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O Coiso
Um dia destes...

Janeiro 2004:


| Bush é português! | A morte de Feher | Nunca é tarde para ser mulher | Fumar mata! Se não mata, engorda? | Não fui eu - foi aquele menino! | A Lista Pedófila |


Sábado, 31
Bush é português!
O Expresso de hoje publica, na revista Única, um texto sobre genealogias que me deixou boquiaberto: a família Bush descende de portugueses, através de D. Urraca, a esposa do nosso D. Afonso Henriques. D. Urraca foi trisavó de Isabel, rainha de Inglaterra; alguns dos descendentes desta partiram num dos primeiros navios a chegar à América do Norte e aí se estabeleceram, dando depois origem à família Bush.

Isto quer dizer, meus amigos, que George Bush é luso-descendente.

Ou, para ser mais cruel, Bush é português!
Está tudo explicado!...

Terça, 27
A morte de Feher
Os factos são estes: no domingo passado, no final do jogo Guimarães-Benfica, o jogador húngaro Feher, sem qualquer contacto físico, sem ter feito nenhum esforço, sorriu para o árbitro, que lhe tinha mostrado um cartão amarelo por uma razão pueril, inclinou-se para a frente, apoiando as mãos sobre os joelhos e, depois, caiu para trás, desamparado. Morto. Uma morte súbita, em directo pela Sport TV, num jovem desportista de 24 anos. Assistir a tudo aquilo foi dramático. O modo como o corpo do jogador caiu, pesado, a aflição dos restantes jogadores, que imediatamente o rodearam, com o terror nos rostos, as lágrimas de todos eles, o silêncio dos comentadores televisivos, a cara perplexa do árbitro, tudo aquilo foi estranho, esquisito. Ao fim e ao cabo, estávamos a assistir a uma morte em directo. Os médicos das duas equipas tentaram reanimar o Feher, a ambulância levou-o depois para o Hospital de Guimarães. Duas horas depois, a morte do jovem atleta foi confirmada.

Os factos são estes.

Penso que ninguém ficou indiferente a este incidente. A consternação foi generalizada. No entanto, daí até transformar este facto em tragédia nacional vai um passo de gigante que só a nossa comunicação social, cada vez mais “tabloidizada”, mais medíocre, mais baixa, poderia dar. No dia seguinte à morte do jogador, todos os jornais tinham a foto de Feher na primeira página, com arranjos gráficos dignos de uma figura nacional, como se o jovem jogador tivesse tido o impacto na História de Portugal como – por exemplo – Mário Soares, Álvaro Cunhal, ou mesmo, para citar dois ícones, digamos, mais populares, como Amália ou Eusébio.

Ontem à noite, os três canais generalistas (RTP, SIC e TVI), transmitiram, em directo (!) o velório do jogador, mostrando os restantes jogadores do Benfica a chorarem, abraçados, em redor da urna de Feher, todos os telejornais transmitiram extensas reportagens sobre o acontecimento, exibindo dirigentes rivais a abraçarem-se, treinadores a chorarem, adeptos a depositarem cachecóis e ramos de flores sobre a urna – um espectáculo que me fez lembrar os britânicos, depois da morte da princesa Diana.

Toda a gente deu a sua opinião abalizada, desde o habitual adepto desdentado que caga sentenças sobre a falta de assistência médica nos hospitais, até a cardiologistas que tentaram explicar o que não tem explicação – nem tem que ter! neste particular, fiquei muito irritado com o Prof. Fernando Pádua que, nestes últimos dias, parece estar a fazer propaganda aos desfribilhadores, chegando ao ponto de dizer – e repetir, em tudo o que é órgão de comunicação que, “onde há um extintor, deve haver um desfribilhador”!!! por exemplo, no prédio onde vivem a Marta e o João, há um extintor em cada um dos 10 andares! Todos os restaurantes têm um extintor, todos os autocarros, comboios, metropolitanos, têm um extintor, todos os centros de saúde, cinemas, teatros, salas de espectáculo em geral, têm um extintor...o homem está senil! Ao dizer coisas como esta, está a lançar sobre a população portuguesa uma dúvida que ninguém vai poder esclarecer: estarei seguro neste local que, tendo um extintor, não tem um desfribilhador? Ainda por cima – como o professor tem a obrigação de saber – o desfribilhador não podia ter sido usado no caso do Feher, já que o jogador tinha o corpo encharcado (chovia muito, em Guimarães), bem como os médicos que prontamente o socorreram. Feher morreu – e esta é que é a verdade nua e crua – porque estava vivo!

