ARMAS
Programa emitido a 24 Novembro 1981
Abertura
De capa e espada, de faca e alguidar, com naifa de ponta
em mola e pistolas de pasmar, de canhão sem recuo
e de tiro traiçoeiro, de bomba, granada e morteiro,
de soco, cócega e beliscão, artimanha, armadilha
ou foguetão, de cutelo, machado e punhal, carabinas
e revólveres no arsenal, adaga, óbus ou cimitarra,
corta-unhas, pisa-papéis e samarra, tranca, moca
e cacete, lança, sabre e florete, armaduras, fisgas
e bestas, pontapés e cabeçadas com a testa,
fintas, tropeções e rasteiras, vamos partir
vidros e cadeiras, em cavalos, tanques e elefantes, espalhando
gases hilariantes, vamos fazer uma guerra a brincar, porque
a gente não quer aleijar.
Artur Canhão e Santos, Berbardo Bomba e Cunha, Bombarda
Ferreira, Joaquim Fur-dardo, José Flecharte, José
Fisganha, Mário Zampunhal e Carlos Óbus.
Metralhamos das 10 às 13, recolhemos as balas das
13 às 10, descansamos para os noticiários
e rimo-nos na cara do inimigo.
Obras armadilhadas: Viagens na Minha Terra em Submarino
Atómico, Os cavalos também se Abatem com Pistolas
de Seis Tiros, Menina e Moca, Alice no País das Metralhadoras,
Romeu e Espoleta, Os Canivetes de Navarone, A Bombinha dos
Canaviais, Mar Morto à Traição, e ainda
o Jornal do exército e a revista Canhão Comanteiga,
cada página uma bomba, 72 bombas por 50 paus.
Frases
* Era um pistoleiro tão obcecado que o seu animal
de estimação era o cão da pistola.
* A adaga é uma arma branca.
A adega é branco ou tinto.
* A diferença entre uma pistola de tiro rápido
e outra de tiro lento está na rapidez do pum!
* Para disparar um arcabuz era preciso arcabaz.
* A partir do próximo ano, todas as esquadras da
polícia passarão a estar equipadas com leitores
de cassetetes.
* Depois de trespassar o braço com mais um sabre,
o faquir virou-se para a multidão estupefacta e disse:
“Não se preocupem... até sabre bem...”
* Nunca se devem dividir as Forças Armadas em três
ramos. As Forças Armadas querem-se unidas e coesas
para melhor defenderem a Nação. Toma!
* Talvez seja feio limpar as unhas com um canivete mas,
aqui para nós, deve ser muito difícil limpá-las
com uma pistola.
* Um míssil terra-a-terra é aquele que não
se importa que o tratem por tu.
* Uma seta certeira é com cê.
* Continuam a dizer que faltam algumas G-3 – mas
ninguém pergunta pelas G-1 e pelas G-2. Porquê?
* É nas operações auto-stop que a
GNR diz – Pára!
* Atenção malta do Porto: cuidado com a bala!
nun caiam lá dentro, canudo!
* Trabalhava tão depressa que lhe chamavam a metrabalhadora.
* Ascetas são indivíduos que procuram Deus
através do arco e flechas.
* Cuidado com os objectos cortantes. Navalha a pena cortar-se...
* Contribua, também você, para o desarmamento
– use sempre a vista desarmada.
* Os bombeiros não devem usar armas de fogo.
* A besta é um arco muito estúpido.
* Quando o tiro sai pela culatra, entra por onde?
* “Zunf, grunf, brug!” – disse o pirata,
armado até aos dentes.
* Um vaso de guerra rega-se todos os dias?
* Um submarino atómico é uma arma rodeada
de água por todos os lados, isto é, uma armadilha.
*
Uma carabina de repetição é uma carabina
de repetição é uma carabina de repetição
é uma carabina de repetição...
* A arma deles era tão secreta que, quando a quiseram
utilizar, não sabiam dela.
* E quando os Cheyennes, fartos de guerra, enterraram o
machado de guerra, descobriram petróleo – e
a guerra recomeçou...
* Um canhão que só dispara para a esquerda
é um canhoto.
* Uma arma bacteriológica é, por exemplo,
o espirro.
Pão Comanteiga propõe:
desarmamento já!
Com coisas sérias não se brinca! Por isso,
segue-se um texto perfeitamente irresponsável, aprovado
por unânime abstenção dos oito membros
do PcM, e que é um verdadeiro apelo às grandes
potências. Apelo que se pode resumir numa só
frase: desarmem-se já!
Claro que temos consciência que a coisa não
é assim tão fácil como isso, mas vamos
tentar dar uma ajuda.
Ora bem... poderia ser assim: para começar, os Estados
Unidos fariam constar que tinham dois mísseis atómicos
algures na Europa, apontados a Nouatchok, capital da Mauritânia.
Apanhada de surpresa, a União Soviética trataria
de montar duas ogivas nucleares em Kuala Lumpur e, para
ficar em vantagem em relação ao seu opositor,
instalaria um míssil terra-ar em Dar-es-Salam. Era
então a vez da Líbia incitar a Tunísia
a convencer o Iraque a pressionar o Nepal para negociar
com o Bangla-Desh a possibilidade do Paquistão declarar
guerra a Madagáscar. Em resposta, o Botswana enviaria
emissários aos Emiratos Árabes, no sentido
de conseguir a invasão da Bélgica por parte
da França, se possível por mar, com o apoio
da marinha da República Centro-Africana. Neste ponto,
o Uruguai e a Coreia do Sul, formariam uma federação
com o Canadá e todos ameaçariam a Islândia,
desde que contassem com o apioi precioso do Lesoto. Já
se vê que esta situação não interessaria
à Checoslováquia, que faria pressão
sobre a Holanda para cortar relações com a
Mongólia, o que traria à liça a China.
Ora a China, sempre receando a 3ª Guerra Mundial, construiria
mais alguns túneis anti-nucleares, com a ajuda da
tecnologia senegalesa, e a visaria a ONU de que estaria
a montar uma bomba de neutrões, com materiais importados
do Sudão. Seria então natural que a Etiópia
e o Chade se insurgissem, pedindo o apoio inestimável
do Uganda, para declararem guerra à Venezuela. Como
é óbvio, o Brasil sentir-se-ia ameaçado
e procuraria, por todos os meios, obter a protecção
da Papua-Nova Guiné, o que conseguiria facilmente,
desde que ameaçasse as Filipinas, para o que seria
essencial ocupar a Tailândia. Mas a Birmânia
estaria atenta e, depois de cortar relações
com o Japão, aceitaria uma aliança provisória
com as Honduras, o que deixaria Tegucigalpa em brasa. Era
então a nossa vez: propunhamos uma aliança
com a Grécia e a Turquia, e ameaçaríamos
ocupar o edifício das Nações Unidas,
se um só palmo do território das Bermudas
fosse ocupado pela Suécia. Concordemos que, deste
modo, e com tal confusão, todos estariam de acordo
que o melhor era desarmarem-se imediatamente.
Quem é amigo, quem é?...
|