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O Coiso
Um dia destes...

Março 2004:


| Terrorismo - o cerne do problema | A Bíblia à mão | O Sistema | Uma besta na Assembleia | Mãe, a minha mocchila explodiu! | Os atentados de Madrid | Irritações da TSF | O Blog do Ódio | Avelino e Portas - a mesma luta | Da torneira é que é boa! |


Domingo, 28
Terrorismo – o cerne do problema
Há que tempos que não oiço um político que seja falar da verdadeira origem do terrorismo islâmico. Todos discutem a coisa como se ela se centrasse em Bin Laden e George Bush. Quer dizer: o muçulmano foi treinado pelos americanos para atacar os russos, quando estes invadiram o Afeganistão. Às tantas, zangou-se e transformou-se no inimigo público nº1 das administrações norte-americanas. E depois, destruiu as Twin Towers. Os americanos tinham o direito de se defenderem e que fizeram? Atacaram a Arábia Saudita, cuja oligarquia desprezou Bin Laden? Obrigaram Israel a reconhecer o Estado Palestinano? Não: invadiram o Iraque! Um contra-senso! A partir daqui, a discussão baralha-se: uns são a favor de Bush, outros serão a favor dos terroristas, outros ainda (talvez a maioria), detesta Bush, mas não aprova o terrorismo e não sabe muito bem o que fazer.

O velho Mário Soares disse que era preciso negociar com os terroristas. Iam matando o velhote! Então os ingleses não negociaram com Kadhafi, co-responsável pelo maior atentado terrorista ocorrido na Europa (o derrube de um avião comercial, com mais de 220 pessoas a bordo)? Não vimos todos, na semana passada, o 1º ministro Tony Blair a apertar a mão de Kadhafi, ambos sorridentes? O próprio Arafat não era considerado um terrorista, sendo agora reconhecido como o líder natural do povo palestiniano e tendo até recebido o Nobel da Paz? E, como diz Miguel Sousa Tavares, na sua crónica semanal no Público, que dizer dos “nossos” terroristas, os líderes dos movimentos de libertação da Guiné, Angola e Moçambique? Acaso o anterior regime não considerava Agostinho Neto, Amilcar Cabral e Samora Machel verdadeiros terroristas? Não era isso que os soldados portugueses iam combater para África? Acabou tudo em negociação e muitos de todos esses terroristas são hoje heróis nacionais.

Portanto, é preciso centrar a discussão do terrorismo internacional: a oligarquia da Arábia Saudita e o estado de Israel (ambos apoiados pelos sucessivos governos dos EUA). Resolvam este problema e o terrorismo muçulmano desaparecerá.

Quanto a Bin Laden, é apenas uma caricatura, uma espécie de anti-herói, como o Blomfeld, dos filmes do James Bond. O facto de ser capturado, julgado e condenado não alterará nada – o problema permanecerá, surgindo outro qualquer no seu lugar.

Sexta, 26
A Bíblia à mão
Se houvesse uma competição para as iniciativas mais absurdas do planeta, esta de pôr milhares de jovens do ensino secundário e centenas de presos a copiar a Bíblia ganhava o primeiro prémio.

Não sei de onde partiu a ideia – nem isso me interessa – mas acho que a coisa é, como direi, absurda. Se a Bíblia já é difícil de ler em letra impressa, imagino como será esta, com letras ilegíveis, bolinhas em cima dos is, vogais muito redondas e erros ortográficos e disléxicos – tipo: “em dervade vos guido”...
Coitada da palavra de Deus!...

Portanto, a brilhante ideia é cada um dos participantes copiar um versículo e, no final, teremos duas Bíblias: uma manuscrita por putos do secundário e outra pelos presos.
E depois?

Depois, nada. É só assim.
Algumas ideias para iniciativas igualmente absurdas: a Bíblia manuscrita por homossexuais, por invisuais, por surdos-mudos, por ministros, por homens com um metro e cinquenta e com bigode, por polícias sinaleiros reformados, por pontas de lança com piercing, por empregados de escritório altos, por imigrantes de leste ilegais que trabalhem na construção civil e sejam licenciados, de preferência médicos, por doentes com tuberculose que se recusem a tomar a medicação, por gajas boas, por seguidores do Santana Lopes (estes teriam muito trabalho porque são poucos), por coxos sádicos, por jornalistas alcoólicos...

