As três falsas pragas

Andam a enganar-nos.

Metem-nos medo com ameaças cataclísmicas, nós trememos, encolhemo-nos, amedrontamo-nos.

Depois, o tempo vai passando e nada acontece.

Três exemplos:

1. Incêndios – não há. Compraram-se aviões especiais e helicópteros formidáveis, distribuíram-se kits anti-incêndio pelas juntas de freguesia e, afinal, tudo o que arde são pneus e fábricas de têxteis. As florestas – nada.

2. Onda de calor – desde Maio que a Direcção Geral da Saúde anda a fazer levantamentos dos idosos em risco de morrerem de calor.

E onde está o calor? Emigrou para a Roménia.

3. E ainda alguém se lembra da gripe das aves? Era suposto que matasse cerca de 2,5 milhões de portugueses. Mais uma vez, a DGS antecipou-se í  catástrofe e comprou toneladas de Tamiflu, o medicamento da Roche capaz de matar o vírus da gripe das aves.

E afinal – nada.

Uma pequena curiosidade: sabem quem detém os direitos do Tamiflu?

Consultem http://www.globalresearch.ca/index.php?
context=viewArticle&code=%20ME20051026&articleId=1148

E descobrirão que o Sr. Rumesfeld – sim, o mesmo que inventou as armas de destruição maciça, no Iraque – é chairman da Gilead Sciences, que detém os direitos do Tamiflu.

Dá que pensar, não?

O aborto da Madeira

Imaginem um tribunal no Tenessee, em que os juízes que julgam arguidos negros, pertençam ao Ku Klux Kan.

Imaginem israelitas a julgar palestinianos e vice-versa.

Imaginem um grupo de ateus a seleccionar candidatos ao seminário.

Imaginem olheiros do Benfica a escolher reforços para o Sporting.

Pois tudo isso poderia acontecer, por exemplo, na República Albertiana da Madeira.

No Hospital Central do Funchal existe uma comissão de ética. Cabe a esta comissão de ética decidir a favor, ou contra, a realização, nesse hospital, de interrupções da gravidez.

Dessa comissão de ética fazem parte, para além de médicos e enfermeiros, um juiz (Sílvio Sousa) e – espantem-se! – um padre católico, o padre José Manuel, capelão do hospital.

Sempre que um pedido para a interrupção de uma gravidez chega í  comissão de ética do Hospital do Funchal, qual será o voto do padre Zé Manel?

Quando é que dão a independência í quela coisa, afinal?

Um Costa no Castelo

Todos os eleitores do novo presidente da Câmara de Lisboa não eram suficientes para encher o estádio da Luz.

Foi impressão minha ou, no domingo í  noite, Marques Mendes parecia mais baixinho?

Paulo Portas conseguiu acabar com o partido do táxi. Agora, nem de mota.

Manuel Monteiro – quem é?

Carmona e Roseta formaram Movimentos de Cidadãos. Esperemos que continuem em movimento.

Menos de meio lisboeta em cada cem, votou no PPM e, por isso, tem uma costela monárquica. Não dá, sequer, para uma grelha costal completa.

Felizmente, vivo em Almada.

O Estado protector

Vasco Pulido Valente, hoje, no Público: «Não sei como a minha geração, que viveu em permanente perigo de morte, conseguiu chegar í  idade adulta. (…) Quando, em 1940 ou 50, comecei a ir í  praia, comia bolas-de-berlim, com a criminosa colaboração da minha família. Aparecia a D. Aida com a sua lata e, em dez minutos, lá iam duas bolas a escorrer de creme, sem qualquer investigação ou autorização do Estado. O estado, nessa altura, não se interessava pela minha saúde».

Escreve ele isto, a propósito de mais uma intervenção da ASAE, desta vez atacando os vendedores de bolas-de-berlim, nas praias. Agora, as ditas bolas têm que estar acondicionadas em malas térmicas, í  temperatura de 7 graus, têm que ser servidas com pinças e os vendedores têm que ter um curso de manuseamento.

O Estado vela por nós. Cada vez mais.

Também eu gostava muito de bolas-de-berlim com creme, com muito creme. Também eu não sei como sobrevivi, embora me recorde, perfeitamente, de estar, de pé, agarrado a um varão, junto í  saída de um daqueles autocarros de dois andares da Carris, enjoadíssimo, aproveitando os solavancos do veículo, para vomitar, para a estrada, uma bola-de-berlim com creme, comida, horas antes, na praia.

Mas o Estado vela por nós. Cada vez mais.

