Maio 2003:
| O Coiso tem mais de 50 mil visitas
| As praias da Caparica estão
a desaparecer | A ignorância
de Francisco Louçã |
Convite ao Ministro da Saúde | A
moda dos blogs | Os pedófilos
inocentes | Uma notícia esconde
a outra | Terapia de grupo à
siciliana | "Twin Peaks" sem
telemóveis |
Sexta, 2
O Coiso
com mais de 50 mil visitas
Hoje, O Coiso na Net ultrapassou as 50 mil visitas. Foi
no princípio de Novembro de 1999 que, com a ajuda
técnica do Pedro, coloquei o Coiso na internet; o
design do site era da Dalila. Nessa altura, estava alojada
numa coisa chamada Xoom e a morada era complicada à
brava. O actual design do site é do Pedro e há
cerca de dois anos que tenho um site só “meu”,
graças à empresa do Pedro Caria, irmão
da Dalila.
Todas as semanas recebo e-mails laudatórios. Nunca
pensei que ainda existissem tantos fãs do Pão
Comanteiga que, pelos vistos, deixou muitas saudades. Mas
também recebo e-mails sobre as Memórias de
um Fumador e sobre o site em geral. A semana passada, recebi
um e-mail curioso, de um brasileiro de 60 anos, que jogou
hoquei em patins na antiga sede do Benfica, que ficava na
Avenida Gomes Pereira, onde eu vivi até aos 13 anos.
Pelos vistos, o sujeito pesquisava a net sobre o Livramento,
jogador de hoquei do Benfica, e seu contemporâneo
e deparou com o meu site – já que eu também
me refiro, nas Memórias de um Fumador, aos tempos
em que ia, com o meu pai, ver jogar o Livramento.
Há quase 3 anos que, semanalmente, foi actualizando
o Coiso, com histórias pouco clínicas, capítulos
das Memórias, textos do Pão, fotografias da
actualidade devidamente legendadas e, desde o ano passado,
uma espécie de diário, que é uma forma
de continuar as Memórias.
Sei que muitas das visitas do Coiso são da família,
mas 50 mil já é um número interessante.
Domingo, 4
As
praias da Caparica estão a desaparecer
Recomeçámos as nossas caminhadas, agora que
o tempo, embora incerto, já está mais agradável.
Ontem à tarde e hoje de manhã, fomos caminhar
para o paredão da Costa (3,5 km ontem e 6,3 km hoje)
e ficámos espantados com o estado das praias.
Ontem, o cenário era ainda mais espantoso, já
que estava maré cheia. Do Barbas em diante, não
havia praia e o mar batia no paredão com raiva. Aqui
e ali, as rochas que defendiam o paredão deslizaram,
as escadas de acesso às praias derrocaram e, ao chegarmos
à zona dos parques de campismo, as coisas ainda estavam
piores. Ali, não existe paredão, mas sim dunas
que separavam a praia dos parques. Aconteceu que as marés
vivas foram comendo as dunas e, do mar aos parques, não
distam agora mais que 2 ou 3 metros de areia. O CCL não
tinha praia nenhuma e a Inatel tinha uma estreita faixa
de areia mas, para lá chegar, era preciso descer
uma ravina de três metros de altura.
Hoje de manhã, com a maré vazia, o cenário
era mais suave. No entanto, os pontões que entram
pelo mar dentro estão quase submersos e as estreitas
faixas de areia estavam a abarrotar com meia dúzia
de banhistas. No próximo Verão, não
vai haver lugar para as hordas que habitualmente invadem
a Caparica. O cenário está mais ou menos semelhante
ao de há algumas décadas, antes de se terem
construído os pontões e o paredão.
É óbvio que se devia ter feito a manutenção
daqueles diques que, ano após ano, foram sendo destruídos
pelo mar.
Bom... também não fazia mal nenhum que o mar
continuasse a avançar, pelo menos até destruir
os mamarachos que se construíram por ali, incluindo
o hotel da Costa, bem como o bairro de barracas que foi
crescendo no local onde foram derrubadas, há não
mais de 5 anos, uma série de casas clandestinas.
