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O Coiso
Um dia destes...

Agosto 2005:

Coisas que acontecem

| Uma gaivota na Escandinávia | Parabéns para ti, Benedeto! | O major Bet & Win | U2 e os 30 escuteiros | Mensalão - a solução! | O direito à preguiça | Sexo, pirataria e Benfica | Armando escândalos | País de pedófilos e pirómanos | A vida, segundo o Sr. Lopes | Uma morte estranha | Uma primeira página infeliz |


Sábado, 27 de Agosto
Uma gaivota na Escandinávia
Foi encontrada um gaivota morta numa praia da Escandinávia. Morreu com gripe das aves.

A comunicação social esfrega as mãos: agora, que os incêndios começam a perder força e até já há quem ouse dizer que os telejornais deviam moderar a transmissão de imagens da floresta a arder, nada melhor que uma pandemia que pode matar um em cada cem portugueses infectados para encher os noticiários até às autárquicas.

Em Bruxelas, um grupo de peritos debateu o tema da gripe das aves. Para a RTP, os peritos estavam muito preocupados e temiam uma grande desgraça. Para a SIC Notícias, os mesmos peritos desvalorizaram o problema e pensam que a epidemia não deve atingir a Europa.

Mas esta gaivota morta na Escandinávia é um mau sinal.

Se nos países super-desenvolvidos no norte da Europa, até as gaivotas já estão contaminadas, que vai ser de nós?

Não há-de faltar muito tempo até ser detectado um perú constipado na Alemanha, uma andorinha a espirrar na Bélgica, um pardal com rinite em Espanha e, consequentemente, as galinhas portuguesas todas ranhosas.

A gripe das aves vem aí!

Tenho que deixar de me deitar com as galinhas...

Sábado, 20 de Agosto
Parabéns para ti, Benedeto!
Dizem que cerca de um milhão de jovens foram a Colónia, na Alemanha, para ver o Papa.

A tradição já não é o que era, de facto. Agora, já não se vai a Roma para ver o Papa...

As imagens de milhares de jovens, nas margens do Reno, acenadno bandeiras e dísticos, cantando, cantando sempre, batendo muitas palminhas e todos muitos sorridentes e felizes por verem um velhote com um vestido branco até aos pés, faz-me um bocado de confusão. Correcção: irrita-me! Cheira-me a seita religiosa. A igreja católica está cada vez mais parecida com as seitas evangélicas - tudo aos pulos, com muita cantoria à mistura, e uma alegria que roça o histerismo.

Tanta energia desperdiçada, nas margens do Reno! Aqueles milhares de jovens bem se podiam ter mobilizado para ajudar, por exemplo, os milhões de refugiados em África; seria muito mais, digamos, católico, que utilizassem toda aquela energia na ajuda humanitária, em vez de irem aplaudir um velhote, como se fosse o líder de uma banda rock.

Já no passado mês de Janeiro, escrevi um texto semelhante, a propósito da reunião de Taizé, no Parque das Nações. Milhares de jovens venerando o irmão Roger, no momento em que milhares de vítimas tentavam recuperar do tsunami do suodoeste asiático.

Ironicamente, esta reunião de jovens, em Colónia, para venerar o Papa, decorre na mesma semana em que o pobre do irmão Roger foi assassinado por uma romena, que lhe cortou a garganta, durante mais uma celebração Taizé.

Cuidado Benedeto!

Estes jovens, quando juntos em grandes multidões, ficam tão excitados que, às vezes, passam-se da cabeça...

Sexta, 19 de Agosto
O major Bet & Win
Não percebo por que razão ficaram todos escandalizados quando souberam que a Liga de Clubes vai ser patrocinada por um site de apostas.

Quanto a mim, acho muito bem!

O futebol é uma coisa de homens e não me parece nada adequado que os patrocínios sejam de mariquices.

Por exemplo: tem algum jeito que as três grandes equipas da Super Liga sejam patrocinadas pelo Espírito Santo?

