“Chico” – o novo disco de Chico Buarque

—O último disco de Chico Buarque, “Carioca” (2006), desiludiu-me um pouco. Achei-o morno, sem grande chama e sem uma grande canção que deixasse marca.

Pelo contrário, este “Chico” é um grande disco.

Começa da melhor maneira, com “Querido diário” (hoje pensei em ter uma religião/ de alguma ovelha, talvez, fazer sacrifício/ por uma estátua ter adoração/ amar uma mulher sem orifício) – e termina com a melhor canção do disco, “Sinhá”. São duas cantigas í  Chico.

As restantes oito canções são todas muito audíveis, com destaque para “Essa pequena”, um surpreendente “blues” e “Sou eu”, com os jogos de palavras habituais em Chico.

Grande disco, este “Chico”. Já o ouvi várias vezes.

Pobres doentes e doentes pobres

Aquele ministro da lambreta, o Mota, anunciou ontem o PES.

O PES, Plano de Emergência Social, é assim uma espécie de caridade mascarada de medidas sociais.

Uma dessas medidas visa distribuir pelos pobrezinhos doentes, medicamentos que estejam nos últimos seis meses do seu prazo de validade.

E poderemos assistir a cenas como esta:

Mota – Está a ver, amigo, tem aqui três caixas de Sinvastatina que lhe dou eu. Agora, já pode controlar o seu colesterol.

Pobre – Mas eu só tomo um comprimido desses por dia, e o prazo de validade das caixas termina no mês que vem…

Mota – Ora, ora… passa a tomar dois ou três comprimidos por dia! Tem que aproveitar, porque é de borla! E assim até acaba com o colesterol mais depressa!…

O Papa e o papel higiénico

A Renova teve uma ideia, digamos, de merda!

Literalmente!

Aproveitando a visita do Papa Bento XVI a Espanha, a Renova lançou um novo modelo de rolos de papel higiénico com as cores da bandeira do Vaticano.

A ideia é que os fiéis atirem os rolos í  passagem do Papa, como se fossem serpentinas.

Claro que pedras com as cores do Vaticano tinha sido uma ideia muito melhor, mas enfim…

O objectivo é fazer propaganda í  Renova e, mesmo depois do Papa se ir embora, os espanhóis podem continuar a pensar em Bento XVI, sempre que limpem o cu…

50 anos de 4 L

Faz hoje 50 anos que a Renault apresentou ao público o primeiro modelo do 4L, que rapidamente se popularizou como R4.

O R4 teve uma longa e profícua vida, que se prolongou até 1993, com mais de 8 milhões de viaturas matriculadas.

O R4 foi o meu primeiro carro. Comprei-o em enésima mão no stand do Alberto Henriques da Silva, em Julho de 1978, faz agora 33 anos.

—Custou-me 110 mil escudos (548 euros), numa altura em que, como médico recém-formado, ganhava 8 mil escudos por mês (39.90 euros).

Tinha tirado a carta há pouco tempo e nunca tinha conduzido nenhum carro, para além do da instrução, que era um Fiat, se não me engano. Por isso, e porque o R4 tinha a alavanca das mudanças ao lado do volante, a viagem do stand, em Lisboa, até ao Algueirão, onde morava nessa altura, foi uma aventura.

Aquilo era dá cá a bengala, com o manípulo virado para a esquerda, e metias a primeira; toma lá a bengala, com o manípulo virado para a direita, e metias a segunda; dá cá a bengala, com o manípulo virado para a direita, e metias a terceira; toma lá a bengala, com o manípulo virado para a esquerda, e metias a quarta. Se não era assim, era parecido.

Só que eu, depois da primeira e da segunda, não atinava com a terceira.

O que vale é que ainda não havia IC 19 e, a partir da Damaia, era tudo província e quase não se viam carros na estrada…

Foi a bordo deste R4 que fomos todos para Moimenta da Beira, para cumprirmos os nossos seis meses de Saúde Pública, no Centro de Saúde de Armamar.

A viagem demorava o dia todo e era um pesadelo. Atrás, os miúdos enjoavam e, de quando em vez, era preciso parar na berma, para o vómito da ordem.

E há que recordar que, naqueles tempos, a auto-estrada Lisboa-Porto terminava em Aveiras de Cima. A partir dali, e até Moimenta da Beira, era um sufoco atrás dos camiões carregados de tudo e o R4 sem força para os ultrapassar.

Como enésimo dono deste R4, tive direito a sobre-aquecimento do motor, logo um mês depois da compra. E, nos trajectos entre Moimenta e Armamar e nas visitas í s escolas da região, para fazer Saúde Escolar, muitas vezes ficámos no caminho, com o R4 a fumegar, qual geiser do Yellowstone!

Em Novembro de 1978 desisti. Comprei um Fiat 124 em quinta mão e vendi o R4 por 30 contos (150 euros).

Apesar de tudo, tenho saudades do velho R4.

