Cristo em doses industriais

Segundo o Público de hoje, acabou a produção manual de hóstias no Mosteiro da Senhora das Mercês, na ilha Terceira. A partir de agora, as irmãs clarissas passam a usar máquinas industriais para fabricar o Senhor.

A irmã Verónica explicou que, com as novas máquinas, o Mosteiro é capaz de produzir 60 mil hóstias por semana.

O corpo de Deus em quantidades industriais!

Claro que a ilha Terceira não consome assim tantas hóstias, portanto, as irmãs exportam o corpo de Cristo para as restantes ilhas dos Açores e ainda ganham algum.

Para quem estiver interessado, aqui ficam os preços (sempre segundo o Público de hoje – não estou a inventar nada):

– sacos de 50 hóstias – 3 euros

– sacos de 500 hóstias – 5 euros

– sacos de 1000 hóstias – 7 euros

Como se percebe, sai muito mais barato comprar logo um saco com mil hóstias. Dá para uma família comungar todos os dias durante quase um ano!

Resta acrescentar que as irmãs clarissas vivem em reclusão e, portanto, as encomendas têm que ser feitas pelo telefone.

Infelizmente, o Público não revela o número de telefone, mas penso que se telefonarem para o jornal, talvez consigam o contacto da irmã Verónica. Aqui fica o telefone do Público: 21 011 10 00.

Fernando Santos e o Benfica triste

Sou do Benfica desde o tempo em que brincava com barquinhos de papel nas poças de água que os funcionários da Junta de Freguesia faziam, em redor dos grandes troncos das árvores da avenida Gomes Pereira. Ainda alguém se lembra do tempo em que funcionários públicos regavam as árvores das ruas da cidade? Claro que quase ninguém se lembra disso. Nesse caso, já estão a ver há quanto tempo sou do Benfica.

Vi jogar o í‚ngelo, o Cávem, o Costa Pereira, o Germano, o Coluna, o José íguas, o José Augusto, o Simões, o Eusébio, o Torres.

E muitos outros, depois deles.

E nunca vi o Benfica tão triste como agora, treinado pelo Fernando Santos.

Triste, deprimido, sem garra, sem chama.

Ontem, o Rui Costa ganhou 2-1 ao Copenhaga e Fernando Santos disse: «entrámos bem, com personalidade e a trocar bem a bola. Controlámos o jogo e depois a incapacidade de Luisão marcou a partida, porque sentimos que a equipa se desorientou. Ao intervalo, reorganizei a equipa e na segunda parte controlámos mais.»

De que jogo falava F. Santos?

Não, certamente do de ontem.

O homem é triste e está a transformar o Benfica numa equipa triste.

Prefiro um Benfica a perder, mas com alegria, do que este Benfica cinzento.

Não há por aí alguém com paciência para iniciar uma petição para despedir mais este engenheiro?

Estou farto de engenheiros, caramba!

As bolas de Berlim não passarão!

Portugal está ameaçado.

Estranhas organizações estrangeiras querem corromper o nosso povo. Ínvias coligações brasileiro-marroquino-búlgaras querem envenenar-nos.

Felizmente, temos a ASAE!

Com o apoio da Marinha, GNR e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, os garbosos ASAE apreenderam, em Albufeira, quatro mil bolas de Berlim, impróprias para consumo. Um grupo tenebroso de emigrantes ilegais, provenientes de Marrocos, Bulgária e Brasil, preparavam-se para as introduzir no mercado nacional, provocando caganeiras monumentais aos veraneantes algarvios.

Mas podemos dormir descansados.

A ASAE e seus aliados velam por nós.

As bolas de Berlim não passarão!

Publicidade idiota

Estou farto dos spots idiotas, armados ao pingarelho. Quem disse que a publicidade tinha que ter graça? E quem disse aos criadores destas aberrações, que eles têm graça?

A TSF está cheia desses spots idiotas. E eu, feito burro, oiço-os várias vezes ao dia, porque tenho a mania de ouvir notícias. Acordo í s 7 da manhã com um idiota a gritar “adelante, Costa Santos!”, num estúpido spot í  Optimus. Cheira-me que é o mesmo idiota que grita, logo a seguir, “olhó o livro fresquinho”, num spot ao DN. E o mesmo tipo, ou alguém com uma voz parecida, ainda anuncia a “tenda do Adelino”, onde se vendem impressoras pintadas í  pistola, num spot í  Staples.

Como já repararam, sei os spots de cor. Pudera! Oiço-os í s 7 horas, ao acordar, í s 8 horas, já a caminho do Centro de Saúde, í s 13 horas, quando vou almoçar, í s 14 horas, quando regresso ao Centro, í s 17 ou í s 18 horas, quando regresso a casa e í  meia-noite, quando estou a ler o meu livro, antes de dormir.

