Se não fumo, ele morre!

Isto é sintomático: quase todos os dias surge uma nova notícia sobre a proibição tabágica, cada uma mais surpreendente que a anterior.

Típico.

Claro que acontecimentos como estes, muito provavelmente, acontecem todos os dias. Só que, nem sempre os jornalistas estão para aí virados.

Os órgãos de comunicação social funcionam muito por ondas, como estou farto de sublinhar – e agora estamos numa onda de fumadores versus não fumadores.

A notícia de hoje, proveniente de Ohio, EUA (where else?), é a seguinte: em 2003, um grupo de jurados precisou de seis horas de reunião para considerar que o réu, Philip Elmore, era culpado da morte da sua ex-namorada. Uma semana depois, os mesmos jurados só precisaram de três horas para chegar í  conclusão de que Elmore merecia a pena capital.

Agora, três anos depois, os advogados de defesa de Elmore, alegam que o júri chegou a este veredicto em apenas três horas, porque o juiz os impediu de fumar!

Dizem eles: “a recusa do juiz em atender o pedido dos jurados para fumarem, predispí´-los a acordar numa decisão rápida”.

Por outras palavras: se o juiz tivesse deixado os jurados fumar í  vontade, talvez eles pensassem com mais calma e, fumando um cigarrinho, tivessem chegado í  conclusão que Elmore só merecia ser condenado, por exemplo, a prisão perpétua. Ou, quem sabe, se pudessem fumar mais um cigarrinho, pudessem ter encontrado circunstâncias atenuantes e Elmore acabasse por sair em liberdade condicional…

Que o cigarro faz mal í  saúde do próprio ou de quem o rodeia, parece que já ninguém contesta.

Agora, afirmar que o facto de se proibir alguém de fumar pode levar í  morte de outra pessoa – eis um facto novo!

Medidas extremas

Os serviços secretos ingleses desmontaram um enorme plano terrorista: dez aviões de longo curso deveriam explodir sobre o Atlântico, ao fazerem a ligação entre a Inglaterra e os EUA.

Foram presos cerca de duas dezenas de suspeitos, em Inglaterra e no Paquistão; quase todos eles eram cidadãos britânicos de origem paquistanesa.

O plano era mais ou menos assim: em cada avião, cinco terroristas (ou mártires, conforme o ponto de vista), levariam os ingredientes para o fabrico da bomba, fabrico que seria executado já a bordo. O combustível usado seria líquido e dissimulado em qualquer inocente garrafa de “água”, o detonador estaria escondido num computador portátil, por exemplo, e o detonador seria accionado por uma simples bateria de telemóvel.

O aeroporto de Heathrow ficou inoperacional, dezenas de voos foram cancelados e milhares de passageiros ficaram em terra.

A partir de agora, a segurança impedirá qualquer tipo de bagagem de mão e cada passageiro só poderá levar, para bordo do avião, um saco plástico transparente com meia dúzia de pertences, rigorosamente verificados pela segurança: o bilhete de avião, o passaporte, medicamentos essenciais para a viagem e pouco mais. Até os biberões com leite, para os bebés, terão que ser provados pelos pais, í  frente da segurança. Deixou de ser possível levar, para o avião, computadores portáteis, mp3, telemóveis, garrafas de água, líquido para lentes de contacto, qualquer tipo de aerossóis, insulinas (só a dose necessária para ser administrada durante o voo), etc, etc.

Em vez de esperarmos duas horas, antes de cada embarque, passaremos a ter que estar no aeroporto cinco horas antes do voo.

Talvez fosse a altura de usar medidas extremas e proibir o embarque a todo e qualquer muçulmano!

A menos que… a menos que vejamos tudo isto í  luz da Grande Teoria da Conspiração…

Não há dúvida que, no momento em que Israel e o Hezbollah andam í  pancada há cerca de um mês, e se fala num cessar-fogo há mais de quinze dias, nada melhor que uma ameaça como esta para influenciar a opinião pública ocidental, definitivamente, contra o Islão.

Está na cara que, na mesa das negociações um plano terrorista como este (destruir dez aviões, provocando mais de três mil mortos), enfraquece a posição dos árabes e dá argumentos aos israelitas.

