Finalmente, boas notícias!

Primeira notícia boa:

Um estudo publicado na revista Science, revela que, se a pesca intensiva, a poluição marinha e a destruição dos ecossistemas prosseguir, em 2050, a totalidade das espécies de peixes estará esgotada.

Quer isto dizer que, quando eu tiver 103 anos, não mais me sentirei obrigado a comer peixe porque faz bem í  saúde!

Segunda notícia boa (aliás, muito melhor que a anterior):

Segundo um estudo da Universidade de Oklahoma, os medicamentos anti-colesterol podem proteger os fumadores das lesões pulmonares.

Há cerca de um ano que tomo, todos os dias, um comprimido de 10 miligramas de Rosuvastatina. O meu colesterol está num nível patético: 143 mg por decilitro, segundo as análises da semana passada.

E agora, ainda por cima, ao tomar esse comprimido mágico, posso estar descansado, sempre que acendo mais um cigarro, porque ele também protege os meus pulmões!

Obrigado, Rosuvastatina!

“As Loucuras de Brooklyn”, de Paul Auster

loucurasdebrooklyn.jpgAuster é um excelente contador de histórias e, em cada livro que escreve, não é nada usurário: conta-nos sempre muitas histórias.

Neste “The Brooklyn Follies”, o narrador, Nathan, é um ex-angariador de seguros, quase a fazer 60 anos, que se reforma antecipadamente por sofrer de cancro do pulmão, sem nunca ter fumado. Como Auster é fumador, percebe-se a ironia. Nat conta-nos inúmeras histórias, ao longo das quase trezentas páginas deste livro: a sua própria história, como ele acaba por vencer o cancro, como se entretém a escrever um livro, nas horas vagas, e como quase que morre de um ataque cardíaco, que afinal era uma esofagite; do seu sobrinho Tom, que tinha um brilhante futuro académico, mas acabou por se tornar taxista em Manhattan, depois, empregado num alfarrabista e, finalmente, milionário; da sua sobrinha Aurora, mãe solteira, com uma vida desregrada, cheia de namorados de ocasião, álcool e drogas, que acaba por aderir a uma daquelas igrejas cristãs fundamentalistas; de Harry, o alfarrabista, ex-presidiário, homossexual e sempre a arranjar esquemas para ganhar dinheiro com falsificações, etc, etc.

Quando acabamos de ler este livro, sentimo-nos bem, por dentro. A vida é, de facto, feita destas pequenas coisas: coisas boas e coisas más, que nos vão acontecendo; algumas delas, acontecem-nos porque nós fazemos por isso mas, a maior parte dessas coisas, simplesmente acontecem, por acaso. E o nosso papel, parece-me, é tentar domar esses acontecimentos e fazer com que eles, por mais estranhos e desesperados que sejam, acabem por nos favorecer.

Lobo Antunes e o Benfica

Lobo Antunes fala pouco. Quando fala, refere-se, quase exclusivamente, aos seus livros. É raro ouvir, da sua boca, uma opinião sobre o mundo que o rodeia. Aliás, ele próprio diz que está a ficar cada vez mais autista.

Neste contexto, a importância desta sua afirmação, na entrevista í  Pública, é de salientar:

“(…) descobri – parece-me, é cada vez mais claro – que a escolha política é a mesma coisa que a escolha de um clube, é muito mais afectiva que racional. Se fosse racional, toda a gente pensava da mesma maneira politicamente. Da mesma maneira que se a escolha de um clube fosse racional, toda a gente era de um clube – na minha opinião, obviamente, toda a gente era do Benfica.”

Não posso estar mais de acordo!

Se a escolha de um clube fosse racional, toda a gente seria do Benfica!

Está dito!

“Star Wars” – Exposição

Visitámos, hoje, a Exposição oficial da Lucasfilm, sobre a saga Starwars.

O mais interessante da exposição é, sem dúvida, o contraste entre as naves, os robots e os diversos bonecos do universo Lucas e o cenário proporcionado pelo Museu da Electricidade, as turbinas, os geradores, as caldeiras, os candeeiros. Temos, assim, espécimes de ficção científica, num ambiente retro.

Os objectos expostos têm um interesse relativo. Retirados do contexto, algumas peças não passam de bonecos. De qualquer modo, é curioso ver tudo aquilo e, com a ajuda dos vídeos, dos desenhos, das maquetas, imaginar como a equipa de George Lucas inventou tudo o resto. Notável, por exemplo, o modo como criaram a ilusão de uma multidão ululante, na arena das corridas de podcasters, a partir de milhares de cotonetes coloridas.

