Desta vez é a sério!
Tenho 2200 latas e quero desfazer-me delas!
Dou-as ao primeiro que me aparecer.
Quem se habilita?
aqui desde 1999
Na quarta-feira í noite, na TVI 24, no programa Prova dos 9, foi revelado este grande segredo: Salazar, afinal, era uma mulher!
No dito programa, Santana Lopes exaltava as «virtudes da resistência, paciência e abnegação do povo português».
Perante esta exaltação nacionalista, o bloquista Fernando Rosas comentou: «parece o Salazar a falar…»
E o Sr. Lopes contra-atacou, exclamando: «Salazar é a tua tia!»
Ora, com esta afirmação, o Sr. Lopes revela quatro coisas: a primeira é que Salazar é tia de Fernando Rosas, a segunda, é que Salazar ainda está vivo, a terceira, não interessa, e a quarta, é que Salazar, esse grande ditador, afinal, era uma gaja!
Esta revelação muda a História da Europa Ocidental.
Se Salazar, afinal, era um gaja, quem nos garante que Hitler não terá sido transexual?
Ainda a campanha eleitoral ia no adro e já eu dizia que Passos Coelho me fazia lembrar o Anhuca, o famoso palhaço pobre que, em tempos que já lá vão, assustou muitas criancinhas.
Com aquela ausência do lábio superior, com um pouco de base na face, batom nos lábios e rimel nos olhos, o primeiro-ministro fica mesmo parecido com o Anhuca.
E depois, ao dizer os disparates sucessivos que diz, mais palhaço parece.
Já não bastava ter sugerido aos jovens que emigrassem – agora, Passos Coelho diz-nos que devemos ser mais exigentes e menos piegas!
Cortam-te 10% do ordenado, os subsídios de Natal e de férias, aumentam-te os impostos, o gás, a electricidade, a água e os transportes, tiram-te feriados e dias de férias e ainda protestas?
És um piegas!
Impedem-te de deduzires despesas de saúde no IRS, aumentam as taxas moderadoras, fecham tribunais e centros de saúde e tu queixas-te?
Piegas de merda!
Eliminam carreiras de transportes, dificultam o transporte de doentes, cortam o subsídio de desemprego, baixam as reformas e tiram-te o Carnaval e tu ainda mandas vir?
És um piegas do caraças!
Mas melhor que o Anhuca, só o ílvaro, que continua no seu melhor.
Hoje, no Parlamento, o ílvaro envolveu-se em discussão com o deputado comunista, Agostinho Lopes.
Lopes, truculento, dizia que o ílvaro veio, lá do Canadá, com a fama de grande professor de Economia e, afinal, nada!
O í€lvaro ficou zangado, achou que “emigrante” era insulto e disse que os comunistas não gostam de emigrantes.
Lopes acabou por exclamar: «Sr. Ministro, não diga disparates, porra!»
E assim vamos, neste Portugal liberal do nosso descontentamento!
O inefável director de O Sol, José António Saraiva, no seu editorial de ontem, escreve sobre Vitor Gaspar e, a propósito do ministro das Finanças, recorda Salazar.
Também Salazar adoptou medidas duras para endireitar as Finanças e foi muito contestado. Por três vezes se demitiu e por três vezes foi reconduzido, sempre com mais poderes.
Até que chegou a Presidente do Conselho.
Gaspar também é contestado. Pela Oposição, o que é natural, mas também por alguns sectores da coligação, que o acham demasiado liberal.
Parece que o Cavaco também não vai muito í bola com o Gaspar.
Pudera! O tipo cortou-lhe a reforma, aumentou-lhe o imposto e até lhe quer sacar os subsídios!
Claro que Belém desmente, Passos Coelho diz que não perde nem um minuto com essas especulações, mas toda a gente sabe que não há fumo sem fogo.
E Gaspar?
Gaspar passa incólume, entre os pingos da chuva, exibe o seu peculiar sorriso, esfrega as mãos e, no seu modo pausado de falar, vai afirmando que é assim, cortando salários, eliminando subsídios, aumentando impostos, encarecendo a saúde e os transportes, obliterando feriados, tirando dias de férias, empobrecendo, secando e entristecendo os portugueses, que é assim que vamos voltar aos mercados, erguendo-nos das cinzas, com um novo fí´lego, mostrando ao Mundo que somos capazes!
Pobres mas honrados!
Mas onde é que eu já ouvi isto?
De facto, Gaspar rima mesmo com Salazar…
O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, disse, numa intervenção no Fórum Europa – Tribuna Galícia, a decorrer em Vigo, o seguinte:
«Se não conseguirmos uma ligação decente, a integração na Euroregião torna-se mais difícil porque o que há agora não é nada, e isso é um problema».
