Um gajo que não gosta de Museus!

O presidente Trump já não surpreende ninguém.

Ou talvez sim.

Ontem disse que não gosta de museus e bibliotecas. Enfim, talvez goste da biblioteca da Casa Branca, que talvez venha a ter o seu nome – tal como o Centro Rockefeller e o Estreito de Ormuz.

Do que ele gosta mesmo, é de hotéis, de sítios onde as pessoas dormem dois ou três dias e não deixam marca. Agora, Museus, onde os grandes artistas têm as suas obras?! Que bocejo! Bibliotecas, onde os escritores, quase todos tipos ou tipas com problemas psicológicos, mal-amados, fodidos da cabeça, deixou os seus textos?! Que seca!

Já repararam no hotel que vou mandar construir em Miami? Coisa linda! Vai ter um Air Force One no lobby!

É com esta criança patológica com 78 anos que o nosso mundo tem de lidar e o nosso governo está de joelhos.

Para além de lhes facilitar a Base das Lages para que os yankees a usem a seu bel-prazer, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, dá-se ao luxo de divulgar conversa telefónica com o traidor cubano, Marco Rubio, como se isso fosse algo de extraordinário. Portugal está a ser o capacho dos yankees e gosta!

Silvino, o Pescador

Mal se aposentou, o Silvino decidiu dedicar-se à pesca.

Foi a uma loja da especialidade, em Cacilhas e comprou o material necessário e, na manhã seguinte, informou a esposa: vou pescar o almoço.

Foi para o Ginjal, lançou o anzol e esperou.

Naquele dia, o Cais do Ginjal estava cheio de pescadores e Silvino ia vendo uns e outros a sacarem peixes do Tejo, mas ele, nada!

As horas foram passando e o Silvino estava cheio de dores nas cruzes; estar ali, em pé, a segurar a cana, afinal, não era pera doce – e ele que pensava que aquela malta que passava as manhãs a pescar, eram todos uma cambada de calões!…

Nesse dia chegou a casa de mãos a abanar.

Então o almoço? – perguntou a mulher.

Faz uma omeleta! – respondeu o Silvino.

E os dias foram passando e o Silvino não conseguia pescar nada.

Farto de omeletas, decidiu passar pelo mercado antes de ir pescar. Comprou carapaus, uma dourada de viveiro e uma pescada. Depois, levando os peixes numa geleira, foi para o Ginjal.

Nesse dia, fartou-se de pescar: tainhas às pampas, dois chocos e até um polvo.

A mulher do Silvino ficou toda contente, embora estranhasse que houvesse carapaus, douradas e pescadas no Tejo, mas enfim, tinham peixe para vários dias.

Silvino foi percebendo que havia ali um padrão: quando ia para o Cais do Ginjal de mãos a abanar, não conseguia pescar nada, se passasse primeiro pelo mercado e comprasse algum peixe, fartava-se de pescar.

A certa altura, o Silvino já não sabia o que havia de fazer a tanto peixe. Era o que comprava diariamente no mercado, mais todos aqueles que pescava no Tejo.

Foi a mulher que teve a ideia.

Abriram uma peixaria.

“Um Punhado de Flechas”, de Maria Gainza (2024)

Maria Gainza nasceu em Buenos Aires em 1975 e foi crítica de arte durante muitos anos, escrevendo para vários jornais, sendo também correspondente do New York Times.

Publicou o seu primeiro romance, O Nervo Ótico, que ainda não li, em 2018, inaugurando uma escrita que mistura narrativa, ensaio e crítica de arte.

O título deste Um Punhado de Flechas foi-lhe sugerido por uma conversa com Francis Ford Coppola, que lhe disse que casa um de nós nasce com uma aljava com um certo número de flechas douradas. Quando as lançou todas, acabou-se. Penso que Coppola estava a referir-se a ele próprio, que lançou as suas flechas todas com os três filmes do Padrinho, com o Apocalipse Now e o One From The Heart.

