O futebol é assim mesmo – 2

Começou o novo campeonato de futebol e ninguém sabe quem é que fica na 1ª Liga: o Gil Vicente, o Belenenses ou mesmo o Leixões?

Contando com os resultados, os golos marcados e os golos sofridos, devia ser o Gil Vicente. Mas o Belenenses descobriu que o jogador Mateus, do Gil, não estava bem inscrito, ou coisa que o valha. As instâncias competentes decidiram: o Belenenses sobe í  1ª Liga, o Gil, desce.

O clube de Barcelos recorre para os tribunais e os tribunais decidem: desce o Belenenses, sobe o Gil.

Isto é uma afronta: não é suposto os clubes recorrerem aos tribunais. A Federação tem os seus órgãos próprios. A FIFA quer castigar o Gil por ter infringido as normas.

É como se eu, como médico, só pudesse ser julgado pela Ordem dos Médicos, no caso de ter cometido alguma negligência que pusesse em perigo a vida de um doente.

É então que o Leixões entra em cena: se o Belenenses e o Gil estão a fazer maldades, deve ser o Leixões a subir í  1ª Liga e os outros dois que se danem.

A Federação decide, não decidindo: para já, nenhum destes três clubes joga esta semana.

E para a próxima? Logo se vê.

Se fosse o PCP a gerir a Federação, a coisa seria facilmente resolvida. Aposto que o PCP faria como fez com o presidente da Câmara de Setúbal: é preciso renovar e rejuvenescer – o Belenenses, o Gil Vicente e até o Leixões já jogaram muitas vezes na 1ª Liga; sobe o Louletano í  1ª Divisão!

As tabelas da ADSE

Os sindicatos estão muito zangados com as novas tabelas da ADSE de comparticipação dos exames.

Eu sou beneficiário da ADSE, como funcionário do Estado.

Agora, se tiver dores na coluna e precisar de fazer fisioterapia, em vez de pagar 10 cêntimos (!) por cada tratamento de ultra-sons ou de aplicação de parafina, terei que pagar a exorbitância de 31 cêntimos, o que equivale a um aumento de 210%!

Bom, se quiser fazer umas análises de rotina, que incluam, por exemplo, creatinina, ureia e glicemia, em vez de pagar 37 cêntimos por cada análise, só terei que pagar 28 cêntimos.

Mas, para os sindicatos, isso não tem importância nenhuma porque, por exemplo, se eu quiser saber se alguma vez estive em contacto com o vírus da gripe e o meu médico me pedir a improvável análise de pesquisa de anticorpos antivírus da influenza, em vez de pagar os 37 cêntimos que esse exame custava, terei que pagar 4 euros e 97 cêntimos, o que equivale a um aumento de 1243%!

Claro que a opinião pública e os órgãos de comunicação social pouco percebem destas coisas e, o que fica, é que os exames complementares, para os beneficiários da ADSE, subiram não sei quantos por cento. E o Bloco de Esquerda, numa jogada de oportunismo, vem logo declarar que o governo tem que acabar com esta ignomínia e repor a anterior tabela.

Quem é que precisa de saber se tem ou não anticorpos contra o vírus da gripe?

E se eu quiser saber, por exemplo, o meu grupo de sangue, será que é muito pagar 50 cêntimos (custava 37)? E um diagnóstico de gravidez por 57 cêntimos (custava 37) é assim tão caro?

Deixem-se de tretas!

Respeitem os chinesinhos

Segundo a agência noticiosa chinesa, Xinhua, os professores chineses vão deixar de poder insultar ou bater nos alunos. Parece que, numa sondagem realizada no ano passado, 80% dos alunos das escolas primárias chinesas, afirmavam que os insultos dos seus professores eram o seu maior problema.

Acabou-se. As autoridades chinesas decidiram que os professores têm que respeitar os menores.