Domingo, 11
A ignorância
de Francisco Louçã
Decorreu este fim de semana um encontro ou congresso, ou
coisa que o valha, do Bloco de Esquerda.
Com aquela determinação eclesiástica
que todos conhecem, Louçã perorou às
massas, dizendo que é preciso actuar já –
e não esperar pelas próximas eleições.
Ilustrando esta determinação na acção
imediata, decidiu citar um poema que, segundo ele, é
da autoria de Mário Cesariny. E toca a recitar o
“Rifão quotidiano”, numa adaptação
muito livre. Disse o ilustre ignorante: “havia uma
nêspera, coitadinha, muito deitadinha, muito caladinha,
à espera de amadurecer. E lá continuava ela,
caladinha, coitadinha, até que veio uma velha e zás
comeu-a.”
Vamos lá repor a verdade. O “Rifão quotidiano”
é como segue:
Uma nêspera/ estava na cama/ deitada/ muito calada/
a ver/ o que acontecia
chegou a Velha/ e disse/ olha uma nêspera/ e zás
comeu-a
é o que acontece/ às nêsperas/ que ficam
deitadas/ caladas
a esperar/ o que acontece
E, claro que o autor não é Mário Cesariny,
mas sim Mário-Henrique Leiria!
O “Rifão quotidiano” foi publicado no
livro “Novos Contos do Gin Tónico”, publicado
pelo Mário-Henrique Leiria, na editorial Estampa,
em Janeiro de 1973.
Como diria o Mário: estes políticos são
um fartar de rir!
Sábado, 17
Convite
ao Ministro da Saúde
Exmo. Sr. Ministro da Saúde:
Soube, pela televisão, que anda a visitar hospitais
e centros de saúde.
Assim, venho convidá-lo a visitar a Unidade de Saúde
onde trabalho há 18 anos, que deve ser a única
na Europa que fica situada em frente a uma serralharia metalo-mecânica.
Há muito tempo que todos nós nos habituámos
a auscultar os nossos doentes, tentando identificar um sopro
cardíaco, um murmúrio vesicular ou alguns
fervores crepitantes no meio da chinfrineira da serra eléctrica
e da soldadura.
Sou Coordenador da Unidade de Saúde do Monte de Caparica,
instalada num prédio de habitação,
com três pisos, sem elevador. Aderimos ao Projecto
Alfa, em 1998, e graças a esse Projecto, conseguimos
transformar as cozinhas em pequenas salas de enfermagem.
No ano 2000, aderimos ao Regime Remuneratório Experimental.
Somos uma equipa de 10 médicos que, no ano passado,
realizou mais de 76 mil consultas, sendo a Unidade com a
maior produtividade do concelho de Almada, tendo em conta
o número de médicos. Conseguimos, também,
baixos custos – o preço médio das nossas
consultas foi, no ano passado, de 30.86 euros, enquanto
a média concelhia é de 33.26. Atendemos uma
população de mais de 22 mil pessoas, que se
distribuem por uma área vasta, que inclui regiões
tradicionais, como a própria vila do Monte, o Porto
Brandão e a Vila Nova da Caparica, e bairros sociais,
como o chamado Bairro do Pica Pau Amarelo, com todo o cortejo
de problemas habituais. Temos uma nova Unidade de Saúde
(a Unidade do Moinho) com projecto aprovado, terreno cedido
e – diz-se – inscrita em PIDAC. No entanto,
as obras não começaram e ouvimos dizer que
uma nova Unidade não é uma prioridade, pelo
menos, para já.
Assim, vamos ter que continuar a trabalhar neste local,
com a serralharia aqui mesmo em frente, com o ruído
permanente, das 8 às 18 horas.
Se estiver muito ocupado e não poder vir até
ao Monte de Caparica, envie um dos seus assessores –
teremos muito prazer em lhe mostrar as nossas instalações
e, já agora, as da serralharia, também...
Quarta, 21
A moda
dos blogs
E, de repente, os blogs “explodiram” em Portugal.
Pelo menos, a julgar pelas notícias dos jornais.
