Outubro 2005:
Coisas que acontecem
| Um Portugal Maior - para quê?! | Iogurtes e telemóveis - uma filosofia de vida | As aves ranhosas | Governo quer matar açorianos e madeirenses | Procriação assistida no Parlamento | Com Cavaco - todos pró buraco! | Bom dia, Sr. Manuel Acácio | Balada presidencial para um eleitor de esquerda | Obstipação autárquica | Scolari é uma fraude! | A nova Unidade de Saúde | Sócrates, o africano | Sem assunto |
Domingo, 30 de Outubro
Um Portugal Maior - para quê?!
O slogan da campanha de Cavaco Silva é idiota: "Portugal maior"!
Para que raio é que nós queremos um Portugal maior?
O Portugal, assim, deste tamanho, já é tão mau!
Para começar, a sigla de "Portugal Maior", que figura na bancada onde cavaco tem os papéis que vai lendo, é "PM" - que também pode ser lido como "primeiro-ministro". O Freud explica isto, claro. No fundo, o que Cavaco queria ser era primeiro-ministro. Só que dá muito mais trabalho: primeiro, teria que ganhar um Congresso no PSD - e toda a gente sabe como isso é difícil. Os psdês que, actualmente, rejubilam com a candidatura de Cavaco à Presidência, se o vissem concorrer a líder do Partido, haviam de se esgatanhar todos para o lixarem bem lixado.
Sendo assim, Cavaco - que também já está velhote; ninguém o diz frontalmente, mas tem 66 anos e já ultrapassou largamente a idade da reforma, que é 49 anos, como demonstrou Santana Lopes... - decidiu candidatar-se à Presidência, na expectativa de conseguir convencer Sócrates a seguir os seus conselhos. No fundo, tem a esperança de poder funcionar como primeiro-ministro, sendo Presidente. Daí estar sempre a dizer que vai cumprir a Constituição, como aqueles putos que garantem à mãe que nunca mais vão roubar rebuçados, sabendo que será a primeira coisa que vão fazer, assim que ela vire costas...
Aliás, o próprio Belmiro de Azevedo - que é aquele senhor que pode dizer as maiores alarvidades, sem que ninguém o critique, porque o gajo até vem na lista dos mais ricos, da Forbes - já disse, numa entrevista, que as reuniões das 5ªs feiras, entre o primeiro-ministro e o presidente, serão muito diferentes, se Cavaco for presidente, como quem avisa Sócrates de que terá que escutar os conselhos do Sr. Professor...
Em segundo lugar, querer um Portugal Maior é típico da candidatura de um obscuro professor de economia, oriundo da pequena burguesia. Será que Cavaco não percebe que, quanto maior for Portugal, maior será a bagunça?
Vocês já imaginaram a confusão na saúde, na justiça, nos impostos - se Portugal fosse maior?
Será que não lhe chega o tamanho actual do país?
E como quererá Cavaco aumentar este nosso querido Portugal?
Penso que estará fora de causa invadir Castela ou conquistar mais terras aos mouros. Não estou a ver Cavaco, à frente de um grande exército de GNR, de espada em punho, gritando: "Em frente, pelo pugresso de Portugal!"
Portanto, o que o homem quer dizer com "Portugal Maior" é o mesmo que quer dizer com o resto, isto é, NADA!
A verdade é que Cavaco não tem nenhuma ideia nova para o nosso país, nenhuma proposta inovadora, nada no seu discurso é mobilizador, diferente, galvanizador. Apenas conversa mole, os lugares comuns do costume, a mesma lengalenga de sempre.
O que Cavaco quer, pura e simplesmente, é ser Presidente da República, por pura e simples ambição pessoal, para enriquecer o seu currículo, porque acha que merece um lugar na História, para não ficar apenas como o tipo que governou durante 10 anos, numa altura em que os dinheiros da União Europeia chegavam a rodos e, mesmo assim, foram desperdiçados, sem que nada tenha ficado de assinalável, a não ser algumas auto-estradas mal desenhadas, ou como o tipo que foi derrotado por Jorge Sampaio para as presidenciais.
Mas a tristeza de tudo isto, reside no seguinte: enfrentando um velhote simpático, mas que já deu mais tiros no pé que um Luky Luke invisual, um poeta patético, um comunista retoiçado e um trotskista que só usa camisas Gant (a propósito: o site da candidatura de Louçã fica em www.franciscopresidente.pt; por que não www.presidentelouca.pt?...), Cavaco arrisca-se a ganhar logo à primeira volta.
Enfim... Portugal terá o presidente que merece e será, então sim, um Portugal menor...
Iogurtes e telemóveis - uma filosofia de vida
A publicidade dos iogurtes e dos telemóveis, na televisão, tem a ver com tudo, menos com os produtos que são publicitados.
Dos iogurtes, já falei várias vezes: há os que baixam a tensão arterial ou o colesterol, os que dão tesão (uma menina comendo um iogurte, enfiada num banho de imersão, enquanto a Rita Lee canta "que tal nós dois/ numa banheira de espuma"), os que são mais ou menos alucinogénios, deixando-te pedrado (um tipo a saborear um iogurte, enquanto um bando de ladrões lhe roubam a casa), e mais, e mais...