Cientistas britânicos entregaram-se, recentemente, a um estudo verdadeiramente arrepiante. Arranjaram um programa informático qualquer, capaz de calcular o número de pessoas que não morreriam, se determinados produtos alimentares tivessem impostos mais altos. Já não me lembro dos números, mas era qualquer coisa do género: se aumentassem os impostos sobre o sal, poupavam-se xis mortes; se também se taxasse o açúcar, poupavam-se mais xis mortes; se se juntassem as gorduras, poupavam-se mais não sei quantas mortes. E assim sucessivamente.

Cheira-me a George Orwell.

O Estado preocupa-se, cada vez mais com a nossa saúde, não acham?

Peço desculpa, mas eu acho isto assustador.

O facto de existir, algures em Bruxelas, ou em Lisboa, um grupo de burocratas que decide o que é bom ou é mau, para mim, deixa-me incomodado.

Sobretudo, porque esses tipos não têm coragem para serem o que, no fundo, são – isto é, ditadores. E dizerem, por exemplo: as bolas-de-berlim passam a ser proibidas. Acabou-se a brincadeira! Se querem comer bolas-de-berlim, comprem-nas no mercado negro e comam-nas í s escondidas!

A mim, já nem me faz diferença. Há muitos anos que deixei, naturalmente, de comer bolas-de-berlim.

Não precisei que o Estado me educasse…

Apelidos – 2

Ora aqui vão mais uns quantos apelidos curiosos:

– Reis Dias Maneta

– Guerreiro Botão

– Valente Clara

– Marmeleiro Sapo

– Banheiro Corrula Caleia

– Jesus Velhinho

– Cravo Amiguinho

Que Jesus é Velhinho, já nós sabíamos, agora: como será uma Valente Clara? Será mais forte que uma valente gema?

O Cravo Amiguinho também já conhecia (“cravo, amigo, o povo está contigo!”), mas nunca ouvi falar de um Marmeleiro Sapo ou de um Guerreiro Botão.

Continuarei í  coca…

Sport Beijing e Benfica

Um grupo económico chinês quer comprar o Benfica.

Como me disse o Pedro, “os encarnados vão, finalmente, ser vermelhos”.

Um Benfica chinês? Por que não?

O capitão da equipa passará a chamar-se Si Mao Tsé-Tung.

Na baliza, estará Kim, claro e, com pequenas adaptações, todo o plantel se poderá manter: Lu-i Sao, Mao Torras, Peh Ti, Rui Kos-Tah…

Só o treinador, Fernando Santos, não se safa, nem que lhe mudem o nome para Lin Piao.

Vantagens de um Benfica chinês?

Muitas!

Bilhetes para os jogos í  venda em qualquer loja dos 300, a um euro. Fogo-de-artifício mais barato para a festa do título. Os adversários todos com os olhos em bico, perante os dribles dos vermelhos.

E a principal: acabar com essa mariquice do equipamento cor-de-rosa.

Como se dizia da China, no tempo do Bando dos Quatro (Vieira, Vilarinho, Santos e Berardo) – o Benfica, de Mao a Piao.

Ratzinger ao volante

Que alívio! Deus Nosso Senhor, através do Vaticano, revelou-nos, finalmente, os Dez Mandamentos da Condução!

A partir de agora, todos ficamos a saber o que é pecado, a bordo de um automóvel.

Obrigado, Ratzinger!

Não resisto a transcrever os 10 Mandamentos da Condução porque, sinceramente, já não me ria assim há muito tempo.

Ora, tomem lá:

1º – “Não matarás”- (até aqui, nada de novo…)

2º – “Que a estrada seja para ti um instrumento de comunhão entre as pessoas e não de dano mortal”(vamos passar a distribuir hóstias entre o maralhal, na fila da Ponte sobre o Tejo)

3º – “Cortesia, correcção e prudência ajudam a superar os imprevistos” – (Afinal, queres virar para a esquerda ou para a direita, meu herege de merda, que nem o pisca ligas!)

4º – “Seja caridoso e ajude o próximo na necessidade, especialmente se for vítima de um acidente” – (Aleijaste-te? Coitadinho! Para a próxima não tentes ultrapassar-me, meu huguenote dum cabrão!)

5º – “Que o automóvel não seja para ti expressão de poder e domínio e ocasião de pecado” – (Querida, não queres saltar para o banco de trás? É pecado? Então, dou-te uma trancada mesmo aqui… cuidado com a manete das mudanças, filha…)

6º – “Convença com caridade os jovens e os que já não o são para que não dirijam sem condições de fazê-lo” – (í“ minha besta! Então não vês que já nem te aguentas em pé? Deixa estar, que eu conduzo! Afinal, só bebi duas grades de mines!)

