Junho
2004:
| O Sr. Lopes Primeiro-Ministro?!
| Portugal, 8 - Inglaterra, 7
| Portugal, 1 - Espanha, 0 | Arturcs
want a bigger cock? | Um mail de Artur
Portela | Portugal, 2 - Rússia,
0 | As eleições europeias
| Portugal,1 - Grécia, 2
| A morte de Sousa Franco | O
Euro 2004 e a banderia nacional | A
campanha para as eleições europeias |
Sábado, 25
O Sr. Lopes
Primeiro-Ministro?!
Quando o Pedro me enviou o SMS nem quis acreditar: o Sr.
Lopes indigitado Primeiro-Ministro?!
Como é possível?!
A história é simples: o Sr. Barroso reuniu
o consenso para o cargo de Chefe da União Europeia
e não pode deixar fugir esta oportunidade; logo,
vai para Bruxelas; portanto, cede o seu lugar ao Vice-Presidente
do PSD, o Sr. Lopes.
A verdade é que o Sr. Barroso vai fazer o mesmo que
fez o Sr. Guterres: perante os resultados eleitorais desastrosos,
opta por fugir às suas responsabilidades; prefere
investir na sua carreira pessoal, em vez de prosseguir a
sua política reformista que, na opinião dele,
tão bons resultados estava a dar. E mata dois coelhos
com uma única cajadada: por um lado, livra-se deste
pequeno e deprimido país e de ser enxovalhado nas
próximas legislativas; por outro lado, livra-se de
Paulo Portas e passa a batata quente ao Sr. Lopes.
Numa palavra: o Sr. Barroso é um cobarde!
E o que vai fazer o Presidente Sampaio?!
Os jornais de hoje, todos, dizem que Sampaio prefere a estabilidade
política, não convocando eleições
– e mantendo no Governo uma coligação
que apenas conseguiu 33% das eleições europeias,
ainda por cima liderada por um tipo que nem foi candidato.
Se for esta a opção de Sampaio, bolas para
o Sampaio, também!
O Sr. Lopes como Primeiro-Ministro é uma anedota
de mau gosto!
Sexta, 25
Portugal,
8 – Inglaterra, 7
Que jogo! Se não tive um enfarto ontem penso que
já não o terei!
Logo aos 3 minutos de jogo, Costinha cabeceia para trás,
talvez pensando que o Ricardo apanharia a bola, mas o Owen
interpôs-se e, com um simples toque colocou a bola
no fundo da baliza da selecção! Que grande
porra: ainda o jogo não tinha aquecido e já
a Inglaterra vencia! Afinal, por um lado, parece que foi
bom porque os ingleses encostaram-se àquele golo
de vantagem e pouco fizeram para aumentar a vantagem. Portugal
foi tentando de várias maneiras e feitios, esteve
à beira de marcar por várias vezes, mas sem
resultado. Ao fim do primeiro quarto de hora da primeira
parte disse ao Pedro: “os gajos já não
conseguem!”; e ele respondeu-me: “estão
sem ideias!”. Então, aos 63 minutos, o Scolari
tirou o Costinha e colocou o Simão; pouco depois,
o Figo, que já se arrastava, chutou finalmente à
baliza e o James defendeu com dificuldade. Logo a seguir,
o brasileiro trocou o Figo pelo Postiga. O Figo saiu a abanar
a cabeça, desiludido. Mas foi uma troca certa: a
10 minutos do fim, Simão centrou e Postiga marcou,
de cabeça.
O jogo terminou com um empate. A primeira parte do prolongamento
foi na mesma toada: Portugal a atacar e Inglaterra a ver
jogar e à espera de um falhanço. Entretanto,
já o brasileiro tinha feito a 3ª substituição:
tirou o Miguel, colocando o Deco a defesa lateral (!) e
meteu o Rui Costa que, na 2ª parte do prolongamento,
marcou um golaço que pôs toda a Avenida 25
de Abril aos berros! E então, Portugal poderia ter
aproveitado um certo desnorte dos ingleses para aumentar
a vantagem mas, por duas vezes, em contra-ataque, preferiu
guardar a bola. Lixaram-se! Num canto, os ingleses empataram!