Bem sei que é a Santa Casa da Misericórdia que organiza jogos de azar, como o totoloto e o totobola, mas não acho graça nenhuma quando vejo as camisolas dos jogadores a gritarem: "Espírito Santo Mantorras" ou "Espírito Santo Petit".

Futebol e Espírito Santo não ligam nada bem.

O futebol deve ser patrocinado por coisas másculas.

E como o tabaco e as bebidas alcoólicas estão de fora, por causa dessas mariquices modernas de que isso poderia influenciar os jovens a beber e fumar até caírem para o lado (não é isso que eles fazem nos festivais de Verão?) - restam poucas hipóteses. Revigrés, que há anos patrocina o FCP, é de homem! Assim como tudo o que tenha a ver com a construção civil. O Benfica devia encontrar um fabricante de tijolos que aceitasse patrociná-lo e o Sporting poderia celebrar um contrato com uma fábrica de cimento, por exemplo.

Mas apostas também me parece bem.

Imaginem a Liga de Clubes patrocinada pela Danone ou pelos Salva Slip!

Deus nos livre!

Portanto, isso de dizerem que o contrato que o major Valentim Loureiro celebrou com a Bet & Win cheira a esturro, é pura mariquice.

Outra ideia boa - e que até favorecia o fair play - era as equipas de futebol se patrocinarem mutuamente. Por exemplo: o Benfica podia ser patrocinado pela Juve Leo, o Sporting, pelos Diabos Vermelhos e o Porto, pelos No Name Boys e pela Torcida Verde (não sei porquê, este nome sempre me cheirou mal...)

Quanto aos Super Dragões, continuariam a patrocinar a Super Liga como, aliás, tem sido hábito (provocação...)

Segunda, 15 de Agosto
U2 e os 30 escuteiros
O que têm em comum os U2 e um grupo de 30 escuteiros portugueses?

Três coisas: ambos chegaram ontem de Londres, ambos foram notícia de abertura do telejornal da RTP e ambos são vítimas da chamada silly season.

A silly season é mais uma expressão inventada pelos media e designa uma época que corresponde, mais ou menos, a Julho e Agosto de cada ano, meses em que, não havendo grandes notícias a dar, a não ser a seca e os incêndios, se escolhem temas patetas para encher os noticiários. Excluem-se, claro, jornais como o 24 Horas, para o qual a silly season dura todo o ano (hoje, na primeira página, o 24 Horas noticiava que Pimpinha não tinha sido aceite na Universidade Católica porque a mãe, Cinha Jardim, se tinha esquecido de entregar um documento qualquer...)

Adiante.

Nunca gostei muito dos U2. Quando eles estavam em forma (por alturas do "Sunday, bloody sunday", nos anos 80) estava distraído com outras coisas. Depois, quando se começaram a transformar na "melhor banda de rock do mundo", achei que não. Nunca gostei muito de unanimismos.

Ontem, os U2 chegaram a Lisboa, em jacto particular, para o "concerto do ano", no estádio do Sporting (mau gosto) e tiveram honras de abertura no telejornal. O presidente Sampaio decidiu condecorá-los com a Ordem da Liberdade.

É incompreensível. Por que carga de água Jorge Sampaio condecora os U2 e não Michael Jackson, que também tem ajudado tanto as criancinhas...

Pudemos ver quatro homens feitos, vestidos de teen agers serôdios, a entrar no Palácio de Belém como se fossem beber umas cervejolas. O líder da banda, Bono, vestia uma camisa vermelha (bom gosto) e usava um chapéu à cowboy. Jorge Sampaio, formal, de fato e gravata, fez um discurso no seu inglês mais Oxford, em que enalteceu o humanitarismo dos membros da banda, que são capazes de oferecer uma percentagem (minúscula) dos seus direitos de autor, afim de ajudarem as criancinhas de África a combater a malária e a fome.

E tomem lá medalhas!

Ridículo!...

