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O Coiso
Um dia destes...

Novembro 2005:

Coisas que acontecem

| O poder da informação | Cia Nato - cianeto? | Dois casos de calhandrice | Reportagem no Dubai | A corporação que se segue | O Coiso na Sábado | Paris já está a arder? | Prevenção religiosa | Alegreman, yô! | Cavaco, o ouvidor | Todos os santos |


Domingo, 27 de Novembro
O poder da informação
Os órgãos de informação são um Poder (estão no Poder?). Disto ninguém duvida.

Já todos sabemos que, só depois das televisões dizerem que está aí uma vaga de frio, é que as pessoas começam a tiritar nas ruas. Só depois da televisão avisar que vem aí uma vaga de calor, é que a malta começa a tirar os cobertores da cama. Do mesmo modo, só há incêndios quando dá na televisão, os árabes dos subúrbios de Paris só incendiam carros nos dias em que o telejornal faz disso notícia e, quanto a pedófilos, só os da Casa Pia merecem destaque (o que eu me ri com as entrevistas aos vizinhos do Bibi! que pérolas filosóficas pude escutar, graças aos repórteres da televisão! Obrigado!).

Se não fossem os jornalistas (sobretudo os televisivos), ninguém saberia que um canada air é muito mais eficaz a apagar fogos do que um airbus, que os negros subsarianos saltam a vedação em Melilla, para chegarem
à Europa, apenas nos dias em que estão lá repórteres para filmarem, e muitas outras grandes verdades que, de outro modo, estariam longe do nosso reconhecimento.

A força da comunicação social é tal que, esta semana, até tive uma doente que veio à consulta a queixar-se de tosse. E eu perguntei: tosse seca?...

Ela olhou para mim, com um certo ar de desprezo pela minha ignorância e informou-me: não! Tenho tosse e especulação!

Obrigado, comunicação social!

Cia nato - cianeto?
Quando eu e o José António começámos a publicar textos no República, aí por volta de 1973, os cartoonistas da época gostavam muito de brincar com a CIA e com a Nato, sobretudo depois do 25 de Abril. Havia um, que se chamava António - e que se transformou num dos melhores cartoonistas portugueses. Mas havia muitos outros, nomeadamente um tal Carlos Brito, do qual perdi o rasto. Não havia cartoon que não gozasse com a CIA ou com a Nato - de tal modo, que começou a enjoar. A CIA, ou a Nato, eram as grandes culpadas de tudo.

Claro que a CIA é uma organização sinistra, como o são todas as organizações mais ou menos secretas, políticas ou religiosas, corporativas ou de antigos alunos. Com efeito, subscrevo inteiramente a afirmação de Marx (Groucho, evidentemente), segundo a qual, nunca farei parte de um clube que me aceite como membro.

Mas os anos foram passando e todos nós (os mais inteligentes), fomos percebendo que a CIA fazia parte da lógica dos Estados Unidos. E isto não é desculpa: é assim mesmo, como o futebol - que é aquela coisa fantástica que é mesmo assim mesmo!

Algumas organizações e pessoas ditas de esquerda, em Portugal, é que teimam em não aprender nada com a História e, esta semana, ficaram muito zangadas com a possibilidade de aviões da CIA terem sobrevoado o espaço aéreo português. E exigiram que o Governo tomasse uma atitude. O pobre do Manuel Alegre, por exemplo, disse que seria muito grave se isso, de facto tivesse acontecido. O Jerónimo de Sousa até usou a palavra barbárie (estaria a pensar no KGB?).

Isto é tão ridículo que consegue dar a volta: isto é, faz-me rir.

Meus senhores: a CIA sobrevoa os EUA sem que o próprio Bush faça a mínima ideia do que está a acontecer. E não o faz por mal. Fá-lo porque... é assim mesmo...

Vou-me socorrer, novamente, do futebol como termo de comparação: alguém está à espera que o ponta de lança, à boca da baliza, nunca falhe o golo? Claro que não! O tipo vai falhar e rematar ao lado e... paciência... o futebol é assim mesmo!