E vamos para os penaltis! As estrelas falham: Beckham e
Rui Costa; termina a primeira série com 4-4. Depois,
quem falhasse, perdia. Ricardo, confirmando a sua escolha,
em detrimento de Baía, conseguiu defender o penalti
de Vassel, mesmo sem luvas e, logo de seguida, decide marcar
ele o penalti seguinte e não falha!
Portugal está nas semi-finais!
As ruas encheram-se de gente, aos gritos!
Estávamos mesmo a necessitar de uma coisa destas!
Domingo, 20
Portugal,
1 – Espanha, 0
E esta?! A selecção conseguiu derrotar a equipa
espanhola! Afinal, o Pai Nosso do Scolari derrotou o Credo
do treinador espanhol.
Como é que tal foi possível?
Fácil: todos os jogadores estiveram concentrados,
ajudaram-se uns aos outros, o Nuno Gomes marcou um grande
golo e a Espanha jogou para o empate, o que muitas vezes
resulta em derrota.
Isto quer dizer que Portugal vai jogar os quartos de final,
o que é óptimo para uma equipa que fez jogos
de preparação tão maus.
Mas, sinceramente, não posso continuar a ver jogos
destes, sob o risco de sofrer um ataque cardíaco!
E, sejamos honestos: fiquei tão satisfeito com a
passagem de Portugal como com a eliminação
da Espanha!
Sábado, 19
Arturcs want
a bigger cock?
Esta a pergunta feita por mail, persistentemente.
Não, obrigado, estou satisfeito com o cock que tenho!
Já o tenho desde que nasci, há 51 anos, e
nunca me desiludiu... bem, talvez meia dúzia de vezes,
mas o balanço é imensamente positivo.
E, no entanto, os mails não páram!
Em dois dias, recebi mais de 200 mails! Tirando três
da Marta, que me enviou fotos e vídeos curiosos,
o resto era tudo spam! Não há tradução
para spam, mas mixórdia é uma boa palavra.
Entre toda essa mixórdia que recebo quase todos
os dias, destacam-se os mails que prometem um aumento generoso
do meu pénis. Mas por que carga de água? Será
que algum dos fulanos que enviam aqueles mails fazem alguma
ideia do tamanho do meu pénis, ou limitam-se a imaginar
que o dito órgão não terá as
dimensões adequadas à sua função?
Não! Não quero um bigger cock! Até
porque comprei uma dúzia de cuecas há pouco
tempo e não estou para ficar com ele apertado, e
também não me apetece deitar fora as cuecas
novinhas em folha.
Além dos mails que me oferecem um aumento do tamanho
do meu pénis (o tal “want a bigger cock”
ou ainda o “small penis?”, vá lá,
este ainda pergunta...), há outros que se destacam:
a oferta, on line, dos mais variados produtos farmacêuticos,
dos estimulantes Viagra e Cialis, ao Xanax, Prozac e companhia
limitada.
Quer dizer: eu aceito todas estas ofertas e fico com uma
pila maior, cheio de tesão, mas calmo, tranquilo,
assim numa espécie de limbo, onde a tal pila maior
e a tal potência enorme não me servem para
nada!
Depois há os tipos de nome vagamente africano que
me pedem para transportar avultadas somas de dinheiro para
Madrid ou outras capitais europeias, contando-me histórias
de fazer chorar as pedras da calçada. Já fui
contactado por primos do Mobutu, viúvas de generais
ganeses, amantes de guerrilheiros tutsis, todos aflitos
porque não podem levantar a massa que têm depositada
em contas na Suíça. Sendo assim, pedem-me
a mim, o da pila grande, para lá ir buscar a massa
e levá-la para uma determinada cidade, onde será
recolhida por um amigo do primo do autor da carta. Só
que, entretanto, eu estou cheio de Xanax até ao esófago
e não tenho energia nem para me levantar do sofá!
