Março 2005:
Coisas que acontecem
| O sonho desfeito do Paulinho | Quinta do Torrão | O
paradigma Lopes | Drogas no supermercado
| A lenda do retrato renegado | O
governo socrático | Enquanto
isso, no resto do país... | "A
Família Portuguesa" |
Domingo, 27 de Março
O sonho desfeito do Paulinho
Aos seis anos, Paulinho virou-se para a mãe, D.Helena Saca Dura, e disse: “quando for grande, quero ser ministro!”
D. Helena sabia que o seu filho predilecto não descansaria enquanto não conseguisse cumprir o seu sonho.
Ainda adolescente, começou a enviar artigos par os jornais, zurzindo no líder da direita, Sá Carneiro. Paulinho tinha decidido que, para ser ministro, teria que encontrar o seu espaço na direita – a esquerda cheirava a suor e tinha muitos gajos com os dentes podres (o que é verdade...). Era, portanto, necessário abater os grandes líderes da direita, para sobrar espaço para ele.
Mais tarde, o Prof. Cavaco surgiu a liderar a direita e Paulinho, quase pronto a ser líder, inventou um jornal onde dizia mal de tudo e todos que soassem ou soubessem a Cavaquismo. E como isso não fosse suficiente, percebeu que tinha que ter um partido por trás dele. Paulinho sabia que criar um novo partido era tempo perdido; tinha o exemplo do PRD do general Eanes, que teve existência breve e fugaz. Foi então que inventou o Sr. Monteiro e o industriou para que tomasse conta do CDS, o transformasse em CDS-PP, enquanto ele continuava a tentar minar o PSD.
Depois, foi o que toda a gente sabe: quando Paulinho achou que o PSD estava maduro para cair, chutou o Sr. Monteiro para fora do CDS-PP, tornou-se líder do partido e, assim que o PSD ganhou as eleições à tangente, chegou-se à frente, pronto para uma coligação.
O Dr. Barroso, um éme-érre-pê-pê recauchutado, teve medo de governar sozinho e deixou-se seduzir pelo Paulinho, nomeando-o ministro da Defesa.
Estava cumprida a primeira parte do grande sonho do Paulinho: ser ministro, ainda por cima, ministro dos soldados e marinheiros!
Faltava ser primeiro entre os ministros...
Foi então que começaram os azares: o Dr. Barroso deu à sola (está casado com uma senhora com fibromialgia e ouviu dizer que, em Bruxelas, havia tratamentos muito avançados para este tipo de doença...) e o Sr. Lopes tomou o seu lugar - e disto o Paulinho não estava à espera.
Não estava à espera que o Sr. Lopes fosse assim tão louco; pensava que eram tudo bocas das revistas cor-de-rosa. Mas afinal, infelizmente, era verdade: o Sr. Lopes dizia verde num dia, e vermelho no dia seguinte, o governo andava à deriva e o Paulinho acabou por ser arrastado pelo turbilhão.
Durante a campanha, o Paulinho ainda fez um esforço para se demarcar do governo do Sr. Lopes, tentando mostrar aos eleitores que as coisas boas eram todas deles e as más eram todas do outro. Mas, pelos vistos, o pessoal não quis saber disso e deu a maioria absoluta ao Sócrates, deixando o Paulinho inconsolável.
Tinha sido ministro apenas três anos!
Demitiu-se.
Regressou ao Parlamento, como deputado.
Mas não estava à espera que Sócrates fosse tão pérfido ao ponto de nomear, para ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, fundador do CDS – figura que ele, Paulinho, e o Sr. Monteiro tinham ajudado a afastar do partido (quanto mais o CDS fugia para a direita, mais o Freitas se encostava à esquerda...)
Primeiro, muito zangado, pegou na fotografia do Freitas, que estava pendurada na sede do CDS e enviou-a, pelo correio, para a sede do PS.
Depois, na discussão do programa do governo, o Paulinho, cego de raiva, não apresentou propostas alternativas, não colocou em causa a estratégia do governo, não deitou abaixo Sócrates, limitando-se a gozar com o Freitas, a chamar a atenção para o facto de ele ser um perigoso esquerdista (embora não tenha os dentes podes nem cheire a suor...).
