Salazar era uma gaja!

Na quarta-feira í  noite, na TVI 24, no programa Prova dos 9, foi revelado este grande segredo: Salazar, afinal, era uma mulher!

No dito programa, Santana Lopes exaltava as «virtudes da resistência, paciência e abnegação do povo português».

Perante esta exaltação nacionalista, o bloquista Fernando Rosas comentou: «parece o Salazar a falar…»

E o Sr. Lopes contra-atacou, exclamando: «Salazar é a tua tia!»

Ora, com esta afirmação, o Sr. Lopes revela quatro coisas: a primeira é que Salazar é tia de Fernando Rosas, a segunda, é que Salazar ainda está vivo, a terceira, não interessa, e a quarta, é que Salazar, esse grande ditador, afinal, era uma gaja!

Esta revelação muda a História da Europa Ocidental.

Se Salazar, afinal, era um gaja, quem nos garante que Hitler não terá sido transexual?

Não sejam piegas, porra!

Ainda a campanha eleitoral ia no adro e já eu dizia que Passos Coelho me fazia lembrar o Anhuca, o famoso palhaço pobre que, em tempos que já lá vão, assustou muitas criancinhas.

—Com aquela ausência do lábio superior, com um pouco de base na face, batom nos lábios e rimel nos olhos, o primeiro-ministro fica mesmo parecido com o Anhuca.

E depois, ao dizer os disparates sucessivos que diz, mais palhaço parece.

Já não bastava ter sugerido aos jovens que emigrassem – agora, Passos Coelho diz-nos que devemos ser mais exigentes e menos piegas!

Cortam-te 10% do ordenado, os subsídios de Natal e de férias, aumentam-te os impostos, o gás, a electricidade, a água e os transportes, tiram-te feriados e dias de férias e ainda protestas?

És um piegas!

Impedem-te de deduzires despesas de saúde no IRS, aumentam as taxas moderadoras, fecham tribunais e centros de saúde e tu queixas-te?

Piegas de merda!

Eliminam carreiras de transportes, dificultam o transporte de doentes, cortam o subsídio de desemprego, baixam as reformas e tiram-te o Carnaval e tu ainda mandas vir?

És um piegas do caraças!

Mas melhor que o Anhuca, só o ílvaro, que continua no seu melhor.

Hoje, no Parlamento, o ílvaro envolveu-se em discussão com o deputado comunista, Agostinho Lopes.

Lopes, truculento, dizia que o ílvaro veio, lá do Canadá, com a fama de grande professor de Economia e, afinal, nada!

O í€lvaro ficou zangado, achou que “emigrante” era insulto e disse que os comunistas não gostam de emigrantes.

Lopes acabou por exclamar: «Sr. Ministro, não diga disparates, porra!»

E assim vamos, neste Portugal liberal do nosso descontentamento!

É fácil rimar com Vitor Gaspar

O inefável director de O Sol, José António Saraiva, no seu editorial de ontem, escreve sobre Vitor Gaspar e, a propósito do ministro das Finanças, recorda Salazar.

Também Salazar adoptou medidas duras para endireitar as Finanças e foi muito contestado. Por três vezes se demitiu e por três vezes foi reconduzido, sempre com mais poderes.

Até que chegou a Presidente do Conselho.

Gaspar também é contestado. Pela Oposição, o que é natural, mas também por alguns sectores da coligação, que o acham demasiado liberal.

Parece que o Cavaco também não vai muito í  bola com o Gaspar.

Pudera! O tipo cortou-lhe a reforma, aumentou-lhe o imposto e até lhe quer sacar os subsídios!

Claro que Belém desmente, Passos Coelho diz que não perde nem um minuto com essas especulações, mas toda a gente sabe que não há fumo sem fogo.

E Gaspar?

Gaspar passa incólume, entre os pingos da chuva, exibe o seu peculiar sorriso, esfrega as mãos e, no seu modo pausado de falar, vai afirmando que é assim, cortando salários, eliminando subsídios, aumentando impostos, encarecendo a saúde e os transportes, obliterando feriados, tirando dias de férias, empobrecendo, secando e entristecendo os portugueses, que é assim que vamos voltar aos mercados, erguendo-nos das cinzas, com um novo fí´lego, mostrando ao Mundo que somos capazes!

Pobres mas honrados!

Mas onde é que eu já ouvi isto?

De facto, Gaspar rima mesmo com Salazar…

—

Não é nada mierda, carago!

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, disse, numa intervenção no Fórum Europa – Tribuna Galícia, a decorrer em Vigo, o seguinte:

«Se não conseguirmos uma ligação decente, a integração na Euroregião torna-se mais difícil porque o que há agora não é nada, e isso é um problema».