O Sistema
Não, não vou falar do famoso sistema proclamado pelo presidente do Sporting, segundo o qual tudo, no futebol, é dominado pelo eixo Pinto da Costa-Valentim Loureiro, embora eu creia que o lagarto tem razão.
Venho falar do sistema informático que, no fundo, é o verdadeiro Sistema.

Há alguns anos, se queria comprar moeda estrangeira para a nossa viagem anual, dirigia-me ao balcão do meu Banco e simplesmente encomendava-os. Habitualmente, o Banco – fosse o BES ou a Caixa geral de Depósitos - nunca tinha moeda disponível na quantidade que eu queria, e eu nunca queria muito. Mas encomendava e, na semana seguinte, ia lá buscar a massa; o funcionário dava-me o competente impresso, que eu preenchia e devolvia e, em troca, o caixa vendia-me a moeda, a descontar na conta. Era tudo simples e fácil.

Entretanto, chegaram os computadores e, com eles, veio o Sistema!
Não há coisa mais irritante do que entrar num Banco e não conseguirmos ser atendidos porque o funcionário nos diz: temos o Sistema em baixo! Então e o que é feito dos velhos impressos? Não seria possível preencher os velhos impressozitos e, mais tarde, quando o Sistema estivesse novamente em cima, passá-los para o computador?...
Hoje, entrámos a correr na CGD, quinze minutos antes do fecho, para comprar dólares para a nossa viagem ao Peru. Esperámos pela nossa vez apenas 10 minutos, preenchi o competente impresso e dirigimo-nos à caixa, para sacar os dólares. A funcionária digitou números no teclado do computador, fez ok no rato e o sistema negou-se. Tentou novamente e nada. Foi lá dentro esclarecer dúvidas com um colega. Voltou ao computador, clicou em inúmeras teclas, janelas foram-se abrindo no monitor, digitou números, fez enter e a resposta foi a mesma: o sistema informava-a que não existiam, em stock, as notas que ela segurava na mão. Quer dizer, a bancária tinha, na sua mão esquerda, os mil dólares que nós queríamos comprar, em notas de 10, 20, 50 e 100, mas o sistema informava, peremptoriamente que, em stock, ela apenas podia dispor de notas de 10 e 20 – as de 50 e 100 não existiam, apesar de estarem ali, bem à vista!

A senhora bem se esforçou, bem conferenciou com o colega, mas o sistema negava-se. Finalmente, cerca de 35 minutos depois, telefonou para algum superior hierárquico. Por momentos, imaginei que ela estivesse em contacto directo com o Sistema e até respirei de alívio! Finalmente, o problema ia ser resolvido! Engano meu, claro. Do outro lado do telefone, estava apenas mais um humano, talvez um pouco mais conhecedor do Sistema mas, no entanto, as suas sugestões não foram aceites. A senhora digitou mais umas coisas, abriu mais umas janelas, clicou no rato mais umas quantas vezes, mas o Sistema recusava-se: como podia ela ousar querer vender notas que não constavam no Sistema? Sim, nós estávamos a ver as notas, elas estavam ali, na mão da bancária mas, se o Sistema dizia que elas não existiam, era óbvio que nós estávamos todos a alucinar – as notas eram virtuais.

Valeu-nos um outro funcionário, que nos conhece há anos, de nos ver passar aqui na rua e que, perante a recusa obstinada do Sistema, se prontificou a dar-nos as notas na próxima terça-feira, depois do horário de serviço, clandestinamente, sem que o Sistema tenha conhecimento!... sim, que o Sistema está sempre alerta! Ele tudo sabe e tudo controla!

Vou passar um fim de semana de ansiedade, antevendo a nossa transacção de terça-feira... a coberto da noite, algures na Avenida de 25 de Abril, eu e o bancário, devidamente embuçados, trocaremos dólares, ás escondidas do Sistema!
Só espero que não sejamos apanhados!...

Sábado, 20
Mãe, a minha mochila explodiu!
As bombas que mataram 200 pessoas em Madrid foram colocadas em mochilas, deixadas “esquecidas” estrategicamente nos comboios – bombas que, depois, foram activadas por telemóvel.

