História Incorrecta

Estava o Ambientalista sentado numa esplanada, a comer um rabanete de agricultura biológica, quando veio o Preto e comeu-o. O Coxo Sádico, que ia a passar, virou-se para o Preto e disse-lhe «então comeste o Ecologista?! Ele estava a fazer-te algum mal?!»

O Preto nem teve tempo para responder. O Transgénero Disléxico atacou-o í  sorrelfa, cortando-lhe a cabeça de um só golpe.

Limpando os salpicos de sangue, o Transgénero Disléxico avançou para o Coxo Sádico, de machado na mão, pronto para novo combate. Foi quando surgiu a Lésbica Maneta e o Fumador Gordo, que rapidamente desarmaram o Transgénero Disléxico e lhe forneceram uma rajada, que o deixou moribundo.

Agradecido, o Coxo Sádico começou a fugir, mas devagar, por causa da deficiência e a Lésbica Maneta passou-lhe uma rasteira que o fez estatelar no cimento.

O Fumador Gordo riu-se com vontade, mas durante pouco tempo. O riso gelou-se-lhe nos lábios quando foi trespassado pela navalha do Careca Gago.

Foi nessa altura que o Invisual Masoquista, guiado pelo Cão Sarnento, fez explodir a bomba.

Morreram todos.

Só se salvou uma galinha.

Diário de Notícias – um clássico

Compro e leio o Público, diariamente. No entanto, aos fins-de-semana, como tenho mais tempo livre, compro também o DN (í s sextas, sábados e domingos).

Apesar de todas as mudanças gráficas, há coisas que não mudam no DN, e ainda bem.

Gosto muito, sobretudo, das chamadas “pequenas locais”. São pequenas notícias dos correspondentes do DN espalhados pelo país e são sempre deliciosas. As de hoje, por exemplo. Começo pelos títulos: “Apanhou mulheres que roubavam loja”, “Entrou na cadeia com droga nas cuecas”; “Portugueses não temem ratos espanhóis”.

Vamos aos pormenores.

A notícia das mulheres que roubavam loja vem de Aveiro: segundo Júlio Almeida, correspondente do DN, duas mulheres estavam a roubar numa loja, mas a dona da loja foi atrás delas, apanhou-as e só as largou quando chegou a polícia. Refere a notícia: “as suspeitas, de 35 anos, estavam na posse de quatro cortinados, oito camisolas, um par de calças e um colar de bijutaria”.

Isto sim, é jornalismo. Vejam o rigor desta notícia! O jornalista não se limita a dizer, por exemplo, que as ladras tinham, em seu poder, “diversos produtos roubados” – vai ao pormenor de os discriminar, elaborando uma lista detalhada. Vinte valores!

Quanto í  jovem, de 25 anos, que entrou na cadeia com droga nas cuecas, a coisa é mais complexa. A notícia vem do correspondente do DN em Vila Real, José António Cardoso. A jovem foi interceptada pelos guardas prisionais, í  entrada da prisão, onde ia visitar um familiar. Diz a notícia: “os guardas prisionais detectaram na roupa interior, concretamente nas cuecas, droga dissimulada. Foram apreendidas 1,92 gramas de haxixe e 0,47 gramas de cocaína”. Que precisão! Que detalhe!

Reparem neste pormenor: os guardas prisionais detectaram droga na roupa interior da jovem. Para qualquer jornalista de meia tigela, isto seria suficiente. Mas não para o correspondente em Vila Real. É que foi “concretamente nas cuecas”!

E não foram “cerca de 2 gramas de haxixe e meio grama de cocaína”, não senhor! Foram, exactamente, 1,92 gramas de haxixe e 0,47 gramas de cocaína – nem mais, nem menos um grama, carago! Cinco estrelas!

Finalmente, quanto í  notícia dos ratos, vem da correspondente em Bragança, Sandra Bento. Pelos vistos, existe uma praga de ratos dos campos, lá em Espanha, praga essa que poderia estar a aproximar-se do “Nordeste Transmontano” (assim mesmo, com letra grande, como vem na notícia). Claro que, se os ratos entrassem em Portugal, seria um desastre para os agricultores, mas, segundo o “director geral da Agricultura do Norte” (assim mesmo: director geral com letra pequenina e Agricultura do Norte com letra grandalhona!), a praga de ratos «não tem implicações para a agricultura portuguesa» (esta, com letra pequena).

Mais í  frente, diz a jornalista: “os agricultores portugueses raianos ainda não vislumbraram qualquer roedor nas propriedades”. Que frase linda! Os agricultores ainda não vislumbraram nenhum roedor é muito mais bonito do que, por exemplo: os agricultores ainda não viram nenhum rato. É ou não é?