Só que a agência Servimedia, ao serviço do El Mundo, traduziu “não é nada” por “mierda”.

O gabinete de comunicação da Câmara do Porto, apressou-se a esclarecer que, além de Rui Rio «nunca ter utilizado tal expressão – nem durante a intervenção, nem durante a conversa que manteve com os jornalistas no final da sessão – a palavra mierda, em Portugal, é considerada um palavrão, jamais utilizado por uma figura pública, ainda para mais durante um ato público».

É mentira, claro.

Antecedentes, há muitos.

E podia citar o antigo primeiro-ministro, almirante Pinheiro de Azevedo que, sitiado, no Parlamento, por uma multidão de manifestantes, gritou: «Bardamerda para o socialismo!”.

Podia, também, citar alguns dos nossos ilustres deputados que, publicamente, se insultam e se mandam, uns aos outros, para lugares pouco recomendáveis (certificar este texto de 2009).

Claro que Rui Rio, como bom tripeiro que é, podia muito bem dizer mierda em público – e muito pior.

Mas não disse.

Em resumo: a Servimédia fez Servimierda.

Djaló, afinal, é benfiquista

Djaló diz que sempre foi benfiquista.

Lembram-se do Cadete?

Também tinha o Benfica no coração.

Aliás, também tinha o Sporting e o Celtic (?) no coração.

Tinha, obviamente, hipertrofia do músculo cardíaco.

Paulo Bento também é benfiquista, como Carlos Martins e Domingos Paciência, José Sócrates, o Barbas, Mário Soares, o meu primo Fernando e Xanana Gusmão.

Pois se o Benfica tem cerca de 6 milhões de adeptos!…

Agora, o Djaló… com aquele penteado… com aqueles brincos… com aquela esposa…

Djaló é tão benfiquista como o João Pinto era sportinguista e o Passos Coelho é cavaquista…

O espião obeso

Enquanto a Mata Hari se despia para obter informações, o espião português veste-se, de fato e gravata e armazena números de telemóvel.

Enquanto o James Bond se esfalfa, salta, rola no chão, trepa, corre e sua as estopinhas, o espião português senta-se í  mesa com os seus contactos e enfarda.

Por isso, o espião português é gordo.

Além disso, o espião português é conhecido de todos e até tem página no Facebook.

No fundo, ele não espia porra nenhuma – limita-se a ter uma lista de nomes de pessoas e a dar a entender que sabe umas coisas sobre elas.

Todos nós sabemos coisas sobre algumas pessoas.

Todos nós, no fundo, somos um pouco espiões.

No entanto, o espião português ganha um ordenado por fazer o que todos nós fazemos.

E é gordo.

Quase de certeza, é hipertenso e tem o colesterol alto.

Se ainda não é, vai ser diabético.

Morrerá precocemente.

É dura, a vida de um espião…

Mesmo sendo português…

“The Girl With The Dragon Tattoo” (2011), de David Fincher

—Fincher conseguiu uma excelente adaptação do livro de Stieg Larsson. Li “Os Homens que Odeiam as Mulheres” em agosto de 2009 e ontem, ao ver o filme, recordei tudo o que li e pareceu-me que nada de importante ficou de fora.

The Girl With The Dragon Tattoo” é filmado a um ritmo alucinante, sem momentos de quebra. O ritmo é logo marcado pelo genérico, que nos dá muitas informações sobre a história, que só quem já leu o livro reconhece, e pelo tema musical que acompanha essa sucessão de imagem – a excelente “Imigrant Son”, dos Led Zeppelin, numa versão superior de Trent Reznor e Karen O.

E depois, a fotografia de Jeff Cronenweth, é cinzenta, quase a preto e branco, o que vai muito bem com a história e com a luz própria da Suécia, durante o Inverno.

Como já é público, Stieg Larsson morreu pouco depois de ter assinado o contrato para publicar a sua trilogia Millenium. Grande fumador, regressava í  redacção da sua revista, a Fox, quando deparou com o elevador avariado. Decidiu subir os sete andares e morreu, pouco depois de chegar lá acima.

Se estivesse vivo, era bem capaz de aprovar a escolha de Rooney Mara para interpretar o papel de Lisbeth Salander, a verdadeira heroína desta história.

Mara pegou bem na personagem e, para quem leu o livro, é uma Lisbeth convincente.

Quanto a Daniel Craig, também não tem grande dificuldade em personificar o jornalista/investigador Mikael Blomkvist.

Mas o principal culpado do excelente resultado final deste filme é David Fincher.

Desta vez, tenho que aplaudir quem decidiu traduzir “The Girl with the Dragon Tattoo” por “Os Homens que Odeiam as Mulheres”, que é a tradução correcta do título original do livro, que é “Man Som Hatar Kvinnor”.