Nas salas de aula chinesas, nunca mais se vai ouvir frases como: “Ouve lá, ó chinoca, por que raio não fizeste os trabalhos de casa? Vê lá se queres que te ponha os olhos em bico!”

Boa forma por decreto

Tony Blair nomeou Caroline Flint como secretária de Estado para a boa forma física. Parece que o governo inglês está muito preocupado com a obesidade, que terá aumentado 38%, desde 2003.

A Caroline terá agora, a seu cargo, a responsabilidade de pí´r os ingleses aos pulos e aos saltos, a ver se perdem as banhas extras. Espera-se que, como compete ao bom Estado Providência, o governo inglês ofereça aulas gratuitas de cardiofitness a todos os gordos indigentes.

Três terços não é uma unidade?

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Notícia de hoje, do Público: “Confirmada ligação entre líquido para lentes de contacto e infecções oculares – três terços dos doentes confirmados nos EUA tiveram de fazer um transplante de córnea”.

Leio o título e exclamo: “Xiça! Ainda bem que não uso lentes de contacto!”

É que, quando andava na escola, ensinaram-me que três terços equivale a uma unidade, o que quer dizer que TODOS os doentes que usavam o tal líquido (ReNu – faz lembrar o “rei vai nu”) tiveram que fazer transplante de córnea.

Leio depois a notícia e fico baralhado. Afinal, os cientistas, diz a notícia “não sabem ao certo a sua (da infecção) origem”. Mau… então a culpa da infecção não era o tal líquido?…

Mais í  frente, a notícia acrescenta: “pesquisas adicionais do centro americano para o controlo e prevenção de doenças junto de 164 casos de queratite microbiana (infecção da córnea provocada por um fungo) confirmados nos EUA permitiram constatar que as pessoas que usam a solução para lentes de contacto ReNu MoistureLoc têm 20 vezes mais probabilidades de contrair a doença.”

Falta de vírgulas í  parte, percebemos que, afinal, a malta que usa o líquido só tem mais 20% de probabilidades de apanhar a infecção. Quer dizer: nem todos a apanham.

E continua a notícia: “este novo estudo, publicado esta terça-feira no Journal of the American Medical Association, revela que um terço dos americanos que contraíram queratite tiveram de fazer um transplante de córnea.”

Mau Maria!… Então, agora, já não são três terços? É só um terço dos americanos? Ou será, apenas, um terço dos 164 doentes estudados?

Que grande confusão!

O que vale é que o tal ReNu foi tirado do mercado.

O mesmo devia acontecer a quem escreveu esta notícia…

Jornalistas que refazem a História

João Pereira Bastos, director da Antena 2, de 1996 a 2005, escreve uma divertida carta ao director do Público sobre um programa que a RTP transmitiu, a propósito do centenário do nascimento de Marcelo Caetano, no passado dia 17.

Pelos vistos, segundo os jornalistas responsáveis pelo programa, a Acção Nacional, de Caetano (que substituiu a União Nacional), chamava-se Assembleia Nacional Popular, a ala liberal não incluía Pinto Balsemão, Maria Callas veio ao S. Carlos cantar a “Aida”, de Verdi, e não La Traviata, e o seu acompanhante mudou de nome: em vez de Alfredo Kraus, passou a chamar-se Alfredo Strauss.

J.P. Bastos termina a sua carta com muito humor, dizendo: “é como se eu fosse obrigado a escrever sobre futebol, matéria que não me é familiar, e não me certificasse que o ex-treinador do FCP, Co Adriannse, não é uma variante dos meus comprimidos para a pressão arterial, o Co Aprovel”.

Não querendo comparar Marcelo Caetano aos Rolling Stones, até porque estes, ao contrário do cinzento professor, ficarão na História e são muito mais divertidos, a Visão de 10 de Agosto, tem um artigo, assinado por Miguel Judas, que começa com um chorrilho de imprecisões.