Há alguns dias, o DN e o Público diziam que
Pacheco Pereira tinha um blog – o Abrupto –
e, a propósito, divulgavam muitos outros blogs em
português – o Blog de Esquerda (com conotação
política evidente), a Coluna Infame (conotada com
a direita) e outros; divulgava, ainda, que existia um sítio
onde estavam listado mais de 500 blogs portugueses. Fui
ver e lá estavam, por exemplo, os Macacos sem galho,
do Pedro, e o Dee’s life, da Dalila.
Esta coisa das pessoas começarem a colocar na net
os seus diários é, sem dúvida, um fenómeno
interessante. E até eu aderi, com o meu Um dia destes,
que pretende ser uma espécie de continuação
das Memórias de um fumador.
Um dia destes é, no fundo, uma série de Textos
a propósito, tal como fazia nos anos 70. A propósito
de um acontecimento, de uma notícia, de um episódio
do meu dia-a-dia, apetece-me escrever qualquer coisa e faço-o;
aproveito, ainda, para tecer alguns comentários aos
livros que vou lendo, aos discos que vou comprando, aos
filmes que vou vendo. E, claro que mantenho o meu diário
pessoal (já o escrevo ininterruptamente desde 1981).
Este diário pessoal não é para divulgar,
por isso mesmo é pessoal. Acontece, no entanto, que
existem blogs que não passam de diários pessoais,
do género:
“Hoje acordei tarde e não me apetecia fazer
nada; fui à rua comprar feijão verde; almocei
peixe cozido; à tarde, depois de dormir uma sesta,
li dois capítulos da “Morgadinha dos Canaviais”.
O meu marido chegou às 18 horas e, antes de jantar,
mandámos uma queca (não foi mau J). Jantámos
uma sopa e uma sandes de queijo. À noite, vimos um
concurso na televisão e fomos dormir.”
Não estou a exagerar – há blogs assim.
Perdão – exagero um pouco: nunca li, em nenhum
blog, referências a quecas (também não
conheço os blogs todos, longe disso!). mas o que
me faz impressão é que nestes blogs, que são
verdadeiros diários pessoais, nos quais o autor(a)
se limita a listar o que faz no dia-a-dia, nunca se fala
em quecas. É como se os seus autores não tivessem
vida sexual. Nós percorremos os dias (e estão
lá todos) e nada acontece, a não ser coisas
do género que caricaturei acima. Que é feito
dos velhos diários, com um cadeado? Para quê
encher a net com informações inúteis
daquele tipo?
Outros blogs apresentam, apenas, pensamentos dos seus autores.
Outros ainda, têm um tema central: blogs políticos,
de cinema, de música, de literatura. Finalmente,
a maior parte dos blogs são semelhantes ao meu Um
dia destes: pequenos textos a propósito disto e daquilo.
Agora, a pergunta que se impõe: alguém se
preocupa com o que cada um escreve no seu blog?
E, já agora: isso tem alguma importância?
Sábado, 24
Os
pedófilos inocentes
Mais um suspeito de pedofilia foi preso. Desta vez, o porta-voz
do Partido Socialista e ex-ministro da Solidariedade, Paulo
Pedroso.
Também está inocente, claro.
Isto já cheira a esturro. Cada vez mais.
Carlos Cruz, Ferreira Diniz, Hugo Marçal, Jorge Ritto
– todos clamam inocência. Não podíamos
esperar outra coisa de Paulo Pedroso.
Pelos vistos, a Polícia Judiciária entretém-se
a prender inocentes, ouvindo testemunhos falsos e tudo isto
não passa de uma monstruosa cabala, destinada a esconder
os verdadeiros culpados.
De todos estes suspeitos, apenas o embaixador Jorge Ritto
não nega que tenha uma orientação sexual
diferente da maioria, mas nunca com menores!
Depois, há o conceito de pedofilia, claro.
Tanto eu, como a Mila, como médicos de família,
conhecemos casos de miúdas de 12-13 anos que iniciam
vida de casadas com tipos muito mais velhos, sem que a ideia
de pedofilia passe pela cabeça de ninguém.
E que dizer deste poema de António Botto (1902-1962)?
Nunca te foram ao cu/ nem nas perninhas, aposto!
Mas um homem como tu/ lavadinho, todo nu, gosto!
