Mal se aposentou, o Silvino decidiu dedicar-se à pesca.
Foi a uma loja da especialidade, em Cacilhas e comprou o material necessário e, na manhã seguinte, informou a esposa: vou pescar o almoço.
Foi para o Ginjal, lançou o anzol e esperou.
Naquele dia, o Cais do Ginjal estava cheio de pescadores e Silvino ia vendo uns e outros a sacarem peixes do Tejo, mas ele, nada!
As horas foram passando e o Silvino estava cheio de dores nas cruzes; estar ali, em pé, a segurar a cana, afinal, não era pera doce – e ele que pensava que aquela malta que passava as manhãs a pescar, eram todos uma cambada de calões!…
Nesse dia chegou a casa de mãos a abanar.
Então o almoço? – perguntou a mulher.
Faz uma omeleta! – respondeu o Silvino.
E os dias foram passando e o Silvino não conseguia pescar nada.
Farto de omeletas, decidiu passar pelo mercado antes de ir pescar. Comprou carapaus, uma dourada de viveiro e uma pescada. Depois, levando os peixes numa geleira, foi para o Ginjal.
Nesse dia, fartou-se de pescar: tainhas às pampas, dois chocos e até um polvo.
A mulher do Silvino ficou toda contente, embora estranhasse que houvesse carapaus, douradas e pescadas no Tejo, mas enfim, tinham peixe para vários dias.
Silvino foi percebendo que havia ali um padrão: quando ia para o Cais do Ginjal de mãos a abanar, não conseguia pescar nada, se passasse primeiro pelo mercado e comprasse algum peixe, fartava-se de pescar.
A certa altura, o Silvino já não sabia o que havia de fazer a tanto peixe. Era o que comprava diariamente no mercado, mais todos aqueles que pescava no Tejo.
Foi a mulher que teve a ideia.
Abriram uma peixaria.