Também de Londres chegou um grupo de 30 escuteiros portugueses. Vieram de autocarro, depois de terem ficado dois dias no aeroporto de Heathrow, retidos devido a uma greve do pessoal de terra.

Na fronteira, tiveram direito a reportagem, transmitida nos telejornais de ontem. Emocionados, pudemos ver um grupo de 30 calmeirões, vestidos de criancinhas, a gritar "Portugal, olé, olé!", dentro de um autocarro, a fazer vês de vitória para a câmara e a queixarem-se que, em Heathrow, ninguém lhes explicou nada e tiveram que regressar com a roupa que tinham no corpo. Um padre, também de calções e chapéu, disse que iam pedir indemnizações. O jornalista questionou a mãe de um dos calmeirões vestidos de criancinha: foram momentos de angústia? Claro, respondeu a senhora, não sabíamos quando eles chegariam, não é?... Deviam cheirar mal, os rapazolas, dois dias sempre com o mesmo uniforme e com um calor de ananases...

Mas que merda de notícia é esta? Por que motivo é que eu tenho que ser informado que um grupo de 30 escuteiros regressou a Portugal de autocarro, por causa da greve de pessoal de terra do aeroporto de Heathrow? Que porra de comunicação social é esta?

Fiquei a pensar que os U2 bem podiam ter dado uma mãozinha a estes escuteiros. Em vez da malta vir de autocarro, podiam ter vindo no avião particular da banda irlandesa.

E, já agora, iam todos ao Palácio de Belém e o Jorge Sampaio condecorava-os a todos - ao fim e ao cabo, os escuteiros também ajudam as criancinhas, ou não?...

Sábado, 13 de Agosto
Mensalão - a solução!
Os brasileiros sempre tiveram boas ideias: a bossa nova, o carnaval, o fio dental, o calçadão, o futebol, o samba, a Amazónia. Apenas exemplos.

Agora, inventaram o mensalão.

Que bela ideia, não há dúvida!

Em vez de estarem a nomear amigos incompetentes para cargos mais ou menos públicos, em troca de favores políticos, pagam-lhes um ordenado extra, a que chamam mensalão.

As vantagens são óbvias. Acabam-se, por exemplo, com os palermas que não sabem fazer nada a gerirem empresas públicas ou à frente de comissões idiotas, cujas conclusões não servem para nada.

Os tipos votam nas nossas propostas, apoiam os nosso projectos, defendem-nos com unhas e dentes e tudo o que temos que fazer é pagar-lhes um ordenadito ao fim do mês. Assim, ficamos livres das suas incompetências.

Não seria má ideia importar mais esta ideia brasileira. Assim como assim, já estamos imbuídos do espírito brasileiro: ele é as telenovelas, os dentistas, a capoeira, a cirurgia plástica, as terapias alternativas, as seitas religiosas, os ponta de lança chamados Deivid, os carnavais cada vez mais abrasileirados. Por que não um mensalão para os nossos deputados?

Acabavam-se as disputas. Não eram necessários pactos de regime sobre a saúde ou a educação ou a justiça. Os tipos do PS pagavam um ordenado a alguns tipos do PSD e, na hora certa, todos votavam na mesma proposta. A maioria absoluta ficava absolutíssima. O governo duraria uma eternidade!

Claro que teríamos que adapatar a ideia. Sobretudo a dimensão.

Teríamos, entre nós, não um mensalão, mas um mensalinho...

A crise, sempre a crise...

O direito à preguiça
A Aon Consulting Eurometer é uma empresa de consultadoria de benefícios sociais. Segundo ela, Portugal é dos países onde se gozam mais dias de férias: entre 22 e 25. Em mais de metade dos países da União Europeia, o número médio de dias de férias é de 20 dias. E depois, há o caso das Filipinas, com apenas 5 dias de férias, a Tailândia e o México, com 6 dias, Taiwan e Singapura, com 7 dias, a China, com 10 e o Japão, com 12 dias.

