Por que não te calas, Coelho?

Passos Coelho devia ser aconselhado a estar calado.

Sempre que abre a boca, diz uma asneira.

E nos últimos dias, abriu a boca muitas vezes.

Vejamos:

– “O essencial é que a recuperação do emprego está intimamente relacionada com a recuperação da economia. Não são os Governos que criam empregos, toda a gente sabe isso. São as empresas que geram oportunidades de emprego na medida em que possam ter oportunidades de crescer também”. (15 de Novembro)

Portanto, o facto de termos a mais alta taxa de desemprego de sempre, não tem nada a ver com o Governo, porque não é o Governo que cria empregos, embora se tenha esforçado bastante, tendo contratado mais de um milhar de colaboradores que até tiveram direito aos subsídios de natal e de férias, ao contrário de todos os outros funcionários públicos…

– “Este (direito í  greve) deve ser exercido com moderação para não criar um resultado mais penalizador para a economia”. (14 de Novembro)

O que será exercer o direito í  greve com moderação? Fazer greve só de manhã? Fazer greve í s escondidas? Fazer greve uma hora por dia?

– “Se a opinião do Governo fosse a de que era necessário renegociar o memorando isso significaria um falhanço do nosso processo de ajustamento”. (12 de Novembro)

Portanto, para não reconhecer o seu falhanço, o Governo não quer renegociar o memorando.

Acreditem, Passos Coelho está cada vez mais parecido com o Santana Lopes…

Merkel e a teoria dos 50%

Angela Merkel disse hoje, em Lisboa:

Â«É preciso declarar, sim, que acreditamos naquilo que dizemos. Não podemos ter dúvidas: 50% da política económica é psicologia».

Com esta pequena frase, a chanceler mostrou-nos como Freud continua a influenciar o pensamento alemão.

A crise está dentro de nós.

O desemprego, as falências, os cortes nos salários, os cortes nos subsídios e nas pensões, os aumentos de impostos – todas as medidas que fazem parte desta política de austeridade são, em grande parte, um estado de espírito.

É tudo uma questão psicológica.

Só estás meio desempregado, só estás meio enrascado, só estás meio aflito – o resto, a outra metade, é psicológico.

Obrigado, Angela!

Jonet, o BAF e o bife

Eu sou do tempo em que as famílias mais abastadas tinham o seu pobre de estimação.

Eram para ele os restos do almoço, uma ou outra iguaria sobrante e dois tostões para o pão.

Chamava-se esmola.

Aos outros pobres, batia-se com a porta na cara.

Fossem trabalhar, que tinham bom corpo!

Com o advento do Estado Social, passámos a descontar para os pobres.

É mais asseado.

A pouco e pouco, os pobres deixaram de viver em barracas e, subsídio a subsídio, muitos deles até têm telemóvel e computador e grandes carros í  porta.

Felizmente, veio a crise e com ela, os pobres estão a voltar a ser pobrezinhos.

Neste cenário, o Banco Alimentar contra a Fome (BAF), tem um papel cada vez mais importante.

Podemos voltar a ter muitos pobrezinhos, mas não podemos regressar ao passado!

Isso de cada família mais abastada ter o seu pobrezinho de estimação está ultrapassado.

Não só porque os pobrezinhos são muitos, mas também porque cada vez há menos famílias abastadas…

Por isso, a caridadezinha tem que ser organizada.

—E  é aqui que entra o BAF.

A presidente do BAF, Isabel Jonet, não tem mãos a medir e fez questão de vaticinar que vamos, todos, empobrecer nos próximo tempos.

Ela própria dá o exemplo, não estoirando dinheiro no cabeleireiro.

E disse mesmo que “se não há dinheiro para comer bifes todos os dias, então não comemos bifes todos os dias”.

Os vegetarianos aplaudiram.

E até eu, que não sou vegetariano, estou de acordo com a Dona Jonet – í  medida que vou envelhecendo, cada vez gosto menos de bife.

Mas será que os pobrezinhos não têm direito a comer mais bife, por-amor-de-deus?

Sugiro í  Dona Jonet que, no próximo peditório do BAF, arranje uns sacos térmicos para os voluntários distribuírem, í  entrada dos supermercados.

Assim, nós podemos colocar as bolachas e o esparguete no saco habitual e dois ou três bifes da vazia no saco térmico.

Os pobrezinhos vão ficar tão contentes!…

Marques Mentes

Nunca vejo os comentário de Marques Mendes.

Não lhe reconheço know-how para se armar em comentador político.

Sempre me fez lembrar o sr. Lionel, o simpático merceeiro da minha rua – sem desprimor para este último.

Esta gente tem sempre opinião sobre tudo.

