Diz a capa do livro, citando o vencedor Pulitzer Joshua Cohen, que Kracht é “o maior escritor de língua alemã da sua geração”, e este livro foi nomeado para o Booker Prize Internacional do ano passado.
É um livro estranho. O narrador (aparentemente, o autor do livro), é filho e neto de nazis e o livro conta-nos uma viagem mais ou menos alucinada, protagonizada pelo próprio e pela sua mãe octogenária e com uma perturbação bipolar.
É difícil descrever o livro e perceber por que razão o narrador e a mãe percorrem quilómetros, num táxi, com um saco cheio de dinheiro, com a intenção de o dar a alguém.
O tom do livro é irónico, como se comprova por este pedaço:
“E a comida na Suíça, que tinha sempre um sabor muito melhor do que noutros lugares, era preparada por crianças escravas que lhe acrescentavam drogas da empresa Nestlé, para que as pessoas gostassem de comer, continuassem em actividade e fossem bons suíços. Os suíços comiam o seu Soylent Green, faziam o seu trabalho, iam dormir, acordavam no dia seguinte, e nada acontecia. Não havia música, nem filmes, nem literatura, não havia absolutamente nada na Suíça, apenas a avidez dos suíços por mais luxo, o desejo de sushi, de ténis coloridos e de Porsche Cayennes, e a construção de mais centros comerciais de bricolagem, imensos, nas aglomerações urbanas em expansão.”
E uma surpresa na página 87, com a referência à família Espírito Santo:
“Certa vez, num verão, o meu pai alugou para nós a casa da família de banqueiros portugueses Espírito Santo em Cascais, uma villa magnífica numa ponta de terra com acesso próprio ao mar.”
A ligação da família Espírito Santo a um chefe de família com ligações ao regime nazi? Deve ser tudo romantismo…
Um livro curioso, apenas isso.