Só que a agência Servimedia, ao serviço do El Mundo, traduziu “não é nada” por “mierda”.
O gabinete de comunicação da Câmara do Porto, apressou-se a esclarecer que, além de Rui Rio «nunca ter utilizado tal expressão – nem durante a intervenção, nem durante a conversa que manteve com os jornalistas no final da sessão – a palavra mierda, em Portugal, é considerada um palavrão, jamais utilizado por uma figura pública, ainda para mais durante um ato público».
É mentira, claro.
Antecedentes, há muitos.
E podia citar o antigo primeiro-ministro, almirante Pinheiro de Azevedo que, sitiado, no Parlamento, por uma multidão de manifestantes, gritou: «Bardamerda para o socialismo!”.
Podia, também, citar alguns dos nossos ilustres deputados que, publicamente, se insultam e se mandam, uns aos outros, para lugares pouco recomendáveis (certificar este texto de 2009).
Claro que Rui Rio, como bom tripeiro que é, podia muito bem dizer mierda em público – e muito pior.
Mas não disse.
Em resumo: a Servimédia fez Servimierda.
Djaló diz que sempre foi benfiquista.
Lembram-se do Cadete?
Também tinha o Benfica no coração.
Aliás, também tinha o Sporting e o Celtic (?) no coração.
Tinha, obviamente, hipertrofia do músculo cardíaco.
Paulo Bento também é benfiquista, como Carlos Martins e Domingos Paciência, José Sócrates, o Barbas, Mário Soares, o meu primo Fernando e Xanana Gusmão.
Pois se o Benfica tem cerca de 6 milhões de adeptos!…
Agora, o Djaló… com aquele penteado… com aqueles brincos… com aquela esposa…
Djaló é tão benfiquista como o João Pinto era sportinguista e o Passos Coelho é cavaquista…
Enquanto a Mata Hari se despia para obter informações, o espião português veste-se, de fato e gravata e armazena números de telemóvel.
Enquanto o James Bond se esfalfa, salta, rola no chão, trepa, corre e sua as estopinhas, o espião português senta-se í mesa com os seus contactos e enfarda.
Por isso, o espião português é gordo.
Além disso, o espião português é conhecido de todos e até tem página no Facebook.
No fundo, ele não espia porra nenhuma – limita-se a ter uma lista de nomes de pessoas e a dar a entender que sabe umas coisas sobre elas.
Todos nós sabemos coisas sobre algumas pessoas.
Todos nós, no fundo, somos um pouco espiões.
No entanto, o espião português ganha um ordenado por fazer o que todos nós fazemos.
E é gordo.
Quase de certeza, é hipertenso e tem o colesterol alto.
Se ainda não é, vai ser diabético.
Morrerá precocemente.
É dura, a vida de um espião…
Mesmo sendo português…
Fincher conseguiu uma excelente adaptação do livro de Stieg Larsson. Li “Os Homens que Odeiam as Mulheres” em agosto de 2009 e ontem, ao ver o filme, recordei tudo o que li e pareceu-me que nada de importante ficou de fora.
“The Girl With The Dragon Tattoo” é filmado a um ritmo alucinante, sem momentos de quebra. O ritmo é logo marcado pelo genérico, que nos dá muitas informações sobre a história, que só quem já leu o livro reconhece, e pelo tema musical que acompanha essa sucessão de imagem – a excelente “Imigrant Son”, dos Led Zeppelin, numa versão superior de Trent Reznor e Karen O.
E depois, a fotografia de Jeff Cronenweth, é cinzenta, quase a preto e branco, o que vai muito bem com a história e com a luz própria da Suécia, durante o Inverno.
Como já é público, Stieg Larsson morreu pouco depois de ter assinado o contrato para publicar a sua trilogia Millenium. Grande fumador, regressava í redacção da sua revista, a Fox, quando deparou com o elevador avariado. Decidiu subir os sete andares e morreu, pouco depois de chegar lá acima.
Se estivesse vivo, era bem capaz de aprovar a escolha de Rooney Mara para interpretar o papel de Lisbeth Salander, a verdadeira heroína desta história.
Mara pegou bem na personagem e, para quem leu o livro, é uma Lisbeth convincente.
Quanto a Daniel Craig, também não tem grande dificuldade em personificar o jornalista/investigador Mikael Blomkvist.
Mas o principal culpado do excelente resultado final deste filme é David Fincher.
Desta vez, tenho que aplaudir quem decidiu traduzir “The Girl with the Dragon Tattoo” por “Os Homens que Odeiam as Mulheres”, que é a tradução correcta do título original do livro, que é “Man Som Hatar Kvinnor”.