Luis Filipe Vieira a ministro!

O BPN já nos custou 2,4 mil milhões de euros.

Foi agora vendido ao BIC por 40 milhões, apesar de haver outra proposta que oferecia 100 milhões.

Luis Filipe Vieira comprou o guarda-redes Roberto por 8,5 milhões de euros ao Saragoça.

Depois de um ano de péssima exibições, o mesmo jogador foi vendido ao mesmo Saragoça, por mais 100 mil euros.

Conclusão: Luis Filipe Vieira devia ser nomeado ministro da Economia!

Espiões ou coscuvilheiros?

Pensava que, em Portugal, secretas, só de porco preto.

O facto de haver um serviço secreto em Portugal já é risível. Agora, dois serviços de espiões? Para espiar o quê e quem?!

O ex-director de um desses serviços, foi trabalhar para a Ongoing e os seus mails pessoais foram parar í  comunicação social.

O ex-espião, indignado por ter sido espiado, apresentou queixa em tribunal contra desconhecidos!

Então o gajo era espião e não sabe quem lhe sacou os emails?!

Estou mesmo a ver o James Bond a pí´r os maus em tribunal por lhe terem roubado o Aston Martin!…

Paulo Portas, o Ministro Mais Que Perfeito, é perito em dizer coisas óbvias. Na sua primeira viagem como responsável pelos Negócios Estrangeiros, disse coisas tão definitivas como: queremos resolver o problema dos vistos para Angola, Portugal vai desenvolver as relações com Moçambique, temos que aprofundar o intercâmbio cultural com o Brasil.

Boa, Portas! Ninguém se tinha lembrado ainda disso, caramba!

Pois, a propósito desta histórias da secretas, Portas disse esta coisa singular: “para mim, os serviços secretos devem manter-se secretos”.

Histórico!

O tal espião, que agora foi trabalhar para a Ongoing, afirmou que tudo o que fez foi com o conhecimento dos seus superiores, e logo o jornal Público veio dizer que o pobre do Sócrates também estava metido na coisa! Nem depois de morto, deixam o homem em paz!

O que vale é que Passos Coelho é muito bonzinho e logo veio desmentir que Sócrates tivesse alguma coisa a ver com isto…

Um gajo que foi espião e que teve acesso a informações ultra-secretas, deve dar muito jeito a uma empresa de comunicações como a Ongoing.

No entanto, um tipo do PSD, Luis Arnaut, disse na Sic que a Ongoing tem outras actividades, para além das comunicações, nomeadamente, na área da construção civil.

Estou mesmo a ver o ex-espião a ir para a Ongoing assentar tijolo!…

 

 

Cinzentos

Hoje aconteceu o primeiro debate parlamentar entre o novo primeiro-ministro, Passos Coelho, e o novo líder do maior partido da Oposição, Seguro.

Foi uma seca!

Os próximos anos vão ser duplamente trágicos.

Por um lado, estamos pendurados no empréstimo do FMI e vamos ter que pagar uns juros do caraças.

Por outro lado, vamos ter que aturar dois Penteadinhos da Silva, dois ex-líderes de juventudes partidárias, dois tipos “bem intencionados”, certinhos…

Em resumo: dois chatos!

Estamos tramados!…

Não sai nenhum – entram três!

Vitor Gastar, perdão, Gaspar, o novo ministro das Finanças, o tal das camisas um número acima e do ar de ave de rapina assustada, diz que está orgulhoso da escolha.

Cumprindo a promessa de cortar na despesa, o novo governo decidiu nomear mais três administradores para a Caixa Geral de Depósitos, sem despedir nenhum.

Isto é, em vez de utilizar a regra “por cada três funcionários que saiam, só entra um”, optou pela original regra “entram três e não sai nenhum”.

Contraditório?

Não, porque são três excelentes administradores.

A saber:

José Matos, do Banco de Portugal, António Nogueira Leite, do PSD (que muito criticou o governo de Sócrates e se chegou í  frente nos últimos meses; não lhe deram um ministério, deram-lhe um lugarzinho na CGD) e Pedro Rebelo de Sousa, irmão de Marcello Rebelo de Sousa, advogado e irmão de Marcelo Rebelo de Sousa (deve ser do PSD, além de ser irmão de Marcelo Rebelo de Sousa).

í“ Gaspar! Que orgulho!

 

Jogar pelo Seguro

Seria incapaz de escolher entre Assis e Seguro.

O primeiro faz-me lembrar uma pessoa de quem gosto pouco. O segundo é tão cinzento que mal se vê.

Se fosse militante do PS, teria que me abster.

Mas 0 PS jogou pelo seguro e escolheu o homem do aparelho.

Era mais seguro…

Mas todos sabemos que os seguros têm muitas armadilhas.

Será que leram as letras pequeninas?

Se o provérbio popular se concretizar e o Seguro morrer de velho, temos que o aturar até 2050, pelo menos…