Queriam então que a CIA, antes de sobrevoar o espaço aéreo de um determinado país, avisasse com antecedência, tipo: atenção - vamos aterrar no aeroporto de Pedras Rubras, com o porão cheio de terroristas presos, a fim de comprarmos uma grade de Sagres sem álcool!

O nosso ministro dos Negócios Estrangeiros, Diogo Freitas do Amaral, saltaria da cadeira, contactaria com o ministro da Defesa, e ambos fariam descolar os nossos caças para interceptarem o avião da CIA e obrigarem-no a aterrar, talvez, em Marrocos. Em Pedras Rubras, nunca! Muito menos para comprarem uma grade de Sagres Zero - se ainda fosse qualquer coisa da Compal!...

A nossa Esquerda está velha e decrépita.

A nossa Esquerda é mais velha que o Mário Soares.

E Manuel Alegre é um triste!...

Quarta, 23 de Novembro
Dois casos de calhandrice
Gosto muito da palavra "calhandrice". Parece-me muito adequada. A calhandra é uma ave da família das cotovias, que deve andar sempre a meter o bedelho no ninho das vizinhas - tal como muitas pessoas, que só se sentem realizadas quando estão a dizer mal de outras.

Primeiro caso de calhandrice: o secretário de Estado da Educação terá dito que os professores faltam muito. Por isso, justificar-se-ia a nova proposta do Ministério, que consiste em "obrigar" os professores a organizarem-se, de modo a taparem as faltas dos seus colegas, para que os alunos não fiquem com "furos" entre as aulas.

Logo um sindicato qualquer, com o apoio do Bloco de Esquerda, veio dizer que o o secretário de Estado mais valia estar calado porque, em 1993, tinha perdido o seu mandato de vereador na Câmara de Penamacor, exactamente por ter faltado muito.

Mariquinhas! O sindicato e o BE são verdadeiras calhandreiras!

Mesmo que fosse verdade (e parece que não é...), o facto de um tipo, 12 anos antes, ser muito faltoso, não quer dizer que, 12 anos depois, não possa criticar quem falta muito! É como se impedisse que um ex-alcoólico fizesse parte de um grupo de ajuda a alcoólicos que queiram largar o vício...

Segundo caso de calhandrice: em cima do minuto 90 do jogo Braga-Benfica, o glorioso conseguiu empatar o jogo 2-2, graças a um penalti inventado pelo árbitro. Mas os bracarenses não baixaram os braços, correram que nem doidos e marcaram o terceiro golo (ainda que em fora de jogo...). Os jogadores do Benfica ficaram apardalados. Já a contarem com um empate que lhes caía do céu, levaram o terceiro e perderam o jogo. A televisão captou a imagem de Nuno Gomes, com cara de espanto, fazendo um gesto, como se estivesse a espetar um agulha no sangradouro - como quem diz "estes gajos devem estar drogados!"

O FC Porto fez queixa à Liga, que vai abrir um inquérito ao jogador do Benfica.

Mariquinhas! Os tipos do FCP são verdadeiras calhandreiras!

Quantas vezes vemos, na televisão, jogadores chamando nomes ao árbitro ou ao fiscal de linha, insultar as claques e os adversários? Mesmo sem som, percebe-se perfeitamente, pelo movimento dos lábios, os insultos que eles dizem. Se todos os membros de todos os clubes fossem tão calhandreiros como os do FCP, não havia semana em que a Liga não tivesse que abrir dezens de inquéritos deste género!

Claro que isto não teria importância nenhuma se a comunicação social desse, a este tipo de conversa de chacha, a verdadeira importância que ela tem - nenhuma!

Terça, 22 de Novembro
Reportagem no Dubai
O Governo, através do Infarmed, pretende impedir que a indústria farmacêutica pague, aos médicos, os chamados congressos da treta, isto é, reuniões médicas, destinadas a médicos portugueses, realizadas no estrangeiro e que, no fundo, se limitam a duas ou três sessões mais ou menos científicas, seguidas de um longo programa social, com visitas turísticas as mais diversas.

