
Apesar dos pesares

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Apesar dos passeios dos militares, dos protestos dos professores, das manif da Intersindical, Sócrates continua com 43% das intenções de voto.
Sócrates e Cavaco são unha com carne.
E Marques Mendes, não está í altura…

Bush e Putin parecem muito divertidos, mascarados de vietnamitas. A foto foi tirada no decorrer da cimeira da Cooperação Económica ísia Pacífico. Em primeiro plano, com o ar desconfiado de quem pensa que está a ser gozado, vemos Hu Jintao, o líder chinês. í€ direita, a presidente do Chile parece uma professora primária que se diverte com os seus pupilos mal comportados. Â
Imaginem o que Bush estará a dizer a Putin: estará a contar uma daquelas anedotas estafadas do inglês, do americano e do russo? Ou estarão a imaginar o que fariam í Coreia do Norte, se não tivessem que aturar as palermices das respectivas democracias?Â
Pouco importa o que estão a dizer. Ver Bush e Putin, muito divertidos, vestidos com túnicas vietnamitas, numa cimeira económica, em Hanói, não deixa de nos dar a sensação de que, afinal, apesar da queda do muro, continuam a ser eles a dominar o mundo. Â


O Sócrates é um tipo de esquerda?
Partindo do princípio que o é, como explicar que as suas políticas sejam apoiadas pelo Presidente Cavaco?
A menos que Cavaco, seja, ele também, um homem de esquerda…
Marques Mendes tem atacado Sócrates e apoiado os trabalhadores da função pública, os professores, os juízes, o Jardim, e todos os que se sentem prejudicados pelas políticas do governo.
Será Mendes um tipo de esquerda?
Se, afinal, Mendes é de esquerda, chegamos í conclusão que Sócrates é de direita.
Partindo deste pressuposto, onde colocamos Jerónimo e Louçã?
Ribeiro e Castro não conta.
Aumentar desmesuradamente os funcionários públicos, é de esquerda?
Cortar o financiamento da Madeira, é de direita?
Acreditar que é possível manter um Serviço Nacional de Saúde praticamente gratuito, apesar das ressonâncias magnéticas, dos TAC, dos transplantes, é de esquerda?
Criar aulas de intersubstituição, para que os alunos não tenham furos constantemente, é de direita?
Cada vez faz menos sentido esta distinção entre esquerda e direita ou, pelo menos, o modo como esta distinção se tem feito, nos últimos trinta anos.
Não aceitar que as definições de esquerda e direita têm que ser reformuladas, é o mesmo que negar que o telemóvel substituiu o telefone fixo, que os discos de vinil já só servem para coleccionadores, que a internet é uma coisa tão vulgar como o microondas, coisas estas que nem sequer existiam, há trinta anos.
Sejamos politicamente incorrectos: já não tenho pachorra para as novas canções do Paul McCartney, assim como já não tenho paciência para o Carvalho da Silva, para o Manuel Alegre, para o Marcelo Rebelo de Sousa e para toda essa malta da minha geração que continua a mandar bitaites.
Deixem a malta mais nova tomar conta disto e deixem-me em paz!

É este o preço que temos que pagar por ter um primeiro-ministro.
O Público divulga, hoje, as contas do gabinete de Sócrates, inscritas no Orçamento para 2007.
São cerca de 4,5 milhões de euros.
É muito? É pouco?
Difícil de avaliar. Considerando que o Benfica queria 20 milhões pelo Simão, talvez seja pouco. Considerando que o ordenado mínimo nacional não chega aos 500 euros, é capaz de ser muito.
Curioso é escalpelizar as várias rubricas inscritas no Orçamento do gabinete do primeiro-ministro.
Por exemplo: o gabinete de Sócrates só vai gastar 248 euros com “produtos químicos e farmacêuticos”.
Ficamos contentes: temos um primeiro-ministro saudável, que quase não gasta dinheiro em medicamentos.
No que respeita a vestuário, também ficamos satisfeitos. Sócrates é conservador, aguenta o mesmo fato várias semanas, raramente muda de camisa e só vai gastar, em 2007, 1067 euros com “vestuário e artigos pessoais”.
Ainda no que respeita a “ferramentas e utensílios”, a coisa está bem. Apenas se vão gastar 444 euros com estas tretas do bricolage.
Mas existem outras rubricas que nos deixam preocupados.
Por exemplo: o gabinete de Sócrates vai gastar, em 2007, 139.201 euros com “alimentação” e, apenas, 11.326 euros com “limpeza e higiene”.
Não me parece justo.
Um gabinete que gasta mais de cem mil euros em comida, devia gastar um pouco mais com a higiene dos seus membros.
O povo não quer um primeiro-ministro sujo!

O jornal médico britânico Lancet, publicou um estudo norte-americano da Universidade de John Hopkins, segundo o qual, desde Março de 2003, teriam morrido, no Iraque, cerca de 600 mil pessoas, uma média de 500 pessoas por dia.
Trata-se de um estudo epidemiológico, baseado numa amostra relativamente pequena, mas que, segundo os autores, estará muito próximo da realidade.
Segundo o mesmo estudo, a possibilidade de civis iraquianos serem vítimas de morte violenta é, agora, 58 vezes maior do que antes da invasão norte-americana.
Claro que Bush não está de acordo. O general George Casey, chefe das tropas americanas no Iraque, também não está de acordo. Afirmou que lhe tinham dito que os mortos não ultrapassariam os 50 mil, mas não foi capaz de explicar como tinham chegado a este número, nem tão pouco soube dizer quem lhe tinha sugerido este número.
Deve ter sido assim:
Casey (virando-se para um tipo qualquer) – quantos iraquianos é que já terão morrido, desde que a malta invadiu esta coisa?
Tipo qualquer – Sei lá! Para aí 50 mil!Â
Se calhar, o estudo do Lancet peca por excesso – ou por defeito. Estes estudos são apenas uma aproximação da realidade. No entanto…
No entanto, mais de meio milhão de civis já foram para o maneta.
São menos 600 mil muçulmanos a chatearem os americanos.
A continuar assim, Bush conseguirá dizimar a população iraquiana.
Depois, quando todos estiveram mortos, então sim, o Iraque será um país seguro!