Dias depois, em Portugal, alguém topou com uma mochila, aparentemente “perdida”, na Gare do Oriente. A polícia foi avisada e a competente brigada de minas e armadilhas fez explodir a mochila, não fosse o diabo tecê-las... afinal, tratava-se de uma mochila inocente, eventualmente cheia de cadernos diários, lápis e borrachas.
Incidentes como estes poderão multiplicar-se nos próximos tempos, se os cábulas forem espertos.

Imaginemos um puto do liceu que está com umas notas ranhosas e que não se sente com capacidade para recuperar. A besta do pai já o avisou: ou passas de ano ou vais trabalhar para as obras. O puto até ficou satisfeito com a ameaça do pai – não se importaria nada de ir fazer cimento e carregar tijolos, em vez de tentar resolver equações e dividir orações. Mas ouve as notícias no Telejornal, que o desemprego está a aumentar, que o sector da construção civil está em crise, que a retoma nunca mais chega e fica preocupado: mais vale continuar estudante, mesmo chumbando, do que ir para trolha e ficar no desemprego.

É então que lhe surge a ideia e, certa manhã, ao ir para a escola, deixa a mochila esquecida, mesmo junto à paragem do autocarro e põe-se à espreita. Passados dez minutos, a mochila ainda lá continua e ninguém parece ligar nenhuma. Decide então telefonar à polícia: “Venham depressa! Está uma mochila parecida com as de Espanha encostada à paragem do autocarro!”. E lá vem a polícia, e depois a brigada de minas e armadilhas e PUM! lá vai a mochila para o galheiro, e com ela, todos os cadernos diários, livros de texto e restante material escolar. O puto respira de alívio: já tem uma boa desculpa para chumbar mais um ano! Chega a casa cabisbaixo e fecha-se no quarto. A mãe dá por ele e pergunta-lhe o que fazes aqui a estas horas, em vez de estares na escola? O puto chora de verdade; no fundo, ficou impressionado com o aparato da polícia e com a explosão; ainda por cima, só depois se lembrou que, na mochila, tinha também duas revistas com gajas nuas que, obviamente, ficaram pulverizadas com a explosão. Vira-se para mãe, com as lágrimas a escorrerem pela cara a baixo e exclama:
- Ó mãe! A minha mochila explodiu! E não fui eu – foi a polícia!

E assim, mais uma vez, o Osama e a sua Al-Qaeda conseguem minar a civilização ocidental e cristã!

Uma besta na Assembleia
Existe um tipo chamado Miguel Paiva, que é deputado pelo CDS-PP e que é uma besta ignorante!
Num debate sobre a prática da excisão do clitóris, comum entre os muçulmanos, Miguel Paiva disse esta coisa incrível:

“(A importância do clitóris) é algo subjectiva. Tem uma função essencial no prazer sexual mas, para além disso, a sua mutilação não afecta nenhuma função vital (nomeadamente) a função reprodutiva.”

Mas o que é isto? O Paiva é uma besta!

Confesso que não sei quem é este Paiva – nem sabia que o gajo existia. Aliás, qualquer pessoa é levada a pensar que o CDS-PP se resume ao Paulo Portas e até nos esquecemos que os tipos têm alguns deputados no Parlamento.
Mas o Paiva existe e até fala e diz barbaridades como esta!

Ignoro se o Paiva é casado mas, no caso de ser, tenho pena da sua esposa. Então o gajo diz que a mutilação do clitóris não afecta nenhuma função vital?

Se o Paiva pensa que a mutilação do clitóris não afecta nenhuma função vital, então posso afirmar que:
- a mutilação do polegar do Paiva não lhe afecta nenhuma função vital, até porque a importância do polegar do Paiva é algo subjectiva
- a mutilação do pé direito do Paiva não lhe afecta nenhuma função vital, até porque a importância do pé direito do Paiva é algo subjectiva
- a mutilação da orelha esquerda do Paiva não lhe afecta nenhuma função vital, até porque a importância da orelha esquerda do Paiva é algo subjectiva
- a mutilação do testículo direito do Paiva não lhe afecta nenhuma função vital, até porque a importância do testículo direito do Paiva é algo subjectiva
E posso até arriscar-me a dizer que:
- a mutilação do cérebro (todo!) do Paiva não lhe afecta nenhuma função vital, até porque a importância do cérebro (todo!) do Paiva é algo subjectiva.
Poderá ser, até, um benefício para a Humanidade...