Comer um iogurte é tudo menos comer um iogurte. Um tipo como eu, que detesta iogurtes, que sempre detestou iogurtes, sente-se socialmente excluído! Nunca vou poder participar da alegria, do orgulho, do prazer, da virtude dos comedores de iogurtes. Não vou ter hipóteses junto das mulheres, terei a minha saúde arruinada, nunca poderei saborear as coisas boas da vida - estou condenado a ser um iogurte-excluído!
Em relação aos telemóveis, passa-se algo de semelhante: o telemóvel deixou de ser um aparelho extremamente útil, que me permite comunicar com quem eu quero, onde quiser - passou a ser, também, um estilo de vida. O último anúncio da Vodafone, mostra-nos uma espécie de libelinha que, no seu único dia de vida, aproveita cada segundo, divertindo-se, fazendo amor, gozando a sua vida efémera, sem se preocupar com mais nada. Em momento nenhum do anúncio se vê um telemóvel - nem é preciso! O anúncio é sobre o estilo de vida, e não sobre uma rede de telemóveis. Ai de quem desperdiçar um segundo da sua vida, fazendo algo de que não gosta (atender telefonemas, por exemplo...). A vida é para ser vivida, segundo a segundo - assim determina a Vodafone.
Ora, se detesto iogurtes e não gosto de falar ao telefone, percebo agora que o meu lugar no mundo não existe!
Iogurte-excluído, telemóvel-excluído, só me resta render-me e esperar que a gripe das aves me atinja!
As aves ranhosas
A gripe das aves é a nova histeria nacional. Ontem, o Público informava que a vacina da gripe estava esgotada, em Portugal, em parte porque as pessoas continuavam mal informadas e desataram a comprar vacinas da gripe "normal", ignorando que ela nada pode contra a chamada gripe das aves. Isto só revela o falhanço total da comunicação social. Como é possível que, após tantos debates, tantas notícias, tantos espaços especiais de informação, as pessoas continuem a não saber nada sobre a gripe das aves?
O director geral da Saúde, Francisco George, já apareceu mais vezes no telejornal do que o Cavaco Silva e, apesar de todas as suas explicações sublimes, o pessoal continua a baralhar as coisas! Francamente - que país de merda!
Claro que tudo isto nasce de um enorme equívoco: que o comum dos mortais consegue perceber tudo o que lhe for impingido pela comunicação social.
Comecemos pelo princípio: a chamada gripe das aves terá começado há cerca de dois anos, na Ásia. É o costume. As pandemias de gripe são algo que acontece, de vez em quando e, desde o início do século XX, já por cá passaram três grandes pandemias, todas com início nas aves, todas com início na Ásia. Toda a gente já ouviu falar da gripe espanhola e da gripe asiática e da pneumónica. Portanto, mais tarde ou mais cedo, teremos uma nova pandemia - como, mais tarde ou mais cedo, teremos um novo terramoto, em Lisboa.
Perante este cenário, é natural que as autoridades se preparem, como se preparam para outras coisas. Recordo, apenas como exemplo, a luta anti-tabágica. Há quanto tempo as autoridades de saúde se reúnem, para adoptar as medidas que acham necessárias para diminuir o número de mortos relacionados com o vício de fumar? Foi graças a essas reuniões que nasceram diversas medidas: proibir o fumo do cigarro em certos locais, colocar avisos dos perigos do tabagismo nos maços de tabaco, etc, etc. E todos os dias se realizam reuniões de autoridades de saúde para debater os mais diversos perigos para a saúde da comunidade: o cancro da mama, o cancro da próstata, o cancro da pele, a malária, a diabetes...
Só que, desta vez, as autoridades de saúde devem ter achado que a opinião pública tinha que conhecer as suas iniciativas.
Estragaram tudo!
A coisa começou a ficar feia quando todos soubemos que um papagaio inglês tinha morrido com a gripe das aves. Soubemos tudo sobre esse papagaio. Só faltou as televisões terem transmitido, em directo, o funeral do loiro!
Um gaivota na Ucrânia, um pato na Croácia, meia dúzia de perus na Turquia e aí estava a gripe das aves em força!
Num certo telejornal, uma inteligente repórter perguntava a uma jovem mãe se já tinha inquirido o pediatra sobre a necessidade de vacinar o bebé contra a gripe! Isto, no mesmo telejornal em que se afirmava que a vacina da gripe "normal" nada fazia à gripe das aves! Para uma população com um grau tão elevado de iliteracia como a nossa, isto só podia causar confusão!
Nas televisão, o Dr. George esforça-se por dar grandes explicações, mas não é capaz de esquecer a sua formação académica e, querendo ser o mais verdadeiro possível, não consegue simplificar a sua mensagem e o que fica é que estamos tramados: a pandemia vem aí, não interessa o que se faça como prevenção!
