Estou deserto para chegar a casa, ligar a televisão e ver o Jornal da SIC.
Sempre quero ver que notícias vão dar hoje sobre o Cristiano Ronaldo e o Michael Jackson.
aqui desde 1999
Estou deserto para chegar a casa, ligar a televisão e ver o Jornal da SIC.
Sempre quero ver que notícias vão dar hoje sobre o Cristiano Ronaldo e o Michael Jackson.

Lidei algum tempo com o Raul Solnado, nos anos 80 do século passado. Escrevi alguns textos, que ele depois interpretava, dando-lhes, muitas vezes, a graça que eles não tinham.
Do pouco tempo que passámos juntos, recordo uma pessoa afável e com uma inteligência aguçada.
Recordo, também, o nervosismo que senti quando me convidou para escrever, juntamente com ele e com o Mário Zambujal, o “Lá em Casa Tudo Bem”. Percebi que aquela não era a minha guerra: uma coisa era escrever uns epigramas e um textos despreocupados para o Pão Comanteiga, outra era escrever uma série de televisão para o Raul Solnado. Acabei por desistir, depois de 12 semanas de grande ansiedade e 12 episódios escritos e re-escritos, com muita ajuda do Zambujal e do Solnado.
Mas foi uma honra ter colaborado com o Solnado que, apesar da diferença de idades e de estatuto, sempre me tratou como um igual.
Recordo um dos textos que escrevi para ele:
“Venho aqui falar em nome dos pequenos e médios ladrões, larápios, carteiristas e ofícios correlativos.
Bom… para que não haja confusões, não sou o porta-voz dessas profissões que são, sem dúvida, as mais antigas do mundo… mas li no jornal uma notícia que me deixou revoltado.
É que a crise ataca todos e não escapa ninguém!
Já não basta um tipo ter que palmar quatro ou cinco carteiras no Metro, pondo em risco a sua integridade física. Depois, chega a casa e as carteiras só têm documentos e fotografias da família – nem uma nota para amostra!
Andamos todos tesos!
E os pequenos roubos já não dão lucro! É um risco que não vale a pena correr!
Hoje em dia, ou se rouba a sério, assim uma coisa em grande, com estilo, ou mais vale arranjar um emprego, nem que seja com contrato a prazo numa empresa em situação económica difícil.
E depois, ainda por cima, como um azar nunca vem só, andaram a colar aqueles cartazes nas estações do Metro, que dizem “cuidado com os carteiristas”!
E as pessoas estão sempre a pau, com a mãozinha a segurar a carteira.
Depois vem um carteirista mais inexperiente, tanta palmar qualquer coisa e pimba!… é apanhado com a boca na botija!
A polícia está farta, já não fecha os olhos a nada e lá vai o larápio para a prisão!
Para a prisão?!… Mas qual prisão?!…
É aqui que entra a notícia: segundo a Direcção Geral dos Serviços Prisionais, as 48 cadeias portuguesas estão a abarrotar!
6 478 presos! Não cabe nem mais um ! Lotação esgotada!
É uma situação que não se registava desde 1967 – há 17 anos, portanto!
Estão a ver isto?!
Se um larápio qualquer for apanhado pela polícia, fica preso onde?…
As escolas são poucas para os alunos;
Os hospitais não chegam para os doentes;
Os edifícios públicos são pequenos para as repartições.
Isto não pode continuar assim!…
Se esta noite mesmo, um polícia de giro capturar algum rato de automóveis, não tem outro remédio senão levá-lo par casa, dar-lhe jantar e depois fechá-lo na despensa, í espera que haja vaga em Alcoentre.
Sinceramente, só vejo uma solução: enquanto não se conseguirem mais prisões, levem os presos para os museus.
Seria a única maneira de os nossos museus deixarem de estar í s moscas!
Boa noite e façam o favor de ser felizes.”
- esta crónica foi para o ar no programa televisivo “Fim de semana”, a 4/2/1984. De Dezembro de 1983 a Junho de 1984, escrevi crónicas que o Raul Solnado interpretava, melhorando-as com as suas “buchas”.
Colaborei, também com o Raul Solnado na escrita de crónicas semanais no Programa da Manhã da Rádio Comercial, entre Outubro de 1984 e Março de 1985.
Finalmente, fui co-autor, com ele e com o Mário Zambujal, dos primeiros 12 episódios da primeira sitcom portuguesa, “Lá em Casa Tudo Bem”.
Foi o Solnado quem me propí´s para membro da Sociedade Portuguesa de Autores, em 1984.
A história é conhecida: Stieg Larsson foi jornalista e editor da revista sueca Expo. Morreu subitamente, em 2004, com 50 anos, pouco depois de entregar para publicação a trilogia “Millenium”.
Larsson não assistiu, portanto, ao êxito instantaneo destes seus três calhamaços, que nos contam as aventuras do super-jornalista da revista Millemiun, Mikael Blomkvist e da hacker associal, Lisbeth Salander.
Neste primeiro volume, Blomkvist e Salander resolvem o caso do desaparecimento de Harriet, uma descendente da poderosa família Vanger, desaparecida há 30 anos.
A escrita de Larsson é escorreita, a história está bem contada e esta é a leitura indicada para o tempo de férias.
Só é pena eu não estar de férias…
Os partidos andam atarefados a organizar as suas listas.
A D. Manuela Leite queria que o PSD tivesse umas listas limpinhas, como estas (ela é 8ª lista a contar da direita e o Alberto João é a lista cor-de-rosa velho):

