste momento, vive em Portugal. Consigo perceber que cresceu no norte da Índia e que trabalhou como jornalista durante algum tempo. Este livro, publicado em 2023, é o seu segundo romance ““ e que romance.

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São 646 páginas com todos os ingredientes para fazer um grande filme de aventuras ou uma série de televisão ““ e parece que os direitos do livro foram comprados por uma produtora subsidiária da Disney.

A história deste calhamaço gira em torno de Ajai e de Sunny. Ajai é um miúdo pobre, cuja mãe acaba por vender a uns ricalhaços, depois de ficar viúva. Depois de muitas atribulações, Ajai vai tornar-se o servo de Sunny, o filho de um grande senhor do Uttar Pradesh, que enriqueceu graças í  especulação.

Por um lado, vemos a luta que Sunny trava consigo próprio, tentando agradar ao pai, mas nunca conseguindo. Por outro, vemos a luta de Ajai que, ao mesmo tempo que se quer manter fiel a Sunny, se vê sempre subjugado por ele.

Lê-se com um grande livro de aventuras…

“A Mercearia do Mundo”, direção de Singaravélou e Venayre (2022)

Ora aqui está um livro muito curioso que, ao longo de quase 500 páginas, elenca numeras comidas e bebidas que, de algum modo, são icónicas de determinados lugares do Mundo.

E a escolha é muito diversificada, desde o vinho do Porto ao hambúrguer, passando pelo attiéké, o parmesão, o guacamole, o húmus e muitos mais.

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Cada entrada desta espécie de dicionário tem o seu autor e não ocupa mais do que duas ou três páginas.

Algumas curiosidades:  

Acerca do caril: “…Esta mistura de especiarias em pó transforma-se, assim, numa mercadoria para exportação: ao regressar a Inglaterra, os nababos ““ nome dado aos britânicos que tinham vivido e trabalhado na Índia ““ saudosos dos sabores indianos, são dela grandes consumidores.”

A propósito da baunilha: “…A vanilina é uma molécula que está presente tanto na verdadeira baunilha como nos produtos de síntese com aroma de baunilha, e apenas algumas máquinas conseguem distinguir a diferença entre as duas. (…) o castóreo ““ a secreção das glândulas anais do castor ““ foi utilizado para obter um aroma de baunilha mais em conta para os produtores. (…) Mais recentemente, a cientista japonesa Mayu Yamamoto conseguiu produzir uma fragrância de baunilha a partir de estrume de vaca.”

Sobre a malagueta: “…Esta substância (a capsaicina, que existe na malagueta) é também o principal ingrediente do Pepper-spray (erradamente traduzido por gás-pimenta, uma vez que o spray é feito com extracto de malagueta e não com pimenta, e esta não possui capsaicina).”

Sobre a charcutaria: “…A Armour, em Chicago, é a maior fábrica de charcutaria do mundo, em 1900. Mais de 50 milhões de porcos são, então, processados todos os anos pelos matadouros dos Estados Unidos, que concentram 40 por cento dos porcos do planeta”

Sobre o spam: “…Apesar do sucesso, o spam continua a ser objecto de troça. Em 1970, um famoso sketch dos Monty Python põe em cena dois clientes de um restaurante que só serve pratos de spam, incluindo um lagosta í  Thermidor, com camarões ao molho mornay, servida í  moda provençal, com chalotas e beringelas, guarnecida com patê de trufas, regada com aguardente e servida com ovo estrelado e spam (…). A palvara spam é dita 132 vezes em dois minutos.”

Sobre a pimenta: “…A pimenta é também muito usada na medicina chinesa. É um remédio valioso para dores de estí´mago, problemas renais ou, misturada com rabanete, para crises epilépticas.”

Sobre o whisky: “…valorizado, num primeiro momento, pelas suas virtudes medicinais, detalhadas cuidadosamente nas Crónicas, de Holinshed (1577): «Tomado com moderação, retarda o envelhecimento, fortalece a juventude, facilita a digestão,… afasta a melancolia, ilumina o coração, alivia a mente, restaura o ardor… Para dizer a verdade, é um licor soberano, se tomado de forma razoável»”

Sobre a carne de cão: “…O fragmento 22 do Huang Di nei jing su wen ““ mcompilação médica atribuída ao mítico imperador Amarelo, que terá vivido no III milénio a.C. ““ aconselha, no caso de doença cardíaca, a ingestão de alimentos ácidos: feijão, ameixa, cebolinho e carne de cão”. O livro termina com um postfácio de Francisco José Viegas que sublinha a influência da nossa História em muitos dos alimentos listados, sobretudo graças aos navegadores

Expressionismo parlamentar

O Expressionismo surgiu na Alemanha no início do século 20, como um movimento artístico que, de certo modo, se opunha ao Impressionismo, dando mais importância í  visão interior do artista ““ í  sua expressão.

Aparentemente, o Expressionismo atingiu, agora, a Assembleia da República.