E quando a coisa é inevitável, o pessoal tende a encolher os ombros e a dizer: que se lixe! O que for, soará!
Felizmente, o tempo vai passando e ainda não apareceu ninguém com gripe das aves - embora já tenha havido um candidato, num hospital do norte mas que, suspeito, foi apenas um caso para testar o funcionamento dos mecanismos de alerta.
E quanto mais tempo passar sem nada de especial, melhor: a comunicação social acaba por se virar para outro tema e a gripe das aves deixa de existir (lembram-se dos africanos sub-sarianos que tentavam chegar à Europa, através de Melilla? Claro que deixaram de ser notícia; será que eles deixaram de tentar saltar a cerca que os espanhóis ergueram em redor daquela cidade? Não me parece... no entanto, depois de três ou quatro dias de reportagens em directo e notícias em todos os jornais, o assunto parece ter morrido, como se tivesse deixado de existir...).
O ridículo de tudo isto reside no seguinte: a comunicação social tem uma força que não consegue controlar e não a usa para o bem da comunidade, mas apenas para melhorar as suas próprias audiências. Por seu lado, a Direcção Geral da Saúde não sabe (ou não quer) aproveitar a força da comunicação social, por exemplo, para que não continuem a existir gravidezes não vigiadas, crianças sem vacinas, hipertensos sem controlo, diabéticos ao deus dará - mas não perde a oportunidade de se aliar à mesma comunicação social para lançar o pânico na população com algo que ainda não se sabe muito bem sequer se vai acontecer.
Entretanto, a Roche (produtora do anti-viral de que todos falam), esfrega as mãos. Gostaria de conhecer os lucros deste ano da Roche...
Quarta, 26 de Outubro
Governo quer matar açorianos e madeirenses
O meu esforço para combater a crise é enorme: praticamente não vou ser aumentado, congelaram-me as subidas de escalão, a idade da reforma está mais longe e vou ser apanhado pelo novo escalão do IRS, de 42%.
A tudo isto se junta o aumento do tabaco - 30 cêntimos em cada maço.
A minha morte está a sair-me cada vez mais cara!
Agora, o que me espanta é que - segundo li hoje no Público - o maço de tabaco vai aumentar 30 cêntimos no continente, mas apenas 5 cêntimos nos Açores e Madeira!
Já sei que o preço da insularidade é enorme e até acho justo que os produtos de primeira necessidade sejam mais baratos para os ilhéus.
Mas... o tabaco?!
Por que carga de água o tabaco há-de ser mais barato na Madeira e nos Açores do que no continente?
Pois se até os próprios maços de tabaco avisam, em letras garrafais, que o tabaco mata!
A menos que... a menos que o governo central queira, desse modo, acabar com os sonhos de independência dos açorianos e madeirenses.
Com o tabaco mais barato, é ver os ilhéus a fumarem que nem chaminés e a matarem-se muito mais depressa do que nós, aqui no continente. As taxas de incidência de cancro aumentarão, bem como as insuficiências respiratórias e, gradualmente, os nosso conterrâneos de além-mar irão soçobrando, enquanto nós acabaremos por deixar de fumar, devido ao preço proibitivo do tabaco.
O Sócrates é esperto, o magano!...
Segunda, 24 de Outubro
Procriação assistida no Parlamento
Título do Público da passada 6ª feira:

Como será a "procriação assistida no Parlamento"?
Um deputado socialista fecundando uma deputada do PSD, com todos os restantes deputados a assistir?
Sábado, 22 de Outubro
Com Cavaco - todos pró buraco!
Foi com espanto que recebi a notícia de que Cavaco Silva se candidata à Presidência da República.
Pensava que já tínhamos todos os candidatos possíveis, cobrindo todo o espectro político. Assim, da direita para a esquerda: Soares, Alegre, Jerónimo e Louçã.
Mas eis que, inesperadamente, aparece este senhor. Dizem-me que é professor de Economia, tem 66 anos e foi primeiro ministro durante 10 anos. Sinceramente, fiquei estupefacto. Este não pode ser o mesmo Cavaco que governou Portugal como líder do PSD e até teve uma maioria absoluta, que recebeu milhões da União Europeia e não foi capaz de fazer uma única reforma de fundo, limitando-se a auto-estradas e ao Centro Cultural de Belém.
Este também não pode ser o mesmo Cavaco que perdeu as eleições presidenciais para Sampaio, há dez anos. Esse Cavaco não foi capaz de convencer os portugueses da bondade do seu programa eleitoral e a maioria preferiu Jorge Sampaio.
Portanto, se este não é o Cavaco das auto-estradas, nem o Cavaco que perdeu as eleições, de onde saiu este Cavaco?
Diz este Cavaco que a sua não é uma candidatura partidária. Ora, se é uma candidatura independente, quem a suporta financeiramente?
Parece que a comissão de honra da candidatura deste Cavaco é presidida pelo general Eanes. Será o mesmo Eanes do 25 de Novembro? Ou será o Eanes que também foi Presidente da República? Ou será o Eanes fundador do PRD (alguém se lembra desta agremiação de políticos)?
