Uma doente disse-me hoje que estava tomar uns comprimidos fosforescentes.
Devem ser daqueles que se põem na água, borbulham um bocadinho e depois dão luz.
Esqueci-me de lhe perguntar a dosagem.
Em watts, claro.
aqui desde 1999
Uma doente disse-me hoje que estava tomar uns comprimidos fosforescentes.
Devem ser daqueles que se põem na água, borbulham um bocadinho e depois dão luz.
Esqueci-me de lhe perguntar a dosagem.
Em watts, claro.
Gosto muito de futebol.
Dito isto, quero acrescentar BASTA DE MUNDIAL, PORRA!
Um tipo liga a televisão e o que vê, em todos os telejornais, são reportagens idiotas relacionadas com o Mundial e a selecção portuguesa!
Estou farto!
Eu quero lá saber que o Nuno Gomes tenha uma tia idosa que ainda guarda fotografias do jogador, vestido de comunhão solene! Estou-me borrifando para o tio do Hugo Viana, que é dono de um café, e que andou a pintar saudações ao jogador no asfalto das rotundas lá da terra! Estou-me marimbando para o grupo de amigos, emigrados na Alemanha, que vai organizar uma grande festa com sardinhas assadas e bifanas!
Quantos repórteres têm as televisões, lá na Alemanha, para produzirem um trabalho tão idiota, com reportagens estúpidas sobre coisas que não interessam a ninguém?
Não acontece mais nada neste Mundo, caramba?
Acabaram a crise económica, os atentados no Iraque, o conflito israelo-palestiniano, a fome no Darfur, a guerra na Somália? Até o conflito em Timor – esse eterno protectorado da nova democracia portuguesa – passou para enésimo plano!
Neste preciso momento, a SIC está a transmitir uma reportagem feita na feira do Relógio e a repórter, com voz dramática, diz: “imaginem o que seria se todas estas gargantas (as dos vendedores), se juntassem para torcer por Portugal?”
Por favor, tenham dó!
Agora, diz uma vendedeira negra: “oh… isso agora está muito difícil… eu tenho muitos amigos angolanos, eu sou guineense, mas vou torcer por Portugal”
E o que é que eu tenho a ver com isso?
Tirem-me deste filme já!
Mais uma vez, os jornalistas televisivos (e não só), mostram a sua verdadeira face: a da mais completa indigência, da falta de imaginação, da preguiça inigualável – transformando um acontecimento desportivo, sem dúvida importante, num verdadeiro massacre informativo, não separando o essencial do acessório, pondo no ar tudo, mas mesmo tudo, o que vagamente possa ser relacionado com o Mundial!
Chega! Basta!
Felizmente, nós temos sempre a última palavra e todos os televisores têm um botão de on-off.
Há que utilizá-lo e desligar a televisão!
Foi o que eu fiz…
Já viram o desplante dos australianos? Então não é que queriam mandar nos nossos gê-nê-rês? Imperialistas, é o que eles são!
Está bem que chegaram lá primeiro, está bem que os nossos são só 120 e atrasaram-se um bocadinho e depois o avião estava avariado e depois o avião já estava bom, mas não podia aterrar em Díli – mas a GNR lá conseguiu chegar a Timor! E quando as nossas tropas chegam, as outras não têm outro remédio senão vergar-se!
É verdade que os GNR não levaram material adequado, nem blindados, nem bombas, nem as sandes de couratos, nem as mínis, mas basta lá estarem para que todos os timorenses maus fiquem acagaçados (e eu que não sabia que havia timorenses maus!… e eu que pensava que todos os timorenses eram bonzinhos!…)
O que vale é que o nosso ministro Freitas pí´s os australianos em sentido!
Freitas berra mais alto que Camberra!
E se eles não acatarem as nossas ordens, só há uma solução: anexar a Austrália (até não era má ideia… podia ser que a nossa economia desse um pulo, finalmente!)

