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O Coiso
Um dia destes...

Abril 2005:

Coisas que acontecem

| Dois homens e um partido | Correia de Campos no Monte | Iogurtemania | Chega de Papa! | Já sinto paixão || Marquitos - o novo líder do PSD | A frase de Miguel Esteves Cardoso | Portugal no seu melhor | Por que o novo papa não pode ser português |


Sábado, 30 de Abril
Dois homens e um Partido
O CDS-PP escolheu, finalmente, o seu novo líder - aliás, os seus novos líderes.

Depois da saída de Paulo Portas, o CDS-PP ficou órfão e parecia que ninguém estava interessado em liderar a coisa.

Na véspera do Congresso, surgiu a candidatura de Telmo Correia, que parece que foi empurrado. Foi como se todos os militantes do Partido estivessem alinhados e alguém dissesse: quem quiser ser líder do PP, dá um passo em frente! E todos deram um passo atrás, excepto o Telmo, que não percebeu a ordem.

Afinal, durante o Congresso, acabaram por se candidatar quatro homens: o Telmo, um tipo cujo nome ninguém fixou, Ribeiro e Castro.

Os militantes, conhecedores da grave crise que o Partido atravessa, acharam que um homem não era suficiente para o liderar e optaram por uma coligação: Ribeiro e Castro.

Telmo Correia não deve ter ficado nada satisfeito e Paulo Portas, muito menos. Afinal, parece que a sua passagem pela direcção do PP não deixou saudades: depois de tanta pose de Estado, depois de ter andado a apregoar que o Partido iria chegar aos 10%, o Paulinho sai pela direita baixa e nem sequer consegue que o Partido escolha o seu delfim para novo chefe!

Entretanto, os novos líderes parece que também não estão muito interessados no PP. Deputados no Parlamento europeu, Ribeiro e Castro já avisaram que vão continuar a viver em Bruxelas.

 

Domingo, 24 de Abril
Correia de Campos no Monte
Correia de Campos visitou o Centro de Saúde onde trabalho há 20 anos e disse que ele era, talvez, um dos melhores do país! Talvez!?...

Sábado, 23 de Abril
Iogurtemania
Detesto iogurtes!

Sempre detestei!

Quando era puto, os iogurtes eram a sério. Fabricados pela UCAL (urina com algum leite), eram coisa rara. Felizmente. Mas já nessa altura se dizia que eram saudáveis. Vinham em boiões de vidro grosso, eram espessos como gesso e amargos como fel. Tínhamos que despejar toneladas de açúcar por cima daquela mistela para a conseguir engolir. E, com tanto açúcar, a "saudabilidade" do iogurte acaba por ficar afogada com o excesso de hidratos de carbono.

A princípio, só existiam iogurtes como deve ser, isto é, de leite. Depois, começaram a aparecer os iogurtes com sabor a morango e até a chocolate. A custo, engoliam-se...

Na década de 70 do século passado, as máquinas de fazer iogurtes fizeram furor. Era assim uma espécie de campânula que se ligava à corrente e os frascos com leite ficavam lá a aboborar durante algumas horas, até se transformarem numa mistela intragável que enfiávamos pela boca abaixo dos nossos filhos - come, filho: se sabe tão mal é porque é remédio... só pode fazer bem...

Hoje em dia, os iogurtes têm um sabor agradável - diz quem sabe, que eu nunca mais comi iogurtes!

Mas o que me espanta são as potencialidades dos iogurtes: baixam o colesterol, controlam a tensão arterial, emagrecem, melhoram o funcionamento dos intestinos, combatem o stress do dia-a-dia, aumentam as defesas do organismo, ajudam a engatar miúdas giras, fazem os rapazes ficarem com torsos de Adónis, ajudam advogados a enfrentar a barra dos tribunais e gestoras a conciliarem a vida familiar com a vida profissional, mantendo-se muito boas na cama, ao mesmo tempo que cuidam dos filhos e organizam as tarefas domésticas.

É inacreditável a quantidade de anúncios a iogurtes que passam na televisão e as qualidades que lhes são atribuídas!

