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O Coiso
O melhor do meu Pão Comanteiga

BOLA

Programa emitido a 20 de Março 1983

Frases
* A melhor Defesa é o Ministério da.

* Os cantos curtos fazem os campos mais pequeninos.

* Amortecer a bola com o peito é impossível no futebol feminino.

* Com efeito, uma bola com efeito pode ter o defeito de ter o efeito contrário e fazer o jeito ao adversário.

* Um guarda-redes deve oferecer o corpo á bola sempre que é preciso, mas sem cair em perversões.

* Não moleste a bola de Berlim Leste. Percebeste?

* Um relato de ping pong deve ser ouvido em estereofonia.

* Sempre que batia as bolas baixo, aleijava-se...

* “Bolas – para - isto!”, dizia, gesticulando, o treinador de basket.

* Há histórias tristes. Foi só quando levou com a bola na tromba que percebeu que era um proboscídeo!

* Era um funcionário da ONU muito pluralista. O seu pequeno almoço consistia sempre de uma bola de Berlim, um croissant, uma sandwich e um pudim Molotov; tudo acompanhado por uma italiana.

* Todos os clientes daquela vidente tinham um futuro cinzento. Há mais de três anos que ela não dava brilho à sua bola de cristal...

* Dizem-me agora que um bolo é uma bola com pilinha...

* No bowling não é conveniente rechaçar a bola com os punhos...

A bola e a fada boa
Ricardito tinha só uma bola. Era grande para a sua idade, mas saltava pouco.
Um dia apareceu uma Fada Boa como o milho – era a Fada dos Cereais.
Veio envolta em estrelinhas e vestia um longo véu azul-celeste completamente transparente. Tão transparente que se via tudo o que estava por trás da Fada.
Ricardito ficou espantado e, por isso, disse: “Ah!”
A Fada Boa sorriu e disse:
“Vejo que estás triste, linda criancinha... Mas a Fada Boa vai ajudar-te... Diz-me qual é o teu maior desejo e eu te satisfarei...”
Ricardito não precisou de pensar muito e logo respondeu que queria outra bola.
Bastou um toque mágico da varinha de condão para que outra bola surgisse ao lado da bola que Ricardito já tinha.
Mas a criança continuava triste. E a Fada perguntou:
“Será que pretendes que te satisfaça outro desejo?... Que queres agora, criança adorável?....”
Ricardito balbuciou, envergonhado, que queria um par de ténis.
“Um par de ténis?!” – exclamou a Fada, com ar de quase zangada – “estamos em crise, filho... um ténis chega-te muito bem para duas bolas!”
E desapareceu de repente.
Sempre há Fadas muito taradas... sobretudo as Boas...

Um engate feliz
Sentado a uma mesa daquele café agradável, Cristiano lia um livro policial, enquanto saboreava a bica em pequenos golos de antologia.
Perry Mason estava quase a descobrir o assassino quando Cristiano reparou na miúda da mesa do lado, que o observava ostensivamente.
Levantou os olhos do livro e a miúda sorriu-se.
“Está-me a dar bola...” – pensou Cristiano.
Encheu-se de coragem e perguntou-lhe: “Quer sentar-se aqui... podíamos ler o livro juntos...”
A miúda fez que sim com a cabeça e sentou-se junto de Cristiano. Tão perto que ele sentiu-lhe o perfume quente e excitante.
Começaram a ler o livro de Erle Stanley Gardner, cada vez mais entusiasmados. O enredo era emocionante, a prosa empolgante e a miúda tão elegante que Cristiano se engasgava com frequência.
Quando Perry Mason deslindou o caso, Cristiano apreciava já a suavidade das coxas da miúda que, por sua vez, pesquisava a nuca do rapaz com os dedos.
Foi então que empregado interveio, advertindo:
“Tenho muita pena mas não vou à bola com cenas dessas, aqui no café.”
E deu-lhe a morada do seu apartamento em Santo António dos Cavaleiros.
Agora, vivem muito felizes os quatro: Cristiano, a miúda, o empregado do café e Santo António dos Cavaleiros.
Um exemplo que devia ser seguido por todos os escritores policiais...

