“Viagens no Scriptorium”,de Paul Auster

viagens.jpgQuando se tem uma carreira firmada, já se pode brincar um pouco consigo próprio, e vender livros na mesma.

Neste pequeno livro, de cerca de cem páginas, Auster conta-nos uma história sem princípio nem fim – tem apenas o meio: um velhote, fechado num quarto, com a memória muito afectada, aparentemente culpado de alguns crimes. Decidiu chamar-lhe Mr. Blank (vazio) e, pelos vistos, este velhote poderá ter sido o culpado de algumas das personagens que Auster criou, nos seus romances anteriores.

Ou não.

Mas há uma grande história, que vale toda a narrativa: um homem vai, todos os dias, ao mesmo bar e pede três whiskies, que bebe, de enfiada. Intrigado, o empregado do bar, perde a vergonha e, ao fim de alguns dias, pergunta-lhe por que motivo ele pede três whiskies e os bebe, de enfiada, em vez de beber um whisky e, só depois, pedir outro. O homem explica-lhe que tem mais dois irmãos, a viver longe e que os três combinaram, a uma determinada hora do dia, beberem um whisky em honra de cada um deles.

Os meses passam-se e, ao fim de algum tempo, o homem pede só dois whiskies, em vez de três. O barman pensa que um dos seus irmãos talvez tenha morrido, mas não tem coragem para perguntar. No entanto, a sua curiosidade é mais forte e, alguns dias depois, acaba mesmo por perguntar, por que razão o homem passou a pedir só dois whiskies – será que lhe morreu algum dos irmãos? Qual quê! exclama o homem. Os meus irmãos estão óptimos. Eu é que deixei de beber!

Cinco estrelas!

Um cheiro nunca visto!

Os telejornais rejubilaram: um cheiro a gás invadiu parte da cidade de Lisboa. Vários edifícios foram evacuados. Vieram os bombeiros, a polícia, a protecção civil e, claro, os jornalistas. Repórteres histéricos entrevistavam transeuntes em pânico, ninguém sabia, ao certo, o que se passava, mas diversos “especialistas” de bigode e cara de caso, levantavam tampas de esgoto e mergulhavam aparelhos de medição, em busca do gás – porque tinha que ser um gás.

Nos dias anteriores, os mesmos telejornais tinham transformado em notícia nacional, uma explosão e fuga de gás num bairro, em Évora. Portugal é, de facto, uma pequena paróquia e um traque do padre é notícia nacional.

Ora, como no tal bairro de Évora, a fuga do gás fora para os esgotos, talvez o mesmo se estivesse a passar em Lisboa. Evacuou-se uma Universidade, chegou a temer-se pela segurança do Hospital de Santa Maria e seus doentinhos.

A repórter da RTP-1, uma loira, que também acompanhou o caso Maddie, esganiçava-se para a câmara, em directos sobre coisa nenhuma, porque não havia coisa nenhuma para noticiar.

A causa do cheiro a gás, afinal, provinha de um frasco partido de ácido sulfídrico, que alguém deitou nas traseiras da faculdade de Farmácia.

Como dizia uma testemunha, í  beira do colapso, “foi um cheiro que nunca visto!”

Podem crer: quando um cheiro for visto, os jornalistas atingirão o orgasmo!

Em directo.

“Lost” – 3ª série

lost3.jpgA sensação que dá é que os argumentistas desta série andam í  pesca e vão construindo o argumento í  medida que a série vai evoluindo. Depois, adaptam os “flashback” ou o percurso das várias personagens, conforme os acontecimentos. A flexibilidade do argumento até lhes permite matar uma personagem e fazê-la reaparecer mais tarde, num “flashback” ou numa alucinação qualquer.

Convenhamos no entanto, que a série perdeu metade da graça que tinha, í  medida que se vai percebendo que os Outros, enfim, são assim uma espécie de seita. E depois, há alguns pormenores místicos que me desagradam, bem como algumas idiossincrasias demasiado estapafúrdias, como o urso polar e a mancha negra que, de vez em quando, ataca as pessoas.

Mas, como já disse, a propósito da 2ª série, se entrarmos no espírito da coisa e se partirmos do princípio que, está-bem-abelha-o-tal-Jacob-e-a-especialista-em-fertilidade
-e-a-força-da-ilha-e-tal-e-coisa, a série ainda se vai papando e ainda não aleija a inteligência.

No entanto, não deixo de pensar que os writers perderam uma boa oportunidade de fazerem uma grande série, porque o material dava pano para mangas se, em vez de seguirem o caminho mais ou menos místico, optassem por algo mais ligado í  teoria da conspiração, tipo “ilha secreta onde se fazem experiências esquisitas, í s escondidas do resto da humanidade”.

Por exemplo…

A resposta da Câmara

E cerca de um mês depois, chegou a resposta da Câmara: 

“Exmº Sr. Artur Couto e Santos: 

Relativamente ao seu E-Mail de 09/12/2007, sobre o assunto em epígrafe, incumbiu-me o Chefe da Divisão de Trânsito e Segurança Rodoviária, Jorge Aleixo (Engº), de informá-lo que o estacionamento verificado sobre os passeios da Av. 25 de Abril, é considerado estacionamento abusivo pelo Código da Estrada, pelo que é uma atribuição da PSP, no entanto, para melhorar a actuação desta matéria a Câmara criou uma empresa municipal de estacionamento, a “…ECALMA – Empresa Municipal de Estacionamento de Almada”. Assim, de futuro, os fiscais desta empresa irão actuar nesta via, pelo que os problemas referidos irão ser resolvidos.
Mais informamos que foi dado conhecimento desta situação í  ECALMA. 

