Onde pára a ASAE?

O DN de hoje publica uma notícia assustadora: “Prisão de Coimbra vende canivetes a reclusos na cantina”.

Trata-se de uma espécie de canivetes, conhecidos como “chinos”, com uma lâmina de 4 centímetros, que os prisioneiros usam para descascar fruta ou cortar uma carótida.

Estão no seu direito.

Agora, o que não se percebe é como a ASAE não obriga o Estabelecimento Prisional de Coimbra a vender os canivetes noutro local.

Na cantina, perto dos alimentos, não me parece nada higiénico.

O meio tio de Sócrates e os cadilhes de Constâncio

A comunicação social anda, novamente, muito entusiasmada com o “caso Freeport”.

Agora, descobriram que um tal Júlio Monteiro, meio irmão da mãe de Sócrates, poderá ter servido como intermediário, entre a empresa inglesa, dona do outlet, e um ministro do governo de Guterres. Untando as mãos desse ministro com 4 milhões de euros, ele teria dado um jeito, no sentido do projecto ser aprovado, o que veio a acontecer, três dias antes de Guterres deixar o pântano.

Ora, sabendo que o ministro responsável pelo estudo de impacto ambiental era José Sócrates, depreende-se que os 4 milhões foram parar aos seus bolsos, o que explica as gravatas giras.

No entanto, se o Júlio Monteiro é meio irmão da mãe de Sócrates, isto significa que é apenas meio tio do primeiro-ministro – logo, só lhe deve ter dado 2 milhões.

Resta saber onde páram os outros 2 milhões.

Aliás, a malta está a especializar-se em fazer desaparecer milhões. Cada dia que passa, descobre-se que desapareceram mais alguns milhões, e nisso, o BPN é perito.

Ora, segundo a teoria de Cadilhe, a culpa não é de quem rouba os milhões, mas de quem tinha obrigação de montar guarda e não deixar que os milhões fossem roubados.

Constâncio foi ao rubro e só não teve um AVC por causa da recessão, que tem mantido tudo em baixo, mesmo a tensão arterial.

Tem alguma graça ver os banqueiros quererem ser independentes, abominarem o Estado e revoltarem-se contra qualquer intromissão na sua actividade e, depois, quando alguma coisa corre mal, irem todos a correr pedir ajuda e gritarem que a culpa é do Banco de Portugal.

Filhos ingratos!

Mas Constâncio devia saber que quem tem filhos, tem cadilhes…

Obama – a desilusão

Assisti, em directo, pela televisão, í  tomada de posse do nosso novo presidente.

E fiquei triste e desiludido e revoltado e verdadeiramente zangado com ele.

Então, depois de tudo o que fizemos por ele, de todo o apoio que lhe demos, o Obama nem por uma vez se referiu a Portugal no seu discurso de tomada de posse!

Ingrato!

Cuidado com as católicas!

O cardeal Patriarca avisou as raparigas católicas: cuidado com os muçulmanos; casamento com muçulmano é fonte de muitos aborrecimentos.

Em resposta, o Imã Ali Kadhnefi afirmou: “cuidado com as católicas! Gostam muito de pecar e depois dizem que a culpa é dos homens!”

E acrescentou: “elas gostam de fazer porcarias com o sexo e não se ralam porque, depois, vão í  confissão e o padre absolve-as, se elas lhe fizerem sexo oral!”

Está a ver, sr. Cardeal Patriarca?… O senhor é que diz as asneiras e depois as nossas mulheres é que são enxovalhadas.

Até já as ávores matam homens!

Quando surgiu o Correio da Manhã, a malta dizia que se amarrotava o jornal e saía sangue, tal era a quantidade de notícias sobre crimes e derivados.

Depois, surgiu o jornal O Crime e outros semelhantes, como, mais recentemente, o 24 Horas.

Mas o Diário de Notícias é um clássico. Sempre.

Desde os tempos de El Rei D. Luis.