Mas, repito, a exposição vale, sobretudo, pela Central Tejo.

Gotan Project – “La Revancha del Tango”

gotan.jpgFoi graças ao “Nip/Tuck” que me decidi a comprar este cd, de que já tinha ouvido falar até í  náusea.

E não o comprei antes, exactamente devido í  enorme publicidade que rodeou a edição do disco, há cinco anos. Reajo assim, muitas vezes: quanto mais falam nas coisas, menos vontade tenho de as conhecer melhor.

Confesso, no entanto, que me despertou algum interesse, esta mistura de tango com música electrónica.

Depois, esqueci-me.

Só que a 3ª série do “Nip/Tuck” usa, em alguns episódios, “La Revancha del Tango” como música de fundo e o interesse renasceu.

É um disco curioso, que se escuta com agrado mas, penso eu, esgota a fórmula rapidamente. Embora seja um disco agradável não merece todos aqueles adjectivos que encheram a boca dos críticos.

Sei que o trio de argentinos-parisienses lançou, entretanto, mais discos, explorando o filão. Estão no seu direito, mas penso que deverá ser mais do mesmo.

“A Vida é um Milagre”, de Kusturica

vidaeummilagre.jpgOra aqui está mais um “Gato Preto, Gato Branco”, talvez não tem bem conseguido, mas divertido na mesma. Kusturica ri-se para não chorar.

A acção do filme passa durante o conflito da Bósnia e a guerra, a pobreza extrema, a destruição, tudo é vivido com aquela música de fundo, as bandas desconjuntadas sempre a tocar, os personagens todos um pouco loucos, um frenesim permanente.

A história é o que menos interessa: Luka quer transformar o “seu” caminho de ferro numa atracção turística, mas a guerra rebenta. O seu filho, Milos, que estava í  beira de ser contratado pelo Partizan de Belgrado, como grande estrela de futebol, vai para a guerra e é feito prisioneiro; a sua mulher, uma ex-cantora de ópera um pouco louca, foge com um músico húngaro; e Luka apaixona-se por uma enfermeira muçulmana, mesmo no meio dos bombardeamentos e das explosões.

Ao fundo, a música, sempre a música.

“Nip/Tuck” – 3ª série

niptuck3.jpgSérie televisiva mais “kinky” não existe.

Que outra série poderia juntar um psicopata assassino que não tem pénis, uma inspectora da polícia bi-sexual, um herói do Iraque sodomizando um cirurgião plástico em pleno consultório, a mulher do Pai Natal transportando, há 17 anos, no abdómen, um feto calcificado, um spa que usa esperma como creme facial, um pai racista que obriga a filha a raptar um transexual, para lhe amputar o pénis, e mais, muito mais.

O mais fascinante nesta série é que, por muito bizarra que seja a situação, faz todo o sentido, naquele contexto.

Os dois cirurgiões, Sean McNamara e Christan Troy, têm as suas vidas todas viradas do avesso, as suas famílias são o mais disfuncionais que se possa imaginar, mas lá vão sobrevivendo e proporcionando-nos bons momentos de entretenimento.

Como já li algures, a criatividade de Hollywood parece ter-se mudado definitivamente para as séries televisivas, deixando o cinema na penúria.

“The Black Dahlia”, de Brian de Palma

blackdahlia.jpgDe Palma é um realizador de excessos, usando e abusando de truques e tiques, mas quem vai ver um filme realizado por ele já sabe ao que vai.

Este “The Black Dahlia”, no entanto, fica muitos furos abaixo de outros filmes de De Palma. Pretende ser um filme feito í  maneira dos antigos filmes da série B, com o herói narrando a acção, em voz off, e todas as cores em tons de sépia. No entanto, parece que De Palma se baralhou com a riqueza de pormenores da história de James Elroy e o filme acaba por ser um pouco confuso.

Tudo gira em redor do assassínio de uma jovem candidata a actriz, mas, í s tantas, um tipo já se perdeu no emaranhado de histórias laterais. Depois, nos últimos dez minutos da fita, tudo nos é revelado de um modo um pouco atabalhoado.

A fotografia, no entanto, é excelente e a reconstituição de Los Angeles do post-guerra também me pareceu correcta. No entanto, gostei muito mais de “LA Confidencial” (Curtis Hanson, 1997), outro filme cujo argumento se baseia num livro de Elroy.