Março
2004:
| Terrorismo - o cerne do problema
| A Bíblia à mão
| O Sistema | Uma
besta na Assembleia | Mãe,
a minha mocchila explodiu! | Os atentados
de Madrid | Irritações
da TSF | O Blog do Ódio |
Avelino e Portas - a mesma luta |
Da torneira é que é boa!
|
Domingo, 28
Terrorismo
– o cerne do problema
Há que tempos que não oiço um político
que seja falar da verdadeira origem do terrorismo islâmico.
Todos discutem a coisa como se ela se centrasse em Bin Laden
e George Bush. Quer dizer: o muçulmano foi treinado
pelos americanos para atacar os russos, quando estes invadiram
o Afeganistão. Às tantas, zangou-se e transformou-se
no inimigo público nº1 das administrações
norte-americanas. E depois, destruiu as Twin Towers. Os
americanos tinham o direito de se defenderem e que fizeram?
Atacaram a Arábia Saudita, cuja oligarquia desprezou
Bin Laden? Obrigaram Israel a reconhecer o Estado Palestinano?
Não: invadiram o Iraque! Um contra-senso! A partir
daqui, a discussão baralha-se: uns são a favor
de Bush, outros serão a favor dos terroristas, outros
ainda (talvez a maioria), detesta Bush, mas não aprova
o terrorismo e não sabe muito bem o que fazer.
O velho Mário Soares disse que era preciso negociar
com os terroristas. Iam matando o velhote! Então
os ingleses não negociaram com Kadhafi, co-responsável
pelo maior atentado terrorista ocorrido na Europa (o derrube
de um avião comercial, com mais de 220 pessoas a
bordo)? Não vimos todos, na semana passada, o 1º
ministro Tony Blair a apertar a mão de Kadhafi, ambos
sorridentes? O próprio Arafat não era considerado
um terrorista, sendo agora reconhecido como o líder
natural do povo palestiniano e tendo até recebido
o Nobel da Paz? E, como diz Miguel Sousa Tavares, na sua
crónica semanal no Público, que dizer dos
“nossos” terroristas, os líderes dos
movimentos de libertação da Guiné,
Angola e Moçambique? Acaso o anterior regime não
considerava Agostinho Neto, Amilcar Cabral e Samora Machel
verdadeiros terroristas? Não era isso que os soldados
portugueses iam combater para África? Acabou tudo
em negociação e muitos de todos esses terroristas
são hoje heróis nacionais.
Portanto, é preciso centrar a discussão
do terrorismo internacional: a oligarquia da Arábia
Saudita e o estado de Israel (ambos apoiados pelos sucessivos
governos dos EUA). Resolvam este problema e o terrorismo
muçulmano desaparecerá.
Quanto a Bin Laden, é apenas uma caricatura, uma
espécie de anti-herói, como o Blomfeld, dos
filmes do James Bond. O facto de ser capturado, julgado
e condenado não alterará nada – o problema
permanecerá, surgindo outro qualquer no seu lugar.
Sexta, 26
A Bíblia
à mão
Se houvesse uma competição para as iniciativas
mais absurdas do planeta, esta de pôr milhares de
jovens do ensino secundário e centenas de presos
a copiar a Bíblia ganhava o primeiro prémio.
Não sei de onde partiu a ideia – nem isso
me interessa – mas acho que a coisa é, como
direi, absurda. Se a Bíblia já é difícil
de ler em letra impressa, imagino como será esta,
com letras ilegíveis, bolinhas em cima dos is, vogais
muito redondas e erros ortográficos e disléxicos
– tipo: “em dervade vos guido”...
Coitada da palavra de Deus!...
Portanto, a brilhante ideia é cada um dos participantes
copiar um versículo e, no final, teremos duas Bíblias:
uma manuscrita por putos do secundário e outra pelos
presos.
E depois?
Depois, nada. É só assim.
Algumas ideias para iniciativas igualmente absurdas: a Bíblia
manuscrita por homossexuais, por invisuais, por surdos-mudos,
por ministros, por homens com um metro e cinquenta e com
bigode, por polícias sinaleiros reformados, por pontas
de lança com piercing, por empregados de escritório
altos, por imigrantes de leste ilegais que trabalhem na
construção civil e sejam licenciados, de preferência
médicos, por doentes com tuberculose que se recusem
a tomar a medicação, por gajas boas, por seguidores
do Santana Lopes (estes teriam muito trabalho porque são
poucos), por coxos sádicos, por jornalistas alcoólicos...
