Boa forma por decreto

Tony Blair nomeou Caroline Flint como secretária de Estado para a boa forma física. Parece que o governo inglês está muito preocupado com a obesidade, que terá aumentado 38%, desde 2003.

A Caroline terá agora, a seu cargo, a responsabilidade de pí´r os ingleses aos pulos e aos saltos, a ver se perdem as banhas extras. Espera-se que, como compete ao bom Estado Providência, o governo inglês ofereça aulas gratuitas de cardiofitness a todos os gordos indigentes.

Três terços não é uma unidade?

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Notícia de hoje, do Público: “Confirmada ligação entre líquido para lentes de contacto e infecções oculares – três terços dos doentes confirmados nos EUA tiveram de fazer um transplante de córnea”.

Leio o título e exclamo: “Xiça! Ainda bem que não uso lentes de contacto!”

É que, quando andava na escola, ensinaram-me que três terços equivale a uma unidade, o que quer dizer que TODOS os doentes que usavam o tal líquido (ReNu – faz lembrar o “rei vai nu”) tiveram que fazer transplante de córnea.

Leio depois a notícia e fico baralhado. Afinal, os cientistas, diz a notícia “não sabem ao certo a sua (da infecção) origem”. Mau… então a culpa da infecção não era o tal líquido?…

Mais í  frente, a notícia acrescenta: “pesquisas adicionais do centro americano para o controlo e prevenção de doenças junto de 164 casos de queratite microbiana (infecção da córnea provocada por um fungo) confirmados nos EUA permitiram constatar que as pessoas que usam a solução para lentes de contacto ReNu MoistureLoc têm 20 vezes mais probabilidades de contrair a doença.”

Falta de vírgulas í  parte, percebemos que, afinal, a malta que usa o líquido só tem mais 20% de probabilidades de apanhar a infecção. Quer dizer: nem todos a apanham.

E continua a notícia: “este novo estudo, publicado esta terça-feira no Journal of the American Medical Association, revela que um terço dos americanos que contraíram queratite tiveram de fazer um transplante de córnea.”

Mau Maria!… Então, agora, já não são três terços? É só um terço dos americanos? Ou será, apenas, um terço dos 164 doentes estudados?

Que grande confusão!

O que vale é que o tal ReNu foi tirado do mercado.

O mesmo devia acontecer a quem escreveu esta notícia…

Jornalistas que refazem a História

João Pereira Bastos, director da Antena 2, de 1996 a 2005, escreve uma divertida carta ao director do Público sobre um programa que a RTP transmitiu, a propósito do centenário do nascimento de Marcelo Caetano, no passado dia 17.

Pelos vistos, segundo os jornalistas responsáveis pelo programa, a Acção Nacional, de Caetano (que substituiu a União Nacional), chamava-se Assembleia Nacional Popular, a ala liberal não incluía Pinto Balsemão, Maria Callas veio ao S. Carlos cantar a “Aida”, de Verdi, e não La Traviata, e o seu acompanhante mudou de nome: em vez de Alfredo Kraus, passou a chamar-se Alfredo Strauss.

J.P. Bastos termina a sua carta com muito humor, dizendo: “é como se eu fosse obrigado a escrever sobre futebol, matéria que não me é familiar, e não me certificasse que o ex-treinador do FCP, Co Adriannse, não é uma variante dos meus comprimidos para a pressão arterial, o Co Aprovel”.

Não querendo comparar Marcelo Caetano aos Rolling Stones, até porque estes, ao contrário do cinzento professor, ficarão na História e são muito mais divertidos, a Visão de 10 de Agosto, tem um artigo, assinado por Miguel Judas, que começa com um chorrilho de imprecisões.

Começa o artigo por dizer: “Na pequena sala de concertos The Scene, como já era habitual í s quartas-feiras, uma pequena multidão apinhava-se para ver os «miúdos» Brian, Keith e Mike…”

Para além de a estreia dos Stones ter sido no Marquee Club, em Londres, em 1962, acrescente-se que a composição da banda era: Brian Jones, Keith Richards, Mick Jagger, Charlie Watts e Bill Wyman. Quem seria o Mike?…

Logo a seguir, o artigo continua: “Mais de 40 anos depois, as mesmas palavras continuam a ser utilizadas quando se fala dos Rolling Stones, a banda composta pelos «graúdos» Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ronnie Wood (que entrou após a morte de Brian Jones, em 1969)”

Mais uma série de imprecisões: Ron Wood não substituiu Brian Jones coisa nenhuma. Jones morreu em 1969 e foi substituído por Mick Taylor. Os Stones continuaram como quinteto e gravaram “Trough the Past Darkly” e “Let it Bleed”, em 1969, “Get Yer Ya-Ya’s Out”, em 1970, “Sticky Fingers”, em 1971, “Exile on Main Street”, em 1972, “Goats Head Soup”, em 1973, “It’s Only Rock’n’Roll”, em 1974, “Metamorphosis”, em 1975, e só então, seis anos depois do que diz Miguel Judas, é que Ron Wood se juntou aos Stones, tendo saído Mick Taylor. Mais tarde, em 1992, Bill Wyman saiu e só então, há apenas 14 anos, é que os Rolling Stones ficaram com a sua actual formação.