A 3ª série de Crime Scene Investigation mantém a mesma qualidade das anteriores, mas a filosofia começa a mudar um pouco, nos últimos episódios desta série de 2001. Antes, cada episódio limitava-se a apresentar um ou dois casos e o modo como a equipa do CSI os deslindava. Nos últimos episódios, no entanto, começam a surgir alguns pormenores da vida dos principais personagens, de modo a permitir que uma segunda história corra, paralela com o fio principal, que é, exactamente, o estudo das provas.
Desses pormenores, destaca-se a surdez progressiva de Gil Grissom, provocada por uma otosclerose hederofamiliar.
O cenário de Las Vegas, entretanto, tornou-se mais apelativo, depois de lá ter estado, há menos de um mês.
Hoje, uma doente disse-me que tinha tido uma “deslocação da rotina” (corruptela de “descolamento da retina”.)
E eu pensei: que bom seria, se pudéssemos todos deslocar a rotina.
Cá por mim, deslocava-a para um sítio qualquer, muito longe daqui.
Para um sítio onde não fosse possível sequer encontrá-la novamente.
O Diário de Notícias de hoje, publica esta notícia.

Pelos vistos, a União Europeia vai apoiar o desenvolvimento rural português, com cerca de “500 milhões de erros por ano, durante sete anos.”
Escusavam de se incomodar…
O Expresso de ontem, publicava, na primeira página, uma notícia perturbadora: nos últimos cinco anos, não existe um único registo de óbito de um cidadão chinês, em Portugal!
Oficialmente, vivem em Portugal 9 426 cidadãos chineses, mas pensa-se que esse número pode ascender a cerca de 15 mil.
E, no entanto, nos últimos cinco anos, nenhum deles morreu.
Os chineses não adoecem, não são atropelados, não caem das escadas abaixo e partem o pescoço, não se suicidam, não são assassinados?
É verdade que, no ano passado, passei duas semanas na China, visitei várias cidades e todos os chineses que vi, estavam vivos – mas, bolas!, em quase dez mil emigrantes legais, não houve um só chinês que tenha morrido, caramba?
E, mesmo que acreditássemos que os emigrantes legais, estando menos submetidos ao stress, sejam mais saudáveis – que dizer dos cerca de cinco mil emigrantes ilegais?
Não houve um único que tivesse tido um enfarto, uma trombose, um cancro?
Convenhamos: era natural que um ou outro chinês tivesse batido a bota, ido desta para melhor, se passasse para o outro lado – enfim, falecesse!
A ser verdade esta notícia, quero, imediatamente, naturalizar-me chinês!
José Sócrates foi visitar a selecção de futebol a Évora e ofereceram-lhe a camisola nº 12.
A selecção foi recebida no Palácio de Belém, pelo Presidente e ofereceu, a Cavaco, a camisola nº 12.
Quer dizer, portanto, que temos dois números 12 a jogar por Portugal.
Estamos tramados!
Aliás, já estávamos tramados.
Penso que não me engano, se disser que a carreira desta selecção, no Mundial, vai ser uma desgraça.
Não digo que não ganhe um ou outro joguito. Até pode ser que passe í fase seguinte, apesar de ter que defrontar selecções tão poderosas como Angola, Irão ou México.
No entanto, considerando o tempo gasto nos telejornais com notícias sobre a selecção; considerando as conferências de imprensa transmitidas em directo (!), todos os dias, durante as quais, dois jogadores titubeavam perante dezenas de repórteres, dizendo aquelas coisas fantásticas, como “daremos o nosso melhor”, “vamos trabalhar em equipa”, etc; considerando os inúmeros hinos, oficiais e não oficiais, que se inventaram e que passam, constantemente, na rádio e na televisão; considerando toda esta histeria dos órgãos de comunicação social, a selecção só tem uma saída – ser campeã do Mundo.
E isso, meus amigos, não vai conseguir.

O PSD apresentou um projecto í Assembleia da República, para que seja instituído um Dia Nacional do Cão.
Vou repetir: o PSD apresentou um projecto í Assembleia da República, para que seja instituído um Dia Nacional do Cão.
Não estou a brincar; a notícia vem nos jornais de ontem.
O projecto diz, nos seus fundamentos, que é “na qualidade de companheiro que o cão tem a sua mais apreciada e difundida característica”.