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, suspendeu a transferência de 50 milhões de euros para a Madeira, como retaliação por aquela região autónoma já ter ultrapassado o limite de endividamento para este ano, em 140 milhões de euros!
No mesmo dia, o inefável Jardim pediu a demissão do Sr. Sócrates e do Sr. Santos.
Cá para mim, esta discussão não faz muito sentido. Assim como assim, já perdemos a Guiné, Angola, Moçambique, Goa, Damão e Diu, S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Olivença e Timor.
Queremos a Madeira para quê?
Já tínhamos portugueses donos de grandes clubes de futebol: o Chelsea de Mourinho, o Inter de Luís Figo, o Manchester de Cristiano Ronaldo.
Mas esta semana tudo mudou.
As duas primeiras figuras da hierarquia institucional do nosso querido Portugal, tiveram o seu nome ligado a grandes acontecimentos internacionais.
Rebento de orgulho!
O nosso Presidente Cavaco foi o primeiro a saber que a princesa Letícia está grávida!

Não me parece haver dúvidas que foi graças í força que Cavaco emana, que o espermatozóide real fertilizou o óvulo antes plebeu.
Afinal, não é verdade que Cavaco, como dizia Miguel Cadilhe, seja como o eucalipto, secando tudo í sua volta.
Todos sabemos como a taxa de natalidade é baixa na maior parte dos países europeus. Parece-me, portanto, lógico, que Cavaco se apresse a visitar a Bélgica, a Holanda, a Suécia, a Noruega, para ver se as realezas desatam a reproduzir-se.
O que a gente precisa é de príncipes e princesas!
Perante isto, Sócrates não quis ficar atrás.
E toca a surgir num cartaz eleitoral, sentado ao lado de Hugo Chavez, “rompiendo el bloqueio”!
O segredo do sucesso de Sócrates ficou assim explicado.
Como é possível que um político odiado por 700 mil funcionários públicos, por juízes, professores, sindicalistas, reformados e pensionistas, beneficiários da ADSE, da ADMA, da ADME, da ADMGF, autarcas em geral e autarcas madeirenses em particular, continue a ter uma tão alta taxa de popularidade, que mantém o PS í beira da maioria absoluta?
Pois a resposta é só esta: Sócrates tem aliados fortes. São eles: o venezuelano Hugo Chavez, o iraniano Aminejad e o cubano Fidel de Castro.
Petróleo e charutos – é esta a resposta!
No entanto, algo me perturba: lá ao fundo, não sei porquê, mas aquele casario faz-me lembrar o Casal Ventoso.


Marques Mendes anda muito contentinho porque conseguiu convencer Sócrates a assinar o Pacto da Justiça.
Agora, quer convencê-lo a assinar um Pacto da Segurança Social.
Parece-me correcto.
Já poucas coisas distinguem o PS do PSD.
Portanto, toca mas é a assinar pactos sobre tudo e mais alguma coisa, dissolver o PSD e criar, finalmente a União Nacional.
Depois, é só ilegalizar os restantes partidos.

Afinal, George Bush não permite que os prisioneiros de guerra sejam torturados.
O próprio Pentágono publicou, esta semana, um manual onde se explica, em pormenor, os métodos que podem ser considerados tortura e, portanto, que devem ser banidos.
Que descanso!
Todos nós dormimos mais descansados se soubermos que, em Guantanamo ou seja onde for que a CIA tenha prisões secretas, os eventuais terroristas estão a ser tratados com toda a cortesia: “ora faça lá o favor de nos informar quais eram os planos da vossa célula adormecida? Será que planeavam deitar abaixo a Sears Tower, em Chicago ou a Torre de Belém, em Lisboa? Vá lá, não se faça caro… diga-nos qualquer coisa… Quer mais um pouco de chá e mais um coockie, enquanto pensa se há-de colaborar connosco ou não?”
Segundo Bush, os serviços secretos americanos, em vez da tortura, usam métodos alternativos de interrogatório. Por exemplo: vestem-se de mexicanos e cantam La Cucaracha, em falsete, até o terrorista confessar; ou contam até mil em alemão, gaguejando e com péssima pronúncia e, depois, voltam ao princípio; ou encenam, em frente ao prisioneiro, um espectáculo gay de baixa qualidade, em que um dos interrogadores faz de Bin Laden com cabelo rasta e outro faz de Bush com piercings no escroto.
Claro que os tipos da CIA torturam os prisioneiros! Claro que os transportaram, de avião, de um lado para o outro, fazendo escala em aeroportos portugueses! Claro que a CIA tem prisões secretas noutros países!
Onde está o espanto?
Agora, aparecem aí uns deputados europeus muito escandalizados com isto, como se alguma vez tivessem pensado que os EUA faziam tudo “by the book”.
Tanta falsa ingenuidade “make me sick”.