Eu, que sou hipertenso e que, todos os dias, tomo dois comprimidos de dois anti-hipertensores diferentes, mais uma estatina para controlar o colesterol e uma aspirina de 100 miligramas, sinto-me um pouco estúpido quando oiço a publicidade dizer que me bastava beber um iogurte por dia para baixar o colesterol x%, outro iogurte para controlar a tensão e outro ainda para manter a linha, para já não falar do outro que me ajudaria a aturar 30 doentes por dia sem me passar da cabeça e do outro que transformaria os meus intestinos numa máquina afinadíssima.

E tudo isto graças a extractos vegetais especiais (o aloé vera é um deles, o mesmo aloé vera que também serve para fazer detergentes...).

O iogurte está cada vez mais longe da vaca e cada vez mais perto do medicamento.

Por isso, não percebo esta polémica que o governo Sócrates provocou ao querer vender medicamentos fora das farmácias.

Há muito tempo que os iogurtes são vendidos livremente nos supermercados, sem qualquer supervisão da Associação Nacional das Farmácias.

Quinta, 21 de Abril
Chega de Papa!
Já não bastava a morte de João Paulo II, que durou uma semana! Agora, temos que aturar o Bento a toda a hora e a todo o momento!

Bento de Jesus, Caraças!

O telejornal da RTP-1 transformou-se no Jornal do Papa! Ainda ontem, os primeiros 30 minutos do telejornal foram preenchidos com notícias, reportagens, comentários e toda a sorte de chatices sobre o cardeal Ratzinger (não sei porquê, mas o nome do Papa soa-me sempre a coronel Ratzinger!...)

No estúdio, o pivot passa a bola à Praça de São Pedro, onde dois jornalistas, à vez, tecem os mais variados comentários sobre a figura do novo Papa - e são mesmo comentários, porque notícias não há. A notícia foi há dois dias: os cardeais elegeram Ratzinger. Mais nada. O resto, é encher chouriços, com senhores vestidos de preto, bem nutridos, com uma faixa vermelha a esconder-lhes (mal) o ventre proeminente, e a falarem dos grandes atributos daquele que foi chefe da actual Inquisição.

À primeira vista, Ratzinger até é simpático, tem cara de Papa e idade para ter problemas com a próstata. Papa de transição, perguntam os jornalistas, ansiosos. Quem sabe, responde um senhor de preto... o Ratz pode durar até aos 90...

E o que terá acontecido com o fumo branco que, a princípio, não parecia ser lá muito branco? Pergunta importantíssima; da resposta a esta pergunta, podia depender o futuro de milhões de católicos. Ninguém se atreveu a dizer que era o fumo do cigarro do Sr. Policarpo... afinal, foi um problema com a salamandra ou coisa e tal, esclareceu um dos senhores de preto, que falava inglês e que estava muito divertido. Disse que, no final do conclave, os cardeais riram muito e beberam champanhe!...

E o Espírito Santo? O tal que desce sobre os cardeais e os ilumina na escolha do Papa? Claro que não bebeu champanhe.

Como se sabe, o Espírito Santo é abstémio.

Vem nas Escrituras...

Domingo, 17 de Abril
Lógica de mau fumador
Atentar contra a nossa própria saúde é pecado.
Fumar faz muito mal à saúde.
D. José Policarpo é Patriarca de Lisboa; por isso, deve pecar pouco.
D. José Policarpo é um grande fumador.
Sendo assim, fumar não pode ser pecado.
Conclui-se que, afinal, fumar não faz mal à saúde.

Sábado, 16 de Abril

Já sinto paixão
Afinal, o FCP fez batota para ser campeão aqueles anos todos. Não foram só os golos do Jardel que ditaram a vitória dos portistas.

De facto, se a notícia hoje publicada no Expresso corresponder à verdade, o Porto jogava com mais do que um ponta de lança. Pelos vistos, fora das quatro linhas, actuava com pontas de lança que, a exemplo do Jardel, também vinham do Brasil, mas que tinham outros dotes e outras técnicas - para além de pertencerem ao sexo feminino e serem experientes na cama.