Penso que termina assim a história do Paulinho, que queria ser primeiro-ministro.
E se ele, Paulo Portas, algum dia voltar a ser seja o que for na política portuguesa, fica provado que os portugueses são mesmo um povo muito atrasado.
Terça, 22 de Março
Quinta do Torrão
Fui levar a Mila a um domicílio à Quinta do
Torrão, um bairro de desalojados, na Trafaria.
Encontrámo-nos com a irmã do doente em frente
aos bombeiros da Trafaria e seguimos o carro dela. Ali para
os lado de S. Pedro, virámos à direita, em
direcção ao mar, por entre a mata e fomos
parar a um largo rodeado de casas térreas, degradadas.
Ali parámos. A Mila saiu para o domicílio,
desaparecendo na esquina de uma ruela e eu fiquei no carro.
Encostados, ociosos, cerca de uma dezena de jovens adultos,
todos com muito mau aspecto. Um deles, de barbicha mal semeada
e barrete de lã, tipo rapper, avançou para
mim:
“Ó chefe? Esse é o Vtec 1400 ou 1600?...”
– referia-se ao nosso carro, claro.
Lá lhe disse que era o 1600 e ele virou-se para a
malta, a confirmar: “ganda bomba!”
Fiquei preocupado... com certeza que fiquei preocupado.
Que faziam aqueles tipos ali, às 5 da tarde? Nenhum
deles trabalha?
Do lado direito, num barracão, fica a Pérola
do Torrão. À porta, mais um grupo de machos
despejava minis e coçava os tomates, fumava e escarrava
no chão.
De vez em quando, passavam duas ou três miúdas,
com ar de adolescente precocemente envelhecidas, carregando
bebés. Mais à frente, dois pretitos davam
pontapés numa bola quase maior que eles.
Os passeantes, todos com muito mau aspecto, arrastavam
os pés e miravam o carro, da proa à popa;
um estranho no seu bairro...
Ao fundo, sobre uma pequena colina com pinheiros, um grupo
de putos brincava num baloiço improvisado, levantando
uma nuvem de poeira.
Cães com ar de Rataplans esfomeados, vagueavam,
cheirando os pneus dos carros abandonados e marcando território
nos sacos plásticos que vogavam ao sabor da brisa.
A meia hora que esperei pela Mila pareceu-me uma eternidade
e imaginei como será entrar, de noite, na Quinta
do Torrão... talvez estivesse sugestionado pelo facto
de, há dois dias, dois polícias terem sido
assassinados num bairro semelhante, na Amadora, mas não
há dúvida que ainda há muito a fazer
para arrancar Portugal do 3º mundo...
Domingo, 20 de Março
O paradigma
Lopes
Quase que parece uma obsessão continuar a falar de
Santana Lopes. O homem perdeu a pouca credibilidade que
tinha, tem sido achincalhado por toda a gente e hoje, na
sua crónica do Público, intitulada “O
regresso do Zorro”, Vasco Pulido Valente diz “o
homem voltou mesmo (...). Supondo que não tem ilusões
sobre o futuro próximo e que não pensa só
em sobreviver seis meses no conforto a que se habituou,
veio com um plano qualquer na sua obstinada cabeça”.
Por enquanto, ninguém sabe o que levou o Sr. Lopes
a regressar à presidência da Câmara de
Lisboa mas, muito provavelmente, as razões são
bem prosaicas: o tipo não tem casa nem carro próprios,
como ele próprio afirmou, ainda não tem os
anos de serviço público suficientes para pedir
a reforma, e o ordenado (e a influência) como presidente
da Câmara é maior do que como deputado. Quer
dizer: o Sr. Lopes regressou à Câmara de Lisboa
pura e simplesmente porque lhe dá jeito – não
tem nada a ver com serviço público, carreira
política ou qualquer outro desígnio mais nobre:
pura e simplesmente, é um bom emprego, dadas as circunstâncias.
Historicamente, que importância tem este triste
episódio?
Se calhar, tem mais importância do que parece.
O Sr. Lopes é o paradigma do português: não
sabe fazer nada de especial, não faz nada de especial
bem feito, mas desenrasca-se, é chico-esperto, tem
falinhas mansas, insinua-se, faz constar que, rodeia-se
de alguns apaniguados igualmente medícores e consegue
chegar a presidente da Câmara da capital do país,
a primeiro ministro e aspira, até, à Presidência
da República!
