“Once Upon a Time in Mexico”, de Robert Rodriguez (2003)

—Nascido no Texas, Rodriguez é um realizador-que-faz-de-conta-que-é-mexicano. É  da escola de Tarantino e este filme revela isso mesmo.

“Once Upon a Time in Mexico” é uma aventura louca, uma espécie de banda desenhada com personagens reais.

Banderas é um assassino profissional, conhecido como El Mariachi. Jonnhy Depp é um agente da CIA desmiolado e que mata os cozinheiros que não cozinham bem a carne de porco. Willelm Dafoe é o traficante. Salma Hayeck é a namorada do Mariachi, que foi morta pelo general corrupto. E ainda há por lá um Mickey Rourke, com um “perro microscópico” e um Enrique Iglésias, que até parece um actor a sério.

O filme é um pouco confuso no argumento e parece que o único objectivo é mostrar cenas em câmara lenta em que El mariachi dá tiros com o seu canhangulo, projectando os maus contra as paredes, com grandes buracos na barriga.

Fraquito…

Jornalismo paroquial

Corre na net um mail que tenta retratar a comunicação social portuguesa. Corre assim, em resumo:

“Como seria noticiada hoje em Portugal a história do Capuchinho Vermelho…
TELEJORNAL – RTP1
: “Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem… mas a actuação de um caçador evitou uma tragédia”
JORNAL DA NOITE – SIC:
“Vamos agora dar-lhe conta de uma notícia de última hora. Uma menina foi literalmente engolida por um lobo quando se dirigia para casa da sua avó! Esta é uma história aterradora mas com um final feliz… o Sr. telespectador não vai acreditar mas, esta linda criança foi retirada viva da barriga do lobo! Simplesmente genial!”
JORNAL NACIONAL – TVI: “… onde vamos parar, onde estão as autoridades deste país?! A menina ia sozinha para a casa da avó a pé! Não existe transporte público naquela zona? Onde está a família desta menina? E a Comissão de Protecção de Menores? Tragicamente esta criança foi devorada viva por um lobo. Em épocas de crise, até os lobos, animais em vias de extinção, resolvem aparecer?? Isto é uma lambada na cara da actual governação portuguesa.
CORREIO DA MANHíƒ:
“Governo envolvido no escândalo do Lobo”
JORNAL DE NOTICIAS:
“Como chegar í  casa da avozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho”
Revista MARIA:
“Dez maneiras de levar um lobo í  loucura na cama”
LUX:
“Na cama com o lobo e a avó”
EXPRESSO:
Legenda da foto: “Capuchinho, í  direita, aperta a mão do seu salvador”. Na reportagem, caixa com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Capuchinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.
PíšBLICO:
“Lobo que devorou Capuchinho Vermelho seria filiado no PS”
SOL: “Gravações revelam que lobo foi assessor político de grande influência”

Esta ideia é já antiga, pegar numa notícia e dar-lhe as várias versões, conforme o órgão de comunicação que dá a notícia. Claro que, logo aqui, há uma incongruência: se é uma notícia, não devia haver diferentes maneiras de a transmitir, se a comunicação social fosse, de facto, independente.

Só que não é.

E, na nossa paróquia, a comunicação social é cada vez menos independente. E cada vez mais saloia, no mau sentido da palavra.

A propósito do tornado que varreu a região de Tomar, assisti hoje, no telejornal da SIC, a reportagens patéticas. Sexagenários a dizerem coisas definitivas como «nunca vi nada assim», velhotas, com lágrimas nos olhos, dizendo que «o bidro caiu-me de ximo da minha cabexa» e  massacres de reportagens mostrando, em detalhe, a destruição de oficinas, de telhados, de postes de electricidade, como se todo o país estivesse envolto em caos. E o telejornal arrastando-se, de quintal em quintal, de telhado em telhado – se estes jornalistas se mudassem para o Nebrasca ou para o Arkansas, o telejornal duraria 5 horas, no mínimo, para poder descrever, em pormenor, os danos causados por um tornado.

Mas o que mais me irritou nesta cobertura jornalística, foi a reportagem de uma loira, directamente de Casais, no concelho de Belmonte.

A loira comentou (não noticiou) a visita do ministro da Administração Interna, Rui Pereira, í  região. Que o ministro não tinha levado dinheiro, nem sequer promessas, que ninguém lhe tinha ligado nenhuma, que as pessoas continuaram a arranjar o que o tornado estragou e nem olharam para o ministro, que não acreditam que ele ajude, que ele tentou atirar as responsabilidades do pagamento dos prejuízos para a Câmara e eu, que até acho que o Rui Pereira é um ministro arrelampado e deslocado, que parece fazer um grande esforço para perceber o que se passa, embora raramente perceba o que o rodeia, fiquei com pena do homem. Quer dizer: o tipo foi lá para se inteirar dos estragos e a loira queria que ele levasse já o livro de cheques, para dar dinheiro í queles tipos todos? E, ainda por cima, a jovem repórter loira, de casaco da Desigual, garantiu que a população de Cascais tinha ficado desiludida com a visita do ministro!

Sim, a população de Cascais!

Tão loira é a repórter que decidiu rebaptizar a localidade de Casais, juntando-lhe um “cê”.

No Nebrasca, esta gaja estaria a trabalhar no The West Nebraska Oberserver, na secção de correio sentimental…

“A Lebre de Vatanen”, de Arto Paasilinna

—Paasilinna é um escritor finlandês, nascido em 1942 e que, ao que parece, estará internado num lar para terceira idade, devido a comportamentos anti-sociais recentes, como condução automóvel perigosa (sob o efeito de álcool?).

