Jardim sem graça

Alberto João Jardim faz lembrar aqueles cómicos que nos massacram com piadas e graçolas, anos e anos a fio. No princípio, achamos graça e até dizemos que o tipo tem jeito. Passado algum tempo, dizemos que o fulano se está a repetir e que começamos a ficar fartos. Finalmente, já não podemos ver o homem í  frente.

O mesmo se passa com Jardim. Há 30 anos, talvez lhe achássemos graça – agora, até enjoa.

A última de Jardim – sobre o facto de não existir sessão solene da Assembleia Regional, para dar as boas vindas ao Presidente Cavaco, disse: «eu acho bem não haver uma sessão solene, acho que era dar uma péssima imagem da Madeira mostrar o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa (…). Eu cá não apresento aquela gente a ninguém (…). Acho que isso ia ter repercussões negativas no turismo e na própria qualidade do ambiente».

Não é preciso recordar que o “bando de loucos” a que Jardim se refere, foi eleito pelo povo da Madeira – o mesmo que elege, cronicamente, Alberto João.

Que me desculpem alguns madeirenses, mas têm o dirigente que merecem…

Mamas de silicone vencem Simpsons

O país de Hugo Chavez continua a surpreender.

A entidade reguladora da televisão venezuelana, que é uma entidade estatal, decidiu proibir a emissão dos Simpsons, por considerar que se trata de uma série “imprópria para crianças”.

Em seu lugar, a Televen (a RTP lá do sítio), começou a emitir a série Baywatch.

De facto, as crianças venezuelanas, sobretudo os rapazinhos, devem achar mais interessante ver as maminhas de silicone a saltitar das meninas das Marés Vivas, em vez dos bonecos amarelos dos Simpsons a beber cerveja e a arrotar.

Resta dizer que o nome da entidade reguladora da televisão Venezuela é, ela mesma, “imprópria para crianças”, já que se chama Conatel…

Alberto João Jardim mostra o caminho

A “Pequena Esmeralda” é um assunto recorrente nos media.

Apesar da solidariedade que podemos sentir pela miúda, não deixa de ser irritante o modo como os órgãos de comunicação tomaram partido, endeusando o sargento, que é pai afectivo da “Pequena Esmeralda” e diabolizando o pai biológico que, pelos vistos, há anos que anda a tentar obter a custódia da filha.

Não vou tomar partido, porque o assunto só me interessa como exemplo do mau jornalismo.

Ontem, mais um episódio: o tribunal tinha determinado que o pai afectivo levasse a “Pequena Esmeralda” (mesmo quando atingir a maioridade, a Esmeralda há-de continuar a ser pequena…) a visitar o pai biológico.

O encontro iria ter lugar no tribunal. No entanto, e apesar do dispositivo de segurança digno de uma estrela pop, a multidão de curiosos (avisados pela comunicação social) e de jornalistas era tal, que a miúda, compreensivelmente, teve medo de sair do carro e o encontro não aconteceu. Mas os jornalistas já se apressaram a dizer quando e onde será o novo encontro, para que tudo se possa repetir.

A reportagem que vi na televisão era mais um exemplo de voyeurismo barato: o sargento, de pé, junto ao carro, esbracejando lá para dentro; no interior do carro, a “Pequena Esmeralda”, com um rodela de distorção no rosto, cirandava entre o banco da frente e o de trás; depois, o pai biológico entrava noutro carro, e raspava-se, com a multidão de donas de casa sem nada para fazer, a gritar “vai-te embora! Malandro!”

Alberto João Jardim é que mostra como se deve fazer: proibiu a presença de jornalistas no congresso do PSD-Madeira. Diz ele que é para evitar que alguns “empregados da comunicação social” venham, depois, dizer mentiras sobre o que se passa no congresso. O eterno presidente da Madeira diz que só deixa os jornalistas entrarem para assistirem aos seus discursos de abertura e de fecho.

E podem crer que aquilo vai estar cheio de jornalistas.

A menos que, í  mesma hora, a “Pequena Esmeralda” tenha marcado algum encontro com alguém da família.

Alérgico ao Senhor

Não resisto a esta diatribe.

O suplemento Tabu (título bem adequado!), do semanário Sol, da semana passada, publica um artigo intitulado «Comungar sem glúten».

Refere o artigo que «comungar pode dar direito a lesões intestinais, anemia, infertilidade e muitas outras maleitas». E isto porque a hóstia é feita com farinha de trigo, que contém glúten e há por aí muita gente alérgica ao glúten. Os portadores de doença celíaca, por exemplo, não suportam o glúten.

Fácil de resolver, diria qualquer ateu inteligente.

Errado.

A igreja católica, neste como noutros assuntos, é inflexível! A hóstia representa o corpo do Senhor e «as hóstias sem glúten são impróprias para a comunhão», segundo um documento de 1995, da Congregação da Doutrina da Fé, cujo perfeito era, então, Joseph Ratzinger, o actual Papa.

Que fazer, então?

É que um católico que não engole o Senhor regularmente, não é católico, não é nada.

Mais uma vez, fácil de resolver.

Segundo o padre Peter Siltwell, director da faculdade de Teologia da Universidade católica, citado pelo jornal, «ninguém está a ser excluído do sacramento. Quem quiser pode comungar através do cálice sagrado. É o que faço na minha capela.»

Então, mas o cálice sagrado contém vinho. Vamos dar vinho, por exemplo, a uma criança?

