Vamos eleger os juízes?

Provavelmente, a vacina contra o cancro do colo do útero já não vai começar a ser administrada em Setembro/Outubro, como estava previsto.

Duas vacinas concorreram ao concurso público: uma, da Smith/Kline, é activa contra as duas estirpes mais frequentes do vírus do papiloma e é mais barata; a outra, da Sanofi/Pasteur, é activa contra 4 estirpes e é mais cara. O júri do concurso público escolheu a mais barata. A Sanofi/Pasteur apresentou uma providência cautelar e a decisão do concurso ficou suspensa.

Quer dizer: até que os tribunais decidam, nenhuma miúda pode ser vacinada contra o vírus do papiloma humano, em Portugal.

Não estás de acordo com as aulas de substituição? Providência cautelar.

És contra o túnel do Marquês? Providência cautelar.

Não aceitas a co-inceneração? Providência cautelar.

Não aceitas que te desçam de divisão porque és acusado de influenciar árbitros? Providência cautelar.

Não gostas do prédio que estão a construir em frente í  tua casa? Providência cautelar.

Os juízes conseguem influenciar a política de saúde, de educação, de obras públicas, do desporto…

Eleger deputados, para quê?!

Não seria mais democraticamente importante eleger os juízes?

Jornalismo mentiroso

O Diário de Notícias de hoje publica, na primeira página, uma manchete vergonhosa: “Classe média já pede comida por ‘e-mail’ í s misericórdias”

E há um subtítulo ainda mais vergonhoso: “crise bate í  porta mas não deixam de pagar Net e viajar”.

Na página 13, Rita Carvalho, a autora da notícia mostra-nos como não se deve fazer jornalismo, como é que uma notícia cheia de inexactidões contribui para fazer crescer o mito da crise e como é que alguns jornalistas, por muito que apregoem o contrário, querem tornar-se, eles próprios, os fazedores das notícias, em vez de serem os transmissores (que é a sua missão).

Rita Carvalho começa por escrever:

“Aos emails da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) chegam todas as semanas dezenas de pedidos de ajuda alimentar. Pessoas que evitam revelar o menos possível sobre si próprios e pedem ajuda para atravessar o período difícil que se vive e matar a fome.

Quem o diz é Manuel de Lemos, presidente da UMP, que alerta para este novo padrão de pobreza que foge ao típico retrato dos pobres conhecido em Portugal. «São pessoas com um perfil diferente, que não vivem na miséria, mas estão í  beira de entrar na pobreza», explicou ao DN, acrescentando que este é um fenómeno que se veio a sentir desde o início do ano, quando se intensificaram os problemas económicos.”

Deixando de lado a má construção das frases (não se deve dizer “um fenómeno que se veio”, mas sim “um fenómeno que se tem vindo a sentir”), a notícia falha quase todos os pontos essenciais de uma notícia (onde, quando, como, etc).

Quantos emails recebe, semanalmente a Misericórdia e quantos desses emails pertencem í  classe média? A percentagem é significativa? Era costume receber emails a pedir ajuda alimentar? E esses emails serão de pessoas diferentes? Quantas? Quantas famílias representarão? Não estaremos a falar de meia dúzia de xicos-espertos que se querem aproveitar da “crise” para sacar alimentos í  borla? Não será um pouco abusivo intitular “Classe média está a pedir comida por ‘e-mail’ í s misericórdias”?

Como é que o presidente da UMP sabe que determinados emails são da classe média se “as pessoas evitam revelar o menos possível sobre si próprios”?

Adiante.

“Não estamos a falar de idosos, dos típicos desempregados, mas de pessoas com menos de 40 ou 45 anos que se calhar não deixam de pagar netcabo nem desmarcam as férias na agência de viagens mas passam fome”, conta Manuel de Lemos, que diz que ao seu próprio email já chegaram dezenas de pedido de ajuda.”

