“A Insubmissa”, de Cristina Peri Rossi (2020)

Cristina Peri Rossi nasceu no Uruguai em 1941 e emigrou para Barcelona, fugindo da terrível ditadura militar que governou aquele país durante anos. Trata-se de uma escritora que abordou várias disciplinas: poesia, conto, romance. Nas décadas de 60 e 70, desenvolveu com Júlio Cortazar uma cumplicidade literária que fez com que aquele escritor lhe dedicasse diversos poemas.

“A Insubmissa” é um romance autobiográfico muito interessante. Peri Rossi recorda a sua infância de modo divertido; viveu durante algum tempo com uns tios, no campo, porque sofria de uma infecção tuberculose e o ar do campo far-lhe-ia bem.

Pelos cinco anos, comi muito mal e a tia decidiu perceber por que razão ela se recusava a comer determinados alimentos.

“Carne, porque tem sangue e nervos.

Ovos, porque têm clara.

Leite, porque tem nata.

Laranjas, porque têm fios brancos.

Bananas, porque têm fios amarelos.

Maçarocas, porque têm barbas.

Gofio, porque me engasgo.

Manteiga, porque tem gordura.

Frangos e galinhas, porque são meus amigos, o que se aplicava, além disso, aos coelhos, aos porcos, às perdizes e aos borregos.

Peixe, porque não fecham os olhos e estão sempre a olhar para mim.”

Peri Rossi não gostava do seu pai, que era violento e tratava mal a sua mãe, e adorava um tio, que tinha muitos livros. Capítulo a capítulo, a escritora vai contando diversos episódios curiosos: a paixão que desenvolveu com uma colega mais velha, a sua relação com os mendigos, a operação ao apêndice, etc.

Um livro muito curioso e que li com muito agrado.

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