Não existem exames médicos que escrutinem tudo. Não é possível prevenir a morte a este ponto. O jogador, muito provavelmente, morreria na mesma, naquele dia ou noutro qualquer, independentemente de estar em jogo ou sentado em casa, a ver um filme na televisão.

Para além desta loucura de querer encontrar um bode expiatório para algo que faz parte da vida, isto é, a morte, embora súbita, embora precoce, embora estúpida e imprevisível, há toda a cobertura exagerada do acontecimento que está a ser feita por todos os órgãos de comunicação, sem excepção. As televisões entrevistam tudo e todos, tipos que conviveram dois dias com Feher, um gajo que esteve na mesma casa de banho em que ele urinava, um fulano que ficou na fila de trás, num cinema onde o húngaro foi, certo fim de semana, uma jovem que não o conhecia pessoalmente mas que assistia aos treinos do Benfica, um tipo que o treinou durante 6 meses, um compatriota que nunca jogou com ele, ou contra ele, mas que nasceu no mesmo país (era o mesmo que me entrevistassem a mim, no dia da morte do Sr. Marques, de Viana do Castelo, pessoa que eu nunca vi mas de quem sou compatriota...). e amanhã, a RTP vai transmitir, em directo, a partida da urna com o corpo de Feher para a Hungria. Mas o que é isto?! o que farão estes idiotas quando morrer o Cunhal, por exemplo?

No mesmo dia em que Feher tombou no relvado, morreram duas crianças, vítimas da inalação dos vapores tóxicos de um esquentador que funcionava mal. Que cobertura tiveram estas mortes?

Há que dar às coisas a importância que as coisas têm!...

Nunca é tarde para ser mulher
David Palmer era o teclista dos Jethro Tull. Tem já a respeitosa idade de 66 anos. Este facto não o impediu de, recentemente, ter mudado de sexo. Agora, chama-se Dee!

Explicou David – aliás, Dee – que se sentia “como uma mulher desde o 3 anos”, mas que foi só após a morte da mulher, há 9 anos, que decidiu mudar de sexo.

Ian Anderson, o vocalista, flautista e líder dos Jethro Tull disse: “como muitos outros que o conheciam, uma homem barbudo que fumava cachimbo, no início tive alguma dificuldade em compreender. Mas dou-lhe todo o meu apoio na sua decisão de começar uma nova vida enquanto mulher.”

Força Dee!
Agora, vamos todos aguardar o primeiro álbum a solo da nova estrela feminina do rock!

Segunda, 19
Fumar mata! Se não mata, engorda?
Não vale a pena inventar argumentos. A União Europeia está cheia de génios e esses génios determinaram que fumar mata. Sejamos justos: talvez não tenham sido os génios da UE que chegaram a essa conclusão sozinhos: os génios americanos também deram uma ajuda. Mas foram os génios da UE – verdadeiros cientistas ou burocratas de gabinete – que decidiram colocar aqueles avisos nos maços de tabaco: “Fumar mata”. E conduzir? E voar? E consumir álcool? E comer gorduras? E comer doces? E ter uma vida sedentária? E foder?

Enfim, a vida é um risco – a vida mata!

Claro que tudo isto são desculpas de mau pagador. Estou tão agarrado ao vício de fumar que tento encontrar argumentos válidos, inteligentes, aceitáveis, para desculpabilizar esse mesmo vício.

Mas o problema central de toda esta discussão é exactamente a qualidade do vício.
Será que fumar é um vício ou um prazer?

Bom, há que considerar o caso dos fumadores passivos – suponho, aliás, que foi uma espécie de comité de génios não fumadores, aterrorizados pelo facto de poderem contrair cancro por inalarem o fumo dos cigarros dos outros – que inventou esta história do Fumar Mata. Estou de acordo: deixemos de fumar em locais públicos, deixemos de inundar de fumo os pulmões dos não fumadores. Apoio, firmemente, que se proíba o fumo do cigarro em restaurantes, transportes públicos, até em casas particulares, onde existam não fumadores. Isso já se passa, por exemplo, em todos os restaurantes McDonalds e Kentucky Fried Chiken, onde dezenas de pessoas comem gorduras animais em excesso, batatas fritas encharcadas em óleo e outros víveres altamente lesivos da saúde das artérias, mas onde ninguém fuma. Perdido por cem, perdido por mil? De modo nenhum! Deixá-los morrer de aterosclerose, mas nunca por inalarem fumo de tabaco!

