Para inglês ver…

A União Europeia sempre foi para inglês ver.

Puritanos, os ingleses da Old England sempre desprezaram os que viviam í  grande e í  francesa.

Aderiram í  CEE por puro spleen, porque não tinham mais nada para fazer.

Sempre desdenharam.

Diz-se que quem desdenha, quer comprar, mas os ingleses queriam, sobretudo, vender.

Agora, querem regressar ao velho British Empire, como se ainda mandassem na Índia e na ífrica do Sul e continuasse a ser rule Britannia, Britannia rules the waves.

Faz lembrar o Angola é nossa

Claro que Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente de todos os Presidentes, já emitiu a sua opinião.

No final do jogo contra a Hungria, Marcelo estabeleceu novas regras: no final dos jogos da selecção, os jornalistas têm que ouvir o seleccionador, um jogador de campo e o Presidente da República.

Marcelo tem sempre um opinião a emitir.

O que é que isto tem a ver com o Brexit?

Tudo!

Com a saída do Reino Unido, as quatro equipas nacionais britânicas vão passar a participar nos campeonatos da Commonwealth e deixamos de nos preocupar com a Inglaterra, o País de Gales e a Irlanda do Norte.

Resta a Escócia, que votou a favor do Remain e que merece todo o nosso amor.

I love scotch, if you know what I mean...

marcelo brexit

O Castro Laboreiro que há em nós

“Nunca houve uma choldra assim no universo!”, dizia Eça de Queiroz, pela voz de uma das suas personagens de Os Maias, referindo-se a Portugal.

País de provincianos.

Invejosos dos tiques dos citadinos, envergonhados das suas tradições, novos ricos.

Portugal é lindo, o povo nem por isso.

Todo este azedume vem a propósito de tudo e de coisa nenhuma.

O presidente Marcelo Rebelo de Sousa tem um cão, um pastor alemão chamado Asa, oferta da Força Aérea.

A este propósito, Américo Rodrigues, vice-presidente da Associação Portuguesa do Cão de Castro Laboreiro, disse ao Público:

“Nada nos move contra o Pastor Alemão ou qualquer outra raça. Mas isto de o Presidente ter um cão de raça estrangeira em Belém é como fazer um brinde com whisky numa cerimónia oficial, em vez de o fazer com vinho do Porto ou um Madeira”

Provinciano, menino! – como diria o Eça.

Ainda por cima, vindo de um tipo que não se chama Manuel nem António, mas Américo!

 

Sol encoberto

O Sol é um jornal de direita.

Isto já toda a gente sabe.

Mas é, sobretudo, um mau jornal.

No que respeita a Comunicação Social, é quase tão mau como o Observador.

E só não é tão mau como o Observador porque só sai aos sábados, enquanto que o Observador está sempre on line.

Como sou masoquista, continuo a receber as mensagens do Observador, que são apenas de dois tipos: desgraças e coisas contra o governo do Costa…

Durante muitos meses, o Sol foi o jornal pró-Passos Coelho e anti-Sócrates.

Depois de Passos conseguir ser primeiro-ministro, o semanário passou a ser só anti-Sócrates.

Semanas a fio a palavra Sócrates figurava sempre na primeira página do Sol.

solcratesDe tal modo, que sugeri que mudasse de nome.

De Sol para Solcrates.

Agora, o Sol vive momentos difíceis.

Passos ganhou as eleições mas perdeu o governo.

Os partidos de esquerda entenderam-se e, pela primeira vez desde 1974, aprovaram o mesmo Orçamento.

Para cúmulo, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa parece estar a entender-se com António Costa.

Esta semana, Passos Coelho criticou Costa por se meter com a Banca, mas Marcelo veio em defesa do primeiro-ministro e, como disse Pacheco Pereira, deu uma grande estalada no líder do PSD.

Esta situação mereceu a atenção do Sol, com título de primeira página, que rezava assim:

“Esquerda desconfia do apoio de Marcelo ao governo”!