Por que não? diz o senhor padre. Â«É só uma quantidade mínima, umas pequenas gotas».

Portanto, para o padre Stilwell, não faz mal nenhum dar um pouco de vinho a beber a uma criança. O vinho é o sangue de Cristo, está abençoado – logo, não é um mau exemplo, não é incitamento ao consumo de álcool, não é condenável.

Enfim, o raio que os parta.

Agora, confesso que a ideia de um católico alérgico ao Senhor não me sai da cabeça.

Cuba í  beira do colapso

É conhecida a piada que diz que a revolução cubana teve três grandes êxitos: a saúde, a educação e a segurança social, e três grandes fracassos: o pequeno-almoço, o almoço e o jantar.

Mas o regime sempre teve a desculpa dos parvalhões dos americanos, que insistem em manter um bloqueio que já não faz sentido, se é que alguma vez fez sentido…

A farsa do «não-fode-nem-sai-de-cima» de Fidel Castro acabou.

O jovem e prometedor Raul Castro está agora, de pleno direito, í  frente dos destinos da nação cubana.

Mas começou mal.

Qual Marcelo Caetano das Caraíbas, Castro II começou por permitir os telemóveis e, agora, decidiu autorizar que os seus compatriotas frequentem os mesmos hotéis que os turistas estrangeiros.

Já falta pouco para que Cuba seja anexada pelos States…

Turmas dos filhos dos doutores?

O Bloco de Esquerda quer contribuir para a bagunça na Escola Pública. Não lhe chega os diversos ministros da Educação e as respectivas equipas de peritos que, paulatinamente, têm vindo a lixar o ensino, com sucessivas reformas e contra-reformas.

O Bloco quer mais. Quer “turmas heterogéneas”.

E o que será isto de “turmas heterogéneas”? Serão turmas com gordos e magros, altos e baixos, miúdos e miúdas, brancos e pretos?

Também.

Mas o Bloco quer que a heterogeneidade atinja, também, o QI e propõe que se acabem com “as turmas dos filhos dos doutores e as turmas dos repetentes”.

O quê?!

Não se importa de repetir?

O Bloco quer que se acabem com as “turmas dos filhos dos doutores e as turmas dos repetentes”.

Quer dizer: o Bloco pensa que os filhos dos doutores nunca chumbam o ano. E isto porquê? Porque os filhos de doutores são mais inteligentes que os outros ou porque os filhos dos doutores são beneficiados e passam sempre?

Não há pachorra para estes intelectuais de pacotilha, caramba!

Dá o telemóvel í  criança, velha de um carago!

Toda a gente viu. Era quase impossível não ver. As imagens passaram em todos os telejornais de todos os canais, várias vezes ao dia; as fotos vieram em todos os jornais: a desgraçada de uma professora tira o telemóvel a uma calmeirona de 15 anos, que não se fica e se atira í  professora, tentando reaver o aparelho de telecomunicações. Seguem-se momentos de grande angústia, em que as duas se engalfinham, tentando, cada uma delas, ficar com o telemóvel.   (http://www.youtube.com/watch?v=AfIkEw98duM)

Um verdadeiro choque tecnológico.

Nos dias seguintes, as maiores sumidades em psicologia, adolescência, menopausa e telecomunicações, deram as suas opiniões sobre este caso raro: uma aluna enfrentando uma professora, como se nenhum desses especialistas, nunca na vida, tivesse presenciado um caso semelhante.

Resta fazer algumas perguntas:

1. De que marca era o telemóvel para merecer uma luta daquelas?

2. Teria ligação í  internet?

3. Qual seria o operador?

4. Tendo a miúda uns verdes 15 anos, não se pode considerar que a professora exerceu violência sobre a criança?

5. E o puto que filmou a cena toda, não merecia um subsídio para realizar uma curta metragem? (há que incentivar as artes!)

Piercings, cães maus e assassínios

Sócrates continua a desafiar a sorte.

Depois de atacar os funcionários públicos, os professores, os operários e camponeses, os fumadores, e os professores outra vez, decidiu, agora, fazer a vida negra aos donos de certos cães e aos adeptos de piercings e tatuagens.

Com efeito, o Governo prepara-se para aprovar legislação que obriga í  esterilização de todos os cães pertencentes a sete raças consideradas perigosas.

Para os donos dos rotweilers, dogues argentinos, pitbulls, cães de fila e similares, Sócrates quer fazer aos seus cães o mesmo que Hitler fez aos judeus.

Ao mesmo tempo, um deputado do PS tem pronto um projecto de lei que proíbe piercings e tatuagens aos menores de 18 anos e em certas zonas do corpo, nomeadamente, na língua e nos genitais (redundante…)

Isto cheira-me mesmo a perseguição.

Imaginem um professor fumador, com um piercing no escroto e dono de um pitbull.

Se esse prof der de caras com o Sócrates, vai-lhe fazer o mesmo que Marcelo Caetano fez a Ramos Horta.

Dá-lhe um tiro.

E lá se vai a estatística!…

É que Lisboa é a segunda capital da Europa com menos assassínios (0,68 por 100 mil habitantes).

Melhor, só mesmo La Valeta, onde, entre 2004 e 2006 não houve homicídios.

Pensem bem na chatice que deve ser viver numa cidade em que ninguém merece ser assassinado e ninguém tem paciência para matar ninguém!

A menos que, para manter a estatística, os assassinos de La Valeta, arrastem as suas vítimas para os arredores da cidade e só depois de ultrapassarem os limites da cidade, as matem.