Não posso estar mais de acordo.

É ridículo, por exemplo, inventar umas Jornadas Luso-Guatemalteco de Clínica Geral, a decorrer numa estância das Caraíbas, com a participação de 180 médicos portugueses e dois guatemaltecos, para discutir hipertensão. Neste caso, mais valia realizar as Jornadas em Óbidos e pagar as viagens aos dois guatemaltecos...

Por isso, fiquei espantado quando vi uma repórter da RTP-1 (mais um operador de imagem), a entrevistar, no Dubai, três especialistas portugueses sobre um novo medicamento contra o HIV.

Não estou a insinuar que a empresa farmacêutica responsácvel pelo lançamento da nova droga tenha pago a viagem e a estadia dos funcionários da RTP no Dubai. Longe de mim!...

O que eu não percebo é por que motivo a repórter não entrevistou os especialistas portugueses em Portugal, depois de eles terem regressado do Dubai.

Deve ser má vontade da minha parte, claro...

Domingo, 20 de Setembro
A corporação que se segue
Chegou a vez dos médicos. Finalmente!

Depois dos militares, dos juizes, dos professores, o governo Sócrates decidiu que é a altura de incomodar os médicos.

Por mim, tudo bem. Eu até sou médico (há mais tempo do que Sócrates anda na política...) e penso que há muita coisa a mudar na Saúde, no que respeita à classe médica.

Só que o ministro da Saúde, Correia de Campos, começou da pior maneira, ao dizer que, em alguns hospitais, há médicos a mais. Claro que os utentes do SNS não conseguem perceber como, havendo médicos a mais, continuam a esperar meses por uma consulta de especialidade...

Depois, disse, numa entrevista televisiva, que só no Hospital dos Capuchos havia 59 oftalmologistas! No dia seguinte, pediu desculpa e afirmou ter sido mal informado: afinal, só há 24...

Está tudo estragado, a partir daqui.

Toda a gente sabe que os médicos estão mal distribuídos, que há falta de médicos de família, mas também há médicos de família com listas de utentes muito reduzidas e que só cumprem metade do horário que lhes está atribuído, que as listas de espera para certas cirurgias são exorbitantes, mas que certos médicos levam doentes da sua privada para serem operados nos hospitais, ultrapassando essas listas, que existem conflitos de interesse entre o serviço público e a privada, que em alguns convencionados, pode-se esperar meses por um determinado exame complementar, que será feito no dia seguinte se o doente pagar, etc, etc.

Tudo isto é do domínio público, tudo isto é conhecido pelas administrações dos hospitais, pelos directores dos centros de saúde, pelos responsáveis do ministério.

No entanto, ao dizer, com aquela simplicidade, que há médicos a mais nos hospitais, o ministro lança um anátema sobre toda a classe médica e faz com que a opinião pública se volte contra essa mesma classe.

É um má política, Sr. Ministro.

Comece por obrigar as administrações hospitalares e dos centros de saúde a fazerem com que os horários dos médicos sejam cumpridos, comece por estabelecer regras claras de separação entre o público e o privado, comece por alterar a legislação que impede a mobilidade dos profissionais. Só depois poderá pedir responsabilidades...

A boca de que há médicos a mais nos hospitais provoca coisas como vi, ontem, no telejornal da RTP-1. Uma repórter, com ar aflito, estava na urgência de Santa Maria com uma ideia pré-concebida: exactamente a de que há médicos a mais nos hospitais mas que, mesmo assim, as pessoas esperam muito tempo para serem atendidas. A sala de espera estava quase deserta. A menina entrevistou, primeiro, uma senhora, que disse estar à espera há hora e meia. Era acompanhante de um doente que sofria de angina de peito e estava a ser atendido. Ora, se o doente sofria de angina de peito, deve ter feito ecg e os enzimas, para ver, no mínimo, se estava a fazer um enfarto. Hora e meia é muito tempo para salvar uma vida?

A menina ainda entrevistou outra senhora, que disse estar à espera há cerca de meia hora e que acrescentou que não costumava esperar muito para ser atendida, sempre que se dirigia ao hospital.