Como é que se acaba com esta praga do spam, ou
da mixórdia, portuguesmente falando?
Sexta, 18
Um mail de Artur
Portela
Recebi esta semana um mail de Artur Portela, que pedia:
“quer fazer o favor de me enviar outra vez um texto
que terá alguma coisa a ver com o meu talvez estilo?”
O texto em causa está nas “Memórias
de um Fumador” e é a minha carta-resposta ao
Dr. Falcão, ex-director do Jornal do Médico
de Família – carta que escrevi ao estilo de
algumas Fundas de Artur Portela.
Enviei-lhe o texto por mail e ele já me respondeu,
dizendo que “há, de facto, alguma convergência
e cumplicidade” entre a minha carta-resposta e o seu
“talvez” estilo; e convidou-me a revisitar esse
estilo em www.arturportela.com.
Já visitei o site e li algumas das crónicas
mais recentes de Artur Portela, sob o título genérico
“Peixes Voadores” e que têm sido publicadas
no Jornal do Fundão. Estou a gostar.
Artur Portela foi um dos meus heróis do pré-25
de Abril – e não exagero quando substantivo.
No princípio dos anos 70, entrei na Faculdade de
Medicina, conheci a Mila e descobri que vivíamos
numa ditadura. Devorava, então, os chamados jornais
da Oposição, em busca de textos que afrontassem
a ordem vigente, sobretudo o República. Aí
encontrava os textos de Artur Portela, nomeadamente, a “Feira
das Vaidades” e rejubilava com que ele escrevia. Fui
à procura de mais e descobri as Fundas, reunidas
em livro: tenho os três primeiros volumes. O 1º
volume saiu na Moraes, em 1972; a Mila ofereceu-mo no Natal
desse ano. A primeira Funda desse volume chama-se “Marcello
Caetano e os tecnocratas” e data de Janeiro de 1971.
Vale a penar recordar as primeiras linhas, premonitórias:
“Com Salazar, impacientavam-se na antecâmara.
Com Marcello Caetano, entraram, de roldão, na vida
pública.
Vêm de Económicas e Financeiras, de Engenharia,
de Sociologia. Têm quarenta anos. São apolíticos.
Estão na Assembleia Nacional, na Câmara Corporativa,
nos Gabinetes Técnicos. Fazem sauna, são católicos
progressistas e falam alto, forte.
São a 3ª geração de 1926. A primeira
era Mário de Figueiredo. A segunda, Ulisses Cortez.
A terceira, Francisco Balsemão.
A política, ela própria, globalista, surge-lhes
como um romantismo. Não há política.
Há políticas. Não há política.
Há soluções.”
Pois é – a 3ª geração de
1926 ainda aí está, não é verdade?
E, para ela, continua não haver política.
O problema é que, para ela, também não
há soluções...
Quarta, 16
Portugal, 2
– Rússia, 0
Pronto! A selecção lá ganhou o segundo
jogo! O brasileiro tirou o Fernando Couto e colocou o Ricardo
Carvalho, tirou o Paulo Ferreira e optou pelo Miguel, substituiu
o Rui Jorge pelo Nuno Valente, colocou o Deco no lugar do
Rui Costa e teve sorte: aos 7 minutos, Maniche marcou o
1º golo. Depois, foi um jogo desinteressante, com poucos
remates à baliza dos russos. Sempre que os súbditos
de Putin desciam à área portuguesa, o enrascanço
era tão grande, que andavam todos aos papéis.
O que vale, é que os russos também não
pareciam com muita vontade de ganhar o jogo. Talvez soprado
pelo Vale e Aezevedo, Ovchinikov deu uma ajuda, tocando
na bola com as mãos, fora da área e foi expulso,
o que quer dizer que a Rússia jogou toda a 2ª
parte só com 10 jogadores; mas nem assim a selecção
aproveitou. De vez em quando, lembravam-se como se joga
à bola e faziam uma jogada bonita – só
que, quando chegava a altura de rematar, esqueciam-se. Enfim,
lá houve uma bola na barra e duas ou três defesas
do guarda-redes russo, a negar o 2º golo.