Se rebenta um cano na rua, se as laranjas andam azedas, se o seleccionador escolhe o Hugo Viana em vez do Ruben Micael, se a televisão não dá nada de jeito, se o Vitor Gaspar aumenta os impostos, se Barak Obama não é tão preto como parecia í  primeira vista – eles têm sempre uma sentença para dar.

E portanto, embora nunca veja os comentário do Mendes, acabo por ter conhecimento deles através dos jornais, que fazem essa coisa fantástica que é comentar os comentários dos comentadores!

Mendes disse que  a próxima visita de Angela Merkel é “a visita da chanceler de um país amigo, de um líder da União Europeia e uma oportunidade para Angela Merkel conhecer melhor Portugal e até de ouvir as queixas dos portugueses”.

Fiquei perplexo!

Então a Merkel vem aqui, ao Monte de Caparica, ouvir as queixas da malta do Picapau Amarelo, da malta que perdeu o subsídio de desemprego ou o rendimento de inserção, dos diabéticos que deixaram de estar isentos, dos doentes dependentes que passaram a pagar 10 euros por um domicílio médico?

É Mendes, tu mentes!

A Merkel vai directa do aeroporto para a sala onde estarão reunidos os grandes economistas portugueses que foram incapazes de prever a crise que estava para vir, incluindo tu, que já foste do governo e que – tão visionário que és – não conseguiste vislumbrar a merda que vinha a caminho.

Claro que, depois de ela nos cair em cima, é fácil apontar os erros.

Disseste tu, pelos vistos, que António José Seguro é um “político de plástico”.

Olha, pá: eu não gosto do Seguro, acho, de facto, que o tipo é um pouco postiço. Mas se o gajo é um político de plástico, tu és de plasticina.

Merecias que te fizessem o que os meus netos fazemÂ í  plasticina: bolinhas.

Pequeninas…

Muito pequeninas…

A solução

A cidade japonesa de Izumisano está falida e tem uma dívida de cem mil milhões de ienes.

Como não tem modo de pagar essa enormidade, a Câmara decidiu vender o nome da cidade. Assim, quem decidir avançar com a massa para pagar a dívida da cidade, pode dar o seu nome í  mesma cidade.

Ora aqui está uma excelente ideia!

Aproveitando a visita da Merkel, o Passos Coelho podia convencê-la a comprar o nome do nosso país, a troco da nossa dívida soberana.

Merkolândia era um bom nome.

E matávamos 2 coelhos com um cajadada: a dívida soberana e a refundação do Estado, com nome novo e tudo.

Aliás, matávamos 3 coelhos, porque o Passos não resistiria a isto…

Afinal é revisitar, não é refundar!

A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, não gosta do termo refundar.

Nisso estamos de acordo.

Diz a senhora que prefere a expressão “revisitar as funções sociais do Estado“.

E confirmou que os cortes na Justiça, Administração Interna e Defesa, serão de 500 milhões.

Parece, portanto, confirmar-se o que se diz por aí: o governo, com a prestimosa ajuda dos técnicos do FMI, prepara-se para cortar os tais 500 milhões e mais 3500 milhões na Saúde, na Segurança Social e na Educação.

Depois dessas reformas concluídas, a ministra Paula já não poderá “revisitar as funções sociais do Estado”, pela simples razão de que não restará nenhuma!

Refundidos e mal pagos

—Mas que raio de ideia te trespassou, Passos!

Queres refundar o quê?

Fundar, refundar, fundir, refundir, afundar, transfundir, tresandar, tresmalhar, transmitir, retransimitir, formar, reformar, reformular, reorganizar, enfaralhar, enfarinhar!

Se fosses mas era refundar a tua prima!

Que aconteceu?

Acordaste um dia de manhã e pensaste: tenho que refundar isto!

Foi um tique? Foi um traque? Foi um flic-flac?

Foi o Relvas, foi o Gaspar, qual deles te fez avançar com esta ideia espectacular de querer refundar?

Refundar o memorando? Quando?

Vai refundar o raio que te parta!

A ameaça dos comentadores

Aguiar-Branco discursou perante os militares e insurgiu-se contra “os comentadores de fato cinzento e gravata azul, que têm do Estado e da soberania uma visão contabilística”.

O ministro da Defesa classificou o “discurso da inutilidade das Forças Armadas” como o “maior adversário”.

Disse: “Este adversário é tão corrosivo, tão arriscado e tão perigoso para a segurança nacional como qualquer outra ameaça externa”.

No passado, tememos as investidas de Castela ou as invasões napoleónicas.

Hoje em dia, somos ameaçados por comentadores de fato cinzento e gravata azul.

Ainda bem que temos submarinos, caças e carros de combate para dizimar esses bandidos!