Começa o artigo por dizer: “Na pequena sala de concertos The Scene, como já era habitual í s quartas-feiras, uma pequena multidão apinhava-se para ver os «miúdos» Brian, Keith e Mike…”

Para além de a estreia dos Stones ter sido no Marquee Club, em Londres, em 1962, acrescente-se que a composição da banda era: Brian Jones, Keith Richards, Mick Jagger, Charlie Watts e Bill Wyman. Quem seria o Mike?…

Logo a seguir, o artigo continua: “Mais de 40 anos depois, as mesmas palavras continuam a ser utilizadas quando se fala dos Rolling Stones, a banda composta pelos «graúdos» Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ronnie Wood (que entrou após a morte de Brian Jones, em 1969)”

Mais uma série de imprecisões: Ron Wood não substituiu Brian Jones coisa nenhuma. Jones morreu em 1969 e foi substituído por Mick Taylor. Os Stones continuaram como quinteto e gravaram “Trough the Past Darkly” e “Let it Bleed”, em 1969, “Get Yer Ya-Ya’s Out”, em 1970, “Sticky Fingers”, em 1971, “Exile on Main Street”, em 1972, “Goats Head Soup”, em 1973, “It’s Only Rock’n’Roll”, em 1974, “Metamorphosis”, em 1975, e só então, seis anos depois do que diz Miguel Judas, é que Ron Wood se juntou aos Stones, tendo saído Mick Taylor. Mais tarde, em 1992, Bill Wyman saiu e só então, há apenas 14 anos, é que os Rolling Stones ficaram com a sua actual formação.

Judas decidiu-se pela simplificação, ignorando os factos, ou não sabia nada disto? É que é fácil: a informação sobre os Rolling Stones é vasta e está acessível em muitas fontes. Basta clicar, por exemplo, www.allmusic.com.

O problema é que, como diz João Pereira Bastos: “o erro grosseiro de hoje arrisca-se a ser a verdade histórica de amanhã”.

Sinais do apocalipse

1. Jesualdo Ferreira passou-se do Boavista para o FCP. Quebrou o contrato. Pelo facto, irá pagar ao clube do Bessa, um milhão de euros de indemnização.

Eu teria que trabalhar 21 anos para conseguir pagar esta indemnização.

E o meu salário não é nada mau.

2. Alguém revelou que George Bush está a ler um livro.

Esta revelação, em si, já é um sinal de que o mundo deve estar quase a acabar.

O pior é que esse livro é “O Estrangeiro”, de Albert Camus!

Imaginem o que aconteceria se, de repente, Bush se transformasse num intelectual.

É que não há nada pior que um intelectual idiota!

3. A aldeia de Capela fica no concelho de Penafiel.

Pela quinta vez, no último ano, alguém roubou os fios de cobre das ligações telefónicas e a aldeia ficou sem telefone.

Os ladrões serram os postes telefónicos, depois derrubam-nos e, a seguir, roubam os fios de cobre.

Repito: no espaço de um ano, os ladrões já fanaram, por cinco vezes, os fios de cobre das ligações telefónicas da aldeia de Capela.

Quantos mais metros de fio de cobre terão que roubar para conseguirem um lucro semelhante ao da indemnização que Jesualdo vai pagar ao Boavista?

E por que raio não se deixam eles de roubos patéticos e, em vez disso, não se dedicam, í  leitura?

O presidente da maior potência do mundo aconselha “O Estrangeiro”, de Camus…

Se não fumo, ele morre!

Isto é sintomático: quase todos os dias surge uma nova notícia sobre a proibição tabágica, cada uma mais surpreendente que a anterior.

Típico.

Claro que acontecimentos como estes, muito provavelmente, acontecem todos os dias. Só que, nem sempre os jornalistas estão para aí virados.

Os órgãos de comunicação social funcionam muito por ondas, como estou farto de sublinhar – e agora estamos numa onda de fumadores versus não fumadores.