Tudo isto é muito confuso para mim.
O que levará este Cavaco a candidatar-se à Presidência da República?
É que, partindo do princípio que este Cavaco não é o mesmo Cavaco, o homem não tem hipótese.
Vi-o na apresentação da sua candidatura e pareceu-me um tipo rígido, sem capacidade de comunicação e com uma dicção péssima: diz "pugresso", em vez de progresso, diz "cicartizar", em vez de cicatrizar. Em vez de sorriso, consegue apenas um esgar e, pelo modo como falou, parece estar a candidatar-se a chefe do governo, e não à Presidência da República. Não consigo imaginá-lo a receber os reis de Espanha ou a andar a cavalo, com o Bush, lá no rancho do Texas.
Enfim, se ganha este Cavaco, vamos todos pró buraco!...
Terça, 18 de Outubro
Bom dia, Sr. Manuel Acácio
De férias, tenho a oportunidade de ouvir, de vez em quando, o Fórum TSF - essa extraordinária ideia de fazer uma programa diário barato e com audiência garantida. Quanto mais não seja, os tipos que telefonam para lá e respectivas famílias, ouvem o programa, de certeza.
A ideia pegou e a própria TSF tem, também, um Fórum Mulher, em que só as mulheres participam. Ainda não percebi se o Fórum da manhã é só para homens ou para gays. Aguardo, com ansiedade, um Fórum Pessoas com Deficiência, um Fórum Imigrantes e um Fórum Vítimas de Alzheimer.
O tema de ontem foi a crise no Sporting. Hoje, o tema foi o Orçamento Geral do Estado.
E o que me espanta, é que há tipos que são capazes de dar as opiniões mais sólidas e convencidas sobre o despedimento do Peseiro ou o falhanço das exportações portuguesas, face à ameaça da China. Ninguém tem dúvidas!
Os incêndios? Uma vergonha! Se fosse eu, fazia isto e aquilo!
As manifestações dos militares? Um ultraje! Se fosse eu, fazia assim...
A gripe das aves? Um escândalo! Quanto a mim, o que havia a fazer era isto!
O Peseiro? Uma rebaldaria! Eu cá fazia e acontecia!
O ministro as Finanças? Um tanso! Cá para mim, o melhor era isto...
Os portugueses que participam neste tipo de programas não têm dúvidas e emitem opiniões sobre os mais diversos assuntos, com a maior das facilidades, sem hesitações.
E a TSF dá-lhes voz e acha que isso é que é a democracia: dar a voz a quem não tem voz... É falso! Porque basta ouvir dois ou três Fóruns seguidos (e mais uma bancada Central, que é outro Fórum, embora dedicado ao desporto) para perceber que há alguns ouvintes que telefonam sempre, qualquer que seja o assunto a debater. E as suas opiniões, muitas vezes baseadas em falsidades ou premissas falsas, passam a ser verdades, porque "tudo o que se passa, passa na TSF".
Suspeito que a maior parte desta malta ou está de férias, como eu (mas eu não estou sempre de férias, infelizmente...), ou não tem mesmo mais nada para fazer. E gostam muito de ouvir a própria voz na rádio. Aliás, é por isso que o Sr. Manuel Acácio, que conduz o programa, tem amiúde que pedir ao participante para desligar o rádio, por causa do feed back.
As enormidades que hoje foram ditas sobre o Orçamento, em vez de ajudarem a esclarecer algumas dúvidas, apenas ajudaram a aumentar a confusão. Houve até um tipo que teve o desplante de perguntar por que raio é que, no tempo de Salazar, havia dinheiro para as reformas e agora já não há! Reformas, no tempo do Salazar? Este gajo não sabe que a esmagadora maioria das reformas só surgiu depois do 25 de Abril? Claro que não sabe - mas também ninguém o contrariou... E a Dona Carolina, sentadinha em casa, a fazer crochet, e que recebe uma reforma mínima que o genro lhe arranjou, porque a pôs a descontar como se ela tivesse sido sua empregada doméstica, suspira e murmura: "que saudades do Salazar!..."
Este tipo de democracia radiofónica não me convence...
Sábado, 15 de Outubro
Balada presidencial para um eleitor de esquerda Sou um eleitor de esquerda
Mas continuo a hesitar
Com tantos candidatos
Não sei em quem votar
Sei que temos que vencer
E ter votos aos milhares
Nesse caso, a melhor opção
Será votar no Soares
Mas estou farto dos partidos
Que tudo querem controlar
Portanto, contra os directórios
No Alegre vou votar
Mas ser um tipo de esquerda
E pelos trabalhadores, é sinónimo
Não tenho alternativa:
Voto no Jerónimo
Mas quero a esquerda do futuro
A esquerda do amanhã
Sendo assim, tem que ser
Tenho que votar no Louçã
Esta minha indecisão
Está a deixar-me fulo
É que se voto nos quatro
O meu voto é nulo
À beira do desespero
Estou a cair no buraco
Com tanta indecisão
Ainda voto no Cavaco!
