PSD aposta nas novas gerações

—Foi com surpresa que soube que as eleições, no PSD, tinham sido ganhas pela líder da Juventude Social-democrata, a Manuela Ferreira Leite. Não estava nada í  espera que os militantes do PSD tivessem a coragem de escolher uma quase desconhecida para liderar o partido na sua luta contra Sócrates, já no próximo ano.

Fizeram bem em romper com o passado. Quem é que aturava mais o Pedro Passos Coelho, dirigente nacional desde a pré-primária ou o Pedro Santana Lopes, que já foi presidente de quase tudo, do Sporting í  Câmara de Lisboa?

Ao menos com a Manuela, que nunca teve um cargo público, vai ser tudo novo.

A miúda parece ter jeito.

Logo depois de conhecidos os resultados, e depois de dar um grande abraço a outro puto que vai ter muito futuro no partido, o Pacheco Pereira, Manuela virou-se para os seus apoiantes e fez um discurso completamente vazio de ideias, repleto de lugares comuns e de conversa fiada, como se já fosse uma política com longa experiência.

Quero, portanto, dar os meus parabéns aos militantes do PSD pela coragem em escolherem uma desconhecida para os comandar. Se todos os partidos fossem como o PSD, o país seria, no mínimo, mais divertido.

Cada país tem os jornalistas que merece

Que aconteceu de importante na visita de Sócrates í  Venezuela?

Duas coisas:

Primeira: Sócrates fumou no avião.

Segunda: os batedores venezuelanos borrifaram na comitiva que, no regresso aeroporto, esteve presa no trânsito cerca de 3 horas.

Para os jornalistas portugueses, há dois pesos e duas medidas.

Primeiro peso e primeira medida: é proibido fumar nos aviões; Sócrates fumou e quebrou as regras; devia ser punido ou, então, deixar que os jornalistas também fumassem no avião.

Segundo peso e segunda medida: as comitivas devem ter prioridade sobre os cidadãos que regressam a casa, depois de um dia de trabalho? Claro se, da comitiva, fizerem parte os jornalistas.

Os jornalistas que noticiam coisas destas têm os políticos, as leis, os ordenados e o país que merecem.

Reles…

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O regresso do Sr. Lopes

— O homem não se enxerga. O homem gosta de ser gozado, vilipendiado, humilhado. O homem não consegue, pura e simplesmente, “andar por aí”, como ele próprio afirmou. Tem que estar na ribalta, tem que aparecer, tem que falar com os jornalistas e dizer, com aquele tom de voz nasalado dos queques, “depois falamos, tá bem?…”

O Sr. Lopes ponderou, reflectiu, falou com os seus botões, aconselhou-se com o travesseiro e chegou í  conclusão que, depois do desastre de Menezes, de que ele, Lopes, foi parte activa, depois do desastre dele próprio, em coligação com o senhor que também aparece na foto, tapando o apêndice nasal – depois de tudo isso, não bastavam as candidaturas do Aguiar Branco, do Patão Antinha, do Qualquer Coisa Neto, do Pedro Passos (com 3 ésses) Coelho e da Manuela Jacinto Leite: a sua candidatura era fundamental para aumentar a confusão no PSD.

Sócrates agradece.

Pode continuar, calmamente, a aprovar decretos-leis, bons ou maus, tanto faz, porque ganhará sempre as eleições, por falta de comparência da Oposição.

PSD – new look

Só hoje me apeteceu escrever qualquer coisa sobre a nova imagem do PSD.

Luís Filipe Meneses quer ficar na história do PSD como o líder que tirou duas das três setas ao símbolo.

Meneses pensou assim: o PCP mantém a foice e o martelo, mas escondeu o símbolo atrás da CDU; o PS deixou cair o punho e adoptou a rosa, com uma mãozinha discreta a agarrá-la; o CDS, assim de repente, ninguém se lembra do que querem dizer aquelas duas setas a apontar para uma bola ao centro – portanto, era tempo de acabar com as três setas do PSD.