Esta notícia merece-me, apenas, os seguintes comentários:

"Está a apoderar-se das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista uma estranha loucura que acarreta misérias individuais e sociais e que, há dois séculos, têm vindo a torturar a triste humanidade. Esta loucura consiste no amor ao trabalho, na paixão moribunda pelo trabalho, levado ao extremo aniquilamento das forças vitais do indivíduo e dos seus descendentes.

Em vez de reagirem contra esta aberração mental, os padres, os economistas e os moralistas sacrossantificaram o trabalho. Homens cegos e de horizontes limitados quiseram ser mais sábios que o seu próprio Deus; homens fracos e desprezíveis quiseram reabilitar o que seu Deus tinha amaldiçoado.

(...) Na sociedade capitalista, o trabalho é origem de toda a degenerescência intelectual, de toda a deformação orgânica."

O autor destas lúcidas linhas chamava-se Paul Lafargue, era genro de Karl Marx e publicou "O Direito à Preguiça" em 1880.

Os dirigentes sindicais cá do sítio, deviam ser obrigados a decorar este texto de Lafargue, antes de pensarem organizar manifestações a favor do direito ao trabalho.

E, claro, deviam exigir muito mais dias de férias para os trabalhadores portugueses!...

Quinta, 11 de Agosto
Sexo, pirataria e Benfica
A Marktest fez um estudo interessante: quais as palavras mais procuradas pelos portugueses nos motores de busca da internet, durante o primeiro semestre deste ano.

Em primeiro lugar, destacadíssimo, surge a palavra SEXO. Até aqui, tudo bem. Os portugueses, incapazes de encontrarem sexo noutro lado, vão à procura dele na internet. Foram 131 mil cliques com a palavra "sexo", só nos primeiros 6 meses de 2005!

Em segundo lugar - e esta espantou-me... - vem a palavra EMULE. Confesso a minha ignorância. Sou tão honesto que não sabia o queria dizer "emule". Enfim, pensei, por momentos, que fosse uma forma do verbo emular (o mesmo que rivalizar). Afinal, vim a saber que "emule" será uma espécie de programa de pirataria para cópia de sons. E eu que sou tão totó que ainda compro discos! Foram 93 mil cliques com a palavra "emule".

E em terceiro lugar, meus amigos (rufar de tambores!): BENFICA!

Ora aí está uma prova do bom gosto dos portugueses. A bonita palavra BENFICA foi escolhida 91 mil vezes pelos internautas portugueses! Não, não foi "sporting" ou "porto" (com letra pequena, com letra bem pequena!) - foi BENFICA, assim mesmo, o glorioso logo a seguir ao sexo e à pirataria!

Em quarto lugar, surge a palavra "mulheres". Suspeito que à procura de sexo...

E logo a seguir, as iniciais "dgci". Exacto: Direcção Geral de Contribuições e Impostos! Ou somos um país de contabilistas ou andamos todos muito preocupados em ter os nossos impostozinhos em dia... Ou então, gostamos tão pouco das secções de Finanças, que fazemos tudo para as evitar: até aprendemos a navegar na internet só para não ter que lá ir pagar o imposto!

Nos lugares seguintes, as palavras "messenger", "irs" (mas um imposto!), "sapo" (um animal muito comum na internet nacional), "msn" e "jogos".

Mas os três primeiros lugares dizem muito sobre a idiossiosincrasia nacional: primeiro, atacamos o sexo; depois, tentamos sacar alguma música à borla; mas, no fim, voltamos ao nosso amor primeiro: o BENFICA!

Domingo, 7 de Agosto
Armando Escândalos
Armando é gerúndio.
Armando vara, não faz sentido.
Armando barraca, já se percebe. Armando exércitos. Armando escândalos. Armadilhando.
Armado, sim - está pronto.
Armando, não - vai-se fazendo.
O Armando faz-se... fazendo.
Do liceu para a Câmara. Da Câmara para a Assembleia. Da Assembleia para o Governo. Do Governo para a prateleira. Da prateleira para a Caixa Geral de Depósitos.
Vai-se armando, o Armando.
Vai saltando.
À vara.