Sem ter pentelho nenhum/ com certeza, não desgosto/
até gosto!
Mas... gosto mais de fedelhos/ vou-lhes ao cu/ dou-lhes
conselhos
Enfim... gosto!
Pois, pois, o conceito de pedofilia mudou muito, nos últimos
anos – o que não desculpa, evidentemente, o
comportamento de senhores que se aproveitaram de crianças
carentes, para satisfazerem os seus apetites sexuais. Uma
doença, a pedofilia – dizem os psiquiatras
e até a DSM já a classificou devidamente,
ao mesmo tempo que retirou a homossexualidade do capítulo
das doenças.
Nada disto é linear e o que me impressiona são
os tipos que têm opiniões definitivas sobre
um tema como este. Aliás, o que me impressiona é
mesmo o facto de existirem tipos que têm opiniões
definitivas sobre quase tudo – e eu, que cada vez
tenho mais dúvidas! Como dizia o outro: só
sei que nada sei!
Filosofias à parte, convenhamos que é esquisito
que os actuais suspeitos do chamado Caso da Casa Pia se
afirmem todos inocentes.
Quer dizer, se me dissessem que o Gaspar Andorinha, aquele
tipo esquisito com um penteado estranho e ademanes efeminados,
se me dissessem que o gajo era pedófilo, eu acreditava
logo, sem hesitações. Agora, o Carlos Cruz?!
Aquele advogado com cara de mosca morta? O médico
que anda sempre de Ferrari? O dirigente do PS, com uma carinha
de anjo? E depois, todos eles parecem tão verdadeiros,
quando clamam inocência!
Aliás, ultimamente, a PJ parece que anda a perseguir,
fanaticamente, os pobres inocentes deste país –
caso da Fátima Felgueiras, do Pimenta Machado e de
todos os envolvidos no Caso Moderna, dos Bragas Gonçalves
ao Paulo Portas.
Aguardemos mais desenvolvimentos.
Aguardemos que a PJ prenda o próximo inocente...
Uma notícia
esconde a outra
Os jornalistas continuam a decidir o que é mais importante.
Nós não temos voto na matéria. Limitamo-nos
a absorver o que eles nos querem impingir. “Here we
are – entertain us!”
Durante duas semanas, bombardearam-nos com a guerra no Iraque.
Infelizmente para eles (jornalistas), a coisa não
demorou muito tempo. Saddam era mesmo um tigre de papel
e não se aguentou mais que duas semanas. Arrasadora,
a máquina de guerra do sr. Bush varreu tudo à
sua passagem, mas acabou por não apanhar o Saddam,
como não tinha apanha o Bin Laden. E de armas de
destruição maciça, só vimos
as americanas – a menos que Saddam tenha levado o
gás sarin, a varíola e restantes armas biológicas
para o seu esconderijo.
Bom, de repente, o Iraque deixou de ter interesse para os
órgãos de comunicação social.
O que vale é que a pneumonia atípica estava
fora do controlo e continuava a causar vítimas e
até podia ser que aparecesse um ou outro caso em
Portugal, o que tinha sido óptimo porque, como os
nossos hospitais não estão preparados, havia
de ser uma bronca. Os jornalistas bem tentaram arranjar
algum desgraçado, recém chegado de Toronto,
que tivesse o vírus da atípica, mas em vão!
Felizmente, a Fátima Felgueiras pisgou-se para o
Brasil e até arranjou um advogado telenovelesco,
que decidiu logo classificar a justiça portuguesa
de “sarnosa e salazarenta”. Os jornalistas exultaram:
tinham um novo tema para explorar. E a coisa ainda se compôs
mais quando o deputado Assis levou umas estaladas em Felgueiras.
Mas eis que outro deputado, Paulo Pedroso, é preso
preventivamente, suspeito de andar aos beijinhos em sítios
menos próprios com criancinhas indefesas. Claro que
os políticos se sujeitam a estas coisas, por causa
das campanhas eleitorais: passam dias e dias a beijar peixeiras
e, depois, criancinhas; tantos beijinhos dão aos
filhos dos apoiantes, que acabam por se entusiasmar e, às
tantas, estão com vontade de beijar outras partes
do corpo dessas mesmas criancinhas. A prisão de Paulo
Pedroso – mais uma vítima da cabala –
ainda foi mais interessante porque meteu escutas telefónicas
e tudo, cujas transcrições, apesar de estarem
em rigoroso segredo de justiça, aparecem transcritas
em tudo o que é jornal, como convém.