Claro que não é a jornalista a dizer isto, mas é ela que tira a conclusão. O Sr. Lemos – que devia ter mais tento na língua – diz que quem pede comida por email “se calhar não desmarca as férias nas agências de viagens”. Se calhar? Em que é que ficamos: desmarcam ou não desmarcam as férias? E continuam a pagar a netcabo? Como é que ele sabe? E quem lhe disse que essas pessoas têm entre 40 a 45 anos, se, como diz a Rita, as “pessoas evitam revelar o menos possível sobre si próprias”? É que, afinal, já sabemos a que grupo etário pertencem, que são da classe média, que continuam a pagar a Net e as viagens, mas que estão cheias de fome, coitadinhas…

Mais í  frente, Manuel de Lemos diz que o número de pessoas que vão comer í s Misericórdias também aumentou. Escreve a jornalista (mal, mais uma vez): “Idosos que vinham almoçar uma vez por semana e agora aparecem todos os dias, crianças e jovens”. Diz o Sr. Lemos: “estas pessoas novas quando chegam para comer, põem-se a um canto, comem rápido e vão-se embora, pois sentem alguma vergonha.”

Quem serão estas pessoas novas? Jovens e crianças? Será que vão comer sozinhos? Quantos são?

Se calhar, estou a ser demasiado picuinhas com a notícia, mas é assim que se criam os mitos.

“Sabes que a classe média já está a pedir ajuda í  Misericórdia para comer?”

“Não me digas!…”

“É verdade! Li no Diário de Notícias!…”

“É a crise…”

Trabalho há mais de duas décadas junto a quatro bairros sociais. As instituições de solidariedade social quase que se acotovelam para apoiar os moradores desses bairros. Conheço vários casos de idosos que recebem tantos produtos alimentares que os deixam a apodrecer na dispensa, sem nunca os utilizarem. Em alternativa, distribuem as embalagens de farinha e de arroz, as garrafas de azeite e os pacotes de bolachas, pelos vários membros da família, alguns deles pertencentes í  perigosa classe média que, assim, estão a utilizar a ajuda das instituições de solidariedade social para enfrentar a crise…

Ainda hoje, ao ver as reportagens dos milhares de pessoas na concentração de motards de Faro, na reunião de adeptos de tuning, no Fundão, nos concertos de Lou Reed, Leonard Cohen e no Festival das Marés, me apeteceu perguntar: quantos desses palermas da classe média terão já enviado um email para a Misericórdia, a pedir um naco de pão?…

ASAE – onde estás tu?

Andam por aí duas publicações semanais que me fazem muita confusão.

Corrijo: andam por aí muitas publicações que me fazem confusão. Mas estas duas mais do que as outras.

E incomodam-me mais porque, as outras, limitam-se a estar disponíveis nas bancas e, embora fique perplexo como é possível existirem tantas revistas sobre a programação da televisão, tantas revistas sobre as chamadas celebridades e as suas vidas privadas, tantas revistas com gajas boas na capa – embora fique perplexo como há leitores para tanto lixo, deixo-as lá estar, não as compro, não as folheio, não me incomodam muito.

Agora, estas duas a que me refiro, são distribuídas gratuitamente com o Diário de Notícias de sexta-feira (Notícias TV) e com o Sol (Gingko).

Não vou perder muito tempo com a Notícias TV. Apenas direi que é a única publicação que eu conheço que destaca sempre a idade das pessoas que surgem fotografadas nas suas páginas. E é graças a esse facto que fiquei a saber que Pepê Rapazote tem 37 anos, que Leonor Poeiras tem 28 anos e Dália Madruga, 29. Claro que não faço ideia de quem são estes tipos, mas isso é outra questão.

A revista é completamente idiota e destinada a indivíduos pouco exigentes em número de neurónios e traz, logo na contra-capa, um anúncio muito interessante, apelidado de “a descoberta sexual mais importante do século XXI”.

Trata-se do “Desir’ Patch”, um adesivo com “efeitos imediatos e duradouros”, quer no homem (“aumenta a frequência das erecções e favorece ejaculações mais potentes”), quer na mulher (“proporciona um desejo irresistível de prazer e multiplica a frequência e a intensidade dos orgasmos”).

O anúncio garante que o adesivo “não contem qualquer produto químico, hormonal ou substâncias nocivas de qualquer natureza”. Nesse caso, que raio terá o adesivo para dar assim tanta tesão í  malta? O anúncio explica que a coisa é “í  base de extractos vegetais e óleos essenciais”. O que é que isto quer dizer?

E onde é que a gente deve colocar o adesivo? Na pilinha ou no pipi? Não! “Basta aplicar na parte de baixo dos rins”.

Pronto! Tinha que ter algum defeito! Eu não me sinto inclinado a experimentar o Desir’ Patch, mas a malta que o quiser usar vai ter que fazer um corte na região lombar, para conseguir colocar o adesivo “na parte de baixo dos rins”.

Deve doer, porra!