O Sistema
Não, não vou falar do famoso sistema proclamado
pelo presidente do Sporting, segundo o qual tudo, no futebol,
é dominado pelo eixo Pinto da Costa-Valentim Loureiro,
embora eu creia que o lagarto tem razão.
Venho falar do sistema informático que, no fundo,
é o verdadeiro Sistema.
Há alguns anos, se queria comprar moeda estrangeira
para a nossa viagem anual, dirigia-me ao balcão do
meu Banco e simplesmente encomendava-os. Habitualmente,
o Banco – fosse o BES ou a Caixa geral de Depósitos
- nunca tinha moeda disponível na quantidade que
eu queria, e eu nunca queria muito. Mas encomendava e, na
semana seguinte, ia lá buscar a massa; o funcionário
dava-me o competente impresso, que eu preenchia e devolvia
e, em troca, o caixa vendia-me a moeda, a descontar na conta.
Era tudo simples e fácil.
Entretanto, chegaram os computadores e, com eles, veio
o Sistema!
Não há coisa mais irritante do que entrar
num Banco e não conseguirmos ser atendidos porque
o funcionário nos diz: temos o Sistema em baixo!
Então e o que é feito dos velhos impressos?
Não seria possível preencher os velhos impressozitos
e, mais tarde, quando o Sistema estivesse novamente em cima,
passá-los para o computador?...
Hoje, entrámos a correr na CGD, quinze minutos antes
do fecho, para comprar dólares para a nossa viagem
ao Peru. Esperámos pela nossa vez apenas 10 minutos,
preenchi o competente impresso e dirigimo-nos à caixa,
para sacar os dólares. A funcionária digitou
números no teclado do computador, fez ok no rato
e o sistema negou-se. Tentou novamente e nada. Foi lá
dentro esclarecer dúvidas com um colega. Voltou ao
computador, clicou em inúmeras teclas, janelas foram-se
abrindo no monitor, digitou números, fez enter e
a resposta foi a mesma: o sistema informava-a que não
existiam, em stock, as notas que ela segurava na mão.
Quer dizer, a bancária tinha, na sua mão esquerda,
os mil dólares que nós queríamos comprar,
em notas de 10, 20, 50 e 100, mas o sistema informava, peremptoriamente
que, em stock, ela apenas podia dispor de notas de 10 e
20 – as de 50 e 100 não existiam, apesar de
estarem ali, bem à vista!
A senhora bem se esforçou, bem conferenciou com
o colega, mas o sistema negava-se. Finalmente, cerca de
35 minutos depois, telefonou para algum superior hierárquico.
Por momentos, imaginei que ela estivesse em contacto directo
com o Sistema e até respirei de alívio! Finalmente,
o problema ia ser resolvido! Engano meu, claro. Do outro
lado do telefone, estava apenas mais um humano, talvez um
pouco mais conhecedor do Sistema mas, no entanto, as suas
sugestões não foram aceites. A senhora digitou
mais umas coisas, abriu mais umas janelas, clicou no rato
mais umas quantas vezes, mas o Sistema recusava-se: como
podia ela ousar querer vender notas que não constavam
no Sistema? Sim, nós estávamos a ver as notas,
elas estavam ali, na mão da bancária mas,
se o Sistema dizia que elas não existiam, era óbvio
que nós estávamos todos a alucinar –
as notas eram virtuais.
Valeu-nos um outro funcionário, que nos conhece
há anos, de nos ver passar aqui na rua e que, perante
a recusa obstinada do Sistema, se prontificou a dar-nos
as notas na próxima terça-feira, depois do
horário de serviço, clandestinamente, sem
que o Sistema tenha conhecimento!... sim, que o Sistema
está sempre alerta! Ele tudo sabe e tudo controla!
Vou passar um fim de semana de ansiedade, antevendo a
nossa transacção de terça-feira...
a coberto da noite, algures na Avenida de 25 de Abril, eu
e o bancário, devidamente embuçados, trocaremos
dólares, ás escondidas do Sistema!
Só espero que não sejamos apanhados!...
Sábado, 20
Mãe,
a minha mochila explodiu!
As bombas que mataram 200 pessoas em Madrid foram colocadas
em mochilas, deixadas “esquecidas” estrategicamente
nos comboios – bombas que, depois, foram activadas
por telemóvel.