Segunda, 10 de Outubro
Obstipação autárquica
O PS levou nas lonas nas eleições autárquicas. Obteve piores resultados do que em 2001, ano em que, por esse mesmo motivo, Guterres se demitiu.
Claro que não fazia sentido que Sócrates se demitisse agora (como não fez sentido que Guterres se tivesse demitido, então). Mas os resultados talvez o façam pensar um pouco. Não me parece que ele deva mudar a sua política - alguém tem que começar as reformas há muito esperadas, enfrentando as corporações instaladas. Mas talvez não fosse má ideia que Sócrates explicasse melhor suas intenções, para que a malta não pense que ele se limita a tomar diversas medidas avulsas, sem que estejam inscritas numa política mais global.
Aliás, é sempre bom quando o Poder perde. Não acham que é um pouco monótono ter um Presidente PS, um governo PS, uma Assembleia da República PS, um presidente do Banco de Portugal PS, um presidente do Tribunal de Contas PS, um presidente da CGD PS? É bom que o PS tenha levado nas lonas nestas autárquicas, para perceber que talvez tenha que explicar melhor as coisas.
Mas do que gostei mais da noite eleitoral foi do discurso de Valentim Loureiro! Logo para começar, e porque o microfone que lhe estendiam estava desligado, disse "merda" e "foda-se" várias vezes. Não se ouviu mas eu sei ler nos lábios. Depois, quando o sistema sonoro finalmente funcionou, fez uma arengada de ir às lágrimas, agitando as mãos no ar, contorcendo-se, elevando a voz. Por momentos, pensei que estivéssemos a assistir a uma sessão da Igreja Maná.
Tivemos ainda a oportunidade de assistir aos discursos de Fátima Felgueiras e de Isaltino Morais, mas não aos de Maria Emília Sousa, que ganhou Almada, e do Presidente da Câmara de Beja, que eu nem sei quem foi.
Parece evidente, portanto, que Gondomar, Oeiras e Felgueiras, são mais importantes do que Almada ou Beja. Claro que isto é ignorância minha, mas confesso que sei onde fica Almada e Beja, mas não tenho bem a certeza de onde fica Gondomar ou Felgueiras...
O modo como a comunicação social destacou, desde sempre, as "candidaturas dos arguidos", foi vergonhosa. Durante semanas, todos os dias, havia sempre uma notícia ou outra de Isaltino, Avelino, Valentim ou Fátima, mas raramente se ouviu falar de Braga, Amadora, Portimão ou Portalegre, por exemplo.
Outra coisa interessante nestas autárquicas, foram os cartazes de propaganda. Quase todos eles incluiam o verbo "fazer". "Sicrano faz melhor", "Beltrano faz e acontece", "Fulano faz bem"!
Tudo se resumiu, afinal, a um problema de obstipação. Os que fazem melhor, teriam mais hipóteses de ganhar as eleições, dos que têm dificuldade em fazer ou dos que fazem só de vez em quando.
Nunca me tinha apercebido que os nossos autarcas andassem assim tão mal, com tanta necessidade de partilhar com os munícipes a sua maior ou menor dificuldade em fazer.
No fim da noite, os discursos do costume - embora, desta vez, o PS não tenha afirmado ter ganho as eleições. No entanto, tirando o PS, foi óbvio que todos ganharam: o PSD porque, de facto, ganhou, o PCP porque, de facto, não perdeu, o BE porque qualquer voto a mais é lucro, o CDS porque todos estavam à espera que desaparecesse do mapa, mas ainda não foi desta.
Em breve, teremos os novos Presidentes da Câmara, sentadinhos nas suas cadeiras, a fazer melhor, por todos nós.
Vai ser um alívio!...
Domingo, 9 de Outubro
Scolari é uma fraude!
Hoje é dia de eleições e não se pode falar de política partidária. Cada um deve fazer a sua escolha e votar no pateta que oferece mais garantias de não se abotoar com o orçamento da autarquia.
Por isso, como não se pode falar de política, falo de futebol.
A selecção nacional está apurada para o Mundial da Alemanha e Scolari é uma fraude!
Estou à vontade para dizer isto, até porque, no ano passado, apesar de ter vibrado com os êxitos da selecção, no Europeu, sempre disse que o brasileiro não me convencia.
A sua teimosia em manter o Ricardo como guarda-redes, já não é teimosia - é estupidez. O desempenho do ex-guarda-redes principal do Sporting foi desesperante, ontem, contra o Lichenstein. Só teve que fazer três defesas. Falhou em todas. Numa dessas falhas, foi o golo da equipa de bancários e empregados de escritório; numa outra, não foi golo porque um dos empregados de escritório do Lichenstein estava caído, junto à baliza e desviou a bola, que ia direitnha para a baliza.
