O Partido sou eu

—Sou assim desde criança.

Quando era pequenito, lembro-me de brincar sozinho com o meu comboio eléctrico e não deixar que mais ninguém lhe tocasse. A mãe ralhava comigo e dizia: «Paulo, por favor, não seja egoísta! Deixe o Miguel brincar!”

Mas eu encolhia os ombros e não deixava que o Miguel sequer se aproximasse. E fazia o mesmo com a pista de carros de corrida, e com as miniaturas Dinky Toys e, claro, com os Action Man. E tantos Action Man que eu tinha!…

Mais tarde, tive um jornal só para mim. Chamava-se “Independente”, que é como quem diz “Sozinho”. Quem precisa dos outros?

Mas precisava de voos mais altos. Quis um Partido político. Podia ter fundado um, mas demoraria muitos anos até que o Partido fosse conhecido e me levasse ao Poder. Por isso, aproveitei-me do CDS. Acrescentei-lhe a sigla PP e dei a entender que queria dizer Partido Popular quando, obviamente, quer dizer Paulo Portas.

O ano passado, o vice-presidente do Partido pediu a demissão. Aceitei mas não disse nada a ninguém.

Quem precisa de vices-presidentes?

Quem precisa de secretários-gerais?

Quem precisa mesmo de militantes?

Eu sou o Partido!

O Partido sou eu!

Ah! Ah! Ah!

Por que não falas, Manela?

Ficou célebre a frase do rei de Espanha, “por que no te callas”, dirigindo-se ao Presidente da Venezuela, Hugo Chavez, que não perde a oportunidade de botar faladura por tudo e por nada.

—Também entre nós começa a ficar célebre a frase dos militantes do PSD, dirigindo-se í  sua muda líder: “por que não falas, Manela?”

O país í  beira da falência, o Sócrates a anunciar empregos fictícios, o crime violento a aumentar de dia para dia, e a Manela caladinha que nem um rato, aliás, que nem uma rata…

Até parece que não tem mesmo nada para dizer.

Bem, ontem lá se reuniram os órgãos do partido e pariram um comunicado, pedindo a demissão do ministro da Administração Interna, só porque foram assaltados meia dúzia de bancos e uma carrinha da Próssegur.

O PSD devia ter vergonha na cara e dar atenção a coisas importantes, como esta notícia, publicada hoje no DN.

—

Inacreditável!

Se o Governo não toma medidas, hoje são as lagartixas, amanhã são capazes de ser as rãs, os sapos e até as salamandras!

O PSD devia fazer uma oposição consciente e adulta e pedir a demissão imediata do ministro dos Répteis!

Que dizes a isto, Manela?

Nada, não é?…

Pois…

A união faz a força ou união í  força?

—Sarkozy conseguiu levar a sua ideia avante e criar a megalómana União para o Mediterrâneo (UPM). São 43 países e 750 milhões de habitantes.

Só a lista de países que fazem parte da UPM diz tudo. Para além dos 27 da União Europeia (que nem quanto ao Tratado de Lisboa se entendem), fazem parte desta bagunça: Marrocos, Argélia, Tunísia, Egipto, Israel, Jordânia, Líbano, Mauritânia, Síria, Turquia, Palestina, Albânia, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Mónaco.

A reunião fundadora desta espécie de torre da Babilónia foi em Paris e espero que as próximas reuniões decorram, sucessivamente, nas várias capitais dos países membros. Sempre quero ver o primeiro-ministro israelita numa reunião na Faixa de Gaza, ou o primeiro-ministro palestiniano numa cerimónia pública em Jerusalém.

Como Sarkozy não conseguiu enfiar os países árabes na União Europeia, inventou esta coisa. Adoro, sobretudo, a inclusão do Mónaco. Um pormenor delicioso… Só não percebo por que razão San Marino e Andorra ficaram de fora.

Tanto quanto consegui perceber, pela leitura dos jornais, a UPM não vai servir para grande coisa. Para já – e como primeiro objectivo comum – os países membros comprometeram-se a despoluir o Mediterrâneo, através da eliminação de 80% das fontes de poluição (lixeiras e esgotos directos para o mar). A Mauritânia passará a lançar os seus esgotos na Argélia, esta em Marrocos e os marroquinos exportam a trampa para a Albânia. Em breve, Portugal terá que co-incenerar trampa mauritana.

