Título do DN:
“Juiz prende pela primeira vez director de uma polícia”
aqui desde 1999
Ficou tudo muito indignado com a prestação do ministro da Economia no Parlamento.
Pires de Lima falou, com voz arrastada, sobre as taxas e as taxinhas que António Costa pretenderá criar para sacar mais dinheiro aos contribuintes.
Sugeriu-se que Pires de Lima estivesse com os copos.
Mentira!
Pires só bebe pela garrafa!

Além disso, há que concordar que o homem é original.
Conheço pires de plástico ou de porcelana.
De lima?
Nunca ouvi falar…
No fundo, o homem apenas queira fazer-nos rir. Conseguiu.
Em 2008, o professor de Matemática Nuno Crato publicou um livro com o título “A Matemática das Coisas”.
Uma amiga ofereceu-mo, mas confesso que nunca o li. Não que tivesse algum preconceito contra o professor do ISEG, mas apenas porque nunca fui muito amigo da Matemática e ela também nunca gostou muito de mim.
O livro reúne pequenas histórias, mais ou menos relacionadas com a Matemática, que Nuno Crato publicou no Expresso.
No final do prefácio, assinado pelo próprio, diz-se: «as histórias matemáticas são histórias de sucesso».
Um coisa boa já resultou da bagunça que se vive no Ministério de Crato: fui buscar o livro a uma das minhas estantes e aproveitei para limpar-lhe o pó.
Ao livro, claro…
Portanto, estava convencido que Nuno Crato, além de professor de Matemática e de Estatística era, também, de certo modo, escritor.
Confesso, portanto, que fiquei um pouco surpreendido quando o vejo fazer parte do ministério de Passos Coelho, como ministro da Educação.
Não é habitual professores-escritores aceitarem meter-se nessas andanças, embora haja antecedentes.
Recorde-se que o Governo de Sócrates também teve uma ministra da Educação escritora e uma ministra da Cultura pianista.
Mas são as excepções.
Temos, portanto, que Crato é professor, escritor e ministro.
Mas eis que uma fórmula matemática lixa Crato e instala-se o caos na colocação de professores.
Hoje mesmo, no Pública, relata-se o caso de um professor que ficou colocado em 75 escolas, mesmo depois de ter desistido do concurso!
Crato pediu desculpa, já sabemos.
E o Diário de Notícias enche a segunda página da edição de hoje com revelações sobre o que se passa no Ministério.
O subtítulo da notícia é: «Gabinete do ministro é a sala de operações onde juristas e técnicos tentam resolver os problemas dos concursos».
Sala de operações?
Então, Crato, além de professor, escritor e ministro, é também cirurgião?
Só que o título da notícia cita uma frase proferida por Crato: «Temos aqui um fogo e vou ter de ser eu a apagá-lo!»
Ora toma!
Afinal, Nuno Crato é professor, escritor, ministro, cirurgião e bombeiro!
“A Matemática das coisas”?
Não – coisas da Matemática!…
Está tudo muito incomodado pelo facto de o nosso primeiro-ministro ter recebido uns dinheiros do Centro Português para a Cooperação – uma ONG (Organização Não Golpista) financiada pela Tecnoforma.
Pelos vistos, Passos Coelho era deputado em regime de exclusividade e não podia receber dinheiro por fora ou, afinal, podia receber porque talvez não estivesse em exclusividade, mas não declarou esse dinheiro, o que também não tem grande importância porque o crime, se existiu, já prescreveu.
Confuso, não?
Quando lhe perguntaram directamente se tinha recebido 5 mil euros por mês quando era deputado em exclusividade, Passos Coelho disse que não se lembrava – o que não me espanta porque ainda hoje, só quando cheguei í minha garagem e deparei com dois Maseratis é que me lembrei que os comprei há uns anos, embora prefira conduzir o Honda…
Além disso, em 1991, ainda não havia euros e Passos Coelho não conseguiu converter os 5 mil euros em escudos assim de repente. Nunca foi muito bom em contas, como temos comprovado nestes últimos três anos…
Depois, Passos Coelho foi para casa, consultou os dossiers onde guarda as recordações, os recortes de jornais em que aparece de barba ao lado de uma das Doce e as fotos com o Relvas, e hoje foi ao Parlamento explicar que nunca recebeu nenhuma remuneração do Centro Português para a Cooperação – mas apenas despesas de representação.
Portanto, eles foram uns almoços, elas foram umas deslocações ao Porto e a Bruxelas e até a Cabo Verde.
Pelo vistos, uma das iniciativas da prestimosa ONG de Coelho, foi a criação de uma Universidade em Cabo Verde.
É por isso que proponho que, como castigo por nos estar a dar cabo da vida há três anos, Passos Coelho seja condenado a frequentar um curso de representação na Universidade que fundou em Cabo Verde.
Um curso de quatro anos.
Seguido de mestrado.
E doutoramento.
Só voltaremos a ouvir falar dele em 2022…