Das duas, uma: ou os activistas muçulmanos são muito burros, ou os serviços secretos ingleses tiveram um excelente sentido de oportunidade.

Em qualquer dos casos, não há dúvida que, desde que Bush e seus capangas tomaram conta do mundo, este planeta está cada vez mais seguro…

Churchill deixou de fumar

Não quero transformar o Coiso num site dos fervorosos fumadores. Fumar faz mesmo mal í  saúde!

Mas eles provocam-me!

Mais uma notícia de hoje: o actor britânico Mel Smith estreou ontem a sua nova peça, no Fringe Festival, em Edimburgo, Escócia. A peça chama-se “Allegiance: Winston Churchill and Michael Collins” e Mel Smith (quem se lembra da série da BBC, “Not Nine O’Clock News”?) interpreta o papel de Churchill que, como se sabe, era um inveterado fumador de charutos.

No entanto, Mel Smith não foi autorizado a fumar durante a peça, devido í  nova lei anti-tabaco da Escócia que, além de proibir o fumo nos bares, cafés e outros locais públicos, também proíbe que os actores acendam cigarros ou charutos em palco. Smith foi ameaçado de ter que pagar uma multa de mil libras, caso insistisse em fumar em palco.

Segundo a notícia, a peça, de autoria de Mary Kenny, “conta a história do encontro entre Churchill e o independentista irlandês, Michael Collins, numa noite de 1921, em que houve certamente muito álcool e charutos”.

Minutos depois de terminada a representação, Smith fez questão de aparecer í  janela do teatro, fumando e disse: “Adolf Hitler teria ficado deliciado com esta lei. Parabéns, Escócia”.

Portanto, aqui temos mais um exemplo de rescrita da História: já tiraram o cigarro da boca de Malraux, nos selos, substituíram o cigarro pela palhinha, ao pobre do Lucky Luke, sacaram o cigarro da mão de McCartney, na foto da capa do Abbey Road, e agora chegou a vez de Churchill ser impedido de fumar o seu charutinho.

Esta malta está a ficar apanhadinha!

546 incêndios?

Os incêndios de Verão aí estão, finalmente!

Já começava a ficar preocupado. Seria um fracasso abrir-se a época de incêndios e, depois, os bombeiros não terem nada para fazer.

A primeira onda de calor, em Julho, resultou apenas nuns fogachos sem categoria nenhuma. Mas agora, com a entrada de Agosto em cena, os incêndios vingaram. É natural: há mais piqueniques nas matas, mais foguetórios nas aldeias, com a chegada dos emigrantes, mais condutores, nas estradas, a atirarem com beatas acesas para as bermas…

Enfim, a normalidade regressou e o país já está a arder, como convém.

Também é verdade que os telejornais andaram ocupados com os bombardeamentos no Líbano e não tinham repórteres que chegassem para tanta coisa: um do lado de Israel, outro do lado do Líbano, outro a acompanhar os saldos, metade da redacção de férias – não sobrava ninguém para os incêndios.

Mas agora, que a guerra do Médio Oriente já vai no 26º dia, ou coisa que o valha, a malta já perdeu a conta aos rockets do Hezbollah e aos civis que Israel já matou e é preciso outra coisa para animar a malta.

Venham de lá os incêndios, então.

Mas também escusavam de abusar.

Li no jornal que anteontem se bateu o recorde do número de incêndios: foram 546 ocorrências!

546 fogos num só dia?

Cheira-me que as autoridades, sempre que apanham um tipo a acender um cigarro, contam como ocorrência.

Hoje, os fumadores – amanhã, os carecas?

A história conta-se resumidamente.

Uma empresa irlandesa, a Dotcom Directories, publicou um anúncio de emprego que dizia: “se for fumador, não se incomode em responder”.

A eurodeputada irlandesa, Catherine Stihler, do Partido Trabalhista, interrogou a Comissão Europeia: não estaríamos perante um caso de discriminação?

A Comissão Europeia respondeu, através da voz do Comissário do Emprego e Assuntos Sociais, o checo Vladimir Spidla: “a legislação anti-discriminação europeia proíbe a discriminação no emprego e noutras áreas com base na raça ou etnia, numa deficiência, na idade, na orientação sexual, na religião ou crenças”.