E Meneses tirou duas das setas e manteve apenas uma delas, bem saliente, laranja sobre fundo azul, a apontar para cima. Parece um anúncio ao Viagra.

meneses_seta.jpg

País estranho, este…

Acabou-se!

Nunca mais acredito em porra nenhuma!

menezes_primeiroministro.jpgDeus não existe, a Esquerda é uma aldrabice, o Estado Social é uma ficção, nem mesmo John Lennon tinha razão – e era ele que dizia «I don’t believe in magic… in I Ching… in Bible… in tarot … in Hitler… in Jesus… in Kennedys… in Budha… in mantra… in gita… in yoga… in kings… in Elvis… in Zimmerman… in Beatles… »

Então, agora o Paulo Portas está indignado com o ministro da Agricultura e vai pí´-lo em tribunal e escolheu, para seu advogado, o Garcia Pereira?

Por outras palavras: o Garcia Pereira aceitou ser advogado do Portas!

O Garcia Pereira do MRPP?!

Sim – esse mesmo! O gajo que continua a acreditar na ditadura do proletariado – aliás, o gajo que diz que continua a acreditar na ditadura do proletariado! O fulano que personifica o MRPP… a propósito: alguém se lembra o que quer dizer MRPP? Quer dizer Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado. Há 30 anos que o Garcia anda a reorganizar o Partido do Proletariado e ainda não conseguiu. Como será que ele vai conseguir defender o Portas?

Ora, se Garcia Pereira não se importa de defender o Portas, tudo pode, de facto, acontecer, nesta choldra.

Por que não, então, o Luís Filipe Menezes ser o próximo Primeiro-Ministro de Portugal?

Ele até tem umas ideias giras sobre o nosso país, como acabar com a publicidade na RTP, e… e… e assim, de repente, não me lembro de mais nada…

Tanta mediocridade, confunde-me!

A maldição dos Luises Filipes

santana_luisfilipe1.jpgHá nomes que matam, nomes que salvam, nomes que se agarram aos seus portadores e que os levam a destinos pré-definidos.

Gina é nome de rapariga fácil. Constança é nome de tia. Afonso é nome de tio. Augusto é nome de vendedor da banha da cobra.

E Luís Filipe?

Luís Filipe é o nome daquele defesa do Benfica que entregou a bola ao adversário e, assim, ofereceu o segundo golo ao Nuremberga.

Luís Filipe é, também o nome do chefe do PSD – o grande responsável pela reeleição de Sócrates, com maioria absoluta, em 2009.

E o Alegre se fez triste

alegre.jpgA piada da foto legendada é para velhos.

Velhos como eu, velhos como o Alegre.

Poucos se recordarão de um programa de rádio, chamado Companheiros da Alegria, da autoria de outro grande socialista, Igrejas Caeiro.

Muitos anos depois, outro socialista, Júlio Isidro, inventou um programa de televisão, chamado O Passeio dos Alegres – o que mostra a tendência dos socialistas portugueses para a alegria, que é de esquerda… enquanto a tristeza é de direita, como toda a gente sabe (isto é tema de futuras discussões..)

E, assim de repente, também poucos se lembrarão que, durante o salazarismo, Alegre era uma das principais vozes da rádio da Oposição, que emitia programas subversivos, a partir de Argel.

O que é que o Manuel Alegre quer, afinal?

Diz que não se revê no actual PS? Em qual PS é que ele se revê? No PS que defendia o marxismo? No PS social-democrata? No PS que já não sabe o que quer dizer “socialismo”?

Alegre quer um PS mais í  esquerda. E o que é ser de esquerda, hoje em dia? Será assegurar grandes reformas aos políticos, incluindo ele próprio?

Alegre defende o Serviço Nacional de Saúde com unhas e dentes. É uma conquista de Abril! Ainda por cima, inventado por uma socialista, António Arnaut.

Mas será que Alegre sabe o que é o SNS? Será o Serviço com um SAP em cada esquina, onde os utentes vão buscar receitas, pedir credenciais, mostrar unhas encravadas e morrer com enfartes? Será que Alegre pensa que os recursos são inesgotáveis e que Portugal se pode dar ao luxo de ter “a paz, o pão, saúde, educação”, tudo í  borla?