Outro erro: a selecção precisava apenas de um ponto para se qualificar. Mas um ponto, num jogo contra a Rússia, por exemplo, é diferente, emocionalmente, do que um ponto contra o Lichenstein. Para Scolari, não: um ponto é um ponto! Racionalismo ou medo, puro e simples? Assim que Portugal conseguiu empatar, o seleccionador nacional começou a jogar para o empate, isto é, meteu médios e tirou atacantes. Quando, a 5 minutos do fim, depois de muitos assobios, se decidiu a colocar outro atacante em campo (Nuno Gomes), teve a felicidade de ganhar o jogo.
Com este treinador, vamos fazer uma má figura no mundial de futebol. É um tipo que não arrisca, cuja única ambição é manter o seu lugar de seleccionador nacional, que equivale a um ordenado principesco, com poucos riscos. Com uma equipa destas, e com os adversários que nos calharam na fase de apuramento, qualquer treinador médio teria feito o mesmo, ou melhor. Recordo que, do grupo de Portugal, fazem parte a Rússia, a Eslováquia, a Estónia, a Letónia, o Luxemburgo e o Lichenstein. Quem? Esses mesmos, um grupo de "mijas-na-escada". Para Portugal se qualificar, bastava jogar normalmente - nem precisava de treinador...
Agora, que está qualificado para o Mundial, Scolari diz que quer ficar nos 8 melhores - o que também não é nada de especial. A selecção nacional, naquelas classificações da Fifa, já está entre as dez melhores do mundo. Portanto... balelas brasileiras...
Ok. O Brasil e a Argentina estão acima da média. E depois? Talvez a França, a Inglaterra e a Espanha, a Alemanha e a Holanda. E depois, Portugal... enfim, se as coisas correrem mal, pode ser que Angola seja uma surpresa, ou a Coreia do Sul.
Isto cheira a José Peseiro - e os sportinguistas percebem o que quero dizer - estamos quase a ganhar qualquer coisa mas, no fim, perdemos tudo!
Aliás, um treinador que é conhecido como "o sargento", não pode ser grande coisa. O que nós precisamos é de um general! Os sargentos, por muito laboriosos que sejam, não ficam na História!
O que a nossa selecção precisa é de um treinador suicida, que arrisque. Um treinador que aproveite os nossos bons jogadores e que jogue para ganhar ou perder tudo!
Estamos fartos de empatas! Estamos fartos de tipos que desistem a meio, como o Guterres, ou o Barroso!
Ó caraças! Lá estou eu a falar de política, outra vez!...
Enfim, aqui fica uma previsão: se Scolari continuar como treinador da selecção nacional, Portugal vai perder mais uma oportunidade de fazer História no futebol...
Sábado, 8 de Outubro
A nova Unidade de Saúde
Só hoje me disponho a escrever algo sobre a nossa nova Unidade de Saúde, que abriu ao público no passado dia 15 de Setembro, numa altura em que me apetecia tudo menos isso.
Ao fim de 20 anos como médico de Clínica Geral/Medicina Familiar, trabalho, finalmente, numa Unidade de Saúde construída de raiz. Durante todos estes anos, trabalhei num centro de saúde situado num prédio de habitação com três andares, sem elevador e com uma serralharia em frente. O ruído do ferro a ser serrado sempre se misturou com o murmúrio vesicular dos pulmões dos meus doentes. Creio que, neste últimos 20 anos, nunca auscultei um doente sem ouvir aquele ruído metálico ao fundo.
Agora, estamos num edifício bonito e com muita luz; uma grande clarabóia deixa entrar a luz por ali dentro, inundando as salas e os corredores. Os consultórios estão bem isolados e o único som que se ouve é o dos passarinhos a chilrear em volta. Embora rodeado de bairros sociais por todos os lados, o centro de saúde foi construído numa zona livre, com a ponte sobre o Tejo no horizonte poente e sem mais nenhuma construção nos metros mais próximos.
E, no entanto, que tormento que têm sido estas três semanas!
Os utentes acorreram em massa e não se adaptam a este novo espaço: estavam habituados às pequenas salas de atendimento e deparam-se, agora, com dois grandes balcões. Descobrimos que, muitos deles, não sabem sequer "ler" os números que surgem nos marcadores de vez e receiam estarem-lhes a passar à frente. Encontro, de vez em quando, um utente desorientado, no corredor dos consultórios; foi chamado para o gabinete 6, o meu gabinete, mas não conhece o número 6!
Os doentes estavam habituados a ver o seu médico de família sair do gabinete e subir as escadas para ir fazer chi-chi a andar de cima; aproveitavam, apanhavam-no, digamos, de calças na mão, e pediam uma opinião, uma receita, uma palmadinha nas costas. Agora, os médicos estão nos seus gabinetes, longe da sala de espera; os utentes não os vêem passar, sentem-se perdidos, abandonados, protestam, dizem ter saudades do antigo centro de saúde, que estava decrépito e ultrapassado.
Há, em tudo isto, uma parábola que seria muito interessante, se não fosse tão triste. Toda a gente protesta por ter centros de saúde instalados em velhos prédios de habitação mas, quando lhes fornecem um equipamento novo, com todas as condições, protestam na mesma, porque se sentem perdidos, desadaptados, confusos.