Ora, se a Cláudia Vanessa pode ganhar o Euromilhões
e comprar todas as casas da aldeia onde vive, se o Ruben
Micael pode ganhar o Big Brother e abrir um restaurante
da moda nas docas e se o Santana Lopes pode aspirar a ser
presidente da República, por que razão o Fábio
Bruno, que só tem o 9º ano incompleto, não
há-de vir a ser um grande empresário de jogadores
de futebol, combinando com o seu amigo Mauro Filipe, empresário
da construção civil, grandes negócios,
de modo a que ambos se tornem, em breve, proprietários
de um condomínio fechado no Brasil, depois de comprarem
e venderem jogadores obscuros, a troco de moradias e campos
de golfe?
Exagero?
Não me parece...
Domingo, 13 de Março
Drogas no supermercado
O governo tomou posse ontem e o 1º ministro anunciou
que vai permitir a venda de medicamentos não sujeitos
a receita médica noutros locais, que não as
farmácias.
Logo de seguida, a Ordem dos Farmacêuticos e a Associação
Nacional de Farmácias apareceu a protestar, falando
até, no perigo do aumento das intoxicações
medicamentosas.
Reacção tipicamente corporativista.
Neste momento, há milhares de medicamentos a serem
vendidos livremente noutros locais que não as farmácias.
É o caso dos chamados medicamentos “naturais”:
laxantes, pomadas para o reumático, calmantes, estimulantes
do apetite e muitos outros que, por serem “naturais”,
não precisam de passar pelo crivo do Infarmed e são
vendidos a quem os quiser comprar, sem qualquer controlo.
As ervanárias – e isto é apenas um
exemplo – vendem livremente medicamentos que, de outra
forma, nas farmácias, só podem ser vendidos
com receita médica. Apenas um exemplo: Valdispert
é um medicamento com extracto de valeriana que, segundo
a bula, só pode ser vendido com receita médica.
No entanto, em qualquer ervanária, dezenas de produtos
contendo valeriana são vendidos livremente. O mesmo
se passa com cápsulas com óleo de salmão,
para combater o colesterol, produtos com sementes de sene
e similares, para a obstipação, compostos
com magnésio, cálcio, vitamina E, e muitos
outros.
Contra isto, a Ordem e a Associação dos
Farmacêuticos, nada tem a dizer.
Mas que medicamentos sem qualquer efeito terapêutico
comprovado, como os chamados anti-gripais, possam ser vendidos
nos supermercados, é algo que eles não podem
tolerar, porque lhes estraga o negócio.
Durante o recente surto de gripe, consultei dezenas de
doentes que já tinham ido à farmácia
comprar o “anti-gripal” da ordem. Livremente,
sem receita médica. Por exemplo, Bisolgrip, que contem
250 mg de ácido acetil salicílico (sub-dosagem,
já que, para um adulto, menos de 1 gr de aspirina
não é nada, no caso de febre), 200 mg de paracetamol
(um comprimido de Ben-u-ron contém 500mg e é
pouco, para um adulto) e 50 mg de cafeína (mais vale
beber uma bica...). Outro exemplo: Cêgripe. Contém
500mg de paracetamol (o mesmo que um comprimido de Ben-u-ron),
1 mg de maleato de clorfenamina, 100 mg de hesperidina e
100 mg de vitamina C; nem a vitamina C vai combater uma
gripe (quanto muito pode ajudar a preveni-la, mas isso é
discutível), nem os anti-histamínicos estão
indicados na gripe, já que a única coisa que
fazem, eventualmente, é diminuir o pingo no nariz,
mais comum nas constipações.