História e estórias da bola
As bolas são muito importantes para o homem. Pode mesmo dizer-se, sem o risco de exagero, que as bolas são essenciais ao homem. Com efeito, que faria um homem sem bolas? Como seria triste, vazia e sem sentido a vida de um homem sem bolas!
Pensem, apenas por momentos, as coisas que um homem não poderia fazer se não tivesse bolas...
É caso para dizer que a História das bolas se mistura com a História do homem e que, se as bolas não existissem, teriam forçosamente que ser inventadas. Pode também especular-se até que ponto poderiam existir homens se não existissem bolas. Quase que somos levados a concluir que o primeiro homem nasceu com as primeiras bolas e vice-versa.
Se quisermos definir o conceito de “bola”, somos parvos. Mas parvos é o que nós todos somos. Para compreender esta observação polémica, basta recordar que “parvus”, em latim, significa “pequeno”. E nós somos, de facto, pequenos (portanto parvos) perante os fenómenos da natureza e a grandeza do Universo.
Temos, portanto, que admitir que somos parvos e vamos explicar o que é uma bola.
Ora, uma bola distingue-se de um cubo porque não possui arestas nem vértices, porque é redonda.
Durante muitos séculos, os homens pensaram que as bolas eram planas. Palermices, claro!... Mas temos que os desculpar, coitados... já morreram todos!...
Só por volta do século XVI se chegou à conclusão de que, afinal, a bola era redonda.
Um conhecido cientista português, de nome Fernão Magalhães, fez um sinal a lápis num ponto qualquer de uma bola; depois, percorreu a superfície da bola com a ponta do dedo, sem nunca mudar de direcção, e regressou ao ponto de partida. Tinha provado que a bola era redonda!

Curiosidades linguísticas
Segundo o Grande Dicionário de Língua Portuguesa, bola significa, em primeiro lugar, um objecto esférico, redondo ou arredondado, susceptível de saltar quando atirado contra qualquer obstáculo e que se utiliza em certos jogos.
No entanto, os significados – e diríamos mesmo os significantes – de bola podem ser tantos que dão a volta à bola.
Por exemplo, se o “ó” de bola for “ô” de bola, teremos uma espécie de folar em cuja composição entram, além da massa de pão, ovos, presunto, rodas de salpicão e carnes variadas; come-se frio e às talhadas.
Por outro lado, bolas, no plural e seguido de um ponto de exclamação, diz o dicionário, é uma interjeição de enfado, quase sempre precedido de ora. Pelo que se deve dizer, quando se está enfadado: “11 horas e 25 minutos bolas!”
Aparentada com bola é a palavra bolada. E como é simples a língua portuguesa! Vejamos, por exemplo, que quando um sujeito diz: “que grande bolada que eu levei!” – pode estar a querer dizer-nos que: a) levou uma pancada com uma bola; b) teve um prejuízo enorme; c) ganhou montes de massa ao jogo. Além de que bolada é, ainda, ocasião, vez, feita, lanço, parte do canhão que vai dos munhões até à boca, o espaço da alma do canhão que a bala corre antes de sair da boca, um desfalque ou um artifício.
Simples, não é verdade?...
Outro termo familiar de bola é o verbo bolar. O seu significado é simples: espécie de terra crassa, argilosa, com mistura de óxidos de ferro, derrubar os paulitos com a bola, acertar onde se dirigia a pontaria, alcançar com a bola, concluir bem, ter bom sucesso um negócio, lançar a bola em jogo para início deste, dar forma de bola, ser volúvel, mudar constantemente de opinião, julgar pelas aparências, acertar e perceber.
Cada vez mais simples, não acham?
É o que a língua portuguesa tem de bom... aproveita-se tudo.

Totobola
Oliveira do Hospital-Silveira da Maternidade –X
Carrazeda de Ansiães-Molhão de Velhotes – 1
Carregal do Sal-Tranportadel de Pimenta – 1
Paredes de Coura-Soalhos de Cabedal – 1
Paços de Ferreira-Saltos de Lopes – 2
Esperança de Lagos-Desejo de Rios – X
Cova da Piedade-Buraco da Compaixão – 1
Vila do Bispo-Aldeia do Padre – 2
Praia das Maçãs-Campo das Beringelas – 1
São João da Madeira-Santo António do Caruncho – 2
Alfândega da Fé-Fronteira dos Ateus – 1
Castanheira de Pêra-Laranjeira de Bigode – 2
Desportivo de Seia-Futebol Clube de Jantar – X

Só os símbolos: H2O; Pb; Ag; Cu; Au; SO4H2; Na Cl; K; St; Fe; Pt; Zn; HCO3

 

 

 


 

 

Actualizado em: 25 Abril 2004
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