< Voltar à homepage do Coiso
O Coiso
O melhor do meu Pão Comanteiga

CAVALOS E BURROS

Programa emitido em 6 de Setembro 1981

Abertura
Não fique praí a asnear. Tire o cavalo da chuva, desemburre, desembeste por aí fora. Aguente os cavais e venha connosco, de burro para cavalo, das 10 às 13, e de cavalo para burro, das 13 às 10.
O Pão Comanteiga, hoje, é uma cavalariça: Artur Potro e Santos, Bernardo Burro e Cunha, Eduarda Cavaleira, José Du-Arte de Bem Cavalgar, em toda a Sela Fanha, Cavalgário Zambujal e Cavalinho Cruz.
Deixe de ser teimoso como um burro, não amarre o burrinho nem dê com os burrinhos na água. Não se esqueça que o Pão Comanteiga é um programa de utilidade pública e, ainda por cima, completamente gratuito. E agora, que o Governo percebeu, finalmente, em que estado anda a Qualidade de Vida, e criou um Ministro do Estado da Qualidade de Vida, é a melhor altura de falar de burros e cavalos. Ninguém ignora que, sem cavalos, não haveria cavalas, sem cavalas não haveria enxovas, sem enxovas não haveria filetes, sem filetes não haveria pescadas, sem pescadas nada de pescadores, sem pescadores não haveria redes, sem redes não haveria malhas, sem malhas o Império não poderia tecer, se o Império não tecesse as aranhas teriam que fazer o trabalho todo e coitados dos cavalos!... Aliás, não admira que os cavalos andem sempre aos coices. Pois se toda a gente teima em afirmar que o melhor amigo do homem é o cão!

Frases
* Se o burro tem quatro patas, o pato tem quatro burras?

* Ao grupo dos cavalos é costume chamar-se “gado cavalar”. No entanto, ao grupo dos burros nunca se chama “gado burrar”. Porquê?

* Um burro muito grande é um burrão. Evite-o usando esferográfica.

* O gado muar é vulgar. O gado miar é que seria de admirar...

* Com duas postas de bacalhau cozido com batatas não consegue encher a mula. Ela só gosta de aveia.

* O borrifador é o chuveiro dos burros.

* Há a mula da Cooperativa e a égua da Companhia – não é, pal?

* E se há amazonas por que raio não há amazinhas?

* As estátuas equestres nunca podem ser roubadas – apenas sequestradas.

* Para as transfusões prefira sempre cavalos de puro sangue.

* Para comer um bife com ovo, a cavalo, não o deixe ir a galope.

* Quando o cavalo-vapor condensa transforma-se em cavalo-marinho.

* O mustanque de guerra é um cavalo de batalha.

* Albardar um burro é fácil. Aldrabar um burro é ainda mais fácil.

* Agora uma perguntinha malandreca: as éguas andam a trotas ou andam no trottoir?

* Prefira sempre as aguardentes envelhecidas em cascos de cavalo. Beba e relinche!

* As mulas só têm dentes mulares. È claro como égua.

* Um coche com três rodas é um coxo.

* Um automóvel com oito cavalos fica superlotado.

* É curioso como há burros que entram pela porta do cavalo.

* Os verdadeiros cavalos preferem vinho do Potro.

* Há quem diga que o romance “Os cavalos também se abatem” não passa de literatura de corcel.

* É evidente que nos regimentos de cavalaria não são admitidos burros – senão seriam rejumentos de cavalaria...
(também publicado na revista Pão Comanteiga nº6 – novembro 81)

* Aquele cavalo queria a égua só para si – era um eguista!
(também publicado na revista Pão Comanteiga nº6 – novembro 81)

* Os GaLopes distinguem-se dos Garcias porque andam mais depressa.
(também publicado na revista Pão Comanteiga nº6 – novembro 81)

* Para andar à nora não é essencial ser-se burro. Basta ser-se sogra.

* É preciso ser-se burro para se chatear por dá cá aquela palha.
(também publicado na revista Pão Comanteiga nº6 – novembro 81)

* Um livro de equitação que é um êxito de vendas é um besta-sela.

* Um cavalo que consegue fazer cheque ao rei, não é burro nenhum.

* E não se esqueça do slogan: a terra a quem a cavá-la!

* Os potros do mar é onde atracam os cavalos-marinhos.
Melhor ainda: os potros do mar é onde atracam os bracos.

* E quando aquele oficial de cavalria pretendeu criar um regimento de cavalaria na Serra da estrela, disseram-lhe para não se meter em cavalarias altas.

* Contra fardos não há jumentos.

* Peixe não puxa carroças. Foi para isso que se inventaram os burros.

* Atenção senhor ouvinte: ao montar um cavalo não se esqueça de nenhuma peça.

* Tinha muito má reputação. Lá na cavalariça diziam que era um égua imprópria para consumo. E ela que pensava ser uma égua potável.

* Um burro carregado de livros é um doutor da mula ruça.

* Primeiro, o cavaleiro anda em cima do cavalo; depois, o cavalo anda em cima do cavaleiro. Só assim a equitação será equitativa.

* Dois concurso e picos quantos concursos hípicos são?

Estorinhas
* - Mas que confusão é esta? – berrou o pai, ao entrar no quarto dos filhos – Este quarto parece uma cocheira!
Os filhos tentaram justificar-se. Que estavam só a brincar...
O pai, furioso, deu dois coices na porta do quarto e partiu, à desfilada, a caminho do emprego.

* A gripe nunca mais passava. O nariz pingão, a tosse irritativa, as dores de cabeça. O costume.
Voltou ao médico e exigiu medicamentos mais eficazes, potentes – uma dose de cavalo, em suma.
Uma semana depois continuava a comer aveia às refeições...