Reportagem falhada. No entanto, em conclusão, a menina repórter disse que os doentes, apesar de se dizer que há médicos a mais nos hospitais, continuam a esperar muito tempo para serem atendidos.

Afirmações como as que o Sr. Ministro fez, sobre os oftalmologistas dos Capuchos, levam a este tipo de conclusões precipitadas. É disparar sobre o alvo errado.

Correia de Campos, ou os seus assessores, têm a obrigação de conhecer as verdadeiras razões que fazem com que um utente do SNS espere dois anos por uma operação às cataratas ou às varizes, um ano por uma consulta de Cardiologia ou de ORL, por que razão grande parte dos hospitais e centros de saúde estão desertos de médicos durante a tarde, etc, etc.

Se o Sr. Ministro quiser, eu posso dar-lhe umas dicas. Já ando nisto há muitos anos...

Sábado, 19 de Novembro
O Coiso na Sábado
Tânia Pereirinha, jornalista da Sábado, interessou-se pelo Coiso. Telefonou-me esta semana. Queria falar comigo pessoalmente e fazer umas fotografias. Ficámos pela conversa telefónica e já não foi mau (para ela, claro...)

Contei-lhe como nasceu O Coiso. Falei-lhe do Coiso em papel, que durou 13 semanas, em 1975, do Mário-Henrique Leiria, do Pé de Cabra, do Pão Comanteiga, da Quinta do Dois, do Uma Vez por Semana. Isto é, tentei explicar-lhe que O Coiso tem uma História com mais de 30 anos - não é apenas mais um blogue, nascido porque é moda.

Enfim, todo o enquadramento do Coiso desapareceu no artigo da Tânia e, para quem o ler, parece que é mais um blogue em que se goza com os políticos, com fotomontagens e fotografias legendadas. Paciência. Não fico preocupado. Mas tenho pena que ela não tenha referido que as tais fotos legendadas são apenas uma das secções do site. De facto, as fotos legendadas - que nasceram no Coiso de papel - são apenas uma diversão pessoal. Depois, há os textos que fui escrevendo ao longo dos anos, as histórias poucos clínicas, as memórias, as descrições de viagens e, sobretudo, os textos que, em "Um dia destes", vou expondo as minhas ideias sobre os mais variados assuntos; são os meus textos a propósito, que comecei a escrever por volta dos 18 anos.

De qualquer modo, o texto da Tânia é honesto e não foge à verdade.

Está registado.

Domingo, 13 de Novembro
Paris já está a arder?
Alguém se lembra deste filme de René Clement, de 1966, com Alain Delon, Jean-Paul Belmondo, Kirk Douglas, Leslie Caron, Yves Montand, Robert Stack, Glenn Ford, Orson Welles e Simone Signoret?

Vi-o no cinema Império (actual sede da Igreja Universal do reino de Deus...), com apenas 13 aninhos!

Pois parece que, agora, Paris está a arder novamente - e não é por causa dos tanques dos nazis e dos aliados, mas sim da nova moda de pegar fogo a automóveis. Vem nos jornais que, desde Janeiro, já arderam cerca de 30 mil carros.

As vantagens são óbvias. Aliás, os franceses sempre foram pioneiros em soluções inovadoras para melhorar o tráfego citadino. Pois não foram eles os inventores, por exemplo, dos boulevards: várias faixas de rodagem para cima e para baixo, grandes rotundas com monumentos no centro, tudo para permitir um bom fluxo do tráfego.

Agora, descobriram, finalmente, a maneira de melhorar, também, o estacionamento, diminuir a poluição provocada pelo monóxido de carbono e acabar com os chaços velhos que são abandonados na via pública. Numa medida verdadeiramente revolucionária, o governo francês matou vários coelhos com uma única cajadada: deu uma ocupação a milhares de jovens emigrantes que andavam aos papéis, sem nada para fazer, e pô-los a incendiar carros, diminuindo drasticamente o parque automóvel da capital.

