Aristides, o bloqueador

Alguém sabe quem é Aristides Teixeira?

Daniela Gouveia, do Público e Roberto Dores, do Diário de Notícias, sabem.

E eu também.

Aristides Teixeira é o pomposo líder da Associação de Utentes da Ponte 25 de Abril (ADUP).

Em Junho de 1994, era Cavaco primeiro-ministro, a ADUP e milhares de anónimos, incluindo dois camionistas, mais tarde implicados em negócios menos claros, decidiram bloquear a Ponte 25 de Abril e, perante a benevolência das forças policiais, fazer de conta que estavam a fazer uma revolução.

Agora, 14 anos depois, Aristides decidiu comemorar a data e organizou um jantar no Café Império.

Os membros da ADUP compareceram em peso. Segundo Daniela Gouveia, do Público, o jantar «teve apenas seis lugares ocupados». Segundo Roberto Dores, do DN, o jantar «juntou uma dezena de membros da ADUP».

Das duas, uma: ou Daniela não pí´s os pés no Café Império e calculou que só lá fossem meia dúzia de insurrectos, ou Roberto Dores não sabe contar.

Para o caso, pouco importa. Segundo Dores, Aristides disse «o engenheiro Sócrates que se cuide… o governo teve a lata de dizer que os combustíveis só afectam quem tem carro, mas nós avisamos que toda a economia está a ser afectada e que corremos o risco de ter aqui a Argentina».

Aristides é pateta! Quem me dera ter aqui a Argentina, para poder visitar os glaciares e a península Valdez sempre que me apetecesse!

Sócrates – cuida-te! Se não te pões a pau, vem aí o Aristides e os seus 5 acólitos (9, segundo o DN) e ainda te dão uma tareia, pá!

A reforma de miséria de Salter Cid

Salter Cid é, actualmente, vereador da Câmara de Lisboa, pelo PSD.

Em 1990, entrou para a Marconi, exercendo funções de marketing e comunicação. Logo nesse ano e no seguinte, foi requisitado por Cavaco Silva para secretário de Estado das Comunicações. Voltou para a Marconi e, em 1994/95, Cavaco chamou-o, novamente, desta vez para secretário de Estado da Segurança Social. Foi nessa qualidade que aprovou o regulamento do Fundo Especial de Melhoria de Segurança Social do Pessoal da Marconi. Uma das benesses desse Fundo permite, aos pensionistas da Marconi aplicar, como suplemento extra, uma taxa de 15% sobre o valor da pensão estatutária calculada na data da passagem í  situação de pensionista. O referido Fundo tinha, no ano passado, um passivo de mais de 12 milhões de euros.

Durante o governo de Durão Barroso, Cid foi requisitado novamente, desta vez para presidir í  Companhia das Lezírias. Levou consigo, da PT, a secretária (3.500 euros/mês) e o motorista (3.300 eurpos/mês). O Tribunal de Contas desconfiou do salário que Cid auferia na Companhia das Lezírias (27.500 euros/mês). O contrato entre a Companhia e Cid foi celebrado um ano depois de Cid ter iniciado funções e o próprio Cid assinou o contrato, em nome da Companhia.

Em 2007, com 17 anos de casa (Marconi/PT), embora só 6 de actividade, Cid solicitou a passagem í  pré-reforma, que lhe foi concedida. Ganha 17.900 euros/mês pelos 6 anos efectivos que trabalhou para a Marconi/PT.

Cid acha pouco. Acha que tem direito ao mesmo vencimento que o funcionário da PT, no activo, com a sua categoria. Meteu a PT em Tribunal.

Não foi preso.

Moiros de trabalho

Gosto muito do que faço e só trocava isto por fazer coisa nenhuma.

É um sonho antigo: ser pago para não fazer nada ou, melhor ainda, ser pago por não fazer nada.

Mas enquanto esse sonho não se concretiza, tenho que trabalhar.

Em média, são 45 horas por semana, mas há semanas piores, em que posso chegar í s 62 horas semanais.

Cada vez que isso me acontecia, ficava ligeiramente preocupado. Trabalhar mais de 48 horas por semana é ilegal e não me apetecia nada, depois de tanto trabalho, ainda levar com uma multa em cima.

Agora, estou mais descansado.