Entretanto, em Hong Kong, um grupo de cientistas descobriu
o corona vírus num gato bravo, chamado civeta, que
os chineses gostam de comer. E suspeitam que pode ter sido
assim que a pneumonia atípica começou.
Ao mesmo tempo, um tremor de terra matou, na Argélia,
quase duas mil pessoas.
Claro que estas duas notícias, no Telejornal, mereceram
menor destaque que o espectáculo de Julio Iglésias
no Casino da Figueira da Foz e que a possibilidade do Simão
Sabrosa ir jogar para Inglaterra e, nos jornais, foram atiradas
para as últimas páginas, mesmo antes das farmácias
de serviço e da necrologia.
Já não há pachorra para aturar jornalistas!
Quinta, 29
Terapia
de grupo à siciliana
A série Sopranos não deixa de nos surpreender.
No episódio desta semana, Christopher, o sobrinho
de Tony Soprano, injecta-se e, em pleno flash, senta-se
em cima da caniche da namorada e mata-a por asfixia, sem
disso dar-se conta. Horas depois, quando a namorada regressa
a casa, depara com Christopher, ainda pedrado, sentado em
cima do cadáver da cadela. Segue-se grande grita
e o mafioso aplica um soco no olho da namorada que, mais
tarde, vai fazer queixa a Tony Soprano. “Somos uma
família!”, exclama o boss – e decidem
ajudar o junkie. Contactam, então, um italo-americano,
em tempos dependente de heroína e álcool e
que se conseguiu safar graças aos Alcoólicos
Anónimos. Decidem fazer uma sessão de terapia
de grupo, liderada pelo ex-toxicodependente; o objectivo
era que cada um dos presentes dissesse ao Christopher o
mal que ele lhes tinha feito por causa da heroína.
Começa a namorada, contando o episódio da
cadela. Tony Soprano e seus acólitos (que são
capazes de esquartejar um homem sem pestanejarem) ficam
chocados com a história. Segue-se Carmela, a mulher
de Tony, que diz que Christopher estava drogada no funeral
da sogra e falou sem parar, só dizendo disparates.
Tony não aguenta mais: drogada no funeral da mãe?
Ergue-se furibundo, o mesmo fazendo Paulie. Entretanto,
Christopher, que está obviamente drogado, a todos
responde com maus modos. Segue-se, então, a verdadeira
terapia siciliana: perante os apelos á calma do ex-toxicodependente,
que perde todo o controlo da situação, as
mulheres afastam-se e todos os mafiosos se levantam e dão
uma carga de porrada no Christopher, fracturando-lhe o crânio.
No dia seguinte, o rapaz entra, de livre vontade, para uma
clínica de desintoxicação.
Quem disse que a terapia de grupo serve para alguma coisa?
Quem disse que um bom enxerto de porrada não resolve
nada?
“Twin
Peaks” sem telemóveis
Comecei a rever a série Twin Peaks, do David Lynch,
em dvd, que os meus filhos me ofereceram no meu aniversário.
Logo numa das primeiras cenas, a mãe de Laura Palmer
chama por ela. Como ninguém, responde, sobe ao primeiro
andar da casa e procura a filha, em vão. Decide,
então, telefonar para casa de um amigo. A Laura também
lá não está; telefona, seguidamente,
para outro lado qualquer, à procura do tal amigo
da filha, mas ele também não está;
decide então telefonar para o marido, no exacto momento
em que ele recebe outro telefonema do xerife, que lhe comunica
que foi encontrado o cadáver de Laura Palmer.
Toda esta cena, cheia de angústia, que dura quase
15 minutos, teria que ser, hoje em dia, filmada de outro
modo. Com efeito, em 1990, quando a série foi para
o ar... não havia telemóveis!
Vou repetir: quando a série Twin Peaks foi exibida,
não existiam telemóveis!
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