Judas decidiu-se pela simplificação, ignorando os factos, ou não sabia nada disto? É que é fácil: a informação sobre os Rolling Stones é vasta e está acessível em muitas fontes. Basta clicar, por exemplo, www.allmusic.com.

O problema é que, como diz João Pereira Bastos: “o erro grosseiro de hoje arrisca-se a ser a verdade histórica de amanhã”.

Sinais do apocalipse

1. Jesualdo Ferreira passou-se do Boavista para o FCP. Quebrou o contrato. Pelo facto, irá pagar ao clube do Bessa, um milhão de euros de indemnização.

Eu teria que trabalhar 21 anos para conseguir pagar esta indemnização.

E o meu salário não é nada mau.

2. Alguém revelou que George Bush está a ler um livro.

Esta revelação, em si, já é um sinal de que o mundo deve estar quase a acabar.

O pior é que esse livro é “O Estrangeiro”, de Albert Camus!

Imaginem o que aconteceria se, de repente, Bush se transformasse num intelectual.

É que não há nada pior que um intelectual idiota!

3. A aldeia de Capela fica no concelho de Penafiel.

Pela quinta vez, no último ano, alguém roubou os fios de cobre das ligações telefónicas e a aldeia ficou sem telefone.

Os ladrões serram os postes telefónicos, depois derrubam-nos e, a seguir, roubam os fios de cobre.

Repito: no espaço de um ano, os ladrões já fanaram, por cinco vezes, os fios de cobre das ligações telefónicas da aldeia de Capela.

Quantos mais metros de fio de cobre terão que roubar para conseguirem um lucro semelhante ao da indemnização que Jesualdo vai pagar ao Boavista?

E por que raio não se deixam eles de roubos patéticos e, em vez disso, não se dedicam, í  leitura?

O presidente da maior potência do mundo aconselha “O Estrangeiro”, de Camus…

Se não fumo, ele morre!

Isto é sintomático: quase todos os dias surge uma nova notícia sobre a proibição tabágica, cada uma mais surpreendente que a anterior.

Típico.

Claro que acontecimentos como estes, muito provavelmente, acontecem todos os dias. Só que, nem sempre os jornalistas estão para aí virados.

Os órgãos de comunicação social funcionam muito por ondas, como estou farto de sublinhar – e agora estamos numa onda de fumadores versus não fumadores.

A notícia de hoje, proveniente de Ohio, EUA (where else?), é a seguinte: em 2003, um grupo de jurados precisou de seis horas de reunião para considerar que o réu, Philip Elmore, era culpado da morte da sua ex-namorada. Uma semana depois, os mesmos jurados só precisaram de três horas para chegar í  conclusão de que Elmore merecia a pena capital.

Agora, três anos depois, os advogados de defesa de Elmore, alegam que o júri chegou a este veredicto em apenas três horas, porque o juiz os impediu de fumar!

Dizem eles: “a recusa do juiz em atender o pedido dos jurados para fumarem, predispí´-los a acordar numa decisão rápida”.

Por outras palavras: se o juiz tivesse deixado os jurados fumar í  vontade, talvez eles pensassem com mais calma e, fumando um cigarrinho, tivessem chegado í  conclusão que Elmore só merecia ser condenado, por exemplo, a prisão perpétua. Ou, quem sabe, se pudessem fumar mais um cigarrinho, pudessem ter encontrado circunstâncias atenuantes e Elmore acabasse por sair em liberdade condicional…

Que o cigarro faz mal í  saúde do próprio ou de quem o rodeia, parece que já ninguém contesta.

Agora, afirmar que o facto de se proibir alguém de fumar pode levar í  morte de outra pessoa – eis um facto novo!

Medidas extremas

Os serviços secretos ingleses desmontaram um enorme plano terrorista: dez aviões de longo curso deveriam explodir sobre o Atlântico, ao fazerem a ligação entre a Inglaterra e os EUA.

Foram presos cerca de duas dezenas de suspeitos, em Inglaterra e no Paquistão; quase todos eles eram cidadãos britânicos de origem paquistanesa.