Ora bem, estamos conversados quanto aos fumadores passivos: partimos do princípio que, estando presentes não fumadores, os fumadores devem abster-se de fumar, para não prejudicar os outros. Eles que comam doces, se encharquem em gorduras, engordem sentados nos sofás, se recusem a fazer exercício mas, pelo menos, quando morrerem, mais ou menos 5 anos depois dos fumadores, ficaremos com as consciências tranquilas: não morreram pela inalação do fumo dos nossos cigarros.

Resolvido este problema, pergunto agora: e se me apetecer fumar, sozinho, no conforto da minha casinha, qual é o problema?
Resposta: nenhum!

Então, por que carga de água hão-de os maços de tabaco trazer, no seu rótulo, aquela inscrição maquiavélica?
Fumar mata...
Enfim... o problema do vício e do prazer...

Para mim, fumar é um prazer, em primeiro lugar – só que, como todos os prazeres, envolve um risco; e esse risco é poder ser, também, um vício.

De facto, há cigarros que são um prazer, e há cigarros que são um vício. Todos fazem mal? Penso que sim... penso que todos os cigarros fazem mal, tenho consciência disso mas, meus amigos, não me importo de correr esse risco, em troca do prazer que esses cigarros me dão.

O cigarro acompanha-me desde os 15 anos. Ao longo da minha vida, habituei-me a ligar o acto de fumar às coisas importantes que me foram acontecendo, aos pequenos prazeres do dia a dia, às grandes conquistas e aos grandes azares. Quando aguardo algo de importante ou, depois de algo importante ter acontecido, o que me apetece logo é fumar um cigarro. Com o cigarro, li bons livros, escrevi muitos textos, ouvi muita música. O cigarro esteve presente quando esperei que os meus filhos nascessem, foi ele que me ajudou em muitos momentos de angústia e de solidão, que me ajudou a tomar decisões difíceis e me distendeu em momentos de aflição. Fumei muitos cigarros desnecessários, mas muitas coisas da minha vida só fizeram sentido porque o cigarro estava presente.

É por essas e por outras – que agora não me lembro – que penso que nunca serei capaz de deixar de fumar.

Sábado, 10
Não fui – foi aquele menino!
Para que fique registado: no primeiro dia do ano, o Jornal de Notícias publicou, na primeira página uma notícia, segundo a qual, o processo da Casa Pia tinha, apenso, uma carta anónima que acusava o Presidente da República, Jorge Sampaio e o comissário europeu, António Vitorino, de práticas pedófilas.

Posteriormente, veio a saber-se que o processo não tinha apensa uma, mas dezenas de cartas anónimas que acusavam de pedofilia numerosas figuras destacadas do PS, PSD e CDS. No entanto, por qualquer motivo obscuro, só eram publicitados nomes do PS: para além de Paulo Pedroso, acusado, Ferro Rodrigues, Jaime Gama e, agora, até o Presidente e o comissário!

Indignação geral! Por um lado, contra o procurador do Ministério Público, que juntou ao processo cartas anónimas que, simultaneamente, considerou sem qualquer relevância; por outro lado, contra o jornal que deu a notícia.
Os magistrados dividiram-se: que o procurador, se achava que as cartas não tinham relevância para o processo, não as deveria ter anexado; ou, pelo contrário, que o procurador não tinha outro remédio senão juntá-las ao processo, ou então, poderia ser acusado de estar a ocultar factos.

Os comentadores também se dividiram, no que respeita à atitude do jornal: que os jornalistas não são meros transmissores do que lhes chega às mãos e que o responsável pela notícia deveria ter investigado melhor a coisa, antes de a publicar; ou, pelo contrário, que a missão do jornalista é informar e que, se a informação existia, era para divulgar.

Os jornais não falam de outra coisa mas nenhum tem a coragem de afirmar, preto no branco que, como em todas as profissões, há jornalistas corruptos, irresponsáveis, negligentes, sem formação, sem princípios.

