Cavaquistão

Quando Cavaco foi eleito Presidente, o meu neto ainda nem sequer existia. Quando Cavaco terminar o seu segundo mandato, o meu neto estará perto de terminar o Ensino Básico.

Isto traumatiza qualquer pessoa!

Mas há mais…

Estávamos em 1985 e tínhamos um cocker, chamado Gin Tónico.

No terraço da nossa casa, bastava que apontássemos para o horizonte e gritássemos “Gin! Olha o Cavaco!” e logo o fiel Gin corria, que nem um desalmado, de um lado para o outro, ladrando furiosamente. Se o Cavaco ali se materializasse subitamente, seria estraçalhado pelas mandíbulas do cocker. Seguramente!

O pobre do Gin morreu em 2000 e o Cavaco continuou…

Foi em novembro de 1985 que Cavaco se tornou primeiro-ministro e, desde então, não mais deixou de nos azucrinar a cabeça.

E ainda o vamos aturar mais 5 anos!

Diz ele que não é político profissional…

Faria se fosse!

Exemplar

Por decisão da ministra Dulce Pássaro, a partir de agora, no Ministério do Ambiente vai-se consumir, exclusivamente, água da torneira.

Parece-me correcto.

Sendo assim, no Ministério da Saúde só se puxam os autoclismos ao quinto chi-chi.

No Ministério da Defesa acabam-se os aspiradores – os gabinetes serão limpos com uma esfregona.

No Ministério dos Assuntos Parlamentares, o papel higiénico será substituído pelas sobras do Diário da República.

Para comunicarem entre si, os Ministérios deixam de usar fax e telemóvel, optando por walkie-talkies do Toys’r’ur, numa primeira fase e depois, quando novas medidas de austeridade forem necessárias, sinais de fumo.

E para economizar ainda mais, acaba-se com o Ministério da Economia.

Ena cum Catroga!

Toda a gente se lembra de Eduardo Catroga, o tal ex-ministro cavaquista que negociou o PEC com o Teixeira dos Santos.

Pois agora, o economista está a preparar o programa eleitoral do PSD, a pedido do Passos Coelho, ao mesmo tempo que faz parte da candidatura de Godinho Lopes í  presidência do Sporting.

Aliás, é curiosa a quantidade de barões do PSD que são sportinguistas… Loosers!…

Para além de Catroga, também í‚ngelo Correia apoia Godinho Lopes, enquanto Santana Lopes está ao lado de Pedro Baltazar.

Como é possível que um clube tão í  nora, como o Sporting, tenha já seis candidatos í  presidência. Faz lembrar a Guiné-Bissau…

Mas enfim, deixá-los entregues í  sua depressão…

O que me preocupa é se o Catroga troca os programas eleitorais e ainda acabamos por financiar a compra de jogadores para os lagartos com o nosso IRS…

Romenos, outra vez

Aqui há uns tempos, um tipo qualquer da 4Ever Kids foi notícia porque foi ajudar um grupo de romenos que viviam nos baldios junto í  ETAR da Cova da Piedade. Não sei se ele foi levado pelos romenos, se foi ele que levou a comunicação social, mas o que passou cá para fora foi que os coitadinhos tinham vindo para Portugal ao engano de um contrato de trabalho que não se efectivou!…

Como se alguém acreditasse que aqueles tipos tivessem atravessado toda a Europa para virem trabalhar para um país com 11% de taxa de desemprego!…

Enfim… os romenos já lá estavam e lá continuam… Se não são os mesmos, pelo menos a muleta que eles usam para fazerem de conta que são coxos, mantém-se a mesma.

O tal senhor da 4Ever kids foi muito aplaudido por jornalistas incautos, que não devem sair das redacções, e que paparam aquilo tudo como verdadeiro, sem consultarem outras fontes, como seria sua obrigação como jornalistas.

Ainda ontem passei por lá, e os romenos lá continuam.

Então, enviei este mail ao Sr. Fernando Madrinha, do Expresso, um dos jornalistas que louvou o tipo da 4Ever kids.

“Caro Fernando Madrinha:

Há uns tempos, o senhor louvou, na sua coluna semanal, a iniciativa de um senhor muito bonzinho que foi até í  Cova da Piedade e resgatou meia dúzia de romenas que por lá viviam em condições sub-humanas. Graças aos esforços desse senhor muito bonzinho, os romenos, que teriam vindo para Portugal, enganados por falsas promessas de trabalho, foram repatriados e tudo acabou em bem.

O Sr. Madrinha não fez o trabalho de casa, isto é, acreditou no que parecia ser. Mas, como qualquer jornalista devia saber, nem sempre o que parece, é.

Há anos que os romenos ocupam os baldios junto ao arsenal do Alfeite, perto da ETAR da Cova da Piedade. Basta consultar este link.