Estou farto!

Claro que posso desligar o cabrão do rádio ou mudar a puta da sintonia, mas o que está em causa, aqui, é a suprema idiotice destes spots. Será que o Belmiro de Azevedo ouviu o spot, antes de o aprovar para a Optimus? E o director do DN achará que o spot do “olhó livro fresquinho” dignifica a imagem de um dos diários mais antigos de Portugal? Quanto aos donos da Staples, já não digo nada, porque os spots desta firma sempre foram idiotas.

Na televisão, é a mesma mediocridade.

Há um gordo que, num anúncio a uma seguradora que oferece um GPS, diz que sempre se guiou pelas “árvores, pelas casas, até pela vaca”. Pela vaca? Será pela vaca da prima dele?

E depois há um crooner que canta “Moviflor”, enquanto dois gordos sebosos, que parecem gémeos, fazem coro, lá atrás, em “chuás-chuás”, que exalam lípidos por todos os poros.

“Na tua casa, ou na minha?”, pergunta uma loura deslavada a um António Feio, que já tem idade para ter juízo. E lá vai ele a correr e, em 5 segundos, consegue o empréstimo para a casa, para ir dar uma queca na loura. Acho que o anúncio é ao Montepio, mas tanto faz, porque a publicidade dos bancos é, em geral, de uma mediocridade que faz doer os dentes do siso.

Fazer humor, não é fácil, todos o sabemos. Se os publicitários tivessem graça, seriam todos humoristas, em vez de andarem a fazer fretes nas agências de publicidade.

A tristeza do humor na rádio e televisão (tirando alguns momentos, cada vez mais raros, dos Gato Fedorento) é de uma pobreza franciscana.

Mas percebe-se: com tantos anúncios engraçados, as estações de rádio e televisão acham que não vale a pena fazer programas de humor.

Caso contrário, nós, ouvintes e espectadores, ainda arranjávamos alguma hérnia inguinal, de tanto rir.

Sinais do apocalipse

Cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestiniano, condenados í  morte, na Líbia, foram expatriados para a Bulgária, a bordo de um avião do governo francês.

Vinte e três sul-coreanos foram raptados por guerrilheiros, no Afeganistão.

Uma emigrante portuguesa foi violada repetidamente por um escocês, que se fazia passar por agente secreto.

Um chileno, um francês e um neozelandês, morreram ao fazer alpinismo no Monte Branco, em França.

Ao pedirem, ao futuro primeiro-ministro belga, para cantar “La Brabançonne”, o hino nacional belga, Leterne trauteou “A Marselhesa”.

O bandido mais procurado pelas autoridades espanholas foi preso na Figueira da Foz.

Em Inglaterra, quase meio milhão de pessoas estão sem água potável.

O Benfica vendeu o Simão Sabrosa.

Vantagens de Luis Filipe Menezes versus Marques Mendes

É mais alto.

Como médico pediatra, fez um grande favor í s crianças de Gaia, ao dedicar-se só í  política.

Troca os “vês” pelos “bês”, o que é bom, em caso de bitória.

Tem três nomes, como Luís Filipe Vieira e Nuno Pinto da Costa, o que é mais selecto.

Embora não tenha tanta graça quanto Santana Lopes, é muito mais engraçado que Marques Mendes.

Quando se veste í  Mourinho, o sobretudo não arrasta pelo chão.

Já é presidente de uma Câmara.

Se ganhar, é muito provável que os verdadeiros sociais-democratas adiram, finalmente, ao PS e os liberais, ao CDS-PP.

É mesmo muito mais alto.

As três falsas pragas

Andam a enganar-nos.

Metem-nos medo com ameaças cataclísmicas, nós trememos, encolhemo-nos, amedrontamo-nos.

Depois, o tempo vai passando e nada acontece.

Três exemplos:

1. Incêndios – não há. Compraram-se aviões especiais e helicópteros formidáveis, distribuíram-se kits anti-incêndio pelas juntas de freguesia e, afinal, tudo o que arde são pneus e fábricas de têxteis. As florestas – nada.

2. Onda de calor – desde Maio que a Direcção Geral da Saúde anda a fazer levantamentos dos idosos em risco de morrerem de calor.

E onde está o calor? Emigrou para a Roménia.

3. E ainda alguém se lembra da gripe das aves? Era suposto que matasse cerca de 2,5 milhões de portugueses. Mais uma vez, a DGS antecipou-se í  catástrofe e comprou toneladas de Tamiflu, o medicamento da Roche capaz de matar o vírus da gripe das aves.

E afinal – nada.

Uma pequena curiosidade: sabem quem detém os direitos do Tamiflu?