Dias depois, em Portugal, alguém topou com uma
mochila, aparentemente “perdida”, na Gare do
Oriente. A polícia foi avisada e a competente brigada
de minas e armadilhas fez explodir a mochila, não
fosse o diabo tecê-las... afinal, tratava-se de uma
mochila inocente, eventualmente cheia de cadernos diários,
lápis e borrachas.
Incidentes como estes poderão multiplicar-se nos
próximos tempos, se os cábulas forem espertos.
Imaginemos um puto do liceu que está com umas notas
ranhosas e que não se sente com capacidade para recuperar.
A besta do pai já o avisou: ou passas de ano ou vais
trabalhar para as obras. O puto até ficou satisfeito
com a ameaça do pai – não se importaria
nada de ir fazer cimento e carregar tijolos, em vez de tentar
resolver equações e dividir orações.
Mas ouve as notícias no Telejornal, que o desemprego
está a aumentar, que o sector da construção
civil está em crise, que a retoma nunca mais chega
e fica preocupado: mais vale continuar estudante, mesmo
chumbando, do que ir para trolha e ficar no desemprego.
É então que lhe surge a ideia e, certa manhã,
ao ir para a escola, deixa a mochila esquecida, mesmo junto
à paragem do autocarro e põe-se à espreita.
Passados dez minutos, a mochila ainda lá continua
e ninguém parece ligar nenhuma. Decide então
telefonar à polícia: “Venham depressa!
Está uma mochila parecida com as de Espanha encostada
à paragem do autocarro!”. E lá vem a
polícia, e depois a brigada de minas e armadilhas
e PUM! lá vai a mochila para o galheiro, e com ela,
todos os cadernos diários, livros de texto e restante
material escolar. O puto respira de alívio: já
tem uma boa desculpa para chumbar mais um ano! Chega a casa
cabisbaixo e fecha-se no quarto. A mãe dá
por ele e pergunta-lhe o que fazes aqui a estas horas, em
vez de estares na escola? O puto chora de verdade; no fundo,
ficou impressionado com o aparato da polícia e com
a explosão; ainda por cima, só depois se lembrou
que, na mochila, tinha também duas revistas com gajas
nuas que, obviamente, ficaram pulverizadas com a explosão.
Vira-se para mãe, com as lágrimas a escorrerem
pela cara a baixo e exclama:
- Ó mãe! A minha mochila explodiu! E não
fui eu – foi a polícia!
E assim, mais uma vez, o Osama e a sua Al-Qaeda conseguem
minar a civilização ocidental e cristã!
Uma besta
na Assembleia
Existe um tipo chamado Miguel Paiva, que é deputado
pelo CDS-PP e que é uma besta ignorante!
Num debate sobre a prática da excisão do clitóris,
comum entre os muçulmanos, Miguel Paiva disse esta
coisa incrível:
“(A importância do clitóris) é
algo subjectiva. Tem uma função essencial
no prazer sexual mas, para além disso, a sua mutilação
não afecta nenhuma função vital (nomeadamente)
a função reprodutiva.”
Mas o que é isto? O Paiva é uma besta!
Confesso que não sei quem é este Paiva –
nem sabia que o gajo existia. Aliás, qualquer pessoa
é levada a pensar que o CDS-PP se resume ao Paulo
Portas e até nos esquecemos que os tipos têm
alguns deputados no Parlamento.
Mas o Paiva existe e até fala e diz barbaridades
como esta!
Ignoro se o Paiva é casado mas, no caso de ser,
tenho pena da sua esposa. Então o gajo diz que a
mutilação do clitóris não afecta
nenhuma função vital?
Se o Paiva pensa que a mutilação do clitóris
não afecta nenhuma função vital, então
posso afirmar que:
- a mutilação do polegar do Paiva não
lhe afecta nenhuma função vital, até
porque a importância do polegar do Paiva é
algo subjectiva
- a mutilação do pé direito do Paiva
não lhe afecta nenhuma função vital,
até porque a importância do pé direito
do Paiva é algo subjectiva
- a mutilação da orelha esquerda do Paiva
não lhe afecta nenhuma função vital,
até porque a importância da orelha esquerda
do Paiva é algo subjectiva
- a mutilação do testículo direito
do Paiva não lhe afecta nenhuma função
vital, até porque a importância do testículo
direito do Paiva é algo subjectiva
E posso até arriscar-me a dizer que:
- a mutilação do cérebro (todo!) do
Paiva não lhe afecta nenhuma função
vital, até porque a importância do cérebro
(todo!) do Paiva é algo subjectiva.