O Conselho Europeu dos ministros do Trabalho e dos Assuntos Sociais aprovou uma directiva que permite aos estados membros alargar o limite do horário semanal de trabalho até í s 65 horas!

A luta de gerações de trabalhadores, que pugnaram pelo fim do trabalho escravo do sol-a-sol, foi toda por água abaixo.

A partir de agora, nada pode impedir os patrões de exigirem serões aos seus trabalhadores.

No tempo da ditadura, a propaganda do regime inventou uma coisa chamada Serões para Trabalhadores, que era assim uma espécie de espectáculos de variedades, organizado pela FNAT (Federação Nacional para a Alegria no Trabalho) e que se destinavam a entreter as famílias (já repararam como as coisas tinham nomes sinistros, no tempo da Outra Senhora?…)

Agora, com 65 horas semanais de trabalho, os serões para trabalhadores transformar-se-ão em outra variedade de espectáculo: trabalhar mais pelo mesmo ordenado.

Obrigado, União Europeia!

Portugal desiste do Euro 2008

Foi pena. A selecção estava a jogar tão bem, ganhou com tanta limpeza, quer í  Turquia, quer í  República Checa, que foi uma desilusão ter que desistir.

Bem, eu não tenho a certeza se foi isso que aconteceu, mas deduzo que tenha sido por causa da saída de Scolari para o Chelsea.

Ontem í  noite, quando liguei a televisão, o canal 1 estava a transmitir, em directo, uma conferência de imprensa em que Scolari explicava que tinha que ir trabalhar para o Chelsea porque o Abramovich tinha mais dinheiro que o Madaíl. Como não tenho nada a ver com isso, mudei para a Sic, mas também esse canal transmitia, em directo, a mesma conferência de imprensa. Em desespero de causa, mudei para a TVI – coisa que só costumo fazer quando eles transmitem um jogo do Benfica – e lá estava, em directo, a mesma conferência de imprensa!

Ora, eu não me lembro de os três canais estarem a transmitir a mesma coisa desde que… desde que… Acho mesmo que nunca transmitiram nada em simultâneo, nem as comunicações ao país do primeiro-ministro ou do Presidente da República.

Logicamente, deduzi que, para a RTP, a SIC e a TVI estarem a transmitir, em directo e em simultâneo, a conferência de imprensa de um treinador de futebol, só poderia ser por três razões:

1º Scolari tinha assassinado Cavaco Silva e estava a confessar o crime, em directo;

2º Scolari tinha sido apanhado a roubar uma caixa registadora num supermercado suíço e ia ser preso;

3º Scolari ia treinar o Chelsea já amanhã, deixava a selecção portuguesa órfã e, por essa razão, a «equipa de todos nós» ia desistir do Euro 2008.

Deduzi que esta hipótese era a mais provável e fiquei triste.

Agora a sério: os responsáveis pelas três televisões não têm vergonha na cara?! Acham sinceramente que é notícia nacional o facto de um brasileiro ir treinar uma equipa inglesa e pensam que essa notícia mereça a transmissão em directo de um conferência de imprensa, em que jornalistas ingleses fazem perguntas sobre o futuro de um treinador de futebol?

Vão dar banho ao cão!

Que banho (checo) de bola!

Os que sabem o significado de “banho checo”, perceberão o que quero dizer.

O banho checo é mais ordinarote que o banho turco.

E foi isso que aconteceu. A selecção não jogou tão bem, o Ricardo e os centrais andaram um bocado aos papéis nos cantos e nos cruzamentos, mas a vitória acabou por ser mais dilatada do que contra a Turquia e, aparentemente, foi mais fácil vencer os checos.

Scolari fez um bom trabalho, nestas duas semanas e, também por isso, conseguiu um belo contrato com o Chelsea. Não há dúvida que conseguiu formar uma equipa – e a prova disso foi o terceiro golo contra a República Checa, um golo que só se consegue quando existe equipa.

Venha de lá a Suíça!

O raça do Cavaco!

Quem se lembra do Dia da Raça?

O Presidente Cavaco lembra-se, pelos vistos. Interrogado, pelos jornalistas, sobre a greve dos camionistas, resolveu dizer: «hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, a raça, o dia da raça, o dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas».