Consultem http://www.globalresearch.ca/index.php?
context=viewArticle&code=%20ME20051026&articleId=1148

E descobrirão que o Sr. Rumesfeld – sim, o mesmo que inventou as armas de destruição maciça, no Iraque – é chairman da Gilead Sciences, que detém os direitos do Tamiflu.

Dá que pensar, não?

O aborto da Madeira

Imaginem um tribunal no Tenessee, em que os juízes que julgam arguidos negros, pertençam ao Ku Klux Kan.

Imaginem israelitas a julgar palestinianos e vice-versa.

Imaginem um grupo de ateus a seleccionar candidatos ao seminário.

Imaginem olheiros do Benfica a escolher reforços para o Sporting.

Pois tudo isso poderia acontecer, por exemplo, na República Albertiana da Madeira.

No Hospital Central do Funchal existe uma comissão de ética. Cabe a esta comissão de ética decidir a favor, ou contra, a realização, nesse hospital, de interrupções da gravidez.

Dessa comissão de ética fazem parte, para além de médicos e enfermeiros, um juiz (Sílvio Sousa) e – espantem-se! – um padre católico, o padre José Manuel, capelão do hospital.

Sempre que um pedido para a interrupção de uma gravidez chega í  comissão de ética do Hospital do Funchal, qual será o voto do padre Zé Manel?

Quando é que dão a independência í quela coisa, afinal?

Um Costa no Castelo

Todos os eleitores do novo presidente da Câmara de Lisboa não eram suficientes para encher o estádio da Luz.

Foi impressão minha ou, no domingo í  noite, Marques Mendes parecia mais baixinho?

Paulo Portas conseguiu acabar com o partido do táxi. Agora, nem de mota.

Manuel Monteiro – quem é?

Carmona e Roseta formaram Movimentos de Cidadãos. Esperemos que continuem em movimento.

Menos de meio lisboeta em cada cem, votou no PPM e, por isso, tem uma costela monárquica. Não dá, sequer, para uma grelha costal completa.

Felizmente, vivo em Almada.

O Estado protector

Vasco Pulido Valente, hoje, no Público: «Não sei como a minha geração, que viveu em permanente perigo de morte, conseguiu chegar í  idade adulta. (…) Quando, em 1940 ou 50, comecei a ir í  praia, comia bolas-de-berlim, com a criminosa colaboração da minha família. Aparecia a D. Aida com a sua lata e, em dez minutos, lá iam duas bolas a escorrer de creme, sem qualquer investigação ou autorização do Estado. O estado, nessa altura, não se interessava pela minha saúde».

Escreve ele isto, a propósito de mais uma intervenção da ASAE, desta vez atacando os vendedores de bolas-de-berlim, nas praias. Agora, as ditas bolas têm que estar acondicionadas em malas térmicas, í  temperatura de 7 graus, têm que ser servidas com pinças e os vendedores têm que ter um curso de manuseamento.

O Estado vela por nós. Cada vez mais.

Também eu gostava muito de bolas-de-berlim com creme, com muito creme. Também eu não sei como sobrevivi, embora me recorde, perfeitamente, de estar, de pé, agarrado a um varão, junto í  saída de um daqueles autocarros de dois andares da Carris, enjoadíssimo, aproveitando os solavancos do veículo, para vomitar, para a estrada, uma bola-de-berlim com creme, comida, horas antes, na praia.

Mas o Estado vela por nós. Cada vez mais.

Cientistas britânicos entregaram-se, recentemente, a um estudo verdadeiramente arrepiante. Arranjaram um programa informático qualquer, capaz de calcular o número de pessoas que não morreriam, se determinados produtos alimentares tivessem impostos mais altos. Já não me lembro dos números, mas era qualquer coisa do género: se aumentassem os impostos sobre o sal, poupavam-se xis mortes; se também se taxasse o açúcar, poupavam-se mais xis mortes; se se juntassem as gorduras, poupavam-se mais não sei quantas mortes. E assim sucessivamente.

Cheira-me a George Orwell.

O Estado preocupa-se, cada vez mais com a nossa saúde, não acham?

Peço desculpa, mas eu acho isto assustador.

O facto de existir, algures em Bruxelas, ou em Lisboa, um grupo de burocratas que decide o que é bom ou é mau, para mim, deixa-me incomodado.

Sobretudo, porque esses tipos não têm coragem para serem o que, no fundo, são – isto é, ditadores. E dizerem, por exemplo: as bolas-de-berlim passam a ser proibidas. Acabou-se a brincadeira! Se querem comer bolas-de-berlim, comprem-nas no mercado negro e comam-nas í s escondidas!

A mim, já nem me faz diferença. Há muitos anos que deixei, naturalmente, de comer bolas-de-berlim.

Não precisei que o Estado me educasse…