O jornalista tem um poder incomensurável sobre a opinião pública – e tem a noção disso. O jornalista sente-se impune e, ao longo dos anos, foi percebendo que pode publicar o que lhe apetecer, mesmo sabendo que a notícia é imparcial, mesmo sabendo que não está a divulgar a verdade toda, ou mesmo sabendo que a notícia é falsa – basta dizer que “fontes próximas” afirmam isto ou aquilo; depois, quando a notícia for desmentida, pode sempre dizer que foram as “fontes” que o enganaram – ele limitou-se a cumprir a sua “missão” de informar. Se alguém cometeu alguma maldade, não fui eu – foi aquele menino! Com vantagem de, sendo jornalista, não ser obrigado a revelar quem é aquele menino!.

Neste caso, como se trata do Presidente da República, a coisa é capaz de vir a ter algumas consequências (embora eu duvide). Mas noutras circunstâncias, quando o alvo da notícia é o Zé Maria Pincel ou o Gaspar Andorinha, o jornalista acaba sempre por ficar por cima. É frequente encontrar, por exemplo, nos jornais, cartas ao director, em que o visado por alguma notícia, tenta repor a verdade, explicando a sua versão dos factos; no final da carta, é certo e sabido que surge uma “nota da redacção”, em que o autor da notícia diz, invariavelmente, que “o essencial da notícia não foi desmentido” e que o repórter se limitou a citar as suas fontes.

Posso estabelecer um paralelismo entre o jornalismo e a minha profissão. Como médico, tenho a consciência de que muitos dos meus colegas adoptam atitudes corporativistas; conheço uma colega que afirma que, publicamente, nunca seria capaz de acusar um colega, mesmo sabendo que ele tinha sido responsável por alguma má prática. Apesar de tudo, os médicos têm sido cada vez mais responsabilizados pelos seus actos errados e negligentes. Mas a ideia com que ficamos, quando lemos os jornais, é que todos os dias existem casos graves de negligência médica e que, apenas raramente, os seus responsáveis são punidos. No entanto, se lermos as notícias com atenção – e se estivermos por dentro da profissão, como eu estou – percebemos que faltam sempre informações, que a história é muitas vezes mal contada e, o que parece um flagrante caso de negligência médica, pode ser uma outra coisa completamente diversa. Ainda esta semana, chegou à nossa Unidade de Saúde uma senhora com um bebé de 6 meses, com dificuldades respiratórias; eram 13h 30 e o médico do bebé tinha ido almoçar; a enfermeira pediu-me para observar a criança; a mãe estava muito preocupada, porque já tinha contactado com o Saúde 24 e de lá tinham dito que iam enviar um fax para o Centro de Saúde. Tentei acalmar a mãe, dizendo-lhe que o fax era pouco importante – o essencial era que eu já estava a observar a criança. Auscultei o bebé, que estava com uma bronquiolite, provavelmente viral, e pedi à enfermeira que lhe pusesse um aerossol com salbutamol; entretanto, o médico da criança devia chegar do almoço e, depois, seria ele a reobservar a criança. E voltei para o meu consultório para começar a consulta da tarde. Soube depois que o meu colega tinha chegado do almoço, passou pela Sala de Observações, para ver o bebé, que estava melhor e pediu á mãe que fosse fazer a inscrição na administrativa, que ele depois observaria a criança no seu consultório. Indignada, a mãe foi-se embora, dizendo qualquer coisa como “uma urgência e é preciso ir fazer a inscrição!”

De notar que o bebé foi observado e medicado assim que chegou ao centro de Saúde, sem que qualquer tipo de acto administrativo atrasasse o acto médico. Só posteriormente, depois dos aerossóis terminados, e com a criança estabilizada, é que se procederia à inscrição administrativa. Mesmo assim, a mãe do bebé abandonou o Centro de Saúde, escandalizada com o nosso atendimento.

Claro que esta história poderia ser contada de diversas maneiras e poderia suscitar um título deste género: “Bebé com falta de ar não é atendido porque a mãe não fez inscrição administrativa”.

É este tipo de construção de notícias que todos os dias se vê nos jornais e nas televisões: pessoas que vivem em barracas e ninguém lhes dá uma casa (mas afinal até já lhes ofereceram uma casa, só que foi num sítio que não lhes convinha), tipos que estão na lista de espera para serem operados há anos (mas que já foram chamados e recusaram porque a data não lhes dava jeito), pais que se recusam a levar os filhos para o infantário onde houve um caso de meningite porque o delegado de saúde se recusa a desinfectar as instalações (quando se sabe que a meningite se transmite pela saliva), etc, etc. Diariamente, as televisões e os jornais estão cheios de informações parciais, meias verdades ou mentiras completas. Mas ai de quem puser em causa a nobre missão de informar!
E se alguém criticar os jornalistas porque, finalmente, surgiu algo de tão grave como uma acusação de pedofilia ao próprio Presidente da República, há sempre a hipótese de dizer: “não fui eu, Sr. Presidente! Foi aquele menino!...”