O Dia da Raça calhava a 10 de Junho, no tempo da Outra Senhora e ninguém sabia que Raça era festejada: os pastores alemães, os serra da estrela, as charolesas, as barrosãs, os cocker spaniel?

A minha avozinha, que talvez deus tenha, quando se referia a alguém que a impressionava de algum modo, porque se portava muito bem ou porque se portava muito mal, costumava dizer: «o raça da rapariga só faz disparates!» ou «o raça do rapaz só tira boas notas!»

Deve ser nesta categoria que se inclui o «raça do Cavaco»!

Que banho (turco) de bola!

Dou a mão í  palmatória: a selecção jogou bem, correu do princípio ao fim e mereceu ganhar í  Turquia. Apenas fiquei irritado durante cerca de 10 minutos, depois do golo de Pepe, porque me pareceu que a equipa ia defender o resultado, ao bom estilo Scolari, em vez de procurar marcar um segundo golo. Mas, enfim, o Ronaldo lá meteu a terceira, o Moutinho teve um passe de mestre e o Meireles marcou.

Afinal, não houve banhos turcos, Portugal é que deu um banho í  Turquia e o cabeça-de-turco até foi um brasileiro com nome de mexicano.

Esta dos brasileiros naturalizados para jogar futebol, é algo que se está a generalizar. Além do Deco e do Pepe, em Portugal, temos, só neste Europeu, um Aurélio na Turquia, um Kuranyi na Alemanha, um Guerreiro na Polónia e um Senna na Espanha. Todos brasileiros.

E o fenómeno não é só brasileiro. A lista que o Público hoje traz é bem curiosa. Há um albanês (Gercaliu) e um croata (Vastic) na selecção da íustria, um australiano (Simunic), na Croácia, um suíço (Neuville), na Alemanha e um argentino (Camoranesi), na Itália.

Mas, se quisermos ir mais longe, temos um nascido em França (Petit) e outro no Congo (Bosingwa), na selecção portuguesa; um nascido na Bósnia (Jakupovic), um na Costa do Marfim (Djourou), um na Jugoslávia (Bhrami), um em Cabo Verde (Fernandes) e um na Colí´mbia (Vonlanthen), na selecção suíça; na selecção turca, temos dois nascidos na Alemanha (Balta e Altintop), um na França (Erdinç) e outro na Inglaterra (Kazim); na selecção austríaca, ainda temos um nascido na Hungria (Garics) e outro na Alemanha (Arnic); a Croácia tem um nascido na Suíça (Rakitc) e três na Alemanha (Robert e Niko Kovac e Klansnic); a própria Alemanha tem três jogadores nascidos na Polónia (Trochowski, Klose e Podolski) ; Perrotta, da selecção italiana, nasceu em Inglaterra; Vyntra, da Grécia, nasceu na República Checa; Linderoth, da Suécia, nasceu em França; e, finalmente, a selecção francesa conta com dois nascidos no Congo (Makelele e Mandanda), um nos Camarões (Boumsong) e dois no Senegal (Patrick Vieira e Evra).

Portanto, Pepe é português e o resto é conversa!

Aliás, o facto de a Turquia participar no Europeu também é muito discutível – a menos que todos os seus jogadores tivessem nascido para cá do Bósforo. Se nasceram para lá do Estreito, deviam jogar numa competição asiática qualquer.

Europeus ou asiáticos, os turcos não tiveram outro remédio senão atirar a toalha (turca) ao chão e renderem-se.

E agora, é a vez de arrasar os checos!

Obama sabe a pouco

Está bem, o facto de os democratas norte-americanos terem escolhido um candidato negro, é um avanço. Mas contra quem concorreu Obama? Contra uma mulher… Ora, escolher entre uma gaja e um preto, que raio de escolha é essa? Um americano que se preze, por muito democrata que seja, vê-se entre a espada e a parede e tem que escolher o preto. A gaja, nunca!

Agora, imaginem que Obama era uma gaja!

Ou melhor: que Obama era uma gaja lésbica.

Ou melhor ainda: gaja, lésbica, preta retinta e agnóstica.

Isso, sim – seria radical!

A escolha de Obama não é nada de especial.

No fundo, Obama não passa de um John Kennedy bronzeado