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O Coiso
O melhor do meu Pão Comanteiga

OURO E PEDRAS PRECIOSAS

Programa emitido a 6 Dezembro 1981

Abertura
Caríssimos ouvintes, verdadeiras pérolas da audiência nacional, pedras raras da sabedoria e da complacência, temos o prazer de vos anunciar que já abrimos os cofres. Manter-se-ão abertos até às 13, hora a que fecharemos com chave de ouro, excepto, é claro, para as jóias que nos escutarem em sentido contrário.
Pão Comanteiga – uma obra da joalharia radiofónica, um programa que se escreve com aparos de ouro, hoje especialmente dedicado às nossas reservas do banco de Portugal.
Trabalharam o metal, com a prata da casa: Ágata Christie, Alçada Ametista, Ike e Platina Turner, Pearl Buck e Pearl Harbour, Maria Antónia Opala, Maria Turquesa Horta, Giscard d’Estanho, as populações de Cobre, Douro Litoral e Braço de Prata, e ainda a colaboração especial de Artur Couto e Santos, Bernardo de Brito e Cunha, Eduarda Ferreira, Joaquim Furtado, José Duarte, José Fanha, Mário Zambujal e Carlos Cruz.
Pão Comanteiga, um programa banhado a ouro e cravejado de pedras preciosas.

Frases
* Aquele que ama só de dia é o diamante.

* As pérolas artificiais podem ser bonitas, mas as verdadeiras são ostra coisa...

* Se o silêncio é de ouro, calo-me já!

* Nas minas de ouro, os trabalhadores têm ourário de trabalho.

* Ele era um ladrão praticante: só roubava objectos de prata.

* O estado é um metal pesanho.
Está tudo trocado!
O estanho é um metal pesado.
Assim é que estem bá.

* O rio Douro é uma grande aldrabice. Afinal, aquilo é tudo água!...

* Pedra preciosa foi a que David atirou a Golias.

* A cotação do ouro vem publicada, diariamente, no ouroscópo.
* Para o estudante, no final do ano, o chumbo é um animal parecido com a raposa.

* Uma pessoa com mão de ferro, não a pode lavar. Enferruja...

* Nem tudo em Queluz é d’ouro...

* Quando dois professores de físico-química se zangam, é costume ouvir-se a expressão: “Olha, mete o tubo de ensaio no símbolo do cobre.”

* Apesar de ter cobre, a moeda de 10 tostões não cobre a de 5 escudos.

* O Ouro roubado nunca é de lei.

* Não lhe servia de nada ter um coração de ouro. Não batia...

* O ferro é um metal essencial na alimentação do homem. Coma ferraduras!

* Quando o céu é de chumbo, os aviões amolgam-se.

* “É preciso ter lata!” – disse o anel de ouro para o pechisbeque.

* pega-se no ferro, aquece-se ao rubro, dá-se-lhe umas valentes marteladas, malha-se com força e vigor e, no fim, não admira que o ferro fique fundido!

* A galinha dos ovos de ouro tinha um rico rabo!

* Depois da prata lavrada, semeia-se o quê?

* Ele tinha tantos dentes de ouro que, em vez de pasta dentífrica, usava polimento para metais.

* Um conjunto de metais pode ser uma amálgama ou uma banda da Carris.

* No atletismo feminino, a primeira classificada ganha sempre a medalha de ouro, mesmo que seja um bronze.

A verdadeira história do rei Midas
Todos conhecem a lenda do rei Midas – só que, por razões de decência e para manter os bons costumes, a verdadeira história desse rei nunca foi contada. PcM está em condições de o fazer porque sim.
Sabe-se que Midas conseguiu obter um poder tal que lhe permitia transformar em ouro tudo em que tocava.
Logo no dia em que obteve esse poder, o rei decidiu experimentá-lo. E assim, tocou sucessivamente flauta, saxofone, violino, tocou na cama, nas cadeiras, na espada, na coroa, que era de latão, nas carpetes, nos quadros, nos copos, nas paredes do seu palácio, e tudo se foi transformando em ouro.
Midas estava contentíssimo. Realizava, enfim, o maior sonho da sua vida: ser rico!
E aquele foi um dia muito atarefado, a transformar tudo em ouro. Conta a história que até a comida foi transformada em ouro, pelo que o ambicioso rei teria morrido à fome. Que lérias! Midas podia ser ganancioso, mas não era parvo. Portanto, naquele dia, não comeu com as mãos como era seu hábito. Utilizou os talheres que, claro, se transformaram em ouro.
Mas o rei comeu à pressa porque tinha muito que fazer. E passou o resto da tarde a transformar em ouro, armários, cortinados, ropas, jóias falsas, encadernações, garrafas – tudo!
Com a excitação, Midas lembrou-se, de repente que, durante todo o dia, não tinha ido à casa de banho. Correu aos lavabos, aproveitou para transformar os sanitários em ouro, foi desapertando a braguilha, botão a botão, transformando-os em ouro, claro – e depois fez o que todos os homens (mesmo os reis) têm que fazer nestas alturas.
E então – só então – o rei Midas enlouqueceu...