Será que a Carla Bruni não dá que fazer ao Sarkozy?

Entretém o homem, rapariga!

Um PSD leitoso

—Sócrates pode ser sobranceiro, convencido, facilmente irritável, mas Leite é apenas feia.

Foi eleita líder do PSD sem apresentar sequer um programa – ela própria é toda um programa.

Segundo o Expresso, um seu admirador diz que ela costuma afirmar que «se uma pessoa tem duas orelhas e uma boca é porque deve ouvir o dobro do que diz».

Seguindo o mesmo raciocínio poderei dizer que, se uma pessoa tem um estí´mago e dois rins, deve mijar o dobro da cerveja que bebe.

No discurso de abertura do Congresso do PSD (o 31º em 35 anos de democracia!), vergastou Sócrates, chamou-lhe nomes, ameaçou-o e prometeu que a era dele está a chegar ao fim – nem uma palavra sobre a política dela. O que é que Leite pretende fazer quanto ao aumento do preço dos combustíveis, e na Saúde, na Educação, na Justiça e no Raio Que a Parta, quais são as suas propostas?

Leite azedo.

Coalhado.

Bom para deitar fora.

Scolari de férias

—Se, no Euro 2004, Portugal morreu na praia, neste Euro 2008, a selecção morreu a caminho da praia.

O que mais chateia, é a certeza de que não era muito difícil ganhar í  Alemanha, se Ronaldo tivesse jogado o que sabe, se Ricardo fosse um guarda-redes como deve ser (e não aquela espécie de herói do Montijo que defende penáltis sem luvas), se Scolari não estivesse já com a cabeça no Chelsea.

A Alemanha, com uma equipa suficiente-mais, mostrou como se fazem as coisas neste tipo de torneios: os jogos preparam-se, estudam-se os adversários, os seus pontos fortes e os seus pontos fracos. Depois, todos põem em prática a táctica escolhida e comportam-se como uma equipa.

E o que aconteceu a Portugal?

O costume. Falhar nos momentos cruciais, começar a tremelicar depois de cometido o primeiro erro, fazendo com que o segundo erro seja possível e o terceiro, inevitável e, depois, perto do fim, transformar tudo em grande tragédia e culpabilizar a sorte, ou a falta dela, e o árbitro, evidentemente.

Não sei se já repararam que, se Portugal conseguisse o milagre de chegar í  final, esta disputar-se-á no dia 29 de Junho – e Scolari começa a trabalhar no Chelsea a 1 de Julho. Ficava sem férias, coitado…

Assim, Scolari já pode ir de férias.

Abramovich nem sabe no que se meteu…

Pescadores, camionistas, tractoristas, taxistas e afins

A gasolina está cara para todos.

Os pescadores e os camionistas já venceram as suas batalhas. Os reboques estavam hoje na estrada e, logo a seguir, hão-de vir os taxistas e os tractoristas.

Os bombeiros já avisaram que, se nada for feito, qualquer dia, as ambulâncias poderão parar. E, se houver um incêndio, deixa arder, enquanto o gasóleo para os bombeiros não for subsidiado.

Também não me parece mal que as enfermeiras, os médicos e ou auxiliares de acção médica, exijam gasolina mais barata para irem trabalhar para os hospitais e centros de saúde. Caso contrário, não há cirurgias, consultas, pensos e injectáveis para ninguém!

E os professores? Sim, essa classe há muito esquecida que, depois de uma manif de meio milhão, descendo a avenida, teve que engolir uma avaliação. Não há gasolina mais barata para eles? Deixam de ir dar aulas. Os putos que fiquem nas ruas, a roubar e a pintar paredes!

Para já não falar nas agências funerárias. O gasóleo, para eles, está literalmente pela hora da morte. Não há subsídio – o governo que enterre os mortos!

E os empregados dos restaurantes, das livrarias, das discotecas, dos supermercados, das lojas de roupa – como poderão ir eles para o emprego, ao preço a que está a gasolina, ou os bilhetes dos transportes públicos?

Será assim que os portugueses conseguirão, finalmente, aquele sonho tão antigo: deixar de trabalhar!

Que trabalhe o Sócrates, que está folgado, ou o Mário Lino, que tem bom cabedal, e os secretários de Estado todos, que são mais que as mães!

A menos que… a menos que o governo, também ele, comece a exigir gasolina subsidiada…

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