E tira a tesão a qualquer um, só pensar em colocar seja o que for “na parte de baixo dos rins”!

A outra revista que me faz confusão é a Gingko, que tem um subtítulo: “equilíbrio pessoal, profissional e ambiental”. São 120 páginas de coisa nenhuma, banalidades e trivialidades em bom papel, com bonitas fotografias. Na página 18, por exemplo, ensinam-nos “Como fazer compras no supermercado”. São 9 regras de ouro, a primeira das quais diz assim: “ainda em casa faça uma lista com todos os produtos de que necessita”. Boa! E eu que nunca me lembrei de fazer uma puta de uma lista antes de ir ao supermercado!

Obrigado Gingko!

Mas a piéce de resistance está na página 42 e seguintes. Sob o título “Tempo de equilíbrio” podemos ler um texto sobre a terapia quântica.

Breve pausa, para todos se rirem um pouco.

Pois a terapia quântica faz-se com um Scientific Consciousness Interface Operations (SCIO), desenvolvido pelo engenheiro da NASA, Bill Nelson.

Diz o artigo: “o SCIO está equipado com sensores que se ligam í  cabeça, pulsos e tornozelos. Assim, reconhece, analisa e quantifica o estado em que os vários órgãos se encontram.”

Como? Como é que o tal aparelho, que parece uma espécie de modem antigo, da extinta TV Cabo, sabe como é que está a funcionar o meu pâncreas, o meu baço ou as minhas vesículas seminais?

Adiante…

“O Trivector mede a voltagem, a amperagem e a resistência, para calcular a indutância, a condutância e a ressonância durante um teste onde compara as frequências ressonantes do corpo com cerca de 12000 elementos e compostos”.

Doze mil elementos e compostos? Será que se estão a referir ao sódio, potássio, cálcio, fósforo e afins? Doze mil?!

E como é que o aparelho trata o nosso organismo doente?

Simples.

“O sistema de retroacção biológica/biofeedback permite ao SCIO medir a ressonância das frequências de rectificação que alteram a própria rectância do organismo.”

Rectância do organismo?!

Colocar na parte de baixo dos rins?!

Estes gajos não são presos nem nada?!

Onde pára a ASAE quando é precisa?!

Crise? Qual crise? – 2

Segundo um estudo financiado pela União Europeia, Portugal é o país com maior taxa de obesidade infantil.

Considerando crianças de 11 anos, 10,7% dos miúdos portugueses e 5,3% das miúdas, são obesos. Em Espanha, as percentagens são de 7,7 e 4,9%, na Bélgica – 2,2 e 3,1%, na Noruega – 6,2 e 1,4%, Suécia – 4,8 e 1,7%, Dinamarca – 3 e 1,1%, íustria – 6,4 e 4%, Holanda, 3,4 e 1,1%, Islândia – 5,4 e 2,4%.

Em Olhão, terra de pescadores, um estudo chegou í  conclusão que nas merendas que os miúdos levam para a escola, predominam as batatas fritas, as tiras de milho e os aperitivos salgados.

E, no entanto, toda a gente se queixa do preço do pão. Ontem, o telejornal da RTP-1 passou uma reportagem sobre uma padaria num Alguidares-de-Baixo qualquer, que vende pão a preço de saldos, caso contrário, as pessoas não compram… Idiotas! Há anos que o consumo de pão diminuiu porque os gordos dos portugueses preferem as tiras de milho, mas os jornalistas, ou ignoram este fenómeno, ou decidiram contribuir para a crise (como contribuem para os incêndios, para as vagas de frio, para a gripe das aves, etc).

No entanto, conseguimos, finalmente, estar í  frente em algo, no que í  Europa diz respeito: temos os miúdos mais gordos (e, já agora, mais baixos, também, segundo o mesmo estudo).

A gasolina está cara? Andem a pé, carago! Talvez assim diminua o número de gordos!

O estado da nação: gasoso

Decorreu ontem, na Assembleia da República, o debate sobre aquilo a que se convencionou chamar “o estado da nação”.

Para os órgãos de comunicação social, o único interesse da coisa era ver como corria o primeiro duelo entre Sócrates e o novo líder da bancada do PSD (o terceiro, em três anos), Paulo Rangel.

Para mim, Paulo Rangel faz-me lembrar os putos gordinhos dos meus tempos de liceu, que estavam sempre a levar umas amonas do resto da malta. Provavelmente, é um gajo porreiro mas, como político parlamentar, ainda tem muito que aprender e foi trucidado por Sócrates, que parece ter nascido para aquilo.