E a ideia já foi adoptada por outras municipalidades. Nos últimos 15 dias temos visto milhares de carros a serem incendiados, não só em Paris, mas também em Lyon, Nice, Lille e em muitas outras cidades francesas.

Os jovens, emigrantes de segunda e terceira geração, agradecem, porque andavam fartos de passar os dias a pintar as paredes ou a procurar emprego, sem sucesso. Os restantes cidadãos agradecem porque, agora, é muito mais fácil arranjar lugar para estacionar, as ruas estão muito mais desimpedidas e as companhias de seguros não têm outro remédio senão pagar indemnizações aos donos dos velhos carros há muito abandonados.

Espero bem que os autarcas portugueses sigam o exemplo francês. Aqui, na zona onde vivo, dizem-me que existem quase 3 mil carros velhos abandonados. Eu próprio já fotografei alguns deles, que podem ser vistos em www.flickr.com/photos/abandonados/. Também temos, por cá, vários bairros sociais, cheios de jovens emigrantes desempregados. Portanto, é só estimulá-los e dar-lhes uma oportunidade de fazerem algo pela comunidade.

Estão à espera de quê?!...

Prevenção religiosa
Finalmente, o Patriarca de Lisboa decidiu o que há muito de exigia: Lisboa foi consagrada a Nossa
Senhora de Fátima!

Sinceramente, há muito que as autoridades religiosas deviam ter tomado esta atitude! Foi preciso comemorar-se os 250 anos do grande terramoto de 1755, para se lembrarem de uma coisa destas!

Não sei muito bem o que quer dizer "consagrar Lisboa a Nossa Senhora de Fátima", mas quero crer (embora não seja crente) que, no caso de haver outro grande terramoto, o tsunami já não se abaterá sobre a nossa capital. Ao saber, que Lisboa está consagrada à Nossa senhora de Fátima, certamente que as águas do Oceano Atlântico hão-de arranjar outra cidade para devastar: Cádiz, Casablanca ou mesmo Tunes.

Como se sabe, Almada está a salvo, graças à outra Nossa Senhora (ver www.coiso.net/dias.html#santos), portanto, o oceano só tem é que ir chatear outros!

Obrigado, cardeal Patriarca!

Sábado, 5 de Novembro
Alegreman, yô!
Toda a gente sabe o que faz correr Soares ou Cavaco, na candidatura a Belém. Querem ser presidentes. Também se compreendem as candidaturas de Louçã e Jerónimo. Querem chatear a malta. Até Garcia Pereira tem, na tradição, a sua explicação.

Agora, o que faz correr Manuel Alegre?

Na apresentação do seu manifesto eleitoral, Alegre falou como se não fosse deputado do PS há centenas de anos, como se não tivesse sido eleito vice-presidente da Assembleia da República pelo PS há meia dúzia de meses, como se não tivesse nada a ver com nenhuma decisão política dos últimos 30 anos, como se não tivesse votado o orçamento limiano, como se não tivesse nada a ver com nada!

Disse, por exemplo: que "não pode assistir passivamente à ocupação partidária de lugares de nomeação política". Então, que tem feito ele, nos últimos 30 anos?

Perguntou, também: "será que a Constituição está a ser cumprida quando Portugal é o país da Europa em que mais se agravaram as desigualdades?". Deve ter sido uma pergunta de retórica porque ele, Alegre, está no Parlamento desde o 25 de Abril!

Sugeriu ainda a realização de "um pacto económico e social para a definição ou ajuste da política fiscal e das políticas de emprego, salários, lucros, reforma da administração pública, da saúde e da segurança social". Mas afinal, o que tem andado a fazer o deputado Alegre, todos estes anos, no Parlamento? Por que carga de água ainda não propôs ele, enquanto deputado, um pacto deste tipo?

Era preciso ser eleito Presidente da República para isto?

Não me parece - parece-me, até, que, como deputado, Alegre teria mais poder que como Presidente da República, para tentar mudar todas estas coisas e muitas mais que ele referiu, no seu manifesto.