Ora bem: o que diz a notícia do Expresso. Basicamente diz que a juíza Ana Cláudia Nogueira, que tem a seu cargo o processo do apito dourado, acusa Pinto da Costa de ter corrompido a equipa de arbitragem chefiada por Jacinto Paixão, no jogo entre o Porto e o Estrela da Amadora, na época 2003/04. Aqueles árbitros terão validado dois golos do Porto, obtidos em fora de jogo e marcado diversas faltas inexistentes contra o Estrela. No final do jogo, Reinaldo Teles, dirigente do Porto, levou Jacinto Paixão e os seus colegas José Chilrito e Manuel Quadrado a jantar e, depois, ao Hotel Meridien, onde estavam, à sua espera, três prostitutas brasileiras, contratadas por António Araújo, empresário ligado ao FCP. Tudo isto terá sido organizado e supervisionado por Pinto da Costa.

As prostitutas confessaram e até disseram que ganharam 150 euros por cada queca, embora não esteja especificado na notícia se a coisa envolveu sexo oral, manual, digital, vaginal e/ou anal.

Portanto, se um jogo contra o Estrela, numa altura em que o FCP já tinha 11 pontos de avanço sobre o Benfica, só deu direito a uma queca de 150 euros, imaginem quanto não terão valido outros jogos mais importantes!

Com pontas de lança assim, não admira que o Porto tivesse ganho campeonatos uns atrás dos outros: Jardel voando entre os centrais e meninas sempre ao ataque, isoladas à boca da baliza, internando-se no centro do terreno, penetrando na grande área, marcando sempre em cima, de baliza toda aberta e, ainda por cima (ou por baixo...) jogando, não com a outra equipa de futebol, mas com a equipa de arbitragem.

Esta notícia permite pensar que, a mando de Pinto da Costa, os seus apaniguados foram ter com o Paixão, o Chilrito e o Quadrado e lhes disserem: é pá, se vocês ajudarem o FCP a ganhar o jogo contra o Estrela, a gente arranja-vos umas gajas brasileiras para vocês comerem.

Dito assim, a coisa ainda fica mais crua e nojenta - e difícil de acreditar. Certamente que a sessão de quecas foi apenas um bónus. É difícil acreditar que foi só assim. Não creio que um tipo - mesmo chamado Paixão, Chilrito ou Quadrado - se deixasse corromper apenas por uma noite com uma brasileira, por muito boa que ela fosse na cama.

E fico à espera que descubram o resto.

Sábado, 9 de Abril

Marquitos – o novo líder do PSD
O PSD escolheu um líder à sua altura: Marques Mendes.

E isto não é uma piada à estatura do Sr. Marques – é uma piada ao vazio que é o PSD.

Aliás, o PSD foi uma invenção de Sá Carneiro, que precisava de um partido só para si e não se revia em nenhum dos que existiam antes do 25 de Abril.

Como se sabe, no 25 de Abril, todos os portugueses eram de esquerda, mesmo os pides.

Para além do PCP, que sempre existiu, do PS, criado em 1973, e dos diversos grupúsculos de extrema-esquerda, partidos era coisa que não abundava em Abril de 1974. E como tudo estava encostado à esquerda, mesmo os políticos de direita se viram na obrigação de inventar partidos de esquerda.

Foi assim que nasceu o Partido Popular Democrático, cujo nome não diz nada, em termos ideológicos; mais tarde, juntaram-lhe a classificação de social-democrata.

Foi assim, também, que surgiu o Centro Democrático Social, cujo nome ainda diz menos; mais tarde, chamaram-lhe “popular”.

Foi um grande equívoco.

Exceptuando o Partido Comunista, que era comunista como deve ser, isto é, estalinista, e os grupos de extrema-esquerda, que eram maiostas e (espanto!) pró-albaneses, todos os restantes partidos estavam mais à esquerda do que deviam estar: o Partido Socialista devia ser social-democrata, o PPD deveria ser o Partido Liberal e o CDS nem devia sequer existir.

Foram precisos 30 anos de democracia para a verdade vir ao de cima: não há dúvida que, com Sócrates, o PS está cada vez mais PSD – o que obrigará o PSD a renascer como Partido Liberal (por alguma razão, o Sr. Lopes avisou que “anda por aí”...)

Quanto ao CDS-PP, é claro que já não existe.

E o Sr. Marques?

Pois o Sr. Marques – ou Marquitos, como lhe chamam os íntimos – não passa de um líder transitório que, ou ainda não percebeu que, daqui a quatro anos, quando houver eleições, alguém o vai pôr fora da carroça, ou então está muito distraído.