Depois do Ventura ter sugerido que o povo turco gosta pouco de trabalhar, a deputada Alexandra Leitão, do PS, perguntou ao Presidente da Assembleia se um deputado poderia dizer que uma determinada etnia é mais burra que outra e Aguiar Branco respondeu que sim ““ que isso seria liberdade de expressão. Expressionismo, portanto.

Logo a seguir, a deputada do PS, Isabel Moreira veio revelar que os deputados do Chega costumam chamar vacas a algumas deputadas, gostam de mugir, quando elas se levantam e insinuou que, í s deputadas assumidamente lésbicas, chamam determinados nomes (Fufa? Sapatona? Fressureira?).

Por seu lado, uma ex-deputada do PS, africana, disse que um deputado do Chega a cumprimentou com uma boa noite, em pleno dia, numa referência í  cor da sua pele.

Também um deputado do Livre afirmou ouvir algumas bocas lançadas pela bancada do Chega e a deputada do PAN também acrescentou mais algumas achas para a fogueira.

Não sei qual é o espanto…

Tudo isto é liberdade de expressão, isto é, Expressionismo.

Aguardamos, a todo o momento, que a Assembleia da República passe rapidamente ao Cubismo.

PS ““ Liberdade de expressão na Assembleia não é novidade. Recordo, a propósito, este texto de marco de 2009

“Refúgio no Tempo”, de Gueorgui Gospodinov (2020)

Gospodinov nasceu na Bulgária em 1968 e com este livro venceu o International Booker Prize de 2023. Foi um dos melhores livros que li nos últimos tempos.

Como o título do livro indica, o tema deste romance é o tempo, o tempo passado, sobretudo o tempo passado.

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Recheado de grandes ideias, apetece-me citar muitos trechos do livro.

Gospodinov viveu, durante alguns anos, na ditadura comunista, com todo o seu folclore. Com as devidas e enormes diferenças, ao ler certas partes deste livro, lembro-me do nosso tempo sob o regime salazar-caetano, a viver neste pequeno país isolado, com uma língua que poucos falam na Europa:

“…(…) estávamos a conversar í  vontade, tirando proveito do privilégio de falarmos uma língua menor, da tranquilidade de sabermos que ninguém nos percebia enquanto dizíamos mal de tudo. (…) para um búlgaro, queixar-se é como alar do tempo.”

E as similitudes entre a Bulgária e Portugal continuam…

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“…(…) simplesmente, os anos 60, como aliás acontecia com tudo no nosso país, chegaram í  Bulgária com dez anos de atraso.”

A primeira grande ideia deste livro é esta: criar uma clínica para doentes com Alzheimer, em que cada andar corresponde a uma década, onde são recriadas as memórias. Desse modo, um doente que tenha crescido na década de 60, será integrado num espaço onde essa década é recriada, de modo a refrescar a sua memória doente.

Gospodinov sublinha que a nossa memória vive muito dos cheiros:

“…É notório, de facto, que nem sequer temos nomes para os cheiros. Deus ou Adão não fizeram o seu trabalho até ao fim. Não é como com as cores, por exemplo, onde temos o vermelho, azul, amarelo, violeta… Mão nos foi dada a capacidade de designar directamente os odores. É sempre através de comparações, sempre com descrições. Cheira a violetas, a torradas, a algas, a gato morto…”

Na tal clínica para doentes de Alzheimer…

“…No andar de cima instalaram-se os anos 50. Eli era o reino de Elvis Presley, de Fats Domino, Dizzy Gillespie, Miles Davis, onde se podia ouvir toda aquela maravilhosa mistura de jazz, rock and rol, pop, bem como o sinfónico, mas já fora de moda, Frank Sinatra. Ali estavam Intriga Internacional, Hitchcock, cary Grant, As Noite de Cabíria, Fellini, Mastroianni, Brigitte Bardot, Dior…

(…) O corredor entre o Ocidente e o Leste estava dividido a meio por uma “…cortina de ferro”, um portão de madeira maciça que estava sempre fechado í  chave e que só o pessoal autorizado podia atravessar. (…) Em dado momento, verificou-se uma tentativa de evasão. Um homem do corredor Leste, tentou passar por cima do «muro», mas acabou por cair e partiu uma perna”

Mas a clínica para doentes que estão a perder a memória é apenas uma das ideias deste livro. O tempo, a passagem do tempo, é o fio condutor do romance.

“…Que grande roubo é a vida (e o tempo), não é? (…) Mas aquele ladrão, a vida ou o tempo, chega e tira-te tudo ““ a memória, o coração, o ouvido, a coisa que tu sabes. Nem escolhe, leva tudo o que encontra. Como se isso não chegasse, ainda goza contigo. Faz com que o teu peito fique flácido, o teu rabo escanzelado, as tuas costas tortas, o teu cabelo ralo e pintalgado de branco, enche os teus ouvidos de pêlos, espalha sinais pelo corpo todo, manchas de velhice nas mãos e na cara, faz com que digas disparates, e que fiques calado, como um imbecil sem memória, porque te roubou todas as palavras.”

