Cavaco Silva e as sex shop

O Diário de Notícias faz hoje eco de um artigo publicado na revista Wired e que me deixou de boca aberta.

Cavaco Silva é dos chefes de Estado que mais usam o Twitter!

E esta?

Mas as surpresas não ficam por aqui.

Segundo a revista, Cavaco, que é referido como o “mais curioso dos líderes”, segue unilateralmente 69 outros chefes de Estado!

Mas a melhor é esta: o nosso presidente segue também duas sex shop duas!

São elas: a Love Shop e a Anjos do Pecado!

A Love Shop é de Santarém e a Anjos do Pecado é de Matosinhos e apresenta-se como “a primeira sex shop em Portugal dedicada ao prazer da mulher!”

Desta é que eu estava í  espera, caramba!

O Aníbal, afinal, é um malandreco!…

“Blink” (2005), de Malcolm Gladwell

Malcolm Gladwell é um jornalista nascido no Canadá, em 1963, e que vive em Nova Iorque, pertencendo í  redacção da New Yorker desde 1996.

Autor de quatro livros, foi considerado pela Time, em 2005, uma das 100 pessoas mais influentes.

—Este “Blink” é um livro sobre as decisões que tomamos num piscar de olhos, “o pensamento que não é pensado”, as decisões “instintivas”, mas que, no fundo, são baseadas na enorme base de dados que é (ou devia ser…) o nosso inconsciente.

Socorrendo-se de inúmeras experiências realizadas por diversos autores, Gladwell fala-nos das diversas variáveis que podem influenciar as nossas decisões.

Talvez a mais surpreendente seja a que é relacionada com o sexo ou a cor da pele, ou ainda, de um modo mais generalista, com a aparência geral da pessoa.

Cita, por exemplo, o Implicit Association Test, inventado por um grupo de psicólogos de Harvard e que pode ser consultado e experimentado aqui – www.implicit.harvard.edu.

Gladwell conta como as orquestras sinfónicas norte-americanas só tinham cerca de 5% de mulheres instrumentistas e como, nas audições, os homens eram quase sempre preferidos í s mulheres. Quando, há cerca de 25 anos, alguém se lembrou de colocar os candidatos atrás de biombos, as mulheres passaram a ser mais vezes escolhidas e, hoje em dia, já representam 50% dos membros de qualquer orquestra – mesmo em instrumentos como a tuba que, até há alguns anos, só tinha homens a soprarem nela…

Mostra que a nossa capacidade de decisão instantânea é muito alterada com o aumento da complexidade da escolha e comprova-o com o popular teste da Pepsi e da Coca-Cola. Quando temos que escolher entre dois copos, acertamos um número razoável de vezes; mas basta colocar três copos, dois com Pepsi e um com Coca, ou vice-versa, para o número de erros ser muito maior.

Em resumo, Gladwell acaba por nos dizer que, quando temos que decidir sobre um coisa simples, devemos sempre considerar os prós e os contras, estudar bem a situação e só depois, decidir. No entanto, quando temos que tomar uma decisão verdadeiramente importante, mais vale confiar nos nossos instintos, no nosso inconsciente.

Ao fim ao cabo, concorda com Freud e cita-o: «quando tomo uma decisão pouco importante, penso que é sempre vantajoso considerar todos os prós e contras. Porém, em questões vitais, como a escolha de um parceiro ou parceira, ou de uma profissão, a decisão deve vir do inconsciente, de algures de dentro de nós. Penso que nas decisões importantes da nossa vida pessoal devíamos reger-nos pelas necessidades interiores profundas da nossa natureza».

 

Prémio Nobel da Paz 2011

Foi hoje anunciado o Prémio Nobel da Paz deste ano.

O Prémio foi atribuído a três mulheres: Ellen Johnson Sirleaf, presidente da Libéria; Leymah Gbwoee, activista liberiana pelos direitos das mulheres; e Tawakkul Karman, opositora í  ditadura do Iémen.

Os Prémios Nobel são sempre objecto de polémica, sobretudo os da literatura e da paz porque são coisas mais terra-a-terra. Pí´r em causa o Nobel da Química, atribuído a um cientista que descobriu os “não-cristais”, não nos passa pela cabeça, porque não fazemos a mais pequena ideia do que são “não-cristais”.

Agora, conceder o Nobel da Literatura a um poeta sueco que só o Vasco Graça Moura sabe quem é, em vez de premiar Bob Dylan (?), ou mesmo, Lobo Antunes!…

E quanto ao Nobel da Paz, basta recordar que ele já foi atribuído a Anwsar Sadat e Menachem Begin, Henry Kissinger, Barak Obama, Ximenes Belo e Ramos Horta, Shimon Peres e Arafat e até a um obscuro sindicalista católico e polaco, de grandes bigodes, chamado Lech Walesa – basta recordar estes nomes para desconfiar da isenção do comité que escolhe os laureados. Claro que a escolha tem uma forte componente política.

Este ano, escolheram três mulheres e só podem ser aplaudidos por isso.

Destaco a presidente da Libéria, Ellen Sirleaf.