Poderá ser, até, um benefício para
a Humanidade...
Ó Paiva, confessa lá: nunca viste um clitóris,
pois não? Nunca tocaste num clitóris, certo?
E atrevo-me a dizer que nunca provaste um clitóris,
de certeza!
Caso contrário, como poderias tu dizer que a sua
importância é algo subjectiva?
O que tu precisas, ó Paiva, é de uma excisão
total, pá!
Sexta, 12
Os atentados
de Madrid
Ontem, várias bombas rebentaram em estações
e comboios de Madrid, matando cerca de 200 pessoas que,
manhã cedo, se dirigiam para o trabalho e para a
escola. Indiscriminadamente. Assim funciona o terror: não
escolhe o alvo. O terror é absurdo e não tem
justificação: nem guerra santa, nem luta pela
independência, nem afirmação ideológica
– nada.
Neste momento, ainda não se sabe quem é responsável
pelo atentado: a ETA ou a Al-Qaeda. Para os que morreram,
é indiferente. Para todos nós, nem por isso:
se tiver sido a ETA, a coisa é um assunto doméstico,
dos espanhóis. Se foram os extremistas árabes,
tudo se complica: ontem, a Espanha, amanhã, quem
sabe, Portugal.
Nos telejornais, sucedem-se as imagens dos diversos líderes
do mundo ocidental, exprimindo a sua solidariedade para
com o povo espanhol. De entre eles, destaque para o George
Bush, aquele palhaço, todo emproado, a depositar
uma coroa de flores, em honra dos espanhóis assassinados.
O mundo está muito mais seguro, desde que és
presidente dos States, não está, ó
minha grande besta? Não, não estou a dizer
que a culpa dos 200 mortos em Espanha é do idiota
do George Bush; claro que não foi ele que colocou
lá as bombas. Mas não há dúvida
que todo o equilíbrio instável do mundo ficou
pior desde que aquele pateta chegou à presidência
dos EUA.
E lá estava o gajo, muito inchado, dizendo banalidades
sobre a democracia e a liberdade. Não tenho a certeza,
mas pareceu-me que, na sua imensa estupidez, G.W.B. se virou
para o seu assessor e perguntou, discretamente: “Foi
em Espanha? Onde fica Espanha? É uma província
de Portugal, não é?...”
Irritações
da TSF
Nos anos 80, no programa televisivo Quinta do Dois, do Carlos
Cruz, inventámos uma personagem que era o nosso repórter
do exterior. Era interpretado por um feérico Virgílio
Castelo. Às tantas, o Carlos Cruz passava a palavra
ao repórter do exterior, de nome Talvez Sousa, que
entrava, em directo, falando histericamente. O esqueleto
do “gag” era simples; o repórter dizia,
por exemplo, qualquer coisa do género: “estamos
em directo da praia de Paço de Arcos e vamos perguntar
a este pescador se a pesca tem sido boa”. Virava-se,
então, para o pescador e perguntava: “a pesca
tem sido boa?” O pescador respondia secamente “Sim”.
O repórter, então, dizia: “perguntámos
a este pescador de Paço de Arcos se a pesca tinha
sido boa e ele respondeu-nos que sim”. E continuava
a entrevista, sempre com o mesmo esquema: explicava-nos
o que ia perguntar, perguntava e, depois de obter a resposta,
repetia a pergunta que tinha feito e a resposta que tinha
recebido.
Pois, na TSF, os jornalistas passam a vida a fazer isto
mesmo. Por exemplo, nas reportagens transmitidas da Assembleia
da República, o jornalista que lá está,
deixa-nos ouvir parte do discurso de determinado deputado
e, às tantas, corta o pio ao dito e repete-nos o
que o tipo disse, impedindo-nos de ouvir o que ele continua
a dizer! E quando a emissão volta para o estúdio,
o jornalista de serviço faz o resumo do que acabámos
de ouvir! É desesperante!
Outra irritação: como é que o jornalista
de estúdio passa a emissão para um determinado
repórter? Assim, por exemplo: “os militares
da GNR que estão no Iraque, Carlos Raleiras, também
reagiram aos atentados de Madrid”. Isto é inacreditável!
Enfiam o nome do repórter no meio da frase de ligação,
sem qualquer sentido! Não seria mais lógico
dizer, por exemplo: “os militares da GNR que estão
no Iraque, também reagiram aos atentados no Iraque,
como nos reporta Carlos Raleiras”?