Assim sendo, recusar um emprego a um fumador “não parece enquadrar-se em nenhuma das situações acima mencionadas”, acrescenta o checo.

O director da Dotcom, Philip Tobin, justifica-se, dizendo: “mesmo que as pessoas façam uma pausa para fumar, quando voltam ao seu lugar, tresandam a tabaco”. E acrescenta que “fumar é idiota”, pelo que se as pessoas o fazem é porque “não têm o nível de inteligência” que é pretendido para a sua empresa.

Isto quer dizer que pessoas como, digamos, Freud, Sartre, Malraux, Brel, Bogart, ou mesmo Vasco Pulido Valente (para não falar em mim próprio), nunca poderiam trabalhar na Dotcom Directories. E ainda bem, porque o tal senhor Tobin deve ser um idiota chapado.

O que me preocupa é o facto de a Comissão Europeia adoptar uma atitude deste tipo. Portanto, se ser fumador não é característico de uma determinada raça, orientação sexual ou crença religiosa, não é discriminatório recusar-se um emprego a um fumador.

Isto quer dizer que a porta está aberta a recusar emprego a gordos, carecas, tipos com piercing, grávidas, tipos tatuados, gajos demasiado altos, sujeitos baixinhos e por aí fora.

Esta atitude da Comissão Europeia é mais uma prova de que existe, mesmo, uma campanha histérica anti-tabagismo, que está a assumir uma dimensão deveras preocupante.

Como fumador, aceito as restrições cada vez maiores, impostas aos fumadores e acho adequado que se proíba o fumo nos locais públicos, incluindo restaurantes. Não me custa nada vir cá fora fumar um cigarro, no final da refeição, de modo a não incomodar o resto das pessoas e também não fumo no meu local de trabalho – aliás, nem fumo na minha própria casa, se estão presentes pessoas a quem o fumo incomoda. Agora, não poder candidatar-me a um emprego porque sou fumador, começa a cheirar a hiper-nipo-nazi-fascismo!

Queremos mais listas

O Governo publicou a lista dos indivíduos e empresas que devem dinheiro ao fisco.

Está aqui: http://www.e-financas.gov.pt/de/jsp-dgci/main.jsp

Dezasseis cidadãos devem mais de um milhão de euros de IRS: o Sr. Almeida, o Sr. Djumo, o Sr. Campos, O Sr. Pinheiro, o Sr. Palma, o Sr. Teixeira, o Sr. Lopes, o Sr. Silva, a Sra. Rodrigues, o Sr. Marcelino, o Sr. Matos, dois Srs. Vieira, dois Srs. Mendes e a Sra. Mendes.

Se apenas estes dezasseis cidadãos fizessem o favorzinho de pagar o que devem, entrariam nos cofres do Estado mais de 16 milhões de euros.

Mas o Governo não devia ficar por aqui. A publicação de listas deste género poderia mudar a nossa vida.

Proponho que se publiquem, para já, mais as seguintes cinco listas:

– lista dos deputados no activo que já recebem uma reforma

– lista dos ex-ministros que são, agora, administradores de empresas públicas e respectivos ordenados

– lista dos cachets pagos pelos Bancos í s chamadas figuras públicas que aceitam participar nas suas campanhas publicitárias

– lista de todos os portugueses que já participaram num concurso televisivo (suspeito que já só falto eu e mais três ou quatro pessoas)

– lista de todos os jogadores que já foram do Benfica, desde o tempo do Artur Jorge

Referendar a táctica

Depois de levar 3-0 do Sporting, 1-0 do Deportivo da Corunha e 3-1, do AEK, o novo treinador do Benfica – que é engenheiro e tudo! – decidiu mudar de táctica.

Esta semana, um jornal desportivo perguntava: qual a melhor táctica para o Benfica?

É o descalabro!

A táctica do glorioso já é discutida na praça pública!

Acentue-se que não me espanta: nunca gostei do engenheiro. Não se pode confiar num homem que usa a camisola por dentro das calças de fato de treino. Sobretudo quando esse homem é treinador de futebol…

Mas, dada a dimensão do glorioso, talvez não seja má ideia: a táctica da equipa podia ser objecto de um referendo nacional. Desse modo, todos os portugueses benfiquistas – correcção: todos os benfiquistas, já que todos os verdadeiros portugueses são benfiquistas – poderiam decidir como gostariam que o seu clube jogasse.