Os funcionários administrativos estão a soçobrar. No antigo centro de saúde, com os médicos distribuídos por três andares, os utentes também se distribuíam e não havia grandes aglomerações. Agora, com dezenas e dezenas de utentes baralhados, concentrados num único local de atendimento, embora com dois balcões, não conseguem dar a volta ao problema. Todos os dias temos assistido a discussões, por vezes violentas. Os utentes chegam antes das 8 horas, entram de roldão, atacam os marcadores de vez, tirando as respectivas senhas para serem atendidos e logo começa a discussão. Muitos deles não percebem os números, não sabem a sua sequência, acham que estão a ser enganados, que lhes estão a passar à frente. Para os utentes com consulta previamente marcada, colocámos um cartaz informando: "os doentes com consulta marcada não precisam de tirar senha de vez". Mas ninguém percebe isto e, quando chega um utente marcado e se dirige directamente para o balcão, toda a multidão se levanta, em grande grita.
O desejo de provar o novo, leva a que muita gente vá ao centro de saúde todos os dias! Na primeira semana, uma velhota de 82 anos, minha doente, foi lá três vezes: uma para pedir receituário, no dia seguinte, para pedir uma credencial para as termas e, na terceira vez, para pedir outro medicamento do qual se tinha esquecido. O facto dos bairros sociais estarem, agora, mais perto do centro de saúde, faz com que muitos utentes passem por lá, só para ver como estão as coisas. E para protestar, claro! Não está como eles querem! Queriam um novo centro de saúde, mas sem regras - ou melhor, com as regras que eles próprios ditassem. Por exemplo: a mãe quer uma declaração em como o filho pode praticar natação. Tira uma senha, aguarda a sua vez de ser atendida; o administrativo faz a inscrição e o pedido da utente é guardado na caixa do respectivo médico. No final da consulta da manhã, o médico pega na respectiva caixa e satisfaz os múltiplos pedidos que lá se encontram. No dia seguinte, a mãe poderá ir buscar declaração, na recepção. Não pode ser! Ela quer a declaração naquele momento! Ela quer que o médico pare a sua consulta e satisfaça o seu pedido, sem mais delongas. Ela quer lá saber que o médico esteja a atender outros doentes! Gera-se a discussão, claro. O administrativo explica o funcionamento da coisa uma vez, duas vezes, três vezes; à quarta, se calhar, é um pouco mais agressivo na explicação e nova discussão surge!
A sinalética modernaça, com cores suaves e atraentes, de nada serve. Logo à entrada, os sinais indicam onde são as consultas de clínica geral, os cuidados de enfermagem, a saúde da mulher e a saúde da criança. Ninguém lê, ninguém presta atenção. Há mães com os bebés, com consulta marcada para a Saúde Infantil, que fica no 1º andar (com elevador), sentadas na sala de espera da consulta geral, à espera que alguém as chame. Passada uma hora, quando começam a achar estranho que ninguém as chame para a consulta, insultam o pobre administrativo que está a atender as dezenas de pessoas que, desde as 8 da manhã, ainda não pararam de chegar. A segurança, corre do lado dos cuidados de enfermagem para a sala de espera geral, dando informações a este e àquele, pedindo para que as pessoas se mantenham sentadas, olhando para o quadro que marca a sua vez de serem atendidas, mas acaba por desistir porque todos querem ser atendidos imediatamente!
De que servem os quadros que mostram onde está o Dr. Artur ou o Dr. Guimarães, por exemplo? Não servem de nada porque muitos utentes não sabem ler e, mesmo os que sabem, não compreendem. No antigo centro de saúde, eles já sabiam: o Dr. Artur era no 2º andar, do lado direito; o Dr. Guimarães era no 3º andar. Tão simples! Agora, há dois corredores: do lado direito, cinco médicos; do lado esquerdo, outros cinco. Que confusão!
À tarde, nas chamadas urgências, a confusão é idêntica. No centro de saúde antigo, fazíamos as urgências em dois gabinetes de dois médicos que não trabalhavam àquela hora. Abríamos a porta, e tínhamos o hall cheio de utentes, que não cabiam na sala de espera. Claro que eles aproveitavam e interpelavam-nos: a consulta era logo ali - directamente do produtor para o consumidor.
Agora, temos uma área só para as urgências. Dois gabinetes, antecedidos pela sala dos cuidados de enfermagem e com uma porta que separa esta área do resto do centro de saúde: a confidencialidade da consulta está garantida - não há outros doentes encostados à porta a ouvir o que se passa lá dentro. Se precisar da ajuda da enfermeira, tenho-a ali à mão - não preciso de atravessar o corredor, por meio da chusma de doentes, para lhe pedir um injectável ou um penso. Mas, para os utentes, isto é uma grande chatice! Têm que ficar na sala de espera, não podem controlar quem entra e quem sai, se o médico está a demorar muito ou pouco tempo, se foi fazer chi-chi ou beber uma bica. E, quando chamamos o Sr. Fulano para o gabinete 4, a maior parte das vezes, o segurança tem que ir atrás, explicar onde é o gabinete 4!