É irritante!
Há muito mais coisas irritantes na TSF como, por
exemplo, estarem a passar sempre as mesmas músicas,
como se o locutor de serviço pusesse em cima da mesa
uma série de cd’s, que vão passando
ao longo dos dias e, eventualmente, só quando a senhora
da limpeza por lá passa a limpar o pó, é
que alguém troca aqueles cd’s por outros.
Mais irritações ficam para a próxima...
Quinta, 11
O Blog do Ódio
Dois Pedros e um Nélson inauguraram um novo blog
em http://odio.blogs.sapo.pt
- é o Blog do Ódio.
Dia a dia, tenho-me divertido com a leitura dos ódios
daquela malta, que vão desde o ódio às
sanitas do Fórum Almada, ao ódio ao FCP.
Cito um texto do Pedro, exactamente o das sanitas do Fórum:
“Ontem foi sexta-feira finalmente. E foi por
isso ou talvez só porque me apetecia, que resolvi
meter-me no carro e ir até ao Forum Almada, ver se
comprava umas coisas e se comia um bom bife da Portugália.
Correu tudo mais ou menos bem, tirando a parte dos CDs que
eu queria comprar e que pode ser lida no artigo anterior.
Depois de um excelente bife na Portugália (odeio
pessoas que não gostam da Portugália), deu-me
uma dor de barriga das antigas... coisas!
Coisas provavelmente causadas por uma semana inteira a trabalhar
todos os dias, coisa que devia ser proíbida e acaba
por dar problemas de saúde.
Sendo as cólicas insuportáveis, tive que me
dirigir a uma das casas de banho do Forum. A primeira estava
a ser limpa, como sempre, por senhoras que conversam agarradas
à esfregona em vez de limparem rapidamente a casa
de banho, enquanto um grupo algo volumoso de homens espera
à porta, apertando nervosamente as coxas. É
por isso que odeio senhoras das limpezas de centros comerciais.
Dirigi-me a outra casa de banho que estava impecavelmente
limpa e completamente deserta. Muito bem.
As sanitas no Forum Almada são Villeroy & Bosch
ou coisa parecida... um fabricante de loiças que,
tanto quanto sei, também faz pratos e tijelas para
sopa... Isto é logo suspeito.
Mas o principal problema ainda estava para vir! É
que o raio das sanitas são rasas à brava e
eu, sentadinho na dita, ficava com a pila a arrastar no
fundo! Olha que porra, hem?
Bem sei que não tenho uma pila pequena, mas isto
é exagero!
Resultado... tive que estar a agarrar na pila o tempo todo...
o que, numa situação já pouco dignificante,
me deu uma sensação de ridículo absoluto.
Odeio as sanitas do Forum Almada!”
Divertidíssimo!
Quinta, 4
Avelino e
Portas – a mesma luta!
Esta semana fomos confrontados, nas televisões, com
imagens surpreendentes: o Sr. Avelino Teixeira Torres, o
eterno presidente da Câmara de Marco de Canavezes,
passou-se da cabeça e ficou gravado em vídeo.
Estava a decorrer o jogo entre o Marco e outro clube qualquer
e o árbitro não assinalou um alegado penalti
contra o outro clube qualquer. O Sr. Avelino ficou escandalizado
e, vindo não se sabe de onde, começou aos
berros junto à linha lateral, invectivando o juiz
da partida, de dedo em riste, em tom ameaçador. Claro
que havia uma circunstância atenuante: o estádio
onde o jogo decorria, chama-se, exactamente, Avelino Ferreira
Torres – que é o mesmo que a Extensão
de Saúde do Monte de Caparica se chamasse Centro
Médico Dr. Artur Couto e Santos...
Ora, se o Sr. Avelino estava no estádio que tem
o seu nome, pode considerar-se que ele é assim uma
espécie de responsável pelo que se passa lá
dentro. E, se houve um penalti que não foi assinalado,
era natural que o Sr. Avelino se insurgisse. Nas imagens,
víamos o homem aos berros, dando pulinhos de indignação,
quase entrando em campo e, à sua frente, o árbitro,
sereno, mas ligeiramente assustado. O jogo estava interrompido,
nas bancadas o povo vociferava, enquanto o autarca continuava
a sua prédica irada, ladeado por dois gê-éne-érres
barrigudos e de bigode, iguais aos das anedotas, que faziam
de conta que tentavam agarrar o Sr. Avelino. E, de repente,
o presidente desatou aos pontapés – pontapeou
os placards do 4º árbitro, pontapeou a mesa
de apoio, chutou uma bola que estava por ali. Passados pouco
minutos, o jogo terminou e o Sr. Avelino entrou em campo
e avançou, ameaçadoramente, em direcção
ao árbitro. Os gê-éne-érres correram
ao lado do autarca, de bonés à banda, enquanto
o juiz aguardava, aparentemente calmo, no meio do relvado.