País de pirómanos e pedófilos
Portugal está a arder. Pelo menos, o Portugal que passa na televisão. Os telejornalistas afadigam-se a darem-nos o número de fogos que estão, neste momento, a ocorrer, os que estão circunscritos, os que estão em fase de rescaldo, os que estão incontroláveis, número de bombeiros que atacam cada fogo, número de viaturas e, claro, o número dessa coisa a que eles chamam “meios aéreos”, e que tanto podem ser helicópteros como aviões.

Jovens repórteres, suspeito que em estágio ou em contrato precário de 6 meses, à experiência, vão onde os bombeiros ainda não chegaram, mostram-nos as chamas em grande plano e também a sua angústia, o seu próprio medo. No lugar deles, eu sentiria o mesmo: com o calor tórrido que o fogo deve tornar insuportável, ao presenciarem o terror dos habitantes que vêem os seus pertences ameaçados, os jovens repórteres descontrolam-se e, ao serem chamados em directo no telejornal, tentam dar o seu melhor – aquela é a reportagem da vida deles! E é vê-los, rodeados de chamas, as fagulhas rodopiando no ar e caindo-lhes perigosamente sobre os cabelos, a câmara saltitando de uma parede de fogo para outra, dando agora o plano de uma mulher gorda, em pânico, empurrando um carrinho de bebé, e depois um velhote a ser arrastado para fora de casa por dois gnr's. Não há distanciamento, que é essencial em qualquer reportagem. O repórter está, também, no centro da notícia, o que aumenta o dramatismo.

Depois vêm as conversas do costume: há falta de meios, os bombeiros não chegam a tempo, não há coordenação, faltam meios aéreos, os fogos são um grande negócio e, claro, as mãos criminosas...

Os incêndios de verão têm uma linguagem específica como, por exemplo, o futebol. Não existe outra modalidade desportiva onde se fale do ponta de lança ou do miolo do terreno. Não existe outra desgraça natural onde se fale dos meios aéreos e das mãos criminosas.

As mãos criminosas pertencem aos pirómanos que, segundo o perfil há muito estabelecido, são habitualmente homens, solteiros, desempregados e com distúrbios mentais.

Quando rebentou o escândalo da Casa Pia, todos os dias havia notícias da prisão de um novo presumível pedófilo. De repente, ficámos a saber que a pedofilia era uma espécie de doença nacional. Depois, a pouco e pouco, à medida que o julgamento se ia desenrolando pachorrentamente, parece que os pedófilos desapareceram. Ou então, já estão todos presos...

Com os pirómanos é a mesma história. Para o mês que vem, já ninguém falará deles.

Mas, enquanto durar a época dos incêndios (outra invenção da comunicação social, como se a época dos incêndios fosse como a época balnear ou a época da caça...), os telejornais intermináveis só dão fogos.

Se a piromania é uma doença mental, é natural que os pirómanos actuem por imitação – como os suicidas, aliás. Portanto, quanto mais a televisão insistir na transmissão das imagens mágicas do fogo a consumir a floresta, mais os pirómanos se sentirão tentados a passar ao acto.

Não estou a dizer que seja a televisão a culpada dos incêndios, nem estou a sugerir que não se noticiem os fogos – mas um pouco de contenção só lhes ficava bem...

Até porque vão acontecendo outras coisas no mundo, das quais não temos notícia nos telejornais – a menos que os prolonguem até às 10 da noite...

Terça, 3 de Agosto
A vida, segundo o Sr. Lopes
O Sr. Lopes continua a surpreender-me!

No passado sábado, a revista Única, do Expresso, publicou uma extensa entrevista com o Sr. Lopes. São 15 páginas, ilustradas com fotos impagáveis.