Mas as distritais prefiram estas (o Pedro Passos Coelho é a 2ª lista a contar da esquerda e o Miguel Relvas é a 8ª):

Pacheco Pereira (a lista castanha da primeira lista), disse logo que não e propí´s estas:

Discutiram até de madrugada e acabaram por chegar a um consenso, embora com muitos votos contra. Assim ficaram as listas do PSD: um pouco monótonas, é certo – mas também, quem é que quer emoção com uma líder já entradota?

E não há duas zebras com as listas iguais!…
É uma pena Santana Lopes ser apenas candidato í Câmara de Lisboa. Ele devia era ser candidato a primeiro-ministro novamente. A diversão era garantida.
Segundo o Pí¹blico de ontem: “Santana acusa Costa de aliciar noctívagos”.
O Sr. Lopes acha que a decisão de António Costa, de alargar o horário dos bares do Bairro Alto até í s 3 da manhã, tem como única intenção ganhar votos.
Sr. Lopes: pense!
Os moradores do Bairro Alto, por causa do barulho e da confusão, são muito capazes de ficarem tão chateados com o António Costa que não vão votar nele…
E a maior parte da malta que frequenta os bares do Bairro Alto não vive nem vota em Lisboa.
Logo: a decisão do Costa só pode beneficiar o Sr. Lopes, ou não?…
Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, foi condenado a 7 anos de prisão por quatro crimes, a saber: fraude fiscal, abuso de poder, corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais.
Isaltino diz que está inocente, vai recorrer da sentença e tenciona candidatar-se novamente í Câmara de Oeiras.
Assim se cria um novo verbo em português – o verbo isaltinar.
Eu não estou a cometer fraude fiscal – estou a isaltinar.
A partir daqui, só o céu como limite.
Exemplos:
1. “íˆ pá! Estás a abusar do poder!”
“Deixa estar, é apenas um pequeno isaltinanço…”
2. “Como consegues convencê-lo a aprovar o projecto?”
“Ora… ofereço-lhe um terreno em Cabo Verde, isaltino-o!”
3. “E o que fazes a esse dinheiro todo?”
“Passo-o para a conta da minha sobrinha que vive na Venezuela e o dinheiro fica isaltinado”.
É graças a figuras como Isaltino Morais que a língua portuguesa se mantém tão pujante e viva!
Não tenho atitudes corporativas.
Claro que há médicos incompetentes, assim como canalizadores, talhantes, jornalistas.
Não costumo comentar assuntos médicos no Coiso – já o disse várias vezes. Sinto-me demasiado envolvido.
Mas a sub-directora do Diário de Notícias, Catarina Carvalho, não me deixa alternativa.
Na sua coluna semanal, a senhora subdirectora conta a sua ida ao Centro de Saúde de Benfica.
Começa por dizer que ficou muito bem impressionada, que pagou apenas dois euros e 25 cêntimos e nem imagina quanto custará, ao Estado, uma consulta médica.
E acrescenta esta frase formidável:
“Esta minha incursão pelo SNS teve bons motivos: tinham-me a dizer que eu já tinha médica de família”.
Para além do uso do verbo “ter” duas vezes na mesma frase, acho curioso a Sra. Subdirectora usar o termo “incursão” para se referir a uma ida ao Centro de Saúde, como se fosse assim uma espécie de aventura, um safari, por exemplo. Será que ela ignora que há pessoas que vão ao Centro de Saúde desde que nascem?
Mas enfim… de que é que a Sra. Subdirectora não gostou?
Do atraso da médica. Diz a jornalista:
“Um atraso í portuguesa, 5, 10 minutos, aguenta-se sem bufar. 40, já doi.”
A Subdirectora do Diário de Notícias, portanto, bufa…
Adiante…
“Então ela chegou. E não me pediu desculpa. Não arranjou um alibi que explicasse o atraso. Acabei por não dizer nada. Fui cobarde, mas qualquer paciente sabe que está numa posição de inferioridade. Esperei para ver como seria a consulta. Nem sequer me auscultou.”
