O futebol é assim mesmo – 1

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O Presidente da República, perdão, o presidente do Benfica, abriu os telejornais com longas entrevistas em que tentou explicar que não ganhou um tostão com a transferência do Mantorras.

Fez mal. Se o Benfica não ganhou nada com a transferência do Mantorras, que só joga os últimos sete minutos de cada jogo e se o próprio jogador angolano, pouco ganhou, já que tem passado estes anos todos na sala de operações, ao menos que alguém ganhasse alguma coisinha.

A Luís Filipe Vieira só lhe faltou chorar. Vejam lá que até teve que se mudar da moradia onde vivia, para um andar!

E tudo isto porque não se cala com o Apito Dourado.

A estratégia de LFV é típica: para se defender das acusações que o pasquim 24 Horas lhe fez, usa a velha máxima, segundo a qual, “a melhor defesa é o ataque”.

Assim, não achando suficiente esclarecer que a transferência do jogador foi o mais transparente possível e de que existem documentos contabilísticos que o provam, resolve atacar, dizendo que esta calúnia só é possível porque ele é o único dirigente que continua a falar no caso Apito Dourado.

Eu, se fosse a ele, demitia-me já hoje, em vez de fazer este papel de vítima e ir-me deixando ficar como presidente do maior clube de futebol de Portugal.

E amanhã já podia voltar para a sua moradia…

Cavaco – o fim de um mito

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Longe vão os tempos em que o primeiro-ministro Cavaco Silva afirmava, convicto, que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas.

Essas duas características – juntamente com o facto de nunca ler jornais – constituíam os super-poderes de Cavaco.

Foram esses super-poderes que convenceram o povo e que o levaram a eleger Cavaco como Presidente de todos os portugueses.

E agora, a propósito de uma coisa de nada, de uma colecção de arte moderna ou lá o que é, uma verdadeira mariquice, eis que Cavaco tem dúvidas!

Diz o Presidente: “o diploma suscita dúvidas, principalmente no que refere í  distribuição de poderes entre o Estado e o coleccionador” (Joe Berardo).

Ora, se Cavaco tem dúvidas numa questão tão comezinha, o que acontecerá, por exemplo, quando Portugal tiver que tomar uma decisão mais importante, como, por exemplo, declarar guerra ao Hezbollah ou demitir Laurentino Dias por não acreditar na inocência de Nuno Assis, no caso do dopping?

Pior: se Cavaco já tem dúvidas, não tarda nada, está-se a enganar!

Dias negros esperam a nossa querida nação!

A cabeça de Zidane

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Os franceses têm uma longa tradição de cabeças que ficam na História.

Maria Antonieta, por exemplo, perdeu a cabeça, literalmente, por causa da revolução.

Zidane perdeu a cabeça, figuradamente, por causa da reacção.

Especialistas em leitura de movimentos labiais, disseram que Materasi, o jogador italiano que levou a cabeçada de Zidane, terá insultado o jogador francês, dizendo: “não passas de um filho de uma puta terrorista”.

Trata-se de uma frase sem sentido.

Se a mãe de Zidane fosse prostituta, nunca seria terrorista.

Seria um contra-senso.

Uma prostituta que se preze não anda agora a fazer explodir os clientes.

Portanto, esta explicação não me convence.

Outras explicações possíveis:

1. Exaustão: o capitão francês estava exausto; precisava de encostar a cabeça um pouco e procurou o peito de Materazzi que, aproveitando-se desse facto, impulsionou o seu tórax em direcção a Zidane, dando a ideia (falsa) de que ele o estava a cabecear;

2. Assédio: durante todo o jogo, Zidane tentou arranjar uma desculpa para se encostar a Materazzi, nomeadamente na marcação dos cantos; no entanto, o árbitro sempre se opí´s, talvez por ciúme. O jogador francês, já perto do final do jogo, aproveitou uma distracção do árbitro e encostou-se a Materasi, mas com força demais…

3. Alucinação: ao cabo de 110 minutos de jogo, e por efeito do calor e do cansaço, Zidane devia estar com alucinações e pensou que Materazzi era a bola.

Consequentemente, cabeceou-o!

4. A mãe de Zidane, afinal, é mesmo terrorista e o francês não gostou de ouvir a verdade.

Seja como for, Zidane já pediu desculpa í s criancinhas que estavam a ver o jogo. Foi um mau exemplo.

Sobretudo porque o italiano nem sequer ficou aleijado…

A Austrália que se cuide!

Já viram o desplante dos australianos? Então não é que queriam mandar nos nossos gê-nê-rês? Imperialistas, é o que eles são!

Está bem que chegaram lá primeiro, está bem que os nossos são só 120 e atrasaram-se um bocadinho e depois o avião estava avariado e depois o avião já estava bom, mas não podia aterrar em Díli – mas a GNR lá conseguiu chegar a Timor! E quando as nossas tropas chegam, as outras não têm outro remédio senão vergar-se!