Ó Paiva, confessa lá: nunca viste um clitóris, pois não? Nunca tocaste num clitóris, certo? E atrevo-me a dizer que nunca provaste um clitóris, de certeza!

Caso contrário, como poderias tu dizer que a sua importância é algo subjectiva?
O que tu precisas, ó Paiva, é de uma excisão total, pá!

Sexta, 12
Os atentados de Madrid
Ontem, várias bombas rebentaram em estações e comboios de Madrid, matando cerca de 200 pessoas que, manhã cedo, se dirigiam para o trabalho e para a escola. Indiscriminadamente. Assim funciona o terror: não escolhe o alvo. O terror é absurdo e não tem justificação: nem guerra santa, nem luta pela independência, nem afirmação ideológica – nada.

Neste momento, ainda não se sabe quem é responsável pelo atentado: a ETA ou a Al-Qaeda. Para os que morreram, é indiferente. Para todos nós, nem por isso: se tiver sido a ETA, a coisa é um assunto doméstico, dos espanhóis. Se foram os extremistas árabes, tudo se complica: ontem, a Espanha, amanhã, quem sabe, Portugal.

Nos telejornais, sucedem-se as imagens dos diversos líderes do mundo ocidental, exprimindo a sua solidariedade para com o povo espanhol. De entre eles, destaque para o George Bush, aquele palhaço, todo emproado, a depositar uma coroa de flores, em honra dos espanhóis assassinados. O mundo está muito mais seguro, desde que és presidente dos States, não está, ó minha grande besta? Não, não estou a dizer que a culpa dos 200 mortos em Espanha é do idiota do George Bush; claro que não foi ele que colocou lá as bombas. Mas não há dúvida que todo o equilíbrio instável do mundo ficou pior desde que aquele pateta chegou à presidência dos EUA.

E lá estava o gajo, muito inchado, dizendo banalidades sobre a democracia e a liberdade. Não tenho a certeza, mas pareceu-me que, na sua imensa estupidez, G.W.B. se virou para o seu assessor e perguntou, discretamente: “Foi em Espanha? Onde fica Espanha? É uma província de Portugal, não é?...”

Irritações da TSF
Nos anos 80, no programa televisivo Quinta do Dois, do Carlos Cruz, inventámos uma personagem que era o nosso repórter do exterior. Era interpretado por um feérico Virgílio Castelo. Às tantas, o Carlos Cruz passava a palavra ao repórter do exterior, de nome Talvez Sousa, que entrava, em directo, falando histericamente. O esqueleto do “gag” era simples; o repórter dizia, por exemplo, qualquer coisa do género: “estamos em directo da praia de Paço de Arcos e vamos perguntar a este pescador se a pesca tem sido boa”. Virava-se, então, para o pescador e perguntava: “a pesca tem sido boa?” O pescador respondia secamente “Sim”. O repórter, então, dizia: “perguntámos a este pescador de Paço de Arcos se a pesca tinha sido boa e ele respondeu-nos que sim”. E continuava a entrevista, sempre com o mesmo esquema: explicava-nos o que ia perguntar, perguntava e, depois de obter a resposta, repetia a pergunta que tinha feito e a resposta que tinha recebido.

Pois, na TSF, os jornalistas passam a vida a fazer isto mesmo. Por exemplo, nas reportagens transmitidas da Assembleia da República, o jornalista que lá está, deixa-nos ouvir parte do discurso de determinado deputado e, às tantas, corta o pio ao dito e repete-nos o que o tipo disse, impedindo-nos de ouvir o que ele continua a dizer! E quando a emissão volta para o estúdio, o jornalista de serviço faz o resumo do que acabámos de ouvir! É desesperante!

Outra irritação: como é que o jornalista de estúdio passa a emissão para um determinado repórter? Assim, por exemplo: “os militares da GNR que estão no Iraque, Carlos Raleiras, também reagiram aos atentados de Madrid”. Isto é inacreditável! Enfiam o nome do repórter no meio da frase de ligação, sem qualquer sentido! Não seria mais lógico dizer, por exemplo: “os militares da GNR que estão no Iraque, também reagiram aos atentados no Iraque, como nos reporta Carlos Raleiras”?
É irritante!