Aliás, podia mesmo fazer-se um referendo semanal, de modo a que se pudesse adoptar a táctica a cada novo adversário.

Pelo menos poupava-se o ordenado de treinador e despedia-se o engenheiro.

Guerra no Médio Oriente – Teste de respostas múltiplas

1. Neste conflito, Israel luta contra:

A – O Hezbollah
B – O Líbano
C – O Irão e a Síria
D – Os palestinianos
E – Todas as anteriores

2. Por que razão a Al-Qaeda ainda não realizou nenhuma acção de retaliação contra Israel, desde que este conflito começou?

A – Porque o Hezbollah é xiita e a Al-Qaeda é sunita
B – Porque a Al-Qaeda odeia os xiitas tanto como os sionistas
C – Porque está í  espera de uma trégua para relançar o conflito
D – Porque os atentados no Iraque lhe estão a ocupar o tempo todo
E – Todas as anteriores

3. Por que motivo Bush não convence os seus aliados israelitas a suspenderem os bombardeamentos?

A – Porque lhe dá jeito que Israel gaste os mísseis Patriot todos, de modo a poder vender-lhe versões mais modernas
B – Porque Israel lhe está a fazer o favor de atacar um aliado do Irão, sem que os EUA se metam no assunto
C – Porque Bush pensa mesmo que Israel tem todo o direito de bombardear o sul do Líbano
D – Porque Bush ainda não percebeu muito bem onde raio fica o Líbano
E – Todas as anteriores

4. Não será um exagero destruir vilas e aldeias e matar centenas de civis por causa de dois soldados raptados?

A – Sim, mas se Israel não reagisse, o Hezbollah era muito capaz de raptar mais três ou quatro soldados
B – Não, porque a vida de dois soldados israelitas tem um valor incalculável
C – Sim, mas os civis libaneses são avisados que vão ser bombardeados e só morrem porque querem
D – Sim, bem… não, quer dizer, que importância tem isso?
E – Todas as anteriores

5. Qual o papel da União Europeia neste conflito?

A – Nenhum
B – Papel de parva
C – A União quê?
D – Esta pergunta não faz sentido
E – Todas as anteriores

A correcção deste teste será feita pelo Sr. Koffi Anan ou, no seu impedimento, pelo general Loureiro dos Santos, já que o Nuno Rogeiro deve estar de férias.

Uma reforma Alegre

A rádio portuguesa está mais pobre: Manuel Alegre reformou-se.

O conhecido deputado do PS e ex-candidato í  Presidência da República passou í  reforma, depois de ter sido director de não-sei-o-quê, na RDP, há não-sei-quantos-anos, durante um período que não chegou aos doze meses.

O seu reconhecido e admirado trabalho na referida área, foi agora recompensado com uma reforma de três mil e tal euros.

Alegre até ficou espantado. Dizem que já nem se lembrava que tinha trabalhado na RDP. Decidiu acumular a reforma com o ordenado de deputado e, sendo assim, apenas receberá um terço da sua reforma.

Não me quero comparar com o deputado-poeta, mas a verdade é que trabalhei na RTP, entre Maio de 1974 e Dezembro de 1977, como jornalista. Claro que nunca cheguei a director de não-sei-o-quê, mas fui, durante alguns meses, chefe da edição da noite. Coisas da Revolução…

Portanto, se menos de um ano de trabalho na RDP, valem uma reforma de três mil euros, eu devo ter direito a uma reforma principesca pelos dois anos e meio de trabalho na RTP.

Vou já meter os papéis na próxima segunda-feira.

Deus é o senhor

A Marta fez-me chegar este anúncio:

 

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A última frase do anúncio é deveras misteriosa. Depois de ficarmos a saber que o Sr. Antunes realiza transportes e mudanças para todo o país, e após uma descrição sumária dos serviços prestados e do respectivo preço, levamos com a frase:

“Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”

Qual a relação entre esta frase mística e os serviços prestados pelo Sr. Antunes?

Que nação será essa, em que Deus é o Senhor? O Irão? A Arábia Saudita? O Vaticano?

Aguardamos explicações do Sr. Antunes.

A menos que Antunes seja o senhor…