Depois, o brasileiro lá teve a coragem de tirar
o Figo, que se anda a arrastar neste campeonato e o Pauleta,
que só sabe marcar golos em França e, numa
jogada entre o Ronaldo, o Rui Costa e o Nuno Gomes, que
se desmarcou, arrastando um defesa russo, o Rui Costa marcou
o segundo, já quase no fim do jogo. Mas a equipa
não me convence...
Talvez já saibam rezar melhor o Pai Nosso... ou,
afinal, Deus não é ortodoxo, como eu pensava,
mas sim católico.
Ou então – como suspeito há muito tempo
– Deus é um grande brincalhão...
Só que, no próximo domingo, será
o confronto entre a Espanha e Portugal, ambos católicos.
Veremos qual será a oração mais forte:
o Pai Nosso do brasileiro ou o Credo do treinador espanhol...
Domingo, 13
As
eleições europeias
O PS ganhou as eleições europeias, com cerca
de 45% dos votos. O PSD e o PP, juntos, numa coligação
infantilmente chamada “Força Portugal”,
não passaram dos 33%. Cerca de 65% dos eleitores
nem sequer se dignaram ir votar.
Apesar da volumosa abstenção, não
há dúvida que os eleitores que decidiram votar
disseram, inequivocamente, que não estão a
gostar deste Governo. Espantosamente, o 1º ministro
disse, publicamente, que este resultado era um estímulo
para continuar com a actual política. Perder as eleições,
com o pior resultado de sempre é um estímulo?
Então, para que raio servem as eleições?
Se os eleitores mostram, nas urnas, que estão contra,
o governo mantém a mesma política? Nesse caso,
nas próximas eleições, a abstenção
vai aumentar – já que não vale a pena
exprimirmos a nossa opinião, porque ela não
é levada em linha de conta.
E nem me apetece escrever mais nada!
Portugal, 1 – Grécia,
2
O Euro 2004 começou da pior maneira para a selecção
portuguesa, com uma derrota, frente à Grécia,
que nunca tinha ganho um jogo de uma fase final e que nunca
tinha conseguido marcar mais do que um golo em jogos desses.
E será que a Grécia fez um grande jogo? Nem
por isso... o que aconteceu foi que o Scolari escolheu mal
a equipa e os jogadores escolhidos jogaram – todos!
– muito mal, inibidos, sem criatividade e, aparentemente,
sem vontade de ganhar. Enfim, nos últimos minutos,
talvez se tenham esforçado um pouco mais, mas já
era tarde.
Logo aos 6 minutos de jogo, “o melhor defesa lateral
direito do mundo”, Paulo Ferreira, recentemente transferido
do Porto para o Chelsea por 20 milhões de euros (20
milhões, escrevi bem!), passou a bola a um adversário,
que correu 10 metros e rematou para o fundo da baliza, perante
a passividade dos centrais portugueses e a distracção
do guardardes, que estava adiantado.
No início da 2ª parte, Jorge Andrade quis passar
a bola a Ronaldo, mas o passe ficou curto, um grego aproveitou,
correu por ali fora, com o “génio da bola”
atrás dele e, quando entrou na área, o “génio”
atirou-se para cima dele: penalti, que os gregos não
desperdiçaram.
Depois, foi ver a selecção portuguesa aos
papéis, perante 11 gregos a defender, o Ronaldo a
centrar 140 vezes para o segundo poste, e Pauleta e Nuno
Gomes a correrem para o primeiro poste, Figo a driblar inconsequentemente,
Deco também – uma penúria!...
A Scolari, nem o Pai Nosso valeu! – sim, porque
o treinador brasileiro conseguiu convencer os jogadores
a rezarem antes de entrarem em campo...