Há muito mais coisas irritantes na TSF como, por exemplo, estarem a passar sempre as mesmas músicas, como se o locutor de serviço pusesse em cima da mesa uma série de cd’s, que vão passando ao longo dos dias e, eventualmente, só quando a senhora da limpeza por lá passa a limpar o pó, é que alguém troca aqueles cd’s por outros.
Mais irritações ficam para a próxima...

Quinta, 11
O Blog do Ódio
Dois Pedros e um Nélson inauguraram um novo blog em http://odio.blogs.sapo.pt - é o Blog do Ódio.
Dia a dia, tenho-me divertido com a leitura dos ódios daquela malta, que vão desde o ódio às sanitas do Fórum Almada, ao ódio ao FCP.
Cito um texto do Pedro, exactamente o das sanitas do Fórum:

“Ontem foi sexta-feira finalmente. E foi por isso ou talvez só porque me apetecia, que resolvi meter-me no carro e ir até ao Forum Almada, ver se comprava umas coisas e se comia um bom bife da Portugália. Correu tudo mais ou menos bem, tirando a parte dos CDs que eu queria comprar e que pode ser lida no artigo anterior. Depois de um excelente bife na Portugália (odeio pessoas que não gostam da Portugália), deu-me uma dor de barriga das antigas... coisas!
Coisas provavelmente causadas por uma semana inteira a trabalhar todos os dias, coisa que devia ser proíbida e acaba por dar problemas de saúde.
Sendo as cólicas insuportáveis, tive que me dirigir a uma das casas de banho do Forum. A primeira estava a ser limpa, como sempre, por senhoras que conversam agarradas à esfregona em vez de limparem rapidamente a casa de banho, enquanto um grupo algo volumoso de homens espera à porta, apertando nervosamente as coxas. É por isso que odeio senhoras das limpezas de centros comerciais.
Dirigi-me a outra casa de banho que estava impecavelmente limpa e completamente deserta. Muito bem.
As sanitas no Forum Almada são Villeroy & Bosch ou coisa parecida... um fabricante de loiças que, tanto quanto sei, também faz pratos e tijelas para sopa... Isto é logo suspeito.
Mas o principal problema ainda estava para vir! É que o raio das sanitas são rasas à brava e eu, sentadinho na dita, ficava com a pila a arrastar no fundo! Olha que porra, hem?
Bem sei que não tenho uma pila pequena, mas isto é exagero!
Resultado... tive que estar a agarrar na pila o tempo todo... o que, numa situação já pouco dignificante, me deu uma sensação de ridículo absoluto.
Odeio as sanitas do Forum Almada!”

Divertidíssimo!

Quinta, 4
Avelino e Portas – a mesma luta!
Esta semana fomos confrontados, nas televisões, com imagens surpreendentes: o Sr. Avelino Teixeira Torres, o eterno presidente da Câmara de Marco de Canavezes, passou-se da cabeça e ficou gravado em vídeo. Estava a decorrer o jogo entre o Marco e outro clube qualquer e o árbitro não assinalou um alegado penalti contra o outro clube qualquer. O Sr. Avelino ficou escandalizado e, vindo não se sabe de onde, começou aos berros junto à linha lateral, invectivando o juiz da partida, de dedo em riste, em tom ameaçador. Claro que havia uma circunstância atenuante: o estádio onde o jogo decorria, chama-se, exactamente, Avelino Ferreira Torres – que é o mesmo que a Extensão de Saúde do Monte de Caparica se chamasse Centro Médico Dr. Artur Couto e Santos...