Pois é, o DN existe desde 1864!

Então, tomem lá com alguns títulos do DN de ontem.

«Gaia: Roubaram tabaco armados com caçadeiras e uma metralhadora»; «Assaltos a caixas multibanco aumentaram»; «Ovar: Detido gangue da pistola prateada»; «Valongo: Duo armado rouba mulher que seguia a pé na rua»; «Amarante: Ladrões de casa detidos»; «Tomar: Trabalhador ferido em queda»; «Marinha Grande: Carro roubado na praia»; «Caldas da Rainha: írvore mata homem» (tudo na página 21).

«Coimbra: Detido homem que estará ligado ao tiroteio no Bairro do Ingote»; «Vila Flor: Pai e filho tentaram matar vizinho a tiro»; «Oliveira do Bairro: Detido terceiro suspeito de roubo a donos de restaurante»; «Lourinhã: Amarraram condutor e fugiram com o tabaco»; «Albergaria: Rapaz incendiava autocarros para se exibir aos amigos» (tudo na página 22).

«Covilhã: Homem de 77 anos mata companheira de 82»; «Setúbal: Agente da PSP apanhou ladrão a assaltar o seu carro»; «Vouzela: Bombas roubadas com faca» (página 23).

«Porto: Metade da cidade tem medo de sair í  rua í  noite»; «Coimbra: Carro ardeu e obrigou a evacuar prédio»; «Abrantes: Homem morreu em despiste de tractor»; «Lourosa: Marroquinos baleados» (página 25).

Este país está a saque!

Até já as ávores matam homens!

Pelo menos, nas Caldas da Rainha…

Frio como a água do rio

Está um frio do caraças!

Basta ver o Telejornal…

Eu sou do tempo em que um gajo ia í  janela ver como estava o tempo.

Agora, não. Agora, vê-se o Telejornal e se eles disserem que está frio, a gente tem que tiritar. Ouvimos atentamente conselhos altamente especializados como: quando está mais frio deve vestir-se mais roupa.

E eu que pensei que o frio enrijava os ossos, embora sempre tenha ouvido dizer que, se tiver frio, me devo enrolar na capa do meu tio.

Mas agora há os alertas coloridos.

Se estiver amarelo, visto uma camisola. Se estiver laranja, visto duas. Se estiver vermelho, mais vale não sair de casa.

Que seria de nós sem o Telejornal para nos dizer o que fazer!

Senhoras e senhores, está um barbeiros dos antigos, um briol do carago. Toca a tremer de frio!

Aqui estou, então, fechado em casa, estores em baixo, televisão acesa, í  espera que me digam o que devo vestir, o que devo comer, o que devo beber.

E penso que só vou sair daqui quando anunciarem uma vaga de calor…

Um kick no Flores

Senhores, estou farto!

Levar 5-1 do Olimpyakos doeu, mas os gregos vivem lá longe.

Agora, perder 2-0 com o Trofense?!

Será que o Flores não via que o Bynia estava ali, estava a ser expulso?

Será que não viu que o Carlos Martins estava vesgo?

Será que não percebeu que o Jorge Ribeiro estava bem era no Boavista?

Trocar o Di Maria pelo Cardozo?!

Insistir no Ruben Amorim pela direita?

Sou só eu é que vejo estas coisas?

Então e tu, ó castelhano de má pinta? Onde tiraste o curso de treinador? Saiu-te em alguma embalagem de bolachas Cuétara?

Que tipo de palestra proferiste, durante o intervalo, que os gajos ainda jogaram pior na segunda parte?

Quatro remates í  baliza em todo o jogo?

í“ Flores, do que tu precisas mesmo é de um kick num sítio que eu cá sei.

Para a próxima, peço o despedimento com justa causa para esse espanholito de patilhas grandes que, depois de ser afastado da Uefa, da Taça de Portugal e do primeiro lugar da Liga, ainda só tem uma coisa a seu favor: os 6-0 ao Marítimo.