A notícia de hoje, proveniente de Ohio, EUA (where else?), é a seguinte: em 2003, um grupo de jurados precisou de seis horas de reunião para considerar que o réu, Philip Elmore, era culpado da morte da sua ex-namorada. Uma semana depois, os mesmos jurados só precisaram de três horas para chegar í  conclusão de que Elmore merecia a pena capital.

Agora, três anos depois, os advogados de defesa de Elmore, alegam que o júri chegou a este veredicto em apenas três horas, porque o juiz os impediu de fumar!

Dizem eles: “a recusa do juiz em atender o pedido dos jurados para fumarem, predispí´-los a acordar numa decisão rápida”.

Por outras palavras: se o juiz tivesse deixado os jurados fumar í  vontade, talvez eles pensassem com mais calma e, fumando um cigarrinho, tivessem chegado í  conclusão que Elmore só merecia ser condenado, por exemplo, a prisão perpétua. Ou, quem sabe, se pudessem fumar mais um cigarrinho, pudessem ter encontrado circunstâncias atenuantes e Elmore acabasse por sair em liberdade condicional…

Que o cigarro faz mal í  saúde do próprio ou de quem o rodeia, parece que já ninguém contesta.

Agora, afirmar que o facto de se proibir alguém de fumar pode levar í  morte de outra pessoa – eis um facto novo!

Medidas extremas

Os serviços secretos ingleses desmontaram um enorme plano terrorista: dez aviões de longo curso deveriam explodir sobre o Atlântico, ao fazerem a ligação entre a Inglaterra e os EUA.

Foram presos cerca de duas dezenas de suspeitos, em Inglaterra e no Paquistão; quase todos eles eram cidadãos britânicos de origem paquistanesa.

O plano era mais ou menos assim: em cada avião, cinco terroristas (ou mártires, conforme o ponto de vista), levariam os ingredientes para o fabrico da bomba, fabrico que seria executado já a bordo. O combustível usado seria líquido e dissimulado em qualquer inocente garrafa de “água”, o detonador estaria escondido num computador portátil, por exemplo, e o detonador seria accionado por uma simples bateria de telemóvel.

O aeroporto de Heathrow ficou inoperacional, dezenas de voos foram cancelados e milhares de passageiros ficaram em terra.

A partir de agora, a segurança impedirá qualquer tipo de bagagem de mão e cada passageiro só poderá levar, para bordo do avião, um saco plástico transparente com meia dúzia de pertences, rigorosamente verificados pela segurança: o bilhete de avião, o passaporte, medicamentos essenciais para a viagem e pouco mais. Até os biberões com leite, para os bebés, terão que ser provados pelos pais, í  frente da segurança. Deixou de ser possível levar, para o avião, computadores portáteis, mp3, telemóveis, garrafas de água, líquido para lentes de contacto, qualquer tipo de aerossóis, insulinas (só a dose necessária para ser administrada durante o voo), etc, etc.

Em vez de esperarmos duas horas, antes de cada embarque, passaremos a ter que estar no aeroporto cinco horas antes do voo.

Talvez fosse a altura de usar medidas extremas e proibir o embarque a todo e qualquer muçulmano!

A menos que… a menos que vejamos tudo isto í  luz da Grande Teoria da Conspiração…

Não há dúvida que, no momento em que Israel e o Hezbollah andam í  pancada há cerca de um mês, e se fala num cessar-fogo há mais de quinze dias, nada melhor que uma ameaça como esta para influenciar a opinião pública ocidental, definitivamente, contra o Islão.

Está na cara que, na mesa das negociações um plano terrorista como este (destruir dez aviões, provocando mais de três mil mortos), enfraquece a posição dos árabes e dá argumentos aos israelitas.

Das duas, uma: ou os activistas muçulmanos são muito burros, ou os serviços secretos ingleses tiveram um excelente sentido de oportunidade.

Em qualquer dos casos, não há dúvida que, desde que Bush e seus capangas tomaram conta do mundo, este planeta está cada vez mais seguro…