E assim, Sócrates, Portas e Louçã foram os protagonistas daquela coisa que pode ser tudo, menos o “estado da nação”.

Louçã diz que a “taxa Robin dos Bosques” não é roubar aos ricos para dar aos pobres, mas uma espécie de conluio entre os ladrões. Sócrates fica escandalizado e diz a Louçã que não lhe admite que insinue que o governo é ladrão.

Portas acusa o governo de lucrar ainda mais com a descida do IVA e mostra-se indignado com o alcance demasiado curto das reformas sociais, como se o CDS fosse, agora, assim de repente, o partido defensor dos oprimidos e Sócrates responde com qualquer coisa de que já não me lembro nem interessa nada.

Em resumo: a nação ficou a saber que o seu estado é o gasoso – já que o debate não passou de um traque mal dado…

Terroristas e revolucionários

Nelson Mandela era terrorista?

Para os Estados Unidos era, até í  semana passada.

A Frente Armada Revolucionária da Colí´mbia (FARC) é uma organização revolucionária?

Para o Partido Comunista Português, continua a ser.

Dito isto, que é absurdo, passo a explicar:

Nelson Mandela era o líder do ANC (Congresso Nacional Africano) que, durante anos, lutou contra o apartheid, na ífrica do Sul. Essa luta não se fez só a nível político; teve, também, uma vertente de luta armada, de atentados bombistas, de assassinatos. Foi numa acção armada que Mandela foi preso e condenado a prisão perpétua. Por esse motivo, o Pentágono colocou o ANC na lista das organizações terroristas.

O resto da história é conhecido. O apartheid acabou, Mandela foi libertado e eleito presidente da ífrica do Sul, o ANC também ganhou as eleições. Mas, para os Estados Unidos, o ANC continuou a ser uma organização terrorista e Mandela, um perigoso terrorista. Sempre que um ministro ou qualquer outro representante do governo sul africano pretendia deslocar-se aos States, só o podia fazer se fosse a alguma reunião da ONU porque se quisesse, por exemplo, ir í  Disneylândia com os filhos, era muito provável que não conseguisse o visto de entrada nos EUA.

Esta semana, o assunto foi resolvido. O Congresso, finalmente, aprovou, por unanimidade (também era melhor…) a retirada do ANC da lista de organizações terroristas.

Mais vale tarde do que nunca.

Quanto í s FARC, toda a gente sabe que pouco têm a ver com as organizações revolucionárias dos anos 60, tão características da América Latina, de inspiração Guevariana: Tupamaros, Sandinistas, Sendero Luminoso…

Há muito tempo que as FARC são um exército ao serviço do narcotráfico e pouco ou nada têm a ver com ideologias revolucionárias (a menos que se considere revolucionário distribuir coca pelos filhos dos capitalistas, para assim acabar com essa praga que esmaga a classe operária, os soldados e os marinheiros, os pescadores e os camponeses…).

Quem não ficou satisfeito com a libertação de Ingrid Betencourt? Foi com a ajuda dos serviços secretos israelitas e norte-americanos? E qual é o problema?

Na Assembleia da República, todos os partidos votaram a favor de uma moção que felicitava a libertação de Ingrid Betencourt. O PCP votou contra.

Os funcionários do PCP, que continuam a classificar as FARC como revolucionárias, deviam juntar-se aos congressistas norte-americanos que, durante todos estes anos, consideraram Mandela um terrorista.

Depois, todos juntos, podiam ir í  merda.

Vasco Pulido Valente está velho

É pena…

Há anos que leio as suas crónicas. í€s sextas, sábados e domingos, assim que compro o Público, vou í  última página, ler a crónica do VPV.

Claro que nem sempre estou de acordo com ele. O seu pessimismo, por vezes, parece síndroma depressivo não tratado, mas a sua lucidez e a sua capacidade em dizer muito em poucas linhas, compensavam o resto. A sua independência, também.

Claro que, na sua história, havia aquela mancha de ter sido deputado do PSD – como é que alguém que foi membro de um órgão do Poder poderia ser independente em relação a esse mesmo Poder?

Mas VPV penitenciava-se, muitas vezes, desse seu “erro”, e zurzia, í  direita e í  esquerda, embora sempre um pouco mais í  esquerda do que í  direita (algo que, talvez, Freud pudesse explicar, se VPV o deixasse falar…)

Agora, VPV acabou.