Domingo, 4
A Lista Pedófila!
Em 2004, o mundo está onde estava no final de 2003: Portugal encalhado no processo Casa Pia e o resto do mundo com medo dos ataques terroristas.

O Sr. Bush afiançou-nos que o mundo estaria muito mais seguro depois da queda do regime de Saddam Hussein, no Iraque. Tretas, claro! O regime caiu há que tempos, o próprio Saddam já foi preso e as ameaças terroristas aumentam de dia para dia: voos são cancelados, temendo-se um ataque, todos os dias rebentam bombas no Iraque e um tipo é levado a pensar que, se calhar, o Bush tem é que invadir outro país qualquer...

Por cá, o processo Casa Pia vem desvendar algo que desconhecíamos: os portugueses, em matéria de sexo, são maioritariamente pedófilos. Todos os dias os jornais desvendam novos nomes de sujeitos que se excitam sexualmente com criancinhas. E ninguém sai ileso: até já o próprio Presidente da República da fama não se livra. Para além dos acusados no processo, há uma lista extensa de nomes conhecidos e uma lista ainda maior de nomes que não conhecemos. Aliás, todos descobrimos que é fácil fazer parte dessa lista: basta que eu não goste de alguém, escreva uma carta anónima a denunciar essa pessoa como pedófilo nojento e enviá-la ao cuidado do procurador João Guerra ou do juiz Rui Teixeira (não esquecer fazer a devida vénia quando se refere este nome...). Não é preciso grandes descrições; a carta pode ser simples e dizer, por exemplo: “vi o meu vizinho do lado a apalpar o rabo a um menino de 5 anos e reparei que, nessa altura, estava com uma erecção”. O procurador ou o juiz, ou ambos, lêem a carta, chegam logo á conclusão que ela é irrelevante (são pessoas inteligentes), mas juntam-na ao processo porque não querem destruir possíveis provas. E assim, eu consigo que o meu vizinho do lado seja mais um a juntar-se à lista de pedófilos. Pelo jeito que as coisas levam, é até natural que, qualquer dia, os heterossexuais sejam perseguidos socialmente: entre tantos pedófilos e abusadores de adolescentes, em Portugal Continental e nas ilhas adjacentes, começa a ser estranho que um tipo goste de mulheres e vice-versa...

E no meio de toda esta confusão, que difícil deve ser a tarefa dos jornalistas. Quem hão-de eles entrevistar, com tantos candidatos a pedófilos?

Foi por isso que me lembrei que seria boa ideia a Portugal Telecom lançar uma lista telefónica com os números de telefone de todos os pedófilos. Podiam começar por Lisboa e, depois, a pouco e pouco, publicar as listas das restantes cidades. Assim, os nossos bravos jornalistas teriam o trabalho facilitado. Era só escolherem um nome ao acaso, por exemplo, Silva e telefonarem: “Está, Sr. Silva? Fala o jornalista do jornal Assim-Assim...... queria apenas saber uma coisa: quando foi que o senhor sentiu necessidade de apalpar a pilinha de todos os meninos entre os 5 e os 12 anos?”

Temos que concordar que seria muito mais fácil e evitava esta angústia permanente: que nome irão eles desvendar hoje? Os órgãos de informação até podiam combinar entre si e cada um ficava com uma parte da lista: o Correio da Manhã falava com os pedófilos de A a F, o 24 Horas, com os de G a M, a TVI, com os de N a P e assim sucessivamente. A coisa ficava melhor organizada. Se um tipo quisesse saber se um Nunes era pedófilo, bastava sintonizar a TVI; se, por outro lado, fosse um Bento, teria que comprar o Correio da Manhã. Assim se evitava que um gajo tivesse que comprar os jornais todos e ver todos os telejornais para saber se o seu nome já tinha sido revelado ou não!

Como diria o meu grande amigo Mário-Henrique Leiria (que não era pedófilo porque, naqueles tempos, ninguém o era...): NA PEIDA!!!


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Actualizado em: 31 Janeiro 2004
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