Deve ser preciso muitos tomates para ser mulher e presidente de um país como a Libéria.

Nota: o Prémio Nobel da Paz é atribuído pela Academia Norueguesa (enquanto os outros são da responsabilidade da Academia Sueca). A decisão é tomada aqui e o prémio é entregue aqui.

Os semáforos de Bissau

O Diário de Notícias publica hoje, na página 25, um texto de Mussá Baldé, jornalista da Lusa, intitulado: «Todos querem ver os primeiros semáforos da capital guineense”.

O texto é tão fantástico, que merece ser transcrito quase na íntegra.

Começa assim:

«Bissau recebeu os seus primeiros semáforos, mas em vez de se tornarem instrumentos para melhorar o trânsito automóvel, na realidade, causam curiosidade e confusão no tráfego.»

Portanto, na principal avenida de Bissau, foram colocados semáforos, a título experimental. Os habitantes da Guiné-Bissau nunca tinham visto semáforos na sua vida. Assim, segundo Baldé:

«O problema é decifrar a informação que é dada por cada cor, pois, í s vezes, acende o vermelho e lá estão alguns condutores a acelerar para passar, justamente na altura em que os peões, que também desconhecem a ordem dada pelas luzes, tentam atravessar a avenida.»

Trata-se de uma situação potencialmente perigosa. Haverá atropelamentos?

Parece que não. Tudo é vivido com a alegria. Voltemos a Baldé:

«As gargalhadas, tanto dos condutores como dos transeuntes, têm sido regra para acalmar essas hilariantes situações frequentes nos cruzamentos onde existem os semáforos».

E parece que nem as autoridades conseguem perceber o que as cores dos semáforos significam.

«Estava a luz vermelha acesa no semáforo e manda-me avançar um agente do trânsito. Não obedeci porque ele estava errado, contou Alfa Djaló, um taxista que trabalha na avenida Combatente da Liberdade da Pátria».

Baldé explica-nos que a confusão dos agentes de autoridade não se limita aos semáforos, «também é notada na sinalização, pois agora, a estrada que liga o mercado do Bandim ao aeroporto da capital guineense, ao longo de uma extensão de oito quilómetros, possui sinais e travessias para os peões. “Noutro dia por pouco não atropelei uma velhota que estava a atravessar a avenida. Dizia ela que os jovens que ali se encontravam nos postes dos semáforos, mandaram-na passar, dizendo que o semáforo, que estava verde, era para os peões atravessarem”, relatou um jornalista da Rádio Nacional.»

E Mussá Baldé termina esta notícia extraordinária com esta frase lapidar:

«Já se fala em Bisssau que algumas pessoas do interior viajam para a capital do país de propósito para verem os primeiros semáforos do país.»

Quinhentos anos de colonialismo português fez da Guiné-Bissau este caso de sucesso!

Ir í  bola

Ver futebol sentado no sofá é, desde há muito tempo, um dos meus desportos favoritos.

Mas não há nada que chegue a ver um jogo em directo, sentado nas bancadas do magnífico Estádio da Luz.

Ontem fomos ver o Benfica ganhar ao Paços (só com um ésse) por 4 a 1.

—

Ver mais de 30 mil pessoas a agitar os cachecóis vermelhos e a gritar Benfica! Benfica! supera – em muito – o facto de não podermos ver as repetições dos golos…

Além disso, da bancada, parece que o árbitro se engana mais vezes, o que nos permite chamar-lhe vários nomes, entre os quais se destacam o de gatuno, palhaço e Alberto João…

Milagres

Telejornal da Sic:

Um homem, numa igreja, em Espanha, deu um tiro na cabeça de uma mulher grávida em fim de tempo. Inopinadamente. A seguir, meteu o cano da pistola na boca e suicidou-se.

A emergência médica chegou, confirmou o óbito da grávida, fez uma cesariana e o bebé nasceu, saudável.

A jornalista, dando voz aos crentes que estavam na igreja e que assistiram í  cena, diz que todos concordaram que se tratou de um milagre.

O que foi milagre – a morte da mãe ou o nascimento do filho?

Deus estava distraído, no momento em que o homem deu o tiro na cabeça da grávida e depois, para compensar, ajudou os médicos a salvarem a criança?

Notícia seguinte:

Na Austrália, um ultra-leve chocou contra uma roda gigante de um feira. Os dois ocupantes da aeronave e duas crianças de 9 e 11 anos ficaram encarcerados e o salvamento de todos demorou horas.

Novamente, a jornalista (não posso afirmar se foi a mesma), diz que houve milagre.

Se calhar, Deus estava ocupado a salvar estas quatro pessoas na Austrália, distraiu-se e, quando deu por isso, já o louco tinha morto a grávida e Nosso Senhor só foi a tempo de salvar a criança…

Mas milagre a sério é esta outra notícia:

Em Portugal, cerca de 500 médicos já mortos, continuam a figurar nos registos oficiais e alguns deles ainda passam receitas!

Isto sim, é um milagre do caraças!