O autor demonstra uma grande mágoa pelo seu país, sobretudo pelo domínio comunista e pelo modo como o povo o aceitou.

“…Se há ainda alguma coisa capaz de salvar o país de todo o kitsch que lhe cai em cima, disse para mim próprio, será sem dúvida a preguiça. A preguiça e o desleixo. (…) Em países preguiçosos e desleixados, nem o kitsch nem o mal se podem aguentar por muito tempo, porque também exigem esmero e manutenção.”

Outra grande ideia do livro: cada país da Europa vai organizar um referendo para decidir em que década quer passar a viver, uma década que tenha sido feliz, em que tudo tenha corrido bem.

Aqui está a ideia do autor no que respeita a Portugal que, em búlgaro, se diz «portukal»:

“…Portugal, por analogia, após um regime longo e frio que acabou com a Revolução dos Cravos, iria escolher os meados dos anos 70 para um novo início enquanto ainda se mantinha viva a embriaguez de 1974. Mas também enquanto se mantinha ainda fresca a recordação do Estado Novo, de Salazar e do seu sucessor Caetano, uma recordação que se podia incluir na infelicidade de ser português.”

O livro de Gospodinov é muito rico e vale cada uma das suas 290 páginas. Recomendo vivamente.

Coisas que o Aguiar Branco deixa que o Ventura diga na Assembleia da República

A propósito da construção do novo aeroporto em Alcochete que, segundo o governo da AD, poderá demorar dez anos, o histérico do Ventura disse, no Parlamento, que o aeroporto de Istambul foi construído em cinco ou seis meses – isto, apesar de “o povo turco não ser conhecido por ser muito trabalhador”.

Em que se baseou o biltre do Ventura para dizer isto? Tinha, em seu poder, estatísticas que provavam que o povo turco é calaceiro?

Claro que não! Na sua habitual ignorância e má-educação, disse aquilo como poderia ter dito outra alarvidade qualquer. Ventura julga-se superior. Todos os seus súbditos dizem que ele é brilhante, uma suprema inteligência. Vai daí, o homenzinho incha. Para ele, os turcos são uma coisa tão longínqua, tão distante, tão inferior, que só podem ser preguiçosos.

Todas as bancadas í  esquerda se indignaram com a frase do Ventura, mas o Presidente da Assembleia da República, Aguiar Branco recusou intervir, dizendo que não queria coartar a liberdade de expressão.

Portanto, dizer que o povo turco gosta pouco de trabalhar, não é um insulto – é liberdade de expressão.

Nesse caso, podemos, na Assembleia da República, dizer que uma determinada etnia é burra, perguntou a deputada do PS?

Podemos, respondeu o Presidente. Não são insultos – são liberdades de expressão.

Vou ajudá-lo. Aqui estão 800 “liberdades de expressão” que André Ventura e seus apaniguados poderão usar, a partir de agora, no Parlamento.

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Jacobino, jagunço, javardo, judeu

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Quadrilheira, quatro-olhos, quebra-bilhas, queixinhas, quezilento

Rabalhusco, rabeta, rabichola, rabugento, racista, radical, rafeiro, raivoso, ralé, rameira, rameloso, rancoroso, ranhoso, raquítico, rasca, rascoeira, rasteiro, rata de sacristia, reaccionário, reaças, relaxada, reles, repelente, repugnante, réptil, ressabiado, retardado, retorcido, rezingão, ridículo, roto, rufia, rústico

sabujo, sacana, sacripanta, sacrista, sádico, safado, safardana, salafrário, saloio, salta-pocinhas, sandeu, sapatona, sarnento, sarrafeiro, sebento, seboso, sem classe, sem vergonha, serigaita, sevandija, sicofanta, siflitico, sinistro, simplório, snob, soba, sodomita, soez, somítico, sonsa, sórdido, sorna, sovina, suíno, sujo, superficial

tacanho, tagarela, tanso, tarado, tarado sexual, taralhouca, tavolageiro, teimoso, tinhoso, tísico, títere, toleirão, tolo, tonto, torcionário, torpe, tosco,  totó, trabeculoso, trafulha, traiçoeiro, traidor, trambolho, trapaceiro, trapalhão, traste, tratante, trauliteiro, tresloucado, trinca-espinhas, trique-lariques,  triste, troca-tintas, trogalho, troglodita, trombalazanas, trombeiro, trombudo, trouxa

Unhas de fome, untuoso, urso

Vaca gorda, vadio, vagabundo, vaidoso, valdevinos, vândalo, variado, vasola, velhaco, velhadas, vendido, verme, vesgo, víbora, viciado, videirinho, vigarista, vígaro, vil, vilão, vingativo, vira-casacas

Xenófobo, Xé-xé, xico esperto

zarabulhento, zarolho, zé-ninguém, zelota, zero í  esquerda