Mas não é só na gripe. O Trifen 200,
por exemplo, é vendido sem receita médica
nas farmácias, para dores menstruais. O Trifen é
ibuprofeno. O ibuprofeno mais conhecido chama-se Brufen;
na sua bula, diz-se que a dose recomendada para adulto é
de 1200 a 1800 mg por dia – isto é, no mínimo,
6 comprimidos de Trifen por dia! A dose de 200 mg de ibuprofeno
não tira dor nenhuma, a não ser a dor que,
de facto, não existe. No entanto, Trifen é
vendido sem receita médica e Brufen é sujeito
a receita. Se eu prescrever Brufen 600, vou dizer ao doente
que deve tomar 2, no máximo três comprimidos
por dia e vou avisá-lo dos problemas gástricos
que poderá ter. Se um doente comprar, livremente,
numa farmácia, Trifen 200 e, com um comprimido, a
dor não passar, quantos vai tomar? Que indicações
lhe dão na farmácia?
Quero com isto dizer que, nas farmácias, se vendem
múltiplos medicamentos não sujeitos a receita
médica, sem qualquer valor terapêutico, em
sub-dosagens – e que, sendo assim, não vejo
qual é o problema desses medicamentos serem também
vendidos nos supermercados, como acontece em muitos países
do mundo.
Qual é o mal de, nos supermercados, se poderem comprar
laxantes, pomada para as hemorróidas, polivitamínicos,
analgésicos simples (paracetamol, ácido acetil
salicílico), lágrimas artificiais, descongestionantes
nasais, pomadas anti-inflamatórias e coisas do género?
Para os farmacêuticos, o único problema é
que lhes estão a estragar o negócio porque,
nos supermercados, esses produtos custarão cinco
vezes menos.
Mais nada – o resto é conversa fiada!
E já agora, Sócrates: acaba com o negócio
dos genéricos!
O enalapril (medicamento anti-hipertensor) original, da
MSD, com o nome de Renitec, custa (preço de venda
ao público), 44,20 euros (60 comprimidos); o enalapril
genérico, da Ciclum, custa 45,09 euros (56 comprimidos).
Como é possível uma coisa destas? O genérico
é mais caro que o original! Claro que o doente não
nota porque, ao comprar o genérico, tem mais 10%
de desconto, suportado pelo Estado, isto é, por todos
nós!
Outro exemplo, um pouco diferente: a sinvastatina (medicamento
contra o colesterol) original, também da MSD, chama-se
Zocor. Um caixa de 30 comprimidos custa, sem descontos,
43 euros. Um caixa de 60 comprimidos da sinvastatina genérica,
da Generis, custa 47 euros! Como é que a Generis
consegue colocar no mercado o dobro dos comprimidos de sinvastatina
quase pelo mesmo preço de uma caixa só com
30 comprimidos da MSD? E, ainda por cima, pagar a delegados
da informação médica para andarem pelos
centros de saúde a promoverem a coisa e oferecerem
brindes e brochuras publicitárias e outras coisas
de que não falo?
Neste capítulo, o Sócrates e o Correia de
Campos têm muito a fazer e muitos lobbies a enfrentar,
caso tenham coragem...
Quinta, 11 de Março
A Lenda do retrato
renegado
Conta-se que há muito, muito tempo, num país
longínquo e de costumes primitivos, existia um Partido
chamado Centro Democrático Social, também
conhecido por CDS-PP, sendo que PP significava Partido Popular.
A razão deste nome perdeu-se na poeira dos tempos
e, para nós, é incompreensível como
um Partido pode ter um nome tão complicado, mas isso
é um pormenor que nos afasta da história.
Um dos fundadores do CDS fora um homem chamado Feitas,
professor de Direito, disciplina muita em voga naqueles
tempos e naquele país de costumes primitivos.
Ao longo dos anos, o homem chamado Freitas foi-se desgostando
do Partido que ele próprio ajudara a fundar e, cerca
de 20 anos depois, decidiu sair, dedicando-se a outras coisas
mais interessantes, como leccionar, escrever artigos para
jornais e ser secretário-geral de uma coisa chamada
ONU, que era assim uma espécie de Governo Mundial,
só que sem poder praticamente nenhum.
Conta-se que, quase 15 anos depois de ter saído
do Partido que ajudara a fundar, o homem chamado Freitas
aceitou fazer parte de um governo de um outro Partido, chamado
Socialista, que acabara de ganhar as eleições
no tal país de costumes primitivos.
Acontece que os membros do CDS ficaram indignados com
esta decisão do homem chamado Freitas e decidiram
retirar o seu retrato da parede da sede e enviá-lo,
por correio, para a sede do Partido chamado Socialista.