O problema é que Deus é ortodoxo, como toda
a gente sabe, e decidiu ajudar os gregos...
Quinta, 10
O Euro 2004 e
a bandeira nacional
De súbito, as janelas encheram-se de bandeiras de
Portugal.
De dia para dia, é cada vez maior o número
de casas que ostentam a bandeira nacional, esvoaçando
ao vento. Hoje foi uma verdadeira corrida ao Expresso que,
juntamente com o jornal, oferecia uma bandeira (pequena
e raquítica, diga-se de passagem...). O Sr. Silva
– o único fornecedor de jornais, revistas e
tudo o que uma verdadeira papelaria/tabacaria à moda
antiga tem obrigação de oferecer aos seus
clientes, da Avenida 25 de Abril, em Almada – viu-se
grego para responder aos pedidos (e, ainda por cima, a Grécia
é uma das equipas do grupo em que joga a selecção
nacional...). Esta manhã, quando entrei na Mini-Tudo,
o Sr. Silva recebeu-me com linguagem cifrada: “então
hoje é o Diário de Notícias, o Público
e o Coiso...” Claro que o Silva não sabe da
existência do Coiso (quer o Coiso, jornal, quer o
Coiso na Net). Ele estava a referir-se ao Expresso –
só que não pronunciou o nome do semanário
porque, para além dos clientes habituais, aos quais
guarda o Expresso todas semanas, surgiram inúmeros
clientes esporádicos, em busca do jornal, só
por causa da bandeirinha! E o Sr. Silva dizia, com sabedoria:
“não está certo eu vender três
exemplares do Expresso a um tipo que raramente cá
vem e, depois, quando chegam os clientes habituais, eu não
ter jornal para vender!...”
Portanto, os portugueses, de repente, descobriram a bandeira
nacional e decidiram colocá-la a esvoaçar
nas suas janelas e varandas, sem temerem cair no ridículo.
É que nós, portugueses, temos um bocado de
vergonha de ser portugueses – e, no entanto, muitos
de nós não se importam de usar camisolas com
a bandeira dos EUA, de Inglaterra ou do Canadá; aliás,
é até fino usar roupa de marca (Hilfigher,
River Woods, etc) que ostentam bandeiras estilizadas daqueles
países. Mas a bandeira nacional, claro, é
foleira!
E tudo isto por causa do futebol e do Euro 2004.
E depois?
O mês passado, quando estivemos no Peru, dizia-nos
um dos guias (o Paul, da Amazónia) que, naquele país,
já nem o futebol os unia. Em tempos, a selecção
do Peru era a única coisa que unia os peruanos mas,
infelizmente (segundo Paul), a corrupção generalizada
também tinha minado a selecção e na
equipa nacional só actuavam jogadores que tivessem
padrinhos influentes que conseguissem a sua escolha graças
a jogos de bastidores, e não pela sua real valia
como jogadores.
Quero com isto dizer que, quer os “intelectuais”
queiram, quer não, o futebol consegue mobilizar as
nações.
E é por isso que, hoje mesmo, vou pendurar uma bandeira
de Portugal na minha varanda!
A morte de
Sousa Franco
O cabeça de lista do PS às eleições
europeias, morreu ontem subitamente, vítima de enfarte
cardíaco maciço.
Tinha apenas 61 anos.
Obviamente, não conseguiu sobreviver ao stress da
campanha eleitoral – sobretudo à cena de ontem
de manhã, na lota de Matosinhos. Foi um espectáculo
deprimente! As peixeiras da lota e os militantes do PS de
Matosinhos, divididos entre apoiantes de Narciso Miranda
e seguidores de um tal Seabra, protagonizaram cenas de pugilato,
gritos e pontapés, borrifando-se para o pobre do
Sousa Franco, apenas preocupados em mostrar quem tinha mais
apaniguados. O caciquismo em acção! A política
mais rasteira!