O plano era mais ou menos assim: em cada avião, cinco terroristas (ou mártires, conforme o ponto de vista), levariam os ingredientes para o fabrico da bomba, fabrico que seria executado já a bordo. O combustível usado seria líquido e dissimulado em qualquer inocente garrafa de “água”, o detonador estaria escondido num computador portátil, por exemplo, e o detonador seria accionado por uma simples bateria de telemóvel.

O aeroporto de Heathrow ficou inoperacional, dezenas de voos foram cancelados e milhares de passageiros ficaram em terra.

A partir de agora, a segurança impedirá qualquer tipo de bagagem de mão e cada passageiro só poderá levar, para bordo do avião, um saco plástico transparente com meia dúzia de pertences, rigorosamente verificados pela segurança: o bilhete de avião, o passaporte, medicamentos essenciais para a viagem e pouco mais. Até os biberões com leite, para os bebés, terão que ser provados pelos pais, í  frente da segurança. Deixou de ser possível levar, para o avião, computadores portáteis, mp3, telemóveis, garrafas de água, líquido para lentes de contacto, qualquer tipo de aerossóis, insulinas (só a dose necessária para ser administrada durante o voo), etc, etc.

Em vez de esperarmos duas horas, antes de cada embarque, passaremos a ter que estar no aeroporto cinco horas antes do voo.

Talvez fosse a altura de usar medidas extremas e proibir o embarque a todo e qualquer muçulmano!

A menos que… a menos que vejamos tudo isto í  luz da Grande Teoria da Conspiração…

Não há dúvida que, no momento em que Israel e o Hezbollah andam í  pancada há cerca de um mês, e se fala num cessar-fogo há mais de quinze dias, nada melhor que uma ameaça como esta para influenciar a opinião pública ocidental, definitivamente, contra o Islão.

Está na cara que, na mesa das negociações um plano terrorista como este (destruir dez aviões, provocando mais de três mil mortos), enfraquece a posição dos árabes e dá argumentos aos israelitas.

Das duas, uma: ou os activistas muçulmanos são muito burros, ou os serviços secretos ingleses tiveram um excelente sentido de oportunidade.

Em qualquer dos casos, não há dúvida que, desde que Bush e seus capangas tomaram conta do mundo, este planeta está cada vez mais seguro…

Churchill deixou de fumar

Não quero transformar o Coiso num site dos fervorosos fumadores. Fumar faz mesmo mal í  saúde!

Mas eles provocam-me!

Mais uma notícia de hoje: o actor britânico Mel Smith estreou ontem a sua nova peça, no Fringe Festival, em Edimburgo, Escócia. A peça chama-se “Allegiance: Winston Churchill and Michael Collins” e Mel Smith (quem se lembra da série da BBC, “Not Nine O’Clock News”?) interpreta o papel de Churchill que, como se sabe, era um inveterado fumador de charutos.

No entanto, Mel Smith não foi autorizado a fumar durante a peça, devido í  nova lei anti-tabaco da Escócia que, além de proibir o fumo nos bares, cafés e outros locais públicos, também proíbe que os actores acendam cigarros ou charutos em palco. Smith foi ameaçado de ter que pagar uma multa de mil libras, caso insistisse em fumar em palco.

Segundo a notícia, a peça, de autoria de Mary Kenny, “conta a história do encontro entre Churchill e o independentista irlandês, Michael Collins, numa noite de 1921, em que houve certamente muito álcool e charutos”.

Minutos depois de terminada a representação, Smith fez questão de aparecer í  janela do teatro, fumando e disse: “Adolf Hitler teria ficado deliciado com esta lei. Parabéns, Escócia”.

Portanto, aqui temos mais um exemplo de rescrita da História: já tiraram o cigarro da boca de Malraux, nos selos, substituíram o cigarro pela palhinha, ao pobre do Lucky Luke, sacaram o cigarro da mão de McCartney, na foto da capa do Abbey Road, e agora chegou a vez de Churchill ser impedido de fumar o seu charutinho.

Esta malta está a ficar apanhadinha!

546 incêndios?

Os incêndios de Verão aí estão, finalmente!

Já começava a ficar preocupado. Seria um fracasso abrir-se a época de incêndios e, depois, os bombeiros não terem nada para fazer.

A primeira onda de calor, em Julho, resultou apenas nuns fogachos sem categoria nenhuma. Mas agora, com a entrada de Agosto em cena, os incêndios vingaram. É natural: há mais piqueniques nas matas, mais foguetórios nas aldeias, com a chegada dos emigrantes, mais condutores, nas estradas, a atirarem com beatas acesas para as bermas…

Enfim, a normalidade regressou e o país já está a arder, como convém.

Também é verdade que os telejornais andaram ocupados com os bombardeamentos no Líbano e não tinham repórteres que chegassem para tanta coisa: um do lado de Israel, outro do lado do Líbano, outro a acompanhar os saldos, metade da redacção de férias – não sobrava ninguém para os incêndios.