“A Lebre de Vatanen”, publicado pela Relógio de ígua em 2009, data de 1975 e é o seu romance mais conhecido, embora a classificação “romance” talvez não seja a mais correcta.

O livro conta-nos a história de Vatanen, um jornalista de Helsínquia (Paasilinna foi jornalista) que, num certo dia, a meio de uma reportagem, encontra uma lebre-bebé, resolve adoptá-la e deixa tudo, o colega que o acompanha na reportagem, a mulher, o emprego e a cidade, passando a viver com a lebre diversas aventuras, através das florestas da Finlândia, atravessando a Lapónia e, caçando um urso, até í  União Soviética.

Num tom humorístico e iconoclasta, que faz lembrar Boris Vian, o escritor vai-nos contando essas aventuras, com uma seriedade jocosa que nos leva a dizer: este tipo está a gozar connosco.

Estará?

AD outra vez? Não, obrigado!

A propósito do 30º aniversário da morte de Sá Carneiro, voltou a falar-se da AD.

De quê? De quem?

Da Aliança Democrática, uma coisa que parece que foi inventada por Sá Carneiro e que, segundo muitos especialistas da nossa praça, poderia salvar o país do atoleiro.

Em primeiro lugar, esta história de mitificar o Sá Carneiro já cheira mal. Convém recordar que Sá Carneiro foi deputado na Assembleia Nacional, nos tempos do Marcelo Caetano. Era daqueles que queria minar o sistema por dentro. Depois do 25 de Abril, foi um dos fundadores do PPD e, na altura em que morreu no tal acidente/atentado, apoiava um general obscuro para Presidente da República. Era o general Soares Carneiro e Sá (também) Carneiro sonhava com um governo, uma maioria e um presidente.

Agora, 30 anos depois da sua morte, ao mesmo tempo que põem o homem nos píncaros, chegando a dizer que, se ele não tivesse morrido, Portugal não estaria como está hoje, tentam ressuscitar esta história de “um governo-uma maioria-um presidente”.

Partindo do princípio que o Cavaco ganha as eleições presidenciais, basta que o PSD e o CDS, juntos, obtenham a maioria absoluta, para formarem um governo de coligação.

E assim renasce a Aliança Democrática!

E a malta que faz este raciocínio, incluindo ilustres jornalistas, fazem por se esquecer que, entre 2002 e 2004, tivemos um governo Durão Barroso-Paulo Portas e que, entre 2004 e 2005, tivemos um governo Santana Lopes-Paulo Portas.

Foi apenas há 5 anos, rapaziada!

A direita teve, então, um governo e uma maioria – só não tinha um presidente, mas também não foi por causa de Jorge Sampaio que Durão Barroso não levou o seu governo até ao fim da legislatura, pois não?

Portanto, deixem a AD sossegada, lá no sítio onde Sá Carneiro repousa.

—

“Blow”, de Ted Demme

—George Jung foi o homem que, na década de 70 do século passado, estabeleceu o mercado de cocaína nos Estados Unidos.

Será que este tipo merece um filme biográfico? Pelos vistos, parece que sim e logo com Johnny Depp a encarnar essa personagem.

Filho de um casal desavindo, de um pai honesto, mas pobre, e de uma mãe dona-de-casa que queria sempre mais do que a vida lhe dava, George Jung iniciou-se no tráfico de droga com a canabis, na Califórnia e, a pouco e pouco, foi subindo no negócio, acabando por lidar pessoalmente com Pedro Escobar, transportando a coca para os States.

O filme arrasta-se um pouco, perdendo-se em pormenores e dando uma imagem de coitadinho a Jung, que acaba aldrabado pelo seu sócio, enganado pela mulher (Penélope Cruz), escorraçado pela mãe e condenado a muitos anos de prisão (parece que sai em 2015). Coitadinho do traficante…

Destaque para as fatiotas de Depp, fatos completos, com colete e tudo, vermelho vivo ou com motivos psicadélicos. Enfim, eram os anos 70-80 e o gajo era traficante de coca…

Cheira-me a que este filme se fez porque muita malta lá de Hollywood foi cliente de Jung…

“Bad Company”, de Joel Schumacher (2002)

—Mais um filme estilo-my-fair-lady, mas com espiões.

Um negro que vende bilhetes para espectáculos no mercado negro e joga muito bem xadrez (Chris Rock), tem um irmão gémeo que nunca viu na vida, que é um espião de alto gabarito, trabalhando para a CIA. Esse irmão é assassinado pelos mauzões e a Companhia vai buscar o aldrabão e vai transformá-lo num grande espião.

O homem encarregado desse trabalho é um agente interpretado por Anthony Hopkins.

Seguem-se as cenas de tiroteio, em que o novo espião começa a dar barraca para, depois, se transformar num herói.

A receita é conhecida, o argumento não tem surpresas e o filme não ultrapassa a mediania, mas dá para hora e meia de entretenimento.

Californication – 3ª temporada

—A série continua com bom ritmo. Politicamente incorrecta, machista q.b., ordinarota e cheia de ritmo.

David Duchovny continua a fazer um bom escritor falhado, bebedolas, mulherengo, preguiçoso, porcalhão e tudo o que se quiser, mas com muita saída junto das mulheres, sobretudo das mulheres dos outros, que não as sabem acarinhar como só ele sabe.

No antepenúltimo episódio, assistimos a uma verdadeira comédia de costumes, com as três mulheres que Moody anda a papar a encontrarem-se, todas, em casa dele, juntando-se, depois, a legítima mulher e a filha.

Hank Moody e o seu agente e amigo Runkle formam um par irresistível, muito bem secundados por Kathleen Turner, que personifica a agente Collini, “who always gets the weeny”.

E caso não gostes deste tipo de séries, “you can leak me where god slipt me”…