Acrescente-se que o retrato do homem chamado Freitas estava
pendurado na parede da sede do CDS, ao lado dos retratos
de outros homens que tinham sido importantes para o referido
Partido, assim numa espécie de homenagem (já
se disse que aquele era um país de costumes primitivos).
Muito tempo depois do retrato do homem chamado Freitas
ter sido enviado por correio para a sede do Partido chamado
Socialista, e quando já todos se tinham esquecido
deste episódio, algo de muito estranho aconteceu
no tal país de costumes primitivos: três pastorinhos
que guardavam um rebanho de cabras, ali para os lados da
Arrentela (uma pequena localidade perto da capital do país),
viram o retrato do homem chamado Freitas a pairar sobre
um eucalipto. Este fenómeno repetiu-se por mais duas
vezes e, da última vez, o retrato falou aos três
pastorinhos, fazendo três profecias.
Este acontecimento ficou conhecido como o Milagre da Arrentela
e, até hoje, ainda ninguém sabe o que o retrato
do homem chamado Freitas revelou aos pastorinhos.
Esta lenda encerra um ensinamento: nunca tires da parede
o retrato dos teus ancestrais pois arriscas-te a que ele
te persiga para o resto da tua vida – e mesmo que
o faças, limita-te a guardá-lo em local seguro,
em vez de o enviares para a sede um Partido qualquer.
Sábado, 5 de Março
O governo
socrático
Soubemos ontem a composição do novo governo,
chefiado por Sócrates e estou indignado!
Como é possível que, depois de uma viragem
à esquerda tão evidente, depois de cerca de
60% do eleitorado ter votado nos partidos de esquerda, o
novo governo ter apenas um ministro claramente de esquerda:
Diogo Freitas do Amaral!
Sinceramente, estava à espera de um governo mais
radical, composto por ministros de esquerda, que propusessem,
por exemplo, uma aliança política e económica
com Cuba ou com a Coreia do Norte, a tomada das empresas
pelas Comissões de Trabalhadores, a ocupação
das casas pelas Comissões de Moradores, a organização
de Comissões de Bairros que tomassem, nas suas mãos,
os destinos das vilas e das cidades, a gestão das
escolas por Comissões Paritárias formadas
por professores, alunos e auxiliares de acção
educativa, as Comissões de Utentes a controlar o
trabalho dos médicos – enfim, uma coisa que
fosse verdadeiramente revolucionária!
E afinal, sai-nos um governo com tipos de direita, a não
ser o grande revolucionário que sempre foi Freitas
do Amaral.
Quem não se recorda do slogan do PREC: “Se
queres boas colheitas, vota no Freitas”?
Enquanto
isso, no resto do país...
E enquanto do Sr. Engenheiro discute as estratégias
com os seus 16 ministros, os tipos do PSD mordem-se uns
aos outros para disputar a liderança – ou nem
tanto porque, vai-se a ver e quase ninguém está
com paciência para liderar um partido à beira
da extinção.
A Dona Manuela já disse que não está
disponível porque a sua candidatura poderia dividir
a de Marques Mendes. Ora, dividindo a candidatura de Mendes,
o resultado seria zero.
O Sr Menezes que, como pediatra, é um péssimo
político e que, como político, deve ser um
mau pediatra, anda por aí a oferecer jantares, convencido
que a liderança de um partido se ganha com sobremesas.
E mais nada! Nem Dias Loureiro, nem Fernando Nogueira,
nem Marcelo, nem Pacheco Pereira, nem Duarte Lima, ninguém
parece interessado em quatro anos de deserto, na Oposição.
A política é muito bonita quando se está
no Poder...
O CDS também anda às aranhas: o Paulinho
não quer! Diz o Expresso que vai para Nova Iorque
– ele diz que não, que quer ser deputado, para
dar uma prova de humildade... Tosco! Ele devia era continuar
a chefiar o CDS e aguentar 4 anos na Oposição
– isso, sim, seria uma prova de humildade democrática!
E o Sr. Lopes?
Pois o Sr. Lopes, com a convicção que sempre
o caracterizou, já disse que, para o Parlamento também
não vai... talvez regresse à Câmara
de Lisboa, lixando o arranjinho ao Carmona..... ou talvez
não, enfim, ainda não sabe... mas, desde que
lhe dêem um carro e uma casa, por ele, qualquer lugar
serve...