Mas agora, que a guerra do Médio Oriente já vai no 26º dia, ou coisa que o valha, a malta já perdeu a conta aos rockets do Hezbollah e aos civis que Israel já matou e é preciso outra coisa para animar a malta.

Venham de lá os incêndios, então.

Mas também escusavam de abusar.

Li no jornal que anteontem se bateu o recorde do número de incêndios: foram 546 ocorrências!

546 fogos num só dia?

Cheira-me que as autoridades, sempre que apanham um tipo a acender um cigarro, contam como ocorrência.

Hoje, os fumadores – amanhã, os carecas?

A história conta-se resumidamente.

Uma empresa irlandesa, a Dotcom Directories, publicou um anúncio de emprego que dizia: “se for fumador, não se incomode em responder”.

A eurodeputada irlandesa, Catherine Stihler, do Partido Trabalhista, interrogou a Comissão Europeia: não estaríamos perante um caso de discriminação?

A Comissão Europeia respondeu, através da voz do Comissário do Emprego e Assuntos Sociais, o checo Vladimir Spidla: “a legislação anti-discriminação europeia proíbe a discriminação no emprego e noutras áreas com base na raça ou etnia, numa deficiência, na idade, na orientação sexual, na religião ou crenças”.

Assim sendo, recusar um emprego a um fumador “não parece enquadrar-se em nenhuma das situações acima mencionadas”, acrescenta o checo.

O director da Dotcom, Philip Tobin, justifica-se, dizendo: “mesmo que as pessoas façam uma pausa para fumar, quando voltam ao seu lugar, tresandam a tabaco”. E acrescenta que “fumar é idiota”, pelo que se as pessoas o fazem é porque “não têm o nível de inteligência” que é pretendido para a sua empresa.

Isto quer dizer que pessoas como, digamos, Freud, Sartre, Malraux, Brel, Bogart, ou mesmo Vasco Pulido Valente (para não falar em mim próprio), nunca poderiam trabalhar na Dotcom Directories. E ainda bem, porque o tal senhor Tobin deve ser um idiota chapado.

O que me preocupa é o facto de a Comissão Europeia adoptar uma atitude deste tipo. Portanto, se ser fumador não é característico de uma determinada raça, orientação sexual ou crença religiosa, não é discriminatório recusar-se um emprego a um fumador.

Isto quer dizer que a porta está aberta a recusar emprego a gordos, carecas, tipos com piercing, grávidas, tipos tatuados, gajos demasiado altos, sujeitos baixinhos e por aí fora.

Esta atitude da Comissão Europeia é mais uma prova de que existe, mesmo, uma campanha histérica anti-tabagismo, que está a assumir uma dimensão deveras preocupante.

Como fumador, aceito as restrições cada vez maiores, impostas aos fumadores e acho adequado que se proíba o fumo nos locais públicos, incluindo restaurantes. Não me custa nada vir cá fora fumar um cigarro, no final da refeição, de modo a não incomodar o resto das pessoas e também não fumo no meu local de trabalho – aliás, nem fumo na minha própria casa, se estão presentes pessoas a quem o fumo incomoda. Agora, não poder candidatar-me a um emprego porque sou fumador, começa a cheirar a hiper-nipo-nazi-fascismo!

Queremos mais listas

O Governo publicou a lista dos indivíduos e empresas que devem dinheiro ao fisco.

Está aqui: http://www.e-financas.gov.pt/de/jsp-dgci/main.jsp

Dezasseis cidadãos devem mais de um milhão de euros de IRS: o Sr. Almeida, o Sr. Djumo, o Sr. Campos, O Sr. Pinheiro, o Sr. Palma, o Sr. Teixeira, o Sr. Lopes, o Sr. Silva, a Sra. Rodrigues, o Sr. Marcelino, o Sr. Matos, dois Srs. Vieira, dois Srs. Mendes e a Sra. Mendes.

Se apenas estes dezasseis cidadãos fizessem o favorzinho de pagar o que devem, entrariam nos cofres do Estado mais de 16 milhões de euros.

Mas o Governo não devia ficar por aqui. A publicação de listas deste género poderia mudar a nossa vida.

Proponho que se publiquem, para já, mais as seguintes cinco listas:

– lista dos deputados no activo que já recebem uma reforma

– lista dos ex-ministros que são, agora, administradores de empresas públicas e respectivos ordenados

– lista dos cachets pagos pelos Bancos í s chamadas figuras públicas que aceitam participar nas suas campanhas publicitárias

– lista de todos os portugueses que já participaram num concurso televisivo (suspeito que já só falto eu e mais três ou quatro pessoas)

– lista de todos os jogadores que já foram do Benfica, desde o tempo do Artur Jorge