Sou do tempo em que havia jornais da manhã e jornais da tarde. De manhã, saía o Comércio do Porto, o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias, o República e o Século. í€ tarde, saíam o Diário de Lisboa, A Capital e o Diário Popular.
Isto era no tempo da Outra Senhora, em que havia ardinas (alguém se lembra deles?).
Tinham um saco de pano a tiracolo, onde transportavam quilos de jornais. E havia pessoas que faziam assinatura de jornais! Os ardinas passavam, cá em baixo, na rua, dobravam o jornal e atiravam-no com destreza, para a varanda do terceiro andar. Nunca falhavam.
E apregoavam os jornais.
Diz-se – que eu nunca ouvi – que chegavam a apregoar, nas ruas da Baixa, “Lisboa, Capital, República, Popular”, só para chatear os salazaristas.
Usando os títulos dos jornais mais vendidos, iam dizendo que Lisboa era a capital de uma República Popular.
Também sou do tempo do Banco Fonsecas e Burnay que, em maio de 1980, resolveu abrir mais três agências: em Alvor, em Lixa e em Vila Velha de Ródão.
Tal como os ardinas faziam com os títulos dos jornais, também o Banco, com os nomes das terras fez com que Alvor lixasse Vila Velha de Ródão…