Primeiro, aceitou ser comentador da TVI, o canal que pior televisão faz em Portugal, o canal do lixo televisivo.

Precisava de dinheiro? Tinha pedido, que eu emprestava.

Tudo, menos colaborar com aquele nojo de televisão.

Depois, para dar cabo do resto, parece estar apaixonado por Manuela Ferreira Leite!

Hoje, na sua crónica (que foi a última das suas crónicas que alguma vez mais lerei), diz, entre outras barbaridades: «Portugal já saiu com Cavaco da cauda da “Europa”; já passou com Guterres pelas maravilhas do diálogo e da igualdade social; já esperou pelo “choque fiscal” de Barroso; e já assistiu, abismado, í s “reformas” de Sócrates. O que faltou desde o princípio foi uma visão fria e sem retórica de um país, que largamente falhou a oportunidade da “Europa” e continua pobre e atrasado»

E, até aqui, tudo bem. VPV faz, como é costume, a sua avaliação pessimista, ignorando, por exemplo, os bons indicadores na área da saúde, os apoios sociais, cada vez maiores, o desenvolvimento que nos tem feito, apesar de tudo, aproximar da tal “Europa”. Mas, enfim, ele tem razão, continuamos pobres e atrasados e perdemos várias oportunidades.

O problema, é o que ele diz a seguir:

«Suspeito (e, por enquanto, só suspeito) que Manuela Ferreira Leite não partilha o sentimentalismo indígena e nos tratará como merecemos: isto é, sem fabricar, nem espalhar ilusões.»

Por outras palavras, a jovem política, que nunca teve responsabilidade nenhuma na política nacional, vai, finalmente, fazer-nos “cair na real” e tratar de nós como nós merecemos – isto é, como completos patetas, que necessitamos de alguém que olhe por nós, alguém que cuide das nossas finanças, alguém que endireite o país, como fez o Dr. Salazar – alguém que, certamente, não deixará de nomear Vasco Pulido Valente como ministro da Cultura a Sério.

Tenho pena…

Final do Euro 2008 – torcer por quem?

Não gosto de espanhóis, por razões tão óbvias que nem me dou ao trabalho de enumerar. Pela mesma razão e mais pelo Adolfo, também não gosto de alemães.

Sendo assim, por quem vou torcer hoje, na final do Euro 2008?

É verdade que a Alemanha derrotou Portugal por um tangencial 3-2 e se viu aflita para vencer a Turquia, pelos mesmos 3-2, Turquia que Portugal derrotou, com alguma facilidade, por 2-0. Essa mesma Turquia conseguiu eliminar a Croácia, embora só nos penáltis, Croácia que, como se lembram, venceu a Alemanha.

Pelo seu lado, os espanhóis derrotaram a Rússia por duas vezes, por 4-1 e por 3-0, mas só nos penáltis conseguiram ultrapassar a Itália, que foi humilhada pela Holanda, por 3-0, ao passo que a Holanda foi derrotada pela Rússia, por 3-1, a mesma Rússia que, como se viu, foi derrotada pela Espanha.

Em resumo: vou torcer pela equipa de arbitragem.

O imposto “xerife de Notingham”

Agora inventaram uma coisa chamada “imposto Robin dos Bosques” e que é assim: o Estado aumenta os impostos aplicados aos lucros das petrolíferas e, com o dinheiro arrecadado, ajuda os mais necessitados a pagar os combustíveis (as pequenas e médias empresas, os agricultores, os pescadores, etc).

Tirar aos ricos para dar aos pobres – daí o Robin dos Bosques.

Em Itália, o governo já pratica este tipo de imposto.

Por cá, Sócrates está a pensar nisso.

Pelo contrário, o presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), Vítor Santos, propí´s que os consumidores bem comportados da EDP, aqueles que pagam as facturinhas todas a tempo e horas, passassem a pagar as contas dos caloteiros. Explicado melhor: o Vítor Santos pegava nas facturas que não tinham sido pagas e dividia-as por todos nós, os que cumprimos.

Pagava o justo pelo pecador.

A isto, eu chamaria o imposto “xerife de Notingham.”

Melhor: eu chamaria a isto uma lata do caraças e faria a Vítor Santos o que Robin dos Bosques fez ao xerife de Notingham (empalou-o, não foi?…)