Aqui, passei-me! Conhecem a anedota do J. Cristo que vem í Terra mascarado de médico de família? Pois ele até faz com que um paralítico saia do consultório a andar, mas o paralítico exclama: “Este médico é a merda de sempre! Nem sequer me mediu a tensão!”
A Sra. Subdirectora queria ser auscultada e a médica não lhe fez a vontade! Claro que a médica não tem desculpa para ter chegado atrasada. Devia ser chicoteada em público, no mínimo e deviam ensinar-lhe que uma consulta médica inclui, sempre, uma auscultação!
E Catarina Caravalho não quereria, também, palpação abdominal, observação ginecológica, exame neurológico sumário, palpação mamária, observação da orofaringe, sinais meníngeos? Saberá ela o que deve e não deve ser feito em determinada consulta médica?
Continuando:
“Disse que estava saudável e mediu-me a tensão. Deve ter acabado aqui a minha relação com o SNS. Não por causa dele, coitado, mas por causa dos que não o servem em condições profissionais que me satisfaçam”.
Isto é soberba em estado puro!
Por causa de uma médica que chega atrasada e que não a ausculta, a subdirectora do Diário de Notícias deixa de ir ao Serviço Nacional de Saúde!
É como se eu deixasse de comprar o Diário de Notícias, só porque ele tem uma subdirectora tão obtusa!
Bem sei que não têm nada com isso, mas se quiserem ver, basta clicar aqui.
Ainda está no princípio, mas hei-de enriquecê-lo a pouco e pouco…
Saúde:
PS – Fornecer um Magalhães a cada utente do SNS, de modo a que toda a gente possa marcar consultas por mail para o seu médico de família virtual
CDS – Todos os micro, pequenos e médios empresários, bem como os lavradores, ficam isentos do pagamento das taxas moderadoras
BE – Isenção do pagamento das taxas moderadoras para gays, lésbicas e transsexuais e para a Joana Amaral Dias
PCP – O diagnóstico de todas as doenças passará a ser votado, de braço no ar, entre os médicos e a Comissão de Utentes
PSD – Não sabe/Não responde
Educação:
PS – Fornecer um McIntosh a todos os professores e avaliá-los on-line
CDS – Garantir que todos os micro, pequenos e médios empresários, bem como os lavradores, obtenham, no mínimo, o 12º ano de escolaridade
BE – Exigir o acesso í s Novas Oportunidades a todos os gays, lésbicas e transsexuais e í Joana Amaral Dias
PCP – Os professores serão avaliados pela Fenprof, através de uma votação de braço no ar
PSD – Não sabe/Não responde
Obras Públicas:
PS – Construir dois novos aeroportos, um em Lisboa, outro no Porto, duas novas pontes sobre o Tejo, uma delas pedonal, lançar o TGV, com três linhas (Lisboa-Madrid, Lisboa-Casablanca e Lisboa-Salvaterra de Magos) e distribuir Magalhães a todos os trabalhadores da construção civil
CDS – Construir lares da 3ª idade para todos os aposentados das micro, pequenas e médias empresas, bem como para os lavradores
BE – Construir um Centro de Exposições onde os artistas gays, lésbicos e transsexuais, bem como a Joana Amaral Dias, possam expor as suas obras
PCP – Construir um Pavilhão dos Congressos para todos os sindicatos filiados na CGTP, o qual se chamará Pavilhão Carvalho da Silva
PSD – Não sabe/Não responde
Política Externa:
PS – Fornecer Magalhães a todos os presidentes e primeiro-ministros de todos os países da União Europeia, da Nato e da CPLP
CDS – Organizar estágios em Harvard e outras universidades norte-americanas para todos os micro, pequenos e médios empresários, bem como para os lavradores
BE – Cortar relações com todos os países homofóbicos e para os que não concedam vistos í Joana Amaral Dias
PCP – O que interessa é o que se passa cá dentro. Não temos nada com a vida dos outros.
PSD – Não sabe/Não responde