Quinzena de Dança de Almada

—A Companhia de Dança de Almada organiza a 19ª Quinzena de Dança, que decorre até 15 de Outubro.

Financiada pelo Ministério da Cultura e pela Câmara de Almada, a Companhia, com a direcção de Maria Franco, tem desenvolvido um trabalho notável e os 19 anos da Quinzena de Dança são prova disso mesmo.

Como é habitual, o programa deste ano engloba apresentações de muitos países. Este ano, estarão presentes bailarinos da Bélgica, Colí´mbia, Croácia, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Hungria, Israel, Itália, Polónia, Reino Unido, República Checa, Suíça e Portugal.

Ontem, fomos assistir ao Programa 3.

Primeiro, de Espanha, “Trio/Ninguno”, com coreografia de Tatiana Clavel e Santi de La Fuente, e interpretação de Eric Chlench, Juana Varela e Santi de La Fuente, com música de Victor Ballester.

Seguiu-se, da Polónia, “Small study about the body”, com coreografia e interpretação de Katarzyna Sitarz.

O espectáculo continuou com “Foulplay”, da italiana Compagnia Zappalí  Danza, com coreografia de Roberto Zappalí  e interpretação de Daniela Bendini, Fernando Roldan Ferrer e Paola Valenti, com música de Chopin.

E, finalmente, de Israel, “White”, com coreografia de Or Marin e interpretação de Or e Stav Marin, com música de Igor Krutogolov, Dave Phillips e Bach.

Todo o espectáculo me agradou, mas tenho que destacar a segunda e terceira peças; “Small study about the body”, pela sua originalidade e “Foulplay” pela capacidade de reinventar os Prelúdios de Chopin.

No próximo dia 1, lá estarei de novo.

Wright under our beards

O simpático sr. Jorge dos Santos, de 68 anos e um sotaque engraçado, era afinal um foragido procurado pelo FBI há 40 anos.

Vivendo tranquilamente numa pequena localidade de Sintra, o sr. Jorge, isto é, George Wright, não era apenas o vizinho prestável, mas sim um tipo condenado a 30 anos de cadeia,nos EUA, nos anos 70 do século passado, depois de ter assaltado um banco, morto um homem, desviado um avião que ia de Miami para Detroit, sequestrado os seus passageiros, conseguindo um resgate de um milhão de dólares.

Mascarado de padre, e com uma arma escondida na Bíblia, Wright conseguiu desviar o avião para a Argélia. Os seus cúmplices fugiram para Paris, onde acabaram por ser presos, mas ele decidiu ir para a Guiné-Bissau. Aí, casou com uma portuguesa e acabou por vir viver para Portugal.

Qual o espanto?

Depois do BPN e do buraco da Madeira, como é possível que ainda nos espantemos por termos bandidos a viver tranquilamente, mesmo debaixo das nossas barbas?

“Midnight in Paris”, de Woody Allen

—E vão 36 filmes do Woody Allen.

Até “Matchpoint” (2005), não falhei nenhum. Desde então, cansei-me um pouco de Woody Allen e só vi “Vicky Cristina Barcelona” (2008) e “Whatever Works” (2009), tendo falhado outros três filmes.

Mas Allen ainda não perdeu o jeito e este “Midnight in Paris” está bem esgalhado.

Ao estilo de “The Purple Rose of Cairo” (1985), o protagonista (Owen Wilson) torna-se personagem da sua própria fantasia.

Em “A Rosa Púrpura do Cairo”, o herói (Jeff Daniels), viu tantas vezes o mesmo filme que acabou por saltar para dentro da tela e contracenar com os personagens.

Em “Midnight in Paris”, o medíocre argumentista Gil Pender (Wilson a fazer de Woody Allen), salta no tempo para os anos 20 parisienses, ao entrar num velho Peugeot, í  meia-noite.

Nesses saltos no tempo, Pender vai conhecer Picasso, Hemingway, Dali, Gertrudes Stein (Kathy Bates), Luis Buí±uel, Man Ray, Cole Porter – enfim, todos os seus heróis e também Adriana (Marion Cotillard), que foi amante de Modgiliani e de Braque e que vive agora com Picasso.

Esta nova realidade, que Pender passa a viver, todas as noites, depois da meia-noite, afasta-o cada vez mais da sua realidade, isto é, da sua fútil noiva e dos seus futuros e execráveis sogros.

Mas Allen leva este “regresso ao passado” mais longe, já que Adriana gostaria de ter vivido na bélle époque e ambos acabam por fazer uma visita a essa era, onde encontram Degas e Gaugin, que gostariam de ter vivido no Renascimento. Para já não falar no detective que, a certa altura, começa a seguir Pender…

Woody Allen está em forma. Novamente.

PS – Há muito tempo que não ia ao cinema e já não me lembrava bem porquê. Hoje confirmei: sentámo-nos numa das salas vazias das Amoreiras í s 13h e começámos a ver o filme í s 13h25, depois de uma chuva de anúncios idiotas, com um som altíssimo!!! Cerca de 50 minutos depois, o filme é cortado í  faca para um intervalo de sete minutos! Porquê?!