* Quando Roy Rodgers chegou, os bandidos estavam prestes a raptar a moça que, com a angústia estampada no vestido de flanela grossa, implorava socorro. Roy saltou do cavalo e enfrentou os malfeitores, empunhando duas pistolas ameaçadoras. A moça aproveitou a confusão para se refugiar no cavalo de Roy. E à medida que a luta se desenrolava, entre socos e pontapés, a moça pensou que os homens eram uns brutos e fugiu com o cavalo de Roy Rodgers, que sempre demonstrou ser um perfeito cavalheiro.

Conferência
Permitam-me que faça, hoje, uma conferência sobre cavalos. Toda a semana procurei um tema adequado para a minha exposição semanal. Estive tentado a falar-vos dos tapetes persas ou do Império Austro-Hungaro, da evolução das técnicas da tomografia axial computorizada ou da verdadeira história de Thales de Mileto. Mas acabei por decidir-me pelos cavalos. Compreende-se.
O cavalo trata-se de um mamífero sem asas, cujo corpo está coberto de pelos, em vez de escamas, possuindo apenas quatro patas que terminam em cascos, semelhantes aos dos navios. Esta interessante espécie animal é desprovida de fala, embora possua uma boca que, ao que parece, está provida de dentes. Não há unanimidade neste ponto, uma vez que, num dado cavalo, ou num cavalo dado, não se vai olhar para os dentes. De qualquer modo, as pernas são altas – daí a sua grande dificuldade em rastejar. Embora saibam nadar, só muito raramente os cavalos são encontrados no mar alto. Excepção feita, claro, ao chamado hipocampo ou cavalo-marinho que, por vezes, aparece nas redes dos pescadores, misturado com taínhas, sardinhas e pescadas, o que só prova que nem tudo o que vem à rede, é peixe.
Apesar de muito inteligentes, os cavalos são totalmente analfabetos, embora não sejam burros nenhuns. No que respeita, por exemplo, à tabuada, enquanto um burro poderá dizer de três vezes cinco são dezassete, um cavalo prefre ficar sempre calado. Por outro lado, enquanto um burro ao sol, inteligentemente faz sombra, um cavalo à chuva, deixa-se lá ficar até que alguém o tire.
Estes estranhos animais não possuem juba, mas sim crina, o que não os impede de ter uma excelente cauda, muito utilizada por algumas senhoras, sob o nome de rabo de cavalo. Neste caso particular, o rabo de cavalo fica na cabeça, mais precisamente pendendo da nuca – o que é o único caso em todo o reino animal. De facto, existem espécies que têm o rabo entre as pernas, mas só o rabo de cavalo fica na cabeça.
No que respeita á locomoção, o cavalo é também um animal privilegiado. Com efeito, ele sabe andar a passo, trotar, galopar, saltar e nadar, enquanto que as trutas, por exemplo, apenas sabem nadar. Trotar não é próprio das trutas, inexplicavelmente... Além disso, o cavalo gosta muito de dar o flanco e, quando picado, parte a galope. Nessa altura, é conveniente que o cavaleiro se faça acompanhar de um guarda-freio, afim de evitar que o bicho tome o freio nos dentes.
Diga-se ainda que os cavalos são muito úteis ao homem e á mulher, a ambos ou aos três. Tempos houve em que eram sobretudo utilizados como meio de transporte. Criaram-se até as chamadas Ordens de Cavalaria, nas quais os cavaleiros seguiam ordenadamente uns atrás dos outros. Citemos a Ordem dos Cavaleiros Teutónicos Capilares e a Ordem dos Cavaleiros da Malta Toda. Hoje em dia, o cavalo é mais útil quando novo. É com ele que se fabrica o famoso papel cavalinho.

Poema
Senhoras e senhores/ vou agora recitar
Um lindo poema sobre o gado muar

Começo pela primeira/ tão grácil quando pula
Tão frágil quando salta/ tão bela que é a mula!

A poesia não nasce feita/ a poesia fazemo-la
E que melhor inspiração/ que o focinho da azémola?

E no mundo muar/ a inspiração é vária
Quantos versos brotam olhando uma alimária!

Não é preciso esforço/ nem puxar pela testa
Ao admirar o perfil helénico de uma besta!

Quanta rima verdadeira/ quanto verso grandioso
Ao afagarmos o pelo de um asno orgulhoso!

Não é preciso musas/ nem tampouco argumento
Basta dar uma volta montado num jumento

Fico boquiaberto/ extasiado fico
Quando num prado deparo com um jerico

Ansioso, exultante/ a mim próprio esmurro
Quando, ofegante, admiro um burro

Só posso erguer a voz e cantá-los
Pois todos são, meus senhores, cavalos!


Actualizado em: 22 de Dezembro
O MELHOR DO PÃO COMANTEIGA
Textos seleccionados do Pão
CROMOS DO COISO
Cromos antigos para a troca e sites recomendados

O MELHOR DO PAU DE CANELA
Textos selecionados deste jornaleco de 1985

HISTÓRIAS POUCO CLÍNICAS
...mas muito cínicas
O MELHOR DO UMA VEZ POR SEMANA
Textos seleccionados deste programa sexual de 1986

COISAS DO COISO
textos e bonecos seleccionados que sairam no Coiso em papel

CAUSAS DO COISO
Como tudo começou

DICIONÁRIO PORRINHA
COMENTÁRIOS AO COISO
E-MAIL
Vá... enviem-me um e-mail!
Este é o Coiso do Artur Couto e Santos.
Se tiver algum comentário a fazer ao meu Coiso, carregue aqui:

arturcs@netcabo.pt