O DN tem mais notícias deste género, como por exemplo, logo na primeira página, uma com o título: “Jardim Gonçalves vence guerra no BCP” e que está ilustrada pela foto de dois gerontes sorridentes, o tal Jardim, com uma gravata azul-bebé e um tal Pinhal, com uma gravata rosa-bebé.

Mas a notícia não tem graça.

Prefiro a da jovem com droga dissimulada na roupa interior, concretamente nas cuecas.

Português assalta yankees

A notícia vem no DN: pelo menos 15 lojas e bancos, em 13 estados norte-americanos, receberam ameaças de bomba, durante a última semana. A ameaça é feita pelo telefone e o bandido exige dinheiro, em troca da desactivação da bomba. Já terá conseguido mais de 10 mil dólares.

Até aqui, nada de especial.

Agora, o que espanta é que as chamadas telefónicas, aparentemente, são feitas a partir de Portugal.

Segundo a notícia, que cita a CNN e o New York Times, o português liga para o banco ou para a loja escolhida, diz que está lá uma bomba pronta a explodir, a menos que lhe transfiram alguns dólares para uma determinada conta. Pelo sim, pelo não, o proprietário vai na conversa, até porque o saque exigido nunca é muito elevado.

Digam lá se, ou não, um bom truque?

Bom, e agora fico por aqui; desculpem lá, mas tenho que ir fazer um telefonema importante.

10 dias sem fumar

Sem ansiedade, sem irritabilidade, sem vontade de matar ninguém.

É certo que algumas pessoas têm cara de cigarro e, por vezes, era capaz de fumá-las, mesmo sem filtro – mas a vontade passa-me depressa.

Portanto, o Champix resulta. Está provado. Em 39 anos, nunca tinha estado mais do que 24 horas sem fumar.

Mas tenho cá umas saudades!…

Macário, o malandreco

Macário Correia, presidente da Câmara de Tavira, é acusado de assédio sexual por uma funcionária da Câmara.

E eu que nunca tinha pensado que Macário Correia pudesse ter uma pilinha!…

Não quero com isto insinuar que Macário tenha feito seja o que for de menos próprio, com a sua pilinha. A funcionária acusadora, diz que ele a apalpou e tal, pouco mais.

Macário respondeu, dizendo que a senhora não estava boa da cabeça, mas o psiquiatra da senhora assevera, em atestado, devidamente assinado, que ela não sofre de nenhuma psicose esquizofrénica.

O malandreco do Macário, hein?

Lembram-se que foi ele quem disse aquela frase célebre: “…beijar a boca de uma mulher que fume é como lamber um cinzeiro”.

Foi baseado nesta frase, se criaram os grandes aforismos da actualidade: “…beijar uma mulher que bebe, é como lamber um alambique”, “…beijar uma mulher que snifa coca, é como lamber o mapa da Bolívia”, “…beijar uma lésbica é como fazer cunilingus” (o que não me parece mal…), “…beijar uma mulher sindicalizada, é como lamber o Carvalho da Silva”, “…beijar uma ecologista, é como lamber os efluentes de uma ETAR”, etc…

Depois de algum tempo como deputado, Macário retirou-se para o Algarve, onde foi eleito presidente da Câmara, e por lá se tem mantido, a deixar crescer a barriga.

E agora, que foi nomeado porta-voz de Marques Mendes, é que surge este escândalo.

Diga-se, de passagem, que também não sei por que carga de água Marques Mendes precisa de um porta-voz. Será que há coisas de que ele prefere não falar e manda o Macário falar por ele?

Se quisermos ser moderadamente paranóicos, poderemos ir í  procura de uma ligação entre a funcionária que acusa Macário de assédio e a candidatura de Luís Filipe Menezes.

Mas não é isso que me interessa.

O que me interessa mesmo é imaginar Macário a assediar sexualmente seja quem for…

Apelidos – 3

Juntei mais sete apelidos impagáveis, sendo que um deles não é um verdadeiro apelido, mas um nome completo – daqueles que marcam qualquer um.

Aqui vão eles:

– Grelixa Carapeta

– Mataloto Siquenique

– Borrego dos Castelos Pinho

– Fidel Leitão Marquês Dalva

– Agapito Costa Belga

– Cartaxo Pio Panela

– Fonseca Pombinho de Deus

Mais do que a estranheza dos apelidos, é a sua conjugação que nos faz sorrir: um Borrego dos Castelos ou um Pombinho de Deus são, de facto, extraordinários, mas que dizer de um Fidel Leitão que, ainda por cima, é Marquês Dalva?