Se o Sr. Madrinha enviar um repórter do Expresso até í quele local, encontrará mais um grupo de romenos. Serão os mesmos? Isso não lhe garanto. Garanto-lhe que a muleta que usam para fingir que são coxos e assim obterem umas esmolas dos corações mais empedernidos, essa é a mesma. Todas as manhãs, pelas 6h30, é ver um grupo de romenos a percorrer a Avenida Aliança Povo-MFA, que liga a Cova da Piedade a Cacilhas; um deles, com a muleta í s costas. Vão apanhar o cacilheiro para Lisboa, onde passam o dia a esmolar. Ao fim da tarde, regressam aos baldios, trazendo sempre algo que “recoletam”, um colchão velho, uma caixa de cartão, um cobertor.

Sr. Madrinha: não quererá avisar o tal senhor bonzinho? Há mais romenos para ele salvar…

200 post, 200 fotos

Já Lá Estive, o meu blog de viagens, atingiu os 200 post e as 200 fotos, com o nosso passeio por Alcobaça, Nazaré, Batalha e Mira de Aire.

São 200 textos curtos, ilustrados pelas 200 respectivas fotos, de outros tantos sítios por onde já passei, em Portugal, Espanha, França, Itália, Grã-Bretanha, Irlanda, Holanda, Bélgica, Suíça, íustria, República Checa, Eslováquia, Hungria, Alemanha, Suécia, Finlândia, Estónia, Letónia, Rússia, Grécia, Cabo Verde, Quénia, Marrocos, Egipto, Índia, China, Estados Unidos, Canadá, Chile, Brasil, Argentina, Uruguai, Costa Rica, Peru, Austrália, Polinésia Francesa.

E falta tanto!…

Parvoíces

Então sempre vamos ter a nossa manifestação parva, convocada através do Facebook, í  imagem da revolução egípcia.

Os parvos, isto é, a malta que não se importa que lhe chamem “geração parva”, irão para a Praça Al Tahrir cá do sítio, manifestar-se contra esta sociedade onde, segundo o inspiradíssimo poema da canção dos Deolinda, “para ser escravo é preciso estudar”…

Confesso que o primeiro álbum dos Deolinda até me entusiasmou; mas esta cançoneta que, de repente, serve de bandeira a algo que ninguém sabe o que é, a mim é que me deixa parvo.

A pobreza da letra é confrangedora, mas glorificada nas páginas dos jornais e nos blogs por tipos que dizem fazer parte desta geração “í  rasca” – geração que, voltando aos versos, é “sem remuneração” mas que, afinal “ainda me falta o carro pagar”.

Sempre gostava de saber qual é o escravo que, sem remuneração, tem um carrito…

Uma rápida pesquisa no Google permite-nos saber que os três elementos dos Deolinda nasceram em 1978 e têm, portanto, 33 anos – uma idade verdadeiramente parva!

São, portanto, da geração dos meus filhos e se, segundo a letrinha da cantiga, ainda andam a estudar, algo vai mal, porque os meus filhos terminaram os seus cursos aos 22-23 anos.

Ou então, é por isso que eles dizem que são da geração parva, da geração que precisa de 10 anos para fazer uma porcaria de um curso, sem que nunca lhe tenha passado pela cabeça… trabalhar, fazer um cursinho de electricista ou de cozinheiro ou de bate-chapas, ou qualquer coisa assim.

Geração í  rasca, cada um com o seu iPhone?

Geração parva, cada um com o seu mac?

Desculpem-me a franqueza mas agradecia que fossem dar banho ao cão.

Passos, sabes o que é esquizofrenia?

O Bloco anunciou que vai apresentar uma moção de censura ao governo.

Ai que medo!…

E o PSD? Votará a favor ou contra?

Diz Passos Coelho:

«Não penso que Portugal precise de andar esquizofrenicamente todas as semanas a viver e a especular sobre sentimentos de crise política e não creio que seja isto de que o país precisa».

Por favor, leiam a frase com atenção.

Começando por dizer que não pensa, Passos confirma isso mesmo ao inventar um adjectivo (“esquizofrenicamente”), a partir do nome de uma doença.

O que quererá o gajo dizer com “esquizofrenicamente”?

Se a esquizofrenia é uma perturbação mental caracterizada por uma alteração do contacto com a realidade, com delírios e alucinações, será que Passos Coelho acha que as críticas ao governo de Sócrates são delírios? Que quem chama mentiroso ao primeiro-ministro está a alucinar?

Depois, toda a construção da frase é de um pobreza confrangedora: «Portugal não precisa de andar todas as semanas a viver e a especular sobre sentimentos de crise política»?

O que raio serão «sentimentos de crise política»?

E quer este gajo ser primeiro-ministro!…