O Assistente Administrativo Principal, Paulo Costa”

Estarei atento…

dentada na língua

Que dizer desta parangona do jornal “Sem Mais”, de distribuição gratuita e que vem com o Expresso, aos sábados?

cresces.jpg

O pobre do secretário de Estado que consta da foto, é o mesmo que propí´s que os reformados recebessem o magro aumento em suaves prestações mensais, o que ia dar cerca de 60 cêntimos por mês, se não me engano.

Claro que o pobre do homem não tem culpa que o ESTíšPIDO DO JORNALISTA NíƒO SAIBA ESCREVER A PALAVRA “CRECHES”, PENSANDO QUE íˆ UMA FORMA DO VERBO CRESCER!!!

BURRO!!!

“In Rainbows”, dos Radiohead

rainbows.jpgJá está í  venda o novo disco dos Radiohead, o tal que esteve disponível no respectivo site, para download, a troco do “que quiserem dar”. Apesar disso – ou, por isso mesmo – o disco está no primeiro lugar no top de vendas, pelo menos nos EUA.

Já o ouvi duas vezes e parece-me mais do mesmo, uma espécie de “Hail to The Thief” um pouco mais desenvolvido. O líder da banda, o Sr. Yorke, vai desenvolvendo a sua personalidade esquizóide, através de canções com melodias obsessivas, repetitivas, umas mais apelativas do que outras. Por vezes, parece que o tipo faz de propósito para complicar o que é simples, enredando as frases musicais, voltando atrás, repetindo o que já disse. Umas vezes resulta, outras vezes começa a ser chato.

Na faixa “Bodysnatchers”, Yorke diz, por exemplo: “I am trapped in this body and can’t get out” e esta frase parece resumir todo o disco – o homem está preso dentro dele próprio e não sabe como sair dali. Será que quer mesmo sair dali? Ou será que lhe dá jeito ter este ar de deprimido-esquizofrénico-drogado-que-não-tem-onde-cair-morto?

rainbows2.jpgBasta ver como as letras das canções estão impressas no livrinho que acompanha o disco. É mesmo para ninguém ler…

Onde está o good old rock’n’roll?

travelwilbury.jpgVem esta nostalgia a propósito de um disco que me ofereceram neste Natal – um duplo álbum que reúne os dois discos editados pelos Travel Wilburys, uma banda de rock formada por dois notáveis falecidos, George Harrison e Roy Orbison, e mais três figuras: Bob Dylan, Tom Petty e Jeff Lynne. Esses discos foram editados, originalmente, em 1988 e 1990, muito tempo depois dos tempos áureos de Harrison e pouco antes da morte de Orbison. Se calhar, as canções contidas nesses dois álbuns não são lá muito originais, os acordes são sempre os mesmos – mas com que alegria aqueles cinco gajos atacam cada um dos temas, contrastando com esta depressão esquizóide do Yorke, que chega a exasperar.

Em resumo: não me importo de ouvir, todos os dias, os Travel Wilburys a cantar “everybody’s got somebody to lean on/ put your body next to mine and dream on”, na cantiga “Handle with care”… já para escutar Tom Yorke a cantar estas melopeias repetitivas de “In Rainbows” é preciso estar com pachorra, que nem sempre se tem…

Sempre os mesmos macacos

A presidência do BCP, o maior banco privado português, transformou-se numa espécie de compita entre PS e PSD.

Do lado do PS, Santos Ferreira e esse enorme economista, Armando Vara.

Do lado do PSD, Miguel Cadilhe e Bagão Félix.

Para concorrer ao BCP, Santos Ferreira abandonou a presidência da Caixa Geral de Depósitos. Para o seu lugar, entrou Faria de Oliveira, ex-ministro do PSD.

Portanto: os macacos são sempre os mesmos – apenas mudam de galho!

macacos.jpg

Quinto canal – para quê?!

Se hoje me desse uma travadinha e decidisse ver televisão depois do jantar, o que teria í  minha disposição?

Na RTP-1 poderia ver um concurso pateta, chamado “Sabe mais que um miúdo de 10 anos”, seguido de mais um reality show, “Operação Triunfo”.

Na RTP-2, teria que seguir uma entrevista enfadonha com um gajo qualquer de gravata, em “Diga lá, Excelência”.

Se optasse pela SIC, levava com aquele monumento í  estupidez que se chama Os Malucos do Riso, o tal programa que comprova aquilo que Ary dos Santos dizia do humor português, que tem apenas 5 centímetros, que é a distância que vai do cu aos tomates.

Se, finalmente, tivesse a insanidade mental de sintonizar a TVI, poderia ver a transmissão do Boavista-Sporting (ainda por cima, sou do Benfica!)

Por isso, me pergunto: quem quer a merda de um 5º canal?