Alberto João Jardim mostra o caminho

A “Pequena Esmeralda” é um assunto recorrente nos media.

Apesar da solidariedade que podemos sentir pela miúda, não deixa de ser irritante o modo como os órgãos de comunicação tomaram partido, endeusando o sargento, que é pai afectivo da “Pequena Esmeralda” e diabolizando o pai biológico que, pelos vistos, há anos que anda a tentar obter a custódia da filha.

Não vou tomar partido, porque o assunto só me interessa como exemplo do mau jornalismo.

Ontem, mais um episódio: o tribunal tinha determinado que o pai afectivo levasse a “Pequena Esmeralda” (mesmo quando atingir a maioridade, a Esmeralda há-de continuar a ser pequena…) a visitar o pai biológico.

O encontro iria ter lugar no tribunal. No entanto, e apesar do dispositivo de segurança digno de uma estrela pop, a multidão de curiosos (avisados pela comunicação social) e de jornalistas era tal, que a miúda, compreensivelmente, teve medo de sair do carro e o encontro não aconteceu. Mas os jornalistas já se apressaram a dizer quando e onde será o novo encontro, para que tudo se possa repetir.

A reportagem que vi na televisão era mais um exemplo de voyeurismo barato: o sargento, de pé, junto ao carro, esbracejando lá para dentro; no interior do carro, a “Pequena Esmeralda”, com um rodela de distorção no rosto, cirandava entre o banco da frente e o de trás; depois, o pai biológico entrava noutro carro, e raspava-se, com a multidão de donas de casa sem nada para fazer, a gritar “vai-te embora! Malandro!”

Alberto João Jardim é que mostra como se deve fazer: proibiu a presença de jornalistas no congresso do PSD-Madeira. Diz ele que é para evitar que alguns “empregados da comunicação social” venham, depois, dizer mentiras sobre o que se passa no congresso. O eterno presidente da Madeira diz que só deixa os jornalistas entrarem para assistirem aos seus discursos de abertura e de fecho.

E podem crer que aquilo vai estar cheio de jornalistas.

A menos que, í  mesma hora, a “Pequena Esmeralda” tenha marcado algum encontro com alguém da família.

Alérgico ao Senhor

Não resisto a esta diatribe.

O suplemento Tabu (título bem adequado!), do semanário Sol, da semana passada, publica um artigo intitulado «Comungar sem glúten».

Refere o artigo que «comungar pode dar direito a lesões intestinais, anemia, infertilidade e muitas outras maleitas». E isto porque a hóstia é feita com farinha de trigo, que contém glúten e há por aí muita gente alérgica ao glúten. Os portadores de doença celíaca, por exemplo, não suportam o glúten.

Fácil de resolver, diria qualquer ateu inteligente.

Errado.

A igreja católica, neste como noutros assuntos, é inflexível! A hóstia representa o corpo do Senhor e «as hóstias sem glúten são impróprias para a comunhão», segundo um documento de 1995, da Congregação da Doutrina da Fé, cujo perfeito era, então, Joseph Ratzinger, o actual Papa.

Que fazer, então?

É que um católico que não engole o Senhor regularmente, não é católico, não é nada.

Mais uma vez, fácil de resolver.

Segundo o padre Peter Siltwell, director da faculdade de Teologia da Universidade católica, citado pelo jornal, «ninguém está a ser excluído do sacramento. Quem quiser pode comungar através do cálice sagrado. É o que faço na minha capela.»

Então, mas o cálice sagrado contém vinho. Vamos dar vinho, por exemplo, a uma criança?

Por que não? diz o senhor padre. Â«É só uma quantidade mínima, umas pequenas gotas».

Portanto, para o padre Stilwell, não faz mal nenhum dar um pouco de vinho a beber a uma criança. O vinho é o sangue de Cristo, está abençoado – logo, não é um mau exemplo, não é incitamento ao consumo de álcool, não é condenável.

Enfim, o raio que os parta.

Agora, confesso que a ideia de um católico alérgico ao Senhor não me sai da cabeça.

Cuba í  beira do colapso

É conhecida a piada que diz que a revolução cubana teve três grandes êxitos: a saúde, a educação e a segurança social, e três grandes fracassos: o pequeno-almoço, o almoço e o jantar.

Mas o regime sempre teve a desculpa dos parvalhões dos americanos, que insistem em manter um bloqueio que já não faz sentido, se é que alguma vez fez sentido…

A farsa do «não-fode-nem-sai-de-cima» de Fidel Castro acabou.

O jovem e prometedor Raul Castro está agora, de pleno direito, í  frente dos destinos da nação cubana.

Mas começou mal.

Qual Marcelo Caetano das Caraíbas, Castro II começou por permitir os telemóveis e, agora, decidiu autorizar que os seus compatriotas frequentem os mesmos hotéis que os turistas estrangeiros.

Já falta pouco para que Cuba seja anexada pelos States…

Turmas dos filhos dos doutores?

O Bloco de Esquerda quer contribuir para a bagunça na Escola Pública. Não lhe chega os diversos ministros da Educação e as respectivas equipas de peritos que, paulatinamente, têm vindo a lixar o ensino, com sucessivas reformas e contra-reformas.

O Bloco quer mais. Quer “turmas heterogéneas”.

E o que será isto de “turmas heterogéneas”? Serão turmas com gordos e magros, altos e baixos, miúdos e miúdas, brancos e pretos?

Também.

Mas o Bloco quer que a heterogeneidade atinja, também, o QI e propõe que se acabem com “as turmas dos filhos dos doutores e as turmas dos repetentes”.

O quê?!

Não se importa de repetir?