Este livro de Maria Gainza é curioso por isso mesmo: deu-nos a conhecer vários artistas plásticos argentinos que desconhecíamos e contou-nos histórias curiosas com eles relacionadas.

Um livro diferente que vale a pena.

Falamos com o nosso especialista

Paulo Núncio, deputado do CDS (Centro Documental Sexual), é um especialista em Saúde Sexual e Ofícios Correlativos.

Recentemente, conseguiu que se acabasse com essa parvoíce dos homens que querem ser mulheres e vice-versa. Ele próprio, quando era criança, sempre quis ter uma Barbie, mas os pais obrigaram-no a brincar só com os Kens – o que também pode ser perigoso, mas enfim, ele safou-se!…

Esta coisa da identidade sexual, seja lá o que isso for, é algo de muito complexo e aqueles caderninhos que o Paulo Núncio ainda hoje guarda e que lhe foram oferecidos nas aulas de catequese não falavam nestes desvios sexuais que a esquerdalha queria tornar constitucionais!

De qualquer modo, Núncio revelou ser um especialista nesta matéria e, por isso, a partir de agora, vamos procurar saber a sua opinião sobre várias matérias relacionadas com a sexualidade.

Assim, perguntámos ao especialista Paulo Núncio, o que fazer no caso de haver ejaculação precoce.

Ficámos esclarecidos.

Portanto, caro amigo, se sofre de ejaculação precoce, procure bem porque há de ter alguns orgasmos em atraso que pode utilizar.

E siga o anúncio – educação sexual é com Paulo Núncio!

“O Barulho das Coisas ao Cair”, de Juan Gabriel Vásquez (2011)

Depois de ter lido “Os Nomes de Feliza”, fiquei com curiosidade em conhecer mais livros deste autor colombiano.

Encontrei este livro de 2011, que me fez companhia nos últimos dias, mas não me entusiasmou muito.

Vásquez conta-nos a história de um dos primeiros traficantes de droga da Colômbia, no tempo em que Escobar ainda não dominava e dá a ideia de que, nessa altura, os traficantes eram inocentes, que faziam o tráfico como se fossem jovens sem a verdadeira noção do mal que provocavam. Enfim, é um romance, que envolve um acidente de avião que matou muita gente, americanas envolvidas em apoios ao povo colombiano e muito aparente desconhecimento do que o tráfico provoca.

Guardo o livro na prateleira e lá ficará a apanhar pó…

O Coiso bem instalado

A partir de agora, O Coiso, um dos blogs mais antigos ainda em actividade, está instalado “num serviço 100% europeu, com soberania de dados e sem americanos à mistura”, como me comunicou o meu filho Pedro.

Chama-se infomaniac. com.

O Pedro não podia ter escolhido melhor altura para mudar o Coiso de sítio, agora, que Trump e sus muchachos volta a querer dominar o mundo à força!

Obrigado Pedro!

Que o Coiso esteja contigo!

Montenegro e o climatério

Já estamos habituados às calinadas de Montenegro no português.

O empresário de Espinho é o típico cidadão que diz “visionar”, em vez de ver. Foi ele que disse “aqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”, em vez de “aqueles que morreram”.

Esta frase ainda é mais estranha porque, se a analisarmos bem, ficamos com a sensação que o primeiro-ministro quis dizer que os falecidos não evitaram morrer, como quem diz, só morreram porque não tiveram cuidado.

Agora, temos a questão do “climatérico”.

Montenegro insiste nas alterações climatéricas, em vez de usar o termo correcto, que é, climáticas.

Um mestre em climatologia, pela Universidade de Coimbra, chamado Paulo Dias, escreveu uma carta para os jornais, em que diz, com muita piada, que o primeiro-ministro “funde a meteorologia com a ginecologia ou a agronomia”.

É que o termo “climatérico” deriva de climatério que é a “transição para a menopausa ou ainda o amadurecimento final de frutos, como a banana.”

Esta da banana é novidade para mim, mas quanto ao climatério, conheço-o bem, profissionalmente.

Portanto, o empresário de Espinho deve pensar que é mais fino dizer climatérico do que climático.

