A primeira meia hora de todos os telejornais da hora do almoço, foi dedicada í chamada Marcha da Indignação. Dizem que 70 mil professores vão desfilar, em Lisboa, contra a política da ministra da Educação, nomeadamente, a avaliação.
Esta simples frase faz com que me apeteça fazer as seguintes perguntas:
1ª. Há 70 mil professores em Portugal?
2ª. Todos os professores estão contra a política do ministério?
3ª. Mesmo que estejam contra a política do ministério, os professores não se sentem incomodados pelo facto de estarem a ser manipulados pelo partido do Jerónimo de Sousa?
4ª. Os professores não têm vergonha quando são filmados pelas televisões, dentro dos autocarros, a cantarem quadras populares contra a ministra, como se fossem grupos excursionistas, a caminho de Fátima?
5ª. Os professores – que são os responsáveis pela educação dos futuros dirigentes de Portugal – não têm vergonha de, em vez de apresentarem alternativas í política do Governo, optarem por protestar, nas ruas?
6ª. Os professores não percebem que estão a colaborar no show mediático? Não percebem que esta Marcha da Indignação está a ser coberta, pela comunicação social, como se de um Benfica-Sporting se tratasse?
7ª. Sejamos claros: os professores têm medo de ser avaliados?
8ª. Não vos parece um bocado ridículo ver professoras cinquentonas, gordas, de cabelo oxigenado, a cantar palermices dentro de autocarros e a deixarem-se filmar por repórteres de televisão?
9ª. Repito: há 70 mil professores em Portugal?
Sobre esta questão, várias abordagens são possíveis.
Posso fazer uma abordagem político-partidária e rir-me com o facto de ver os sindicatos dos professores do PSD, a reboque dos professores do PCP.
Mas posso – e devo – fazer uma abordagem de cidadão comum e dizer que, quando fui aluno (durante 19 anos), tive professores bons, muito bons, medíocres e abaixo de cão, tive professores, como o de matemática, do 6º ano, tão confuso e baralhado, que me deu, por engano, um teste já corrigido e eu tive que “errar” duas perguntas para não ter 20 valores! Professores tão loucos, como um de Geografia, que adormecia, í secretária, a contar histórias que ia inventando, í medida que as contava.
Será que todos os professores merecem subir de escalão e de categoria – quer faltem, quer sejam assíduos, quer cumpram, quer não cumpram?
Não vos parece lógico que a inexistência de uma avaliação (pode não ser esta) favorece os medíocres?
Não vos parece razoável que os professores sejam adeptos de uma avaliação rigorosa e proponham alternativas ao sistema da ministra que, pelos vistos, é muito mau?
Como cidadão comum, também posso falar como encarregado de educação. Tive dois filhos no sistema de ensino. Ambos fizeram um curso superior. De um e de outro dos meus filhos, me recordo de dois ou três professores. Professores que influenciaram, pela positiva, o desenvolvimento dos meus filhos.
Ainda hoje, tantos anos depois, me lembro dos meus professores bons e dos professores bons dos meus filhos – mas tenho a certeza que todos eles, os bons, os maus e os vilões, estão, agora, reformados por igual.
Discutam o método – mas não discutam o princípio.
Por muito que vos custe, não somos todos iguais…