O Prof. Sousa Franco que, pelos vistos, já não
tinha as coronárias em muito bom estado, não
aguentou mais aquele espectáculo deprimente, com
empurrões de um lado para o outro, gritos histéricos
das peixeiras, o tal Seabra a ser elevado em ombros, de
um lado, o Narciso, do outro lado, a tentar mostrar que
era ele o mais bem-amado; e o homem, um académico,
um professor da faculdade, metido no meio daquela farsa,
lá se foi sorrindo para um lado e para o outro, atravessando
a lota, com beijinhos, abraços, murros e pontapés,
até se enfiar no carro e morrer!
Durante a primeira semana de campanha, aturou tudo: o Paulo
Portas disse que ele era “o pai, a mãe, o avô,
a avó, o gato e o periquito do déficit”
(afirmação de fino recorte literário
para um ministro do nosso Governo), outra tipa qualquer
do PSD referiu explicitamente as deficiências físicas
do candidato do PS (Sousa Franco tinha uma malformação
congénita do pavilhão auricular) e afirmou
que não eram só essas as suas deficiências,
os jornalistas rejubilaram com tudo isto e matraquearam-nos
com estas afirmações vezes sem conta. Cúmplices
da baixeza da campanha, os jornalistas fizeram-nos crer
que a única coisa que interessava eram os insultos.
O homem não aguentou.
Se fosse outro, e não podendo vencê-los,
tinha-se juntado a eles, partilhando a mediocridade de toda
esta malta. Podia ter dito, por exemplo, que Deus Pinheiro
se estava borrifando para a Europa e que só queria
ir jogar golf para Bruxelas, ou que Portas é um menino
mimado e que nunca realizou nada (NADA!) que tenha alguma
relevância para a História do nosso país.
Mas, no fundo, o Sousa Franco devia ser um tipo honesto
e que acreditava, minimamente no que andava a fazer.
Então, Sousa Franco optou por morrer...
Domingo, 6
A campanha
para as eleições europeias
Anda por aí, mas ninguém lhe liga nenhuma!
O PS escolheu Sousa Franco como cabeça de lista,
um fulano que nem do PS é, que esteve para ser fundador
do CDS, que chegou a ser presidente do PSD, que fundou uma
coisa esquisita chamada ASDI, que foi ministro do governo
de Guterres, do qual saiu, dizendo que era o pior governo
desde o tempo de D. Maria. A coligação PSD/CDS-PP
escolheu Deus Pinheiro, que disse o pior possível
de Paulo Portas, que o acusou, quando era director do Independente,
de ter roubado uma manta de um avião da TAP! O PCP
optou por Ilda Figueiredo, que ninguém sabe quem
é. O Bloco de Esquerda escolheu Miguel Portas, que
está desejando de ter um tacho na Europa, onde possa
desenvolver as suas batalhas perdias, mas que ficam sempre
bem nos sport-chic. Finalmente, o Manuel Monteiro tenta,
desesperadamente, regressar à política, inventando
um partido, a Nova Democracia.
Ao fim da primeira semana de campanha, ninguém
ouviu nenhum dos candidatos falar do seu projecto para a
Europa – que é uma coisa que ninguém
sabe o que é. Todos se limitaram a ataques pessoais,
sobretudo os dos partidos do poder: que o PP é xenófobo
e racista, que Sousa Franco tem defeitos físicos
e outros mimos semelhantes.
No próximo dia 13, cerca de 70% dos eleitores vão
ignorar esta malta e, mesmo que um dos partidos atinja os
43% dos votos, apenas representará uma ínfima
percentagem dos eleitores.
É a chamada fantochada democrática.
Fantochada que se repetirá em todos os países
da União Europeia.
Penso que seria a altura de os países da União
Europeia se deixarem de fantochadas e deixarem de realizar
eleições para o Parlamento Europeu. Seria
muito mais lógico que cada um dos partidos representados
nos Parlamentos de cada país designassem os seus
representantes no Parlamento Europeu. Poupava-se a massa
que se gasta nas campanhas e poupavam-nos, a nós,
mais uma farsa eleitoral...
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