Climático é para o povo – climatérico, é para os grandes crânios do Governo!

Oxalá Montenegro tenha os afrontamentos próprios do climatério…

“Partida”, de Julian Barnes (2026)

Este é o décimo livro que leio deste escritor britânico e, a acreditar no que ele diz, será o seu último livro. Agora com 80 anos e sofrendo de uma doença mieloproliferativa, Barnes parece satisfeito com a sua extensa obra e decidiu descansar.

Dele li “Inglaterra, Inglaterra” (1998), “Amor & Etc” (2000) “Arthur & George” (2005), “Nada a Temer” (2008), “O Papagaio de Flaubert” (2010) “O Sentido do Fim” (2011) “O Ruído do Tempo” (2016), “A Única História” (2018), “O Homem do Casaco Vermelho” (2019), “Elizabeth Finch” (2022).

Como é habitual em muitos dos seus livros, Barnes fala connosco e este “Partida” – no original “Departure(s) – parece mesmo uma conversa do autor com os seus leitores, uma conversa de fim de vida.

O livro está dividido em cinco partes: duas delas conta-nos a história de Stephen e Jean, que Barnes juntou quando frequentavam a Universidade e tornou a juntar 40 anos depois; a primeira parte fala-nos nas memórias, nomeadamente a catadupa de memórias que, muitas vezes, são despertadas por um cheiro ou um sabor; outra das partes é dedicada à doença de Barnes e às doenças em geral, sobretudo o cancro e a última parte é uma espécie de despedida.

A propósito do cancro que, estatisticamente atingirá uma em cada duas pessoas, Barnes diz, com o seu habitual humor:

“O obituário «Morreu depois de uma prolongada e corajosa luta contra o cancro» deveria ser substituído por «Morreu depois de uma prolongada e corajosa luta que o cancro manteve com ele»”

Chegado aos 80 anos, Barnes já não vai fazer uma série de coisas que poderia ter desejado fazer, mas já leva a barriga cheia e isto que ele diz, na página 136, poderia ser dito por mim:

“Será que tenho uma lista de desejos, agora que alcancei mais de três quartos de século de idade? Machu Pichu? Angkor Wat? A Antártida? Um safari em África? Não, não sou colecionador geográfico obsessivo. Estive em Ayer’s Rock (quando se chamava assim) e no deserto de Atacama, no Taj Mahal e no Grand Canyon. Pisei todas as massas de terra firme, excepto as congeladas. Por isso, prefiro voltar a vaguear pelas vilas e cidades europeias, observar o mar a partir da segurança de uma esplanada e as montanhas nevadas de uma distância em que não sinta frio”.

Mais uma leitura agradável de Julian Barnes.

Segurem-me senão sou Presidente!

O Ventura foi derrotado em toda a linha.

Diz que teve mais percentagem que a AD, mas teve menos votos.

Apesar de estar todos os dias em todos os canais televisivos, todas as rádios e todos os jornais, foi derrotado, massivamente, por um tipo que não aparecia há onze anos!

Diz que em breve vai governar este país, quando teve apenas 1,7 milhões de votos, contra os 3,5 milhões de votos que o rejeitaram.

Apesar de dizer que o Seguro era um candidato das elites e que ele, Ventura, era o candidato do povo, as elites, afinal, valem o dobro do que vale o povo.

Somos um país elitista, segundo o político de Mem Martins.

Dizia Ventura que Seguro não tinha opinião sobre nada – mesmo assim, mais de 68% dos eleitores preferiram-no, portanto, a esmagadora maioria dos portugueses não tem opinião sobre coisa nenhuma.

E Ventura acabou por ter a pior votação de um derrotado numa segunda volta.

De nada lhe serviu ir à missa – 20 minutos atrasado, aliás.

Será que o André só vai à missa nos dias em que há eleições?

E porquê naquela igreja da Baixa de Lisboa?

Será porque há estacionamento mais fácil?

Não há uma igreja no Parque das Nações, caramba?

Que fracasso que é o Ventura!…