Á procura do tesouro perdido
(o verdadeiro argumento de “The Raiders of the Lost Arch)

Louisiana Joe, aliás John Thorpe, era professor de trabalhos manuais numa escola dos subúrbios, dos bairros limítrofes da cintura dos arredores de Londres. No entanto, dedicava todos os seus tempos livres á pesquisa e decifração de textos antigos, que encontrava em alfarrabistas.
Andava agora muito interessado num mapa do século XXVII, que assinalava a existência de um tesouro escondido entre os montes e vales dos Andes. Faltava-lhe apenas decifrar a última frase do texto que acompanhava o mapa. Passou toda a noite em branco, excepto os dois de tinto que bebeu para acompanhar o pastel de bacalhau, ás 4 da matina. Mas conseguiu. A frase dizia: “apressa-te, palerma! Os bandidos já estão na América Latina!”
Louisiana Joe não hesitou nem mais um segundo. Deixou crescer a barba , vestiu as roupas velhas e sujas que guardava para estas ocasiões, colocou a cicatriz no rosto, rapou da pistola e chicote, pediu licença sem vencimento na escola e partiu.
A caminho da América do Sul passou pelo Gana, para ir buscar a miúda, que não via há já tantos anos e que, na circunstância, era dona de uma taberna rasca, embora muita concorrida na região. Afinal, o mapa não estava completo e o pedaço que faltava estava entre os seios da miúda. Louisiana tentou deitar a mão ao busto da taberneira mas, nesse momento, chegam os bandidos que, pelos vistos, também querem o pedaço do mapa – ou os seios da miúda. Gera-se confusão, há tiros, socos, incêndio, mas Louisiana e a miúda conseguem escapar ilesos, metendo-se logo no avião para o japão, fazendo escala em Antuérpia, para despistar. Chegados a Singapura, apanham o veleiro e, em breve, estão no sopé dos Andes.
Agora era só procurar – pensava Louisiana Joe.
Ele conhecia os Andes como a palma da mão porque já lá tinha estado andes. Mas como tinha as mãos muito sujas, perdeu-se. Andaram à deriva 4 dias e acabaram por ser apanhados pelos bandidos. Entretanto, a miúda dera a Louisiana o pedaço do mapa que faltava, a troco de algumas benesses que não vêm agora para o caso, e o professor de trabalhos manuais, após uma luta com um colosso que acabou por perder a cabeça nas hélices de um avião, consegue fugir, e interna-se na selva, onde fica três meses a soro e com prognóstico reservado.
Nessa altura, já os bandidos andam a escavar desenfreadamente, procurando o tesouro. Louisiana Joe, totalmente restabelecido, vigia as escavações de longe, enquanto rumina o seu plano. Junta os pedaços do mapa, dá três passos à retaguarda, sobe à árvore, mergulha no riacho, duas braçadas para norte, sai da água, mais quatro passos para oeste, um pulinho para sul e é ali mesmo.
Do bolso, tira a pá e a picareta e começa a escavar que nem um doido. Três dias e três noites depois, Louisiana Joe está no fundo de um enorme buraco que ele próprio escavou, rodeado de lacraus por todos os lados. Mata-os a todos com uma caixa de alfinetes, acende o archote e eis o tesouro!
Louisiana mal pode acreditar! Mas não há tempo a perder! Guarda o tesouro na sacola, sobe pela corda, leva um tiro no ombro, persegue o agressor, põe-o fora de combate com uma chicotada, mascara-se de bandido, quase é apanhado por uma tribo de índios antropófagos, mata dois exploradores espanhóis do século XVII, consegue entrar no acampamento dos bandidos disfarçado de jipe, entra na tenda principal, liberta a miúda e os dois escondem-se no porão de um submarino soviético que, por erro de navegação, encalha ao largo da Suécia. Mas Louisiana e a miúda conseguem fugir, montam dois fogosos cavalos e regressam à calma casa do professor de trabalhos manuais.
“Então e o tesouro?” – pergunta a miúda.
“O tesouro eras tu, meu amor!” – responde Louisiana Joe, aliás John Thorpe.
Em fundo, música pela orquestra dirigida por Jorge da Costa Pinto; ao piano, Shegundo Galarza.

 

 

 

 

Actualizado em: 20 Julho 2003
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