A força da entrevista é tanta, que só hoje consegui acabar de a ler. Tive que a ler devagarinho, de modo a poder absorver toda a sabedoria que ela contém. As revelações e os ensinamentos que o Sr. Lopes nos dá, ao longo da entrevista, são tantos e tais, que me senti obrigado a lê-la aos poucos, para não soçobrar à excitação.

Com esta entrevista, ficamos a saber 12 coisas sobre o Sr. Lopes, uma sobre o Sr. Barroso e outra sobre o Sr. Portas.

Aqui vai:

12 Coisas sobre o Sr. Lopes

1ª Em criança, o Sr. Lopes não era rabino

- "nunca fomos rabinos ou mal-comportados, até diziam que éramos um bocado chatos."

2ª Na Costa da Caparica, o Sr. Lopes comia sopa com cálcio

- "Mas a minha infãncia é marcada pela Costa da Caparica, onde passava férias... Íamos para a praia às 8 da manhã, voltávamos ao meio-dia, comíamos a sopa com cálcio, tomávamos o óleo de fígado de bacalhau, dormíamos a sesta, á tarde íamos para a mata... durante três meses. Era muito rígido."

3ª O Sr. Lopes não tem paciência para queques

- "não tenho paciência para cínicos, queques, copos de leite..."

4ª O Sr. Lopes odeia o social

- "odeio o social, mas ninguém acredita."

5ª O Sr. Lopes sempre adorou política

- "sempre adorei política. Lia o "Diário de Notícias" todos os dias e "A Bola""

6ª O pai do Sr. Lopes nunca lhe deu dinheiro

- "e o meu pai nunca me deu dinheiro! Deu uma mota ao meu irmão Paulo, porque passava de ano, e eu, que era aluno de 14 e para cima, nada."

7ª O Sr. Lopes é o político portugu~es com mais citaões na net

- "vão ao motor de busca google e vejam: sou o político português, de longe, com mais citações na net. Tenho 230 mil ou 240 mil, umas boas e outras más. Há dois meses, Mário Soares tinha 180 mil"

(Graças a este texto, o Sr. Lopes fica com mais uma citação no google... Parabéns para ti, Lopes!)

8ª O Sr. Lopes ficou livre da tropa por causa da esoliose

- "ainda andei no Hospital Militar da Estrela a fazer uma data de exames, ms como tinha feito uma escoliose - jogava básquete no Sporting - os médicos consideraram que era prejudicial carregar armas e pesos excessivos nas costas, e livraram-me da tropa."

(Nota: a escoliose pode ser congénita ou adquirida; a causa mais comum da escoliose adquirida é a dismetria dos membros inferiores. Será que o Sr. Lopes tem uma perna mais comprida que a outra porque jogava básquete no Sporting?)

9ª O Sr. Lopes teve um papiloma num pé e partiu um braço

- "joguei até aos 15 anos, depois tive um papiloma num pé, tive de andar uns meses de bengala, e parti um braço."

10ª O Sr. Lopes vai viver até aos 99 anos

- Pergunta: já tem poucos anos de crédito (para comprar uma casa) - "Não. Vou viver até aos 99. com o dinheiro que ganhei em Bruxelas comprei um monte no Alentejo (...), mas acabei por vendê-lo quando fui para a Figueira e me separei."

(Até aos 99 anos? Porquê, Senhor? Por que me fazes sofrer assim?...)

11ª O Sr. Lopes vai inaugurar sete piscinas

- "até setembro vou inaugurar, imaginem, sete piscinas. Ontem à noite, passei por Monsanto, estava completamente cheio. Estava fantástico. E quem deu a volta àquilo fui eu, não foi ideia do Carmona ou de outro".