Naqueles segundos, deve ter pensado que a sua vida estava
a chegar ao fim, tal era a ira que se estampava no rosto
do Sr. Avelino. A confusão estava estabelecida: no
meio do campo, o árbitro, o autarca, os dois barrigudos,
muitos tipos de fato de treino. Desta mole humana, destacava-se
o Sr. Avelino que, nas imagens sem som, brandia o indicador
esticado e parecia mesmo que, a qualquer momento, ia começar
a espancar o árbitro. De súbito, o autarca
avança para o homem de preto, pega-lhe por um braço
e arrasta-o para os balneários, como se o estivesse
a defender dos outros – porque, às tantas,
já toda a gente de fato de treino parecia querer
assassinar o tipo do apito.
Enfim, um triste espectáculo!... Um presidente
de Câmara actuando como qualquer arruaceiro. Um autarca
que, ao discordar de uma decisão da arbitragem, actua
como um qualquer idiota das claques.
As televisões transmitiram as imagens até
à exaustão e foram logo, lestos, à
procura de reacções de políticos. Quase
todos foram críticos, mas relativamente benevolentes.
Que o homem se tinha excedido, mas que às vezes todos
nós perdemos a cabeça, etc e tal.
O Sr. Avelino é do CDS. Portanto, era natural que
os jornalistas quisessem conhecer a reacção
do presidente do partido, o Sr. Portas.
Pois o Sr. Portas estava em Moscovo, em visita de Estado,
como ministro da Defesa. E, diplomaticamente, disse qualquer
coisa como: “quando estou no estrangeiro, em visitas
de Estado, não me pronuncio sobre assuntos de política
doméstica”.
Está bem... foi uma boa desculpa... o que é
que o Sr. Portas havia de dizer sobre a atitude idiota do
seu correligionário? Ainda bem que estava a visitar
a Rússia...
Mas eis que, entretanto, em Lisboa, o Sr. Louçã,
líder do Bloco de Esquerda, a propósito da
discussão em redor do aborto, foi desenterrar dois
artigos escritos pelo Sr. Portas, quando só tinha
19 anos; nesses artigos, o Sr. Portas defendia a despenalização
do aborto. O Sr. Louçã convocou uma conferência
de imprensa só para revelar os tais artigos do Sr.
Portas e, assim, demonstrar a sua incoerência.
Confrontado com esta acusação, o Sr. Portas,
ainda em Moscovo, não teve problemas em, por telefone,
para a Sic-Notícias, dizer que “O Dr. Louçã
é uma espécie de Torquemada da política
portuguesa; se chegasse ao poder punha-nos a todos no Campo
Pequeno, por pensarmos de forma diferente”. E mais
coisas deste quilate.
Então, neste caso, o Sr. Portas, apesar de estar
no estrangeiro, em visita de Estado, como ministro da Defesa,
já comenta assuntos da política doméstica?
Mesquinho, baixo, medíocre, aviltante, inclassificável.
Biltres, aldrabões, patéticas criaturas...
Da torneira
é que é boa!
A Coca-Cola pôs à venda, em 1999, uma nova
água engarrafada, de marca Dasani.
É a segunda marca de água engarrafada mais
vendida nos EUA.
Foi lançada recentemente na Grã-Bretanha.
Alguém veio pôr em causa a qualidade dessa
água.
Judith Snyder, porta-voz da Coca-Cola, declarou publicamente
que a água contida nas garrafas da Dasani é,
de facto, recolhida da torneira!
É verdade: a Coca-Cola recolhe água da rede
pública, fá-la passar por alguns filtros especiais,
purifica-a, enfia-a em garrafas com um design atractivo
e vende-a aos consumidores.
No fundo, a multinacional norte-americana não engana
ninguém. Em lado nenhum se afirma que se trata de
“spring water”, água de nascente...
Depois de nos vender a água suja do imperialismo,
a Coca-Cola vende-nos, agora, a água limpa do imperialismo.
Grande negócio!...
voltar ao topo | outros
dias |
|