Durante a palhaçada da campanha eleitoral para as autárquicas, tenho visto candidatos exigindo novos equipamentos para os concelhos a que se candidatam, nomeadamente, novos centros de saúde.
Deixem-se de lérias!
Domingo, 2 de Outubro
Sócrates, o Africano
Passou as férias no Quénia e, pelos vistos, ficou enfeitiçado pelo continente africano.
Hoje, está na Líbia, e vai ser recebido por Kadhafi, esse grande democrata.
Sócrates é um político esperto. Já percebeu que a Europa não quer nada connosco. E Europa continua a obrigar-nos a baixar o déficit e não perdoa o mínimo deslize. Quando, depois de muitos cortes e sacrifícios, conseguirmos chegar aos tais 3%, Bruxelas há-de inventar outra coisa qualquer para nos lixar a vida.
Portanto, por que não voltar as costas à Europa e avançar para África?
As oportunidades de negócio são múltiplas: o Burkina Faso tem grandes jazidas de prata e manganésio, ainda por explorar; o Burundi tem 5% das reservas mundiais de níquel; o Uganda tem jazidas de cobre consideráveis; a Etiópia produz café em barda; a Somália tem um florescente negócio de alimentos roubados às ajudas humanitárias; o Benim tem um contrabando diversificado e florescente. E os exemplos podiam continuar.
Assim, Sócrates, inteligente, decidiu começar por uma ponta de África e está na Líbia. Ora, a República Democrática Socialista Popular Árabe da Líbia (nome oficial), tem grandes lençóis de petróleo ainda por explorar. O nosso primeiro-ministro não deixará de tentar convencer Kadhafi a financiar a construção de um pipeline que ligue Tripoli a Portimão. Directamente do produtor ao consumidor.
Em breve, teremos a gasolina mais barata da Europa.
Obrigado, Sr. Engenheiro!
Sábado, 1 de Outubro
Sem assunto
Se tivesse que escrever uma crónica semanal para uma qualquer publicação, estaria aflito. Sem assunto.
Espanto-me com os cronistas que, todas as semanas, enchem páginas de jornais e revistas com textos sobre tudo e sobre nada e têm sempre assunto. Enchem chouriços, muitos deles.
Falar de quê, neste momento?
Da alarve campanha eleitoral para as autarquias? Comentar o facto do Rui Rio ter estado a centímetros de levar umas estaladas durante uma visita de propaganda a um bairro social? Ou o Jerónimo de Sousa, curvado sobre um puto que está a jogar numa consola e que nem se digna olhar para o líder comunista, e que lhe diz: "também tens que estudar... todos os campeões têm que estudar"... Ou o Valentim a dizer aos putos de uma escola que ensinem os avós a votar nele: "desta vez não é nas setas que apontam para o céu - é nos pauzinhos do Valentim". Ou o Carmona Rodrigues a cantar o fado num comício. Ou o Carrilho a passear-se com a Bárbara Guimarães pelas ruas de Lisboa e os seus adversários, muito zangados, a dizerem que ele se está a servir da mulher (o Carrilho a servir-se da mulher? Francamente!...).
Sinceramente, falta-me a pachorra. O nível é tão medíocre que comentar a campanha é pior do que bater no ceguinho!
Portanto, deixando a campanha autárquica de lado, falar sobre o quê?
As eleições presidenciais, por exemplo.
E dizer o quê? Que o Cavaco já ganhou as eleições, mesmo antes de se candidatar? Que, graças à entrada de Manuel Alegre na corrida, talvez haja uma segunda volta e, desse modo, talvez a esquerda derrote a direita? Que o director do Expresso diz, hoje, no seu editorial, que Santana Lopes se vai candidatar, e Paulo Portas também, e Manuel Monteiro e Basílio Horta! Então e o José Peseiro, também não se candidata, agora que está a um jogo de ser despedido do Sporting?
Bocejo...
Eleições autárquicas e presidenciais à parte, fica o quê?
A greve dos juízes, por exemplo. E dizer o quê? Que os juízes estão a ser injustiçados porque o governo lhes quer tirar os dois meses de férias e o subsídio de renda de casa?
Ou talvez a guerra dos medicamentos. Afinal, baixam ou sobem de preço? Quem é o Sr. Cordeiro, presidente da ANF, que se arroga o direito de afrontar o ministro de um governo eleito por maioria absoluta e que, sorrateiramente, o ameaça?
Ou ainda que os portugueses já gastaram 843 milhões de euros em apostas no Euromilhões - mais do que o Estado gastou na construção dos novos estádios para o Euro 2004.
Ou, finalmente, por que razão ninguém dá um empurrão ao Abrunhosa, quando o gajo está no cimo daquele prédio a cantar (?) "eu estou aqui"?... Cansaço.
Este país está sem assunto.
Este país está uma merda, meus amigos!
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