Ora, se o Sr. Avelino estava no estádio que tem o seu nome, pode considerar-se que ele é assim uma espécie de responsável pelo que se passa lá dentro. E, se houve um penalti que não foi assinalado, era natural que o Sr. Avelino se insurgisse. Nas imagens, víamos o homem aos berros, dando pulinhos de indignação, quase entrando em campo e, à sua frente, o árbitro, sereno, mas ligeiramente assustado. O jogo estava interrompido, nas bancadas o povo vociferava, enquanto o autarca continuava a sua prédica irada, ladeado por dois gê-éne-érres barrigudos e de bigode, iguais aos das anedotas, que faziam de conta que tentavam agarrar o Sr. Avelino. E, de repente, o presidente desatou aos pontapés – pontapeou os placards do 4º árbitro, pontapeou a mesa de apoio, chutou uma bola que estava por ali. Passados pouco minutos, o jogo terminou e o Sr. Avelino entrou em campo e avançou, ameaçadoramente, em direcção ao árbitro. Os gê-éne-érres correram ao lado do autarca, de bonés à banda, enquanto o juiz aguardava, aparentemente calmo, no meio do relvado. Naqueles segundos, deve ter pensado que a sua vida estava a chegar ao fim, tal era a ira que se estampava no rosto do Sr. Avelino. A confusão estava estabelecida: no meio do campo, o árbitro, o autarca, os dois barrigudos, muitos tipos de fato de treino. Desta mole humana, destacava-se o Sr. Avelino que, nas imagens sem som, brandia o indicador esticado e parecia mesmo que, a qualquer momento, ia começar a espancar o árbitro. De súbito, o autarca avança para o homem de preto, pega-lhe por um braço e arrasta-o para os balneários, como se o estivesse a defender dos outros – porque, às tantas, já toda a gente de fato de treino parecia querer assassinar o tipo do apito.

Enfim, um triste espectáculo!... Um presidente de Câmara actuando como qualquer arruaceiro. Um autarca que, ao discordar de uma decisão da arbitragem, actua como um qualquer idiota das claques.
As televisões transmitiram as imagens até à exaustão e foram logo, lestos, à procura de reacções de políticos. Quase todos foram críticos, mas relativamente benevolentes. Que o homem se tinha excedido, mas que às vezes todos nós perdemos a cabeça, etc e tal.

O Sr. Avelino é do CDS. Portanto, era natural que os jornalistas quisessem conhecer a reacção do presidente do partido, o Sr. Portas.
Pois o Sr. Portas estava em Moscovo, em visita de Estado, como ministro da Defesa. E, diplomaticamente, disse qualquer coisa como: “quando estou no estrangeiro, em visitas de Estado, não me pronuncio sobre assuntos de política doméstica”.

Está bem... foi uma boa desculpa... o que é que o Sr. Portas havia de dizer sobre a atitude idiota do seu correligionário? Ainda bem que estava a visitar a Rússia...

Mas eis que, entretanto, em Lisboa, o Sr. Louçã, líder do Bloco de Esquerda, a propósito da discussão em redor do aborto, foi desenterrar dois artigos escritos pelo Sr. Portas, quando só tinha 19 anos; nesses artigos, o Sr. Portas defendia a despenalização do aborto. O Sr. Louçã convocou uma conferência de imprensa só para revelar os tais artigos do Sr. Portas e, assim, demonstrar a sua incoerência.

Confrontado com esta acusação, o Sr. Portas, ainda em Moscovo, não teve problemas em, por telefone, para a Sic-Notícias, dizer que “O Dr. Louçã é uma espécie de Torquemada da política portuguesa; se chegasse ao poder punha-nos a todos no Campo Pequeno, por pensarmos de forma diferente”. E mais coisas deste quilate.
Então, neste caso, o Sr. Portas, apesar de estar no estrangeiro, em visita de Estado, como ministro da Defesa, já comenta assuntos da política doméstica?

Mesquinho, baixo, medíocre, aviltante, inclassificável.
Biltres, aldrabões, patéticas criaturas...

Da torneira é que é boa!
A Coca-Cola pôs à venda, em 1999, uma nova água engarrafada, de marca Dasani.
É a segunda marca de água engarrafada mais vendida nos EUA.
Foi lançada recentemente na Grã-Bretanha.

Alguém veio pôr em causa a qualidade dessa água.
Judith Snyder, porta-voz da Coca-Cola, declarou publicamente que a água contida nas garrafas da Dasani é, de facto, recolhida da torneira!

É verdade: a Coca-Cola recolhe água da rede pública, fá-la passar por alguns filtros especiais, purifica-a, enfia-a em garrafas com um design atractivo e vende-a aos consumidores.
No fundo, a multinacional norte-americana não engana ninguém. Em lado nenhum se afirma que se trata de “spring water”, água de nascente...

Depois de nos vender a água suja do imperialismo, a Coca-Cola vende-nos, agora, a água limpa do imperialismo.
Grande negócio!...

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Actualizado em: 31 Março 2004
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