O Bloco quer que se acabem com as “turmas dos filhos dos doutores e as turmas dos repetentes”.

Quer dizer: o Bloco pensa que os filhos dos doutores nunca chumbam o ano. E isto porquê? Porque os filhos de doutores são mais inteligentes que os outros ou porque os filhos dos doutores são beneficiados e passam sempre?

Não há pachorra para estes intelectuais de pacotilha, caramba!

Dá o telemóvel í  criança, velha de um carago!

Toda a gente viu. Era quase impossível não ver. As imagens passaram em todos os telejornais de todos os canais, várias vezes ao dia; as fotos vieram em todos os jornais: a desgraçada de uma professora tira o telemóvel a uma calmeirona de 15 anos, que não se fica e se atira í  professora, tentando reaver o aparelho de telecomunicações. Seguem-se momentos de grande angústia, em que as duas se engalfinham, tentando, cada uma delas, ficar com o telemóvel.   (http://www.youtube.com/watch?v=AfIkEw98duM)

Um verdadeiro choque tecnológico.

Nos dias seguintes, as maiores sumidades em psicologia, adolescência, menopausa e telecomunicações, deram as suas opiniões sobre este caso raro: uma aluna enfrentando uma professora, como se nenhum desses especialistas, nunca na vida, tivesse presenciado um caso semelhante.

Resta fazer algumas perguntas:

1. De que marca era o telemóvel para merecer uma luta daquelas?

2. Teria ligação í  internet?

3. Qual seria o operador?

4. Tendo a miúda uns verdes 15 anos, não se pode considerar que a professora exerceu violência sobre a criança?

5. E o puto que filmou a cena toda, não merecia um subsídio para realizar uma curta metragem? (há que incentivar as artes!)

Piercings, cães maus e assassínios

Sócrates continua a desafiar a sorte.

Depois de atacar os funcionários públicos, os professores, os operários e camponeses, os fumadores, e os professores outra vez, decidiu, agora, fazer a vida negra aos donos de certos cães e aos adeptos de piercings e tatuagens.

Com efeito, o Governo prepara-se para aprovar legislação que obriga í  esterilização de todos os cães pertencentes a sete raças consideradas perigosas.

Para os donos dos rotweilers, dogues argentinos, pitbulls, cães de fila e similares, Sócrates quer fazer aos seus cães o mesmo que Hitler fez aos judeus.

Ao mesmo tempo, um deputado do PS tem pronto um projecto de lei que proíbe piercings e tatuagens aos menores de 18 anos e em certas zonas do corpo, nomeadamente, na língua e nos genitais (redundante…)

Isto cheira-me mesmo a perseguição.

Imaginem um professor fumador, com um piercing no escroto e dono de um pitbull.

Se esse prof der de caras com o Sócrates, vai-lhe fazer o mesmo que Marcelo Caetano fez a Ramos Horta.

Dá-lhe um tiro.

E lá se vai a estatística!…

É que Lisboa é a segunda capital da Europa com menos assassínios (0,68 por 100 mil habitantes).

Melhor, só mesmo La Valeta, onde, entre 2004 e 2006 não houve homicídios.

Pensem bem na chatice que deve ser viver numa cidade em que ninguém merece ser assassinado e ninguém tem paciência para matar ninguém!

A menos que, para manter a estatística, os assassinos de La Valeta, arrastem as suas vítimas para os arredores da cidade e só depois de ultrapassarem os limites da cidade, as matem.

Mais Apelidos

Ora aqui vão mais seis apelidos inolvidáveis:

– Primavera Travessa – que malandra que deve ser esta Primavera…

– Grilo Pinto – um animal com problemas de identidade, que não sabe se há-de ser insecto, se há-de aderirÂ í  família dos galináceos

– Pica Milho Paz – quase que parece uma lenga-lenga

– Alfinete Antunes – a dignidade que um apelido vulgar, como Antunes, confere a um simples Alfinete…

– Pilonas Mouco Marinho – ser Pilonas já deve ser mau; mas ser Pilonas Mouco, deve ser terrível…

– Galhofa Zabumba – este, coitado, não tem safa possível…

Acordo Ortográfico – um objeto abjeto

Estávamos todos ocupados a ver os professores a desfilar pela avenida abaixo, quais marchas populares (eu até ouvi aquela do José Mário Branco e do GAC – “í“ ministra, vai-te embora/ que nós não te queremos cá/ os professores estão em luta/ o fascismo não passará”)…

Perdão… deixem-me respirar um pouco que já me dói a barriga de tanto rir…

Bom… então, estávamos nós tão ocupados com a manif dos prof que nem demos pela aprovação do Acordo Ortográfico. Aproveitando o fato de Cavaco Silva ir de visita ao Brasil, o Governo aprovou o Acordo. Temos, agora, 6 anos para nos habituarmos a escrever como os brasileiros – alguém tem alguma objeção?

Claro que o meu processador de texto ainda não se habituou ao fato, mas este texto está cheio de sublinhados a vermelho – tudo palavras que ele não conhece, o que dá mau aspeto í  coisa. Vai ser difícil adotar estas palavras como sendo portuguesas. Um tipo olha para ótimo, batizar, coleção, cetro, afetivo, diretor, exato, Egito, e não consegue deixar de pensar que fizemos um mau negócio com este acordo.

E a desculpa de que não pronunciávamos as letras que agora deixam de existir, não é uma desculpa. Na palavra “ceptro”, por exemplo, o pê é pronunciado; por outro lado, na palavra horta, por exemplo, o agá não se pronuncia e não é por isso que deixa de existir.

O que eu penso é que este Acordo é uma grande merrda – com dois erres, que é como os brasileiros pronunciam!