Marques Guedes, líder parlamentar do PSD, assina o projecto, que também sugere que seja instituído “no calendário oficial, um dia dedicado í sensibilização de todos para o importante papel que a relação com os cães tem na nossa vida, dia que pode ser particularmente interessante para uma importante pedagogia de valores de cidadania a incutir nas nossas crianças e nos nossos jovens, razão pela qual parece adequado fazer aproximar esta data do 1 de Junho, Dia da Criança.”
Isto, sim, é uma Oposição responsável!
Anda para aí o Governo preocupado com os professores, os farmacêuticos, as maternidades que vão fechar, as escolas que não têm alunos, os cortes na função pública e todas essas trivialidades.
O PSD mostra-lhe o caminho: há coisas mais importantes! Há vida, para além do défice! O que importa o aumento do preço do petróleo quando nós, em Portugal, ainda nem sequer temos um Dia do Cão?
Apesar da bondade da proposta, no entanto, gostaria de levantar algumas perplexidades:
Primeira: Dia do Cão, está bem; mas… e Dia do Gato? Dia do Cágado? Dia do Periquito? Porquê esta discriminação entre animais?
Segunda: Dia do Cão, está bem. Mas, que cão? O doberman, que pode comer criancinhas, ou o irritante caniche, o lambéconas, que só apetece pontapeá-lo, porque não pára de ladrar? O maluco do cocker spaniel, que lambe o pessoal todo, ou o feroz lobo de Alsácia, capaz de morder em todos os distribuidores de publicidade?
Além disso, também a escolha do Dia do Cão não me parece nada pacífica.
Se escolhermos o dia 1 de Junho, teremos o Dia da Criança e do Cão, o que não me parece correcto.
Acresce que, sendo o cão o melhor amigo do homem (ou do PSD, neste caso), o seu dia deveria ser feriado, para que todos os militantes pudesse ter o dia livre para poderem ir passear o cãozinho, sem faltarem aos seus compromissos políticos.
No entanto, como já temos feriados a mais, talvez fosse boa ideia juntar o Dia do Cão a um feriado já existente.
Por exemplo: dia 10 de Junho – ficaria o Dia de Portugal, de Camões, do Cão e das Comunidades.
Por exemplo: dia 15 de Junho – ficaria o Dia de Corpo de Deus e do Cão.
Por exemplo: dia 1 de Dezembro – ficaria Dia da Restauração e do Cão.
Pensando melhor: o dia 1 de Dezembro seria o ideal.
Bastaria tirar a cedilha e ficava Dia da Restauracão!
Em 1994, chegou a Portugal uma esquadra de aviões F16, comprados em segunda mão aos EUA. Nessa altura, o primeiro-ministro era Cavaco Silva e o ministro da Defesa, era Fernando Nogueira.
Em 1999, chegou a Portugal uma segunda esquadra de F16, também comprada aos EUA. Então, o primeiro-ministro era António Guterres e o ministro da Defesa, era Veigão Simão.
Esta segunda esquadra, que custou 50 milhões de euros, ficou na base de Monte Real, empacotada por blocos de peças, aguardando por uma modernização, que só começou a ser feita há dois anos, pelas OGMA. O atraso, deveu-se a falta de verba.
Portugal faz parte da NATO.
Segundo as regras da NATO, cada país membro pode ter uma esquadra de, no mínimo, 12 aviões.
Da primeira esquadra, estão a voar 18 aviões.
Da segunda esquadra, quatro já estão modernizados e estão em voos de teste.
Agora, o Governo de Sócrates, decidiu vender doze F16.
Chegou-se í conclusão de que não fazem falta.
Mas, como o contrato com as OGMA não pode ser quebrado, antes da venda, todos os restantes aviões da segunda esquadra terão que ser modernizados, antes de serem vendidos.
E, mesmo depois de modernizados, os EUA terão que concordar com essa venda.
Em resumo: Portugal comprou, aos EUA, aviões que precisavam de ser modernizados e que não eram necessários e, agora, só os pode vender, depois de os modernizar, e se os EUA deixarem.
Vocês não acham que, aqui, há qualquer coisa de muito errado?