12ª O Sr. Lopes mostrou o dossiê das rendas à Cinha Jardim

- "ouvi essa história toda a vida. Como a de não pagar rendas de casa. Sabe o que eu fiz uma vez? (a Cinha Jardim) quando me conheceu falou-me disso. Eu ouvi uma vez, ouvi duas e um dia cheguei a casa e disse «senta-te aqui» e, como guardo tudo, tirei o dossiê das rendas e mostrei-lhe os recibos, mês a mês. Ela já chorava e pdia «já não quero ouvir mais», e eu dizia, «não, ainda só vamos em 86»."

Uma coisa sobre o Sr. Barroso:

O Sr. Lopes e o Sr. Barroso tiveram duas amigas espanholas

- "tínhamos duas amigas e íamos para uma discoteca. A Pilar e a Mari Cármen, dois nomes tipicamente espanhóis, eram enfermeiras num grande hospital em Madrid. Como nos esquecíamos do apelido delas, era sempre o mesmo drama: o hospital tinha pisos que nunca mais acabavam e nós tínhamos que fazer os andares todos à procura delas."

Outra coisa sobre o Sr. Portas:

O Sr. Portas faz caras

- "Isso são caras, são as caras dele. (...) Um dia eu conto a história toda. Fui indigitado a 12 e tomei posse a 17 e falava com ele todos os dias mas não me lembrei de lhe dizer o pormenor do nome (do ministério) quando falámos sobre o cargo. E ele faz assim... sabem como ele é com as caras deles..."

finalmente, peço desculpa por ser tão sintético. A entrevista do Sr. Lopes tem revelações ainda mais espampanantes que estas, como aquela dele ter oferecido um par de murros ao seu adversário na Câmara da Figueira, quando este o acusou de não ter pago a conta do alfaiate - mas estou cansado!

A verborreia do Sr. Lopes confunde-me, espanta-me e desorienta-me.

Que saudades que tenho dele como 1º ministro!...

Uma morte estranha
O Público noticiava ontem, numa das páginas mais lá para dentro do jornal, que morreu Alberto da Silva Lopes, "um engenheiro electrotécnico que dedicou os últimos quatro anos a uma "batalha solitária", como o próprio dizia, destinada a provar que a vitória de Santana Lopes nas eleições autárquicas de 2001 foi o resultado de uma "fraude". A notícia acrescentava que Silva Lopes "apareceu morto, na quinta-feira passada, na sua residência em Lisboa. As causas da morte não estão ainda apuradas em definitivo, mas há indícios de que possam estar relacionadas com um ataque de asma."

É muito curiosa esta notícia.

O facto de haver alguém, há quatro anos, que tentava demosntrar que a vitória de Santana Lopes na Câmara de Lisboa foi fruto de uma fraude, passou-me completamente ao lado - e eu que leio jornais todos os dias (e vários).

Parece que o tal Silva Lopes estava até a escrever um livro, que estará praticamente pronto, e que será editado pela Dom Quixote.

Isto é mais uma prova de que há notícias que interessam e outras que nem por isso e que a decisão de publicar umas, em vez de outras, ou de puxar mais por uma situação, em detrimento de outra - isto é, a decisão editorial, pode ser muito questionável.

Hoje, por exemplo, os telejornais noticiam que a Unidade de Neonatalogia do Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, está fechada, devido a uma praga de piolhos. Que interesse tem isto? Quantas mulheres dão à luz, por dia, neste hospital? E quantos desses bebés necessitarão da Unidade de Neonatalogia? E a quantos quilómetros fica, por exemplo, o Hospital do Barreiro ou o de Almada, que poderão receber os bebés, nascidos em Setúbal, que necessitem de incubadora. Que merda de notícia nacional é esta, quando comparada com a de um homem que tentava, há 4 anos, demonstrar que é possível haver fraudes eleitorais com o nosso sistema de votos?

Isto cheira-me a esturro e a teoria da conspitação...

Uma primeira página infeliz
Esta foi a primeira página do Público, de ontem.

Armando Vara, de turbante, bigode e pêra?

Estranho...

 

 

 




 

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Este é o Coiso do Artur Couto e Santos.
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