Afinal, tantas ideias boas que o deputado Alegre tinha para Portugal e foi preciso o PS ter escolhido Soares como candidato, em vez dele, para que eles as revelasse...

Espero bem que, mal terminem as eleições e, depois da esquerda ser provavelmente derrotada pelo ignóbil Sr. Aníbal, que Alegre, ao regressar ao Parlamento, tenha à mão uma cópia deste seu discurso e não se esqueça de desatar a apresentar propostas à Assembleia.

Não se perderá tudo...

Sexta, 4 de Novembro
Cavaco, o ouvidor
O Prof. Anibal apresentou ontem o seu manifesto. Disse, a certa altura:

"O Presidente da República não pode apenas ser um moderador, um ouvidor , um árbitro a apelar ao diálogo. Nas circunstâncias actuais, exige-se mais de um Presidente da República".

Confesso a minha ignorância: não conhecia o termo "ouvidor".

Mas, como o Prof. Anibal é professor, dei-lhe o benefício da dúvida.

Fui ver ao dicionário da Sociedade de Língua Portuguesa e lá estava o termo ouvidor. Diz assim: "ouvidor (do latim auditore) - aquele que ouve, ouvinte; juiz togado que ouvia e sentenciava com outros as causas e pleitos que ocorriam nas audiências".

Pronto: isto é um ouvidor. Mas o Prof. Anibal quer ser mais do que isso. Quer ser, conforme disse, um "agente de desenvolvimento". O que quererá isso dizer? Mistério...

O problema é que, continuando a consultar a definição de "ouvidor", no já referido dicionário, encontrei mais isto: "antigo instrumento em forma de funil, que os moucos aplicavam ao ouvido, com a parte mais aberta para fora e pela qual se lhes falava".

Ora, assim já compreendo o que o Prof. Anibal quer dizer quando afirma que tem que ser mais do que um ouvidor, que tem que ser um agente de desenvolvimento.

Está claro que o Prof. Anibal quer ser um Sonotone!

Terça, 1 de Novembro
Todos os santos
Todos os santos são muitos. Só na lista telefónica de Lisboa, todos os santos ocupam cerca de 14 páginas, o que equivale a mais de 140 santos! Só em Lisboa!...

Mas é de outros santos que estamos a falar. Dos santos que fazem milagres. Também esses são muitos. Cada vez mais. Ao contrário dos santos da lista telefónica, que podem vir a ser menos, à medida que os mais velhos forem morrendo, os verdadeiros santos - aqueles que o são por fazerem milagres - todos os anos aumentam.

No princípio (além de ser o Verbo...), o Dia de Todos os Santos era, apenas, o Dia do Santo (S. Pedro, se não estou em erro...). Depois, à medida que a Santa Sé foi incrementando a canonização, o número de santos foi aumentando e chegou-se a este extremo de se comemorar um Dia de Todos os Santos - que, por serem tantos, já ninguém se lembra quais são.

Em Cacilhas, celebra-se o dia da santa que fez o favor de empurrar o tsunami para Lisboa, salvando a margem sul do Tejo da catástrofe.

Todos os anos, nesta data, realiza-se uma procissão, que percorre as ruas de Cacilhas. Vão buscar a imagem da santinha à igreja e, sempre guardada pela banda dos bombeiros (quem disse que eles apenas servem para apagar fogos?), vai andando ao colo, até chegar ao Tejo, no cais do Ginjal. Aí chegada, a santa enfrenta as águas do rio e, mais uma vez, explica-lhes que, a haver pecadores que mereçam as chamas do Inferno, eles estaráo sediados em Lisboa, e não do lado de cá - a margem esquerda, o lado certo do rio...

Neste ano em que se comemoram os 250 anos do terramoto de 1755, inúmeras publicações falam da tragédia que se abateu sobre a capital do reino - mas poucos falam desse milagre sensacional, que fez com que as águas do Tejo tenham poupado Cacilhas.

Assim nasceu mais um santa!

Hoje, também é o dia dela!

Como é mesmo o seu nome?...

 

 




 

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Este é o Coiso do Artur Couto e Santos.
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