7º – “Preste apoio í s famílias das vítimas dos acidentes” – (Coitadinha… então o seu marido ficou decapitado num acidente? Salta para o banco de trás, que eu já te consolo… Ah! É pecado! Então é mesmo aqui… cuidado com a manete de mudanças, não vá ela enfiar-se onde não deve…)

8º – “Reúna a vítima com um motorista agressor em um momento oportuno para que possam viver a experiência libertadora do perdão” – (Ajoelha-te, motorista dum cabrão! Agora, compensa a vítima, coitadinha… e toda a sua família!)

9º – “Na estrada, guie o mais fraco” – (Que o mais forte está ocupado, no banco de trás…)

10º – “Sinta-se responsável pelos demais” – (Eu sei que não tenho a culpa destes tipos não saberem conduzir, mas deixe-me compensá-la pelos erros dos outros… que tal no banco de trás?…)

Enfim, mais de 100 anos depois de ter sido inventado o automóvel, o Vaticano define os 10 Mandamentos para uma Condução Católica e Apostólica.

Resta-nos aguardar os 10 Mandamentos para o Bom Uso dos Vibradores, que foram inventados, mais ou menos, na mesma altura.

(Os comentários não são da responsabilidade do Ratzinger.

Jacinto Leite Capelo Rego

Caso “Portucale”: suspeitas de tráfico de influências na aprovação de um empreendimento turístico do Grupo Espírito Santo, em Benavente, no tempo do governo do Sr. Lopes.

Simplificando: em troca da aprovação do empreendimento, algum dinheirinho entraria nos cofres do CDS-PP, de Paulo Portas. O então ministro da Agricultura, Costa Neves, já está constituído arguido mas, como é costume nestas coisas, diz estar de consciência tranquila. Os laboratórios de benzodiazepinas não fazem negócio com os arguidos portugueses. Todos de consciência tranquila, nunca precisam de um alprazolam para dormir melhor.

A PJ foi í  sede do CDS e sacou recibos dos donativos que, então, foram entregues ao partido de Portas, todos no valor de um milhão de euros.

Dos vários recibos apanhados pela PJ, havia um, no valor de 300 euros que despertou a curiosidade dos agentes. Ao que pareceu, um tal Jacinto Leite Capelo Rego (leia-se: já sinto leite cá pelo rego) doou 300 euros ao CDS-PP. Revelador…

Talvez por pudor, a PJ não divulgou os nomes de outros dadores generosos: Maria Gustava dos Prazeres e Morais, Ir Aoku Saykaro, Marie Bate Mápunhete e Táta Ky Tate Apoulos.

Como é que Paulo Portas consegue continuar a ter aquela cara de senhor respeitável quando é líder de um partido, cujos militantes ainda devem cantar, nas reuniões de angariação de fundos: “Minha tia Teodora/ cu para dentro, cu para fora/ com as tetas a abanar!”?

Albânia – o farol fundido

George Bush visitou a Albânia e foi recebido por multidões delirantes. Tenho provas. Vi fotografias de Bush a ser abraçado por albaneses sorridentes e exultantes. Vi reportagens em que jovens albanesas, com ar perfeitamente normal, diziam “Bush is the best president of the world”. A sério!

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, como dizia o Luiz Vaz.

Lembram-se quando a Albânia era apelidada de “o farol do comunismo na Europa?”

Foi no tempo de um senhor chamado Enver Hodja.

Eu lembro-me.

Maria José Morgado, Pacheco Pereira, Durão Barroso e Garcia Pereira, por exemplo, também se devem lembrar.

Mas os albaneses de hoje já se esqueceram de Hodja e da treta do farol. O que eles querem é que a América de Bush continue a investir no país e que patrocine a independência do Kosovo.

No entanto, no melhor pano cai a nódoa. Então não é que, no meio dos abraços e das saudações, algum albanês anti-Bush fanou o relógio ao George!

As imagens estão no YouTube (procurem em “Pres Bush stollen watch in Albania”).

Segundo os jornais, o relógio era um simples Timex, de 50 dólares.

Os albaneses são uns totós!

Ota era melhor…

Então, afinal, parece que já não vai ser na Ota. Agora, Alcochete é que é.

Acho mal.

Ota ficava melhor, como aeroporto internacional – toda a gente é capaz de dizer «Ota», dos francófonos aos anglo-saxónicos, dos árabes aos aborígenes.

Agora, peçam a um inglês para dizer «Alcochete» e vão ver a confusão que vai ser. O tipo terá que dobrar a língua de tal modo, que acaba por preferir aterrar em Madrid.

E depois, há sempre o perigo dos americanos olharem para o nome (Al Cochete) e pensarem que é algum aeroporto da Al Qaeda.

Invasão í  vista.