O que é que ele propõe, em alternativa í s políticas de direita do Sócrates?

É contra a avaliação dos professores? O que propõe Alegre, como alternativa?

É contra a co-inceneração? O que propõe Alegre, como alternativa?

Está bem: foi a votos, para a presidência e obteve um milhão de votos. Ficou muito convencido. A malta não se importava de ter um poeta como Presidente – agora, um primeiro-ministro a fazer versos?…

Alegre está velho e devia retirar-se de cena. Ou então, deixar-se de nostalgias. O PS que ele ajudou a fundar, está morto e enterrado, há muito tempo e o Partido Socialista só continua a chamar-se socialista por uma questão de acomodação. Passa-se o mesmo com o Partido Comunista, que ninguém sabe por que carga de água se continua a chamar comunista. Quanto ao PSD e ao CDS, nem vale a pena falar porque ninguém sabe, hoje em dia, o que é ser social-democrata e, muito menos, do centro democrático e social.

O único partido cujo nome continua correcto é o Partido os Verdes.

Estão verdes? – não prestam!

E a confusão, na cabeça de Alegre, vem mesmo daí. Ele também já percebeu que os partidos, tal como estão organizados, já não têm nada a ver com o que era há 20, 30 anos. E, por isso mesmo, vai dizendo que não quer formar um novo partido. Aliás, se ele se recordar do PRD do Eanes, que surgiu como alternativa ao PS e, hoje, alberga um grupelho de extrema-direita, pensa duas vezes, antes de fundar um novo partido. E então, como sabe que um novo partido não resolverá nada, inventa esta coisa dos movimentos de cidadãos, que também ninguém sabe o que são.

A malta nem í s reuniões de condóminos vai!

Alegre: das duas, uma: ou tens uma ideia nova – ou cala-te, pá!

Telmo, o Despachado

santana_telmo.jpgO Público de hoje diz que, na madrugada do dia em que o Governo de Sócrates tomou posse, Telmo Correia – ministro do Turismo do Governo deposto do Sr. Lopes – assinou 300 despachos.

Ao longo de dez dias, Telmo não pí´s os pés no Ministério e, logo na noite em que foi despedido, foi a correr assinar três centenas de despachos!

Entre esses 300 despachos constaria aquele que ofereceu aos donos do Casino do Estoril a concessão do edifício onde está instalado, agora, o Casino de Lisboa que, como se sabe, era para ficar no Parque Mayer, depois do negócio com a Bragaparques. Isto não tem nada a ver com o facto do chefe da ASAE ter sido fotografado a fumar no Casino Lisboa, na noite em que a nova lei do tabaco entrou em vigor e de ter afirmado que, nos Casinos, a lei não se aplicava e, depois, o Director Geral da Saúde, Francisco George, que tinha dito que se demitiria se a lei não fosse cumprida, acabar por dizer que, afinal, nos Casinos, por causa de uma lei qualquer do jogo, se podia fumar em sítios pré-determinados. E claro que isto também não tem nada a ver com os contactos entre o presidente da Câmara de Lisboa, Santana Lopes, e o arquitecto Frank Ghery, que foi contratado para transformar o Parque Mayer, mas depois ficou tudo em águas de bacalhau e o Sr. Lopes foi para primeiro-ministro e Carmona Rodrigues ficou no seu lugar e já não me lembro do resto. E isto também não tem nada a ver com o negócio dos submarinos do Paulo Portas e do Jacinto Leite Capelo Rego, nem tem nada a ver com Nobre Guedes, os sobreiros, o Abel Pinheiro, o caso Portucale, o bastonário Marinho Pinto e a frase que ele repetiu duas vezes (“ele assina qualquer merda”).

O facto de Telmo Correia ter assinado 300 despachos na madrugada do dia em que foi despedido, não tem a ver com nada.

Sinceramente, nem sei por que raio é que os jornais continuam a publicar merdas destas!