Não escolheram: “Direita zangada com Marcelo por apoiar governo”.

Ou: “Marcelo traidor!”.

Ou: “Passos decide expulsar Marcelo do PSD devido ao seu apoio ao governo”.

Não.

O Sol virou o bico ao prego e atirou com o odioso para a esquerda.

Jornalismo de merda, é o que é…

Votem Marcelo e ide para o Purgatório!

Marcelo Rebello de Sousa é o novo presidente da República.

As eleições são desnecessárias.

A edição de hoje do DN, publica uma entrevista com o candidato-praticamente-eleito.

E o homem diz coisas lindas.

Primeira coisa linda:

«Um sítio onde é sensacional rezar o terço é a nadar no mar»

Que ternura católica!

Nunca me passaria pela cabeça rezar a nadar o terço.

Sobretudo porque não sei fazer uma coisa nem outra!

Será que o futuro presidente Marcelo, quando nada, reza o terço para que não se afogue?

Seria mais avisado não ir sequer nadar!

Pode acontecer deus estar distraído e, apesar do nadador rezar com muito fervor, ir ao fundo na mesma!

Segunda coisa linda:

«Acredito no Purgatório, há uma punição por aquilo que é o saldo negativo do haver-dever»

Um presidente que acredita no Purgatório – e, por extensão, no Céu e no Inferno!

Pensei que já não havia disto!

Acredito que o próprio Papa Francisco já nem acredita nessas tretas!…

Mas Marcelo acredita.

O homem acredita que há uma punição pelo saldo negativo do haver-dever?

Porra: então não é suficiente ter tido o Cavaco dez anos como Presidente e depois levar com o Marcelo?

Para que raio precisamos nós do Purgatório?!

Quem quer um presidente surdo?

Parece que não vai ser preciso realizar eleições presidenciais: Marcelo já ganhou!

O homem nem precisa de fazer cartazes, autocolantes, bonés ou t-shirts.

Basta sentar-se num sofá na Faculdade de Direito de Lisboa e esperar que os jornalistas lhe façam perguntas.

E ele responde, tranquilo, já em pose de presidente: estará atento, fará tudo para, procurará consensos, não hostilizará, representará o sentir dos portugueses, será o presidente de todos nós.

Para quê fazer eleições, gastar todo aquele dinheiro em boletins de voto, urnas e mais não sei o quê?

Durante anos, o professor andou a ganhar fortunas a dar palpites, saltando da TSF para as várias estações de televisão, preparando o terreno para, quando chegasse a altura, dar o passo em frente e ser aclamado.

Mas estamos perante um drama: Marcelo acabou de fazer 67 anos e confessou que ouve melhor do ouvido esquerdo que do direito (confirmar aqui).

Não tarda nada, está tão totó como o Cavaco!…

marcelo ouvido

Marcelo – O treinador de bancada

Marcelo Rebelo de Sousa é o típico treinador de bancada.

Desde 1980 que manda bitaites sem praticamente ir a jogo.

Começou no Expresso, continuou no defunto Semanário, passou para a TSF, continuou na RTP e assentou arraiais na TVI – como bom católico, fazia o seu sermão dominical.

E tinha acólitos certos e paróquia garantida.

Se o Professor Marcelo diz, é porque é verdade – mesmo quando ele endrominou o super-esperto Portas, com a história do jantar com vychissoise.

Como o verdadeiro treinador de bancada, Marcelo apregoa tácticas, garante estratégias mas, quando esteve no terreno, só teve derrotas.

Católico devoto, Marcelo vive em pecado com a namorada, depois de se divorciar da sua mulher. Claro que vai para o Inferno quando morrer!

Do seu currículo, para além dos sermões dominicais, destaca-se a presidência da Assembleia Municipal de Celorico de Basto.

E agora, quer ser presidente de todos os portugueses.

Não contes comigo, pá…

marcelo dívida