É verdade que os GNR não levaram material adequado, nem blindados, nem bombas, nem as sandes de couratos, nem as mínis, mas basta lá estarem para que todos os timorenses maus fiquem acagaçados (e eu que não sabia que havia timorenses maus!… e eu que pensava que todos os timorenses eram bonzinhos!…)

O que vale é que o nosso ministro Freitas pí´s os australianos em sentido!

Freitas berra mais alto que Camberra!

E se eles não acatarem as nossas ordens, só há uma solução: anexar a Austrália (até não era má ideia… podia ser que a nossa economia desse um pulo, finalmente!)

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Dois números 12

José Sócrates foi visitar a selecção de futebol a Évora e ofereceram-lhe a camisola nº 12.

A selecção foi recebida no Palácio de Belém, pelo Presidente e ofereceu, a Cavaco, a camisola nº 12.

Quer dizer, portanto, que temos dois números 12 a jogar por Portugal.

Estamos tramados!

Aliás, já estávamos tramados.

Penso que não me engano, se disser que a carreira desta selecção, no Mundial, vai ser uma desgraça.

Não digo que não ganhe um ou outro joguito. Até pode ser que passe í  fase seguinte, apesar de ter que defrontar selecções tão poderosas como Angola, Irão ou México.

No entanto, considerando o tempo gasto nos telejornais com notícias sobre a selecção; considerando as conferências de imprensa transmitidas em directo (!), todos os dias, durante as quais, dois jogadores titubeavam perante dezenas de repórteres, dizendo aquelas coisas fantásticas, como “daremos o nosso melhor”, “vamos trabalhar em equipa”, etc; considerando os inúmeros hinos, oficiais e não oficiais, que se inventaram e que passam, constantemente, na rádio e na televisão; considerando toda esta histeria dos órgãos de comunicação social, a selecção só tem uma saída – ser campeã do Mundo.

E isso, meus amigos, não vai conseguir.

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Eufemismos futebolísticos

No regresso de Rui Costa ao Benfica, o presidente Vieira disse qualquer coisa como isto: “o Rui disse-me, diga-me onde eu assino e, depois, o presidente põe lá a verba que eu vou auferir!”

Como George Carlin faria notar, estamos perante mais um eufemismo. E, quando se usam eufemismos, é porque nos estão a enganar.

Então, eu ganho um ordenado, mas o Rui Costa aufere uma verba.

Está bem. Compreendi-te.

Bom, e agora que já temos um nº 10 para orientar o jogo da equipa, só nos falta um avançado como deve ser, para concretizar (como sabem, no futebol, também já não se metem golos – concretizam-se golos).

Para quando o regresso do Eusébio?

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Reformados e mal pagos

Sócrates anunciou que as reformas passarão a estar indexadas í  esperança de vida. Acho mal.

Vejamos os seguintes exemplos:

Sujeito A – obeso, fumador, hipertenso, diabético, com o colesterol elevado; reforma-se aos 65 anos, depois de 40 ano de descontos, e morre seis meses depois com um enfarto. Resultado: o Estado fica a ganhar – sacou 40 anos de descontos a este tipo e pagou-lhe a reforma durante seis meses.

Sujeito B – magro, nunca fumou, nunca bebeu, nunca cometeu excessos, nunca mandou uma boa queca; reforma-se aos 65 anos, após 40 anos de descontos e morre aos 108 anos, completamente totó, a fazer chi-chi na fralda, totalmente dependente da ajuda dos outros, internado num Lar da Segurança Social desde os 80 anos. Resultado: o Estado foi ludibriado – recebeu 40 anos de descontos deste tipo e teve que lhe pagar a reforma durante 43 anos, o lar e os cuidados continuados durante 26 anos.

Está na cara que a idade da reforma devia ser indexada, não í  esperança de vida média, mas í  esperança de vida de cada pessoa!

Por exemplo, o meu caso: fumador, hipertenso desde os 35 anos, com antecedentes familiares de morte súbita. Não acham que 30 anos de descontos chegavam?

Reformo-me para o ano que vem!

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Cavaco dá autógrafos

O Presidente Cavaco foi visitar as tropas portuguesas que estão no Kosovo.

Foi a sua terceira visita oficial, desde que é Presidente da República: a primeira, foi uma curta deslocação a Cabo Verde, e a segunda, uma entrada-por-saída ao Hospital D. Estefânia.

Os jornalistas já chamaram a atenção para o significado destas visitas. Isto quer dizer que o nosso Presidente dá atenção, em primeiro lugar, aos países de expressão portuguesa, depois, í s criancinhas e, “last but not the least”, aos nosso garbosos militares!

Se os jornalistas continuam a dar significado a todas as visitas de Cavaco, nos próximos 5 anos, teremos motivo para muitas perplexidades. E se Cavaco decidir visitar uma museu, um lar de idosos, uma praça de touros, um casino?…

No Kosovo, Cavaco foi surpreendido pela primeira edição da sua foto oficial, e apressou-se a autografá-la, para a oferecer aos soldadinhos.

Que gesto bonito!…

Bonito, também, é o camuflado do Professor… Assenta-lhe bem e confere-lhe um ar marcial. fiquem-se com este pensamento perturbador: Cavaco é o Comandante Supremo das Forças Armadas de Portugal.

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