Com uma Oposição assim, o Sr. Engenheiro
pode governar à vontade, que ninguém o vai
incomodar...
Quarta, 2 de Março
“A Família
Portuguesa”
É uma revista que alguém colocou na nossa
caixa de correio. O número 1 trem a actriz Helena
Isabel na capa, dizendo “a minha arma secreta para
manter a pele jovem”. São 40 páginas
de testemunhos pungentes. No editorial, a directora, Marianne
Damkjaer, diz-nos que “A Família portuguesa”
pretende informá-lo como pode melhorar a sua saúde.
Vejamos:
Página 4: “Perdi 15 quilos e a minha celulite
desapareceu”, diz uma mulher ruiva, chamada Elvira.
Ao lado do seu testemunho, um anúncio a BioActivo
CLA forte, um ácido linoleico conjugado.
Página 6: “As minhas pernas estão muito
mais tonificadas”, diz Cristina, que pesava 77 kg
no ano passado e que, este ano, só pesa 66 e se deixou
fotografar em fato de treino, fazendo abdominais. Mais uma
vez, a culpa do sucesso é o BioActivo.
Página 8: “Finalmente, sinto-me novamente atraente”,
diz Madalena, que já perdeu 30 kg, graças
ao BioActivo Crómio e ao BioActivo Fibra 80.
Página 12: “Em apenas um mês recuperei
toda a minha energia e curei a minha anemia” –
quem o afirma é Carolina, uma mulher activa de 32
anos, fotografada abraçada à sua filha desdentada.
Mais uma vez, o segredo é o BioActivo, mas, desta
vez, Quinona Q10.
Página 14: “Por fim encontrei uma solução
para que as minhas gengivas deixem de sangrar” –
é Nilza quem o diz, graças, também
ao BioActivo Quinona Q10.
Página 18: “A dor do meu joelho desapareceu;
aplicar chão, agora, é mais fácil”
– diz Manuel, ladrilhador. Logo na página seguinte,
César Tomás, deitado no chão e com
a esposa a fazer o pino em cima dele, diz “encontrei
uma forma de evitar que os meus joelhos doam”. Claro
que o BioActivo é a solução para estes
males articulares, só que, desta vez, é o
BioActivo Glucosamina.
Página 20: “A minha pressão arterial
e o meu colesterol baixaram consideravelmente”, garante
Carla, graças ao BioActivo Alho.
Página 22: “Perdi peso e voltei a ter um corpo
fantástico”, diz a Sandra, uma ruivaça
com um sorriso malandreco – tudo porque tomou BioActivo
Elegante.
Página27: “Agora tenho unhas fortes e o meu
cabelo tem um aspecto fantástico”, afirma Michaela,
depois de ter tomado BioActivo Selénio+Zinco.
Página 28: “Agora consigo um bronzeado bonito
em vez de manchas vermelhas”, diz-nos a Mariana, que
tomou BioActivo Caroteno.
Página 34: “Mamã, as tuas mãos
estão outra vez quentinhas”, diz a Rosa, cujos
filhos se queixavam das suas mãos frias, devido à
má circulação. Tudo graças ao
BioActivo Biloba.
Página 38: “Agora posso manter os meus níveis
de colesterol controlados”, diz Ana Barroso, fotografada
ao lado do marido, de enxada na mão. Toma BioActivo
Cardio.
Andou um tipo a queimar as pestanas a tirar um curso de
Medicina e a aprender milhares de nomes de substâncias
químicas e de marcas de medicamentos quando, afinal,
é tudo tão simples: das unhas às articulações,
da anemia à circulação, do bronzeado
á obesidade, tudo se resolve com uma única
marca de comprimidos: BioActivo!
Agora que o governo socialista está prestes a ser
anunciado, espero que o novo ministro da Saúde tenha
em conta este verdadeiro maná: se quiser poupar uns
largos milhões com os medicamentos, basta que descomparticipe
todas as drogas existentes no mercado e passe a comparticipar,
apenas, este fantástico BioActivo!
Obrigado à “Família Portuguesa”
por me ter proporcionado esta verdadeira lição
de Farmacoterapia!
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