Ao ritmo próprio de Portugal (isto é, devagar, devagarinho), daqui a mais 30 anos, os partidos estarão colocados ideologicamente como deve ser.

Deve ter muito menos piada – o que vale é que já não vou cá estar...

Entretanto, junto a minha voz à de milhares de portugueses: ó Sócrates, vê lá se começas a dar barraca, que isto está a ficar sério de mais!...

Sexta, 8 de Abril
O Papa que morreu sete dias
Exaustiva, a cobertura televisiva do velório e funeral e João Paulo II.
Um verdadeiro êxito de audiências!

A RTP, por exemplo, tinha tantos enviados especiais a Roma que, às tantas, parecia que os telejornais estavam a ser transmitidos do Vaticano e que o pivot era o enviado especial, em Lisboa.

De súbito, percebemos que todos os repórteres da televisão são fervorosos católicos e estavam a fazer a cobertura do funeral do líder da única religião verdadeira.

Os encómios a este Papa foram tão exagerados que, de repente, tive a sensação que perdera alguma coisa no fluir da História.

Afinal, este Papa, que governou a Igreja Católica durante 26 anos, não foi o mesmo que ignorou a SIDA e deixou que essa mesma Igreja continuasse a condenar o uso de preservativo?

Ouvi até dizer que foi ele que acabou com o comunismo!
Acabou com o quê?

Enfim, foi durante o seu reinado que caiu o muro de Berlim mas parece-me que se estão a esquecer de Reagan e Gorbachev, para citar apenas os que tinham o dedo no gatilho.

Às tantas, na TVI, aparecia uma loira esganiçada, que fora a Roma para ver o cadáver do Papa. Em rodapé: “Fulana de Tal, peregrina”!
Peregrina?
Estão a gozar com quem?

E que dizer de todo o fausto que rodeou o funeral do representante de Cristo na Terra – Cristo que pregou a igualdade, a humildade e que dizia, se não estou em erro, que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus.

Quem era afinal aquele homem para merecer um enterro tão faustoso? O rei do Império Centro-Africano? Um ditador da América Latina? Um xeique das Arábias?

Parece que não: João Paulo II representava Cristo – devia ter sido enterrado como Cristo

Quanto aos jornalistas, fizeram o mesmo papel de sempre: mais papistas que o Papa...

Domingo, 3 de Abril
A frase de Miguel Esteves Cardoso
“De futebol nada percebo - a não ser que não ser do Benfica será um dia tratado com medicamentos e psicoterapias, participados pelo Estado”
(in Diário de Notícias de hoje)

Portugal no seu melhor
No domingo de Páscoa, uma brigada de inactivação de explosivos dirigiu-se à serra das Meadas com a missão de fazer explodir uma carga de 11 quilos de explosivos usados na pirotecnia. No entanto, como chovia muito e a visibilidade era quase nula, abrigada optou por pegar nos explosivos, transportá-los num vulgar carro da polícia até ao Comando Distrital de Viseu e armazená-los na casa de banho!

Horas depois, já durante a noite (e por razões desconhecidas), os explosivos fizeram o sabem melhor fazer: explodiram!

A explosão destruiu o apartamento contíguo, onde habitava o subcomissário da polícia, a mulher e os dois filhos.
O subcomissário e a mulher morreram.

Aconteceu no passo domingo de Páscoa, em Portugal...

Sexta, 1 de Abril
Por que o novo Papa não pode ser português
João Paulo II está a morrer. Provavelmente já terá morrido, neste momento.
Paz à sua alma.

Em breve, os bispos e os cardeais se irão juntar para, segundo o padre Feytor Pinto, rezarem muito e serem iluminados pelo Espírito Santo na escolha do novo Papa.

Assim se favorece uma instituição bancária, em detrimento das restantes.

O que dirão o BCI ou o Totta, por exemplo, desta verdadeira obsessão da igreja católica pelo Espírito Santo?

Adiante.

Falou-se, em tempos, da possibilidade do novo Papa poder ser português.
Não pode.

A influência de Portugal no Mundo é cada vez maior: Guterres na ONU, Durão Barroso na União Europeia, Mourinho campeão da Inglaterra.
Há que equilibrar as coisas.

É por causa de Guterres, Durão e Mourinho que o próximo Papa não pode ser português.

Mais nada.




 

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Este é o Coiso do Artur Couto e Santos.
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