É pouco…

Ai Flores, Flores, que ainda levas com o regador!…

Mistérios portugueses

Primeiro: a crise está aí. Ataca em todas as frentes. Os comerciantes, por exemplo, queixam-se. Muito.

O Expresso diz que, durante 2008 fecharam, pelo menos, 11 mil estabelecimentos comerciais. E o negócio vai mal. Muito mal. Apesar do Natal.

Então, pergunto: para onde foram os 4,3 milhões de euros que os portugueses movimentaram com os seus cartões multibanco, entre 1 e 25 de Dezembro?

Segundo: a Direcção-Geral da Saúde diz que, na passada quarta-feira, foram registadas 20.863 consultas de urgência, das quais 11.899 nos centros de saúde e 8.964 nos hospitais. No dia 1 de Janeiro, esse número aumentou para 22.761 (11.063 nos hospitais e 11.698 nos centros de saúde).

E eu pergunto: o que tem isto a ver com a “epidemia” de gripe?

Será que todos os doentes que recorrem as urgências têm gripe?

E por que razão, no centro de saúde onde trabalho, o número de consultas diminuiu consideravelmente nos ultimos dias?

Será que os nossos utentes são menos doentes do que os de outras regiões do país?

A crise e a gripe – eis mais dois grandes mistérios portugueses…

2009 – Um ano cheio de dias

Os meus desejos para 2009 são formidáveis e muito oriundos, como dizia o outro, que já cá não está.

Poder levantar-me e dizer, poder movimentar-me e crescer, poder poder.

Saber calar-me e poupar afirmações, guardar as pérolas, afastar-me dos porcos.

Avançar sem me mexer, manter-me atento e ponderado e não demasiado. Em nada.

Escutar, mais do que falar.

Observar, mais do que ser observado.

Decidir, não adiar.

Fruir e ser fruído.

E não acreditar em nada disto.

Aldragripe

Não é meu hábito comentar assuntos relacionados com a minha área profissional.

Penso que estou demasiado envolvido para ter uma opinião isenta.

Mas esta história do surto da gripe, merece algumas palavras e muita reflexão.

Ontem, prolonguei o meu horário. Estive no Centro de Saúde das 8 da manhã í s 22 horas. Fiz as minhas consultas programadas até í s 16 horas e, depois, fiz a consulta aberta a todos os utentes que solicitam consulta no próprio dia, pertençam, ou não, í  minha lista de utentes. Esta consulta – direccionada para os utentes que não puderam ser consultados pelo seu médico de família ou para situações agudas que surgem em horário post-laboral, funciona das 16 í s 20 horas, com dois médicos.

No dia 16 de Dezembro – ainda a gripe não existia… – eu a e a minha colega Emília, atendemos 82 pessoas, nesse período de 4 horas.

Ontem, por determinação superior, prolongámos o horário até í s 22 horas, devido ao surto de gripe.

Consultámos 56 utentes. Nenhum, entre as 20 e as 22 horas!

Dois médicos, duas enfermeiras, uma administrativa e um segurança, cobraram mais 2 horas extraordinárias ao SNS para satisfazer as paranóias dos jornalistas, que inventaram uma epidemia de gripe.

Dizia-me, ontem um dos doentes que consultei: “É pá! Isto hoje ainda está melhor do que é costume! O doutor chamou-me tão depressa que nem tive tempo para me sentar! Gripe?! Os gajos querem é vender as vacinas que ainda estão em stock! Dizem que ainda há 96 mil vacinas nas farmácias – deviam eram dá-las í quele tipo com risco ao meio, da Direcção-Geral. Todas!”

Quanto a mim, enquanto bocejava í  espera dos doentes que nunca apareceram, pensei por que razão os jornalistas foram, a correr, ao Amadora-Sintra, na sexta-feira passada, para filmar a sala de espera cheia de doentes e nenhum apareceu ontem, no meu Centro de Saúde, para filmar a sala cheia… de moscas…