CSI – 3ª série

csi_3.jpgA 3ª série de Crime Scene Investigation mantém a mesma qualidade das anteriores, mas a filosofia começa a mudar um pouco, nos últimos episódios desta série de 2001. Antes, cada episódio limitava-se a apresentar um ou dois casos e o modo como a equipa do CSI os deslindava. Nos últimos episódios, no entanto, começam a surgir alguns pormenores da vida dos principais personagens, de modo a permitir que uma segunda história corra, paralela com o fio principal, que é, exactamente, o estudo das provas.

Desses pormenores, destaca-se a surdez progressiva de Gil Grissom, provocada por uma otosclerose hederofamiliar.

O cenário de Las Vegas, entretanto, tornou-se mais apelativo, depois de lá ter estado, há menos de um mês.

“O Código Da Vinci”, de Ron Howard

davincicode.jpgNão percebo tanto alarido. “O Código da Vinci”, de Dan Brown é apenas um livro de aeroporto, como diz Pulido Valente e o filme, realizado por Ron Howard, é apenas um filme.

No entanto, os críticos disparam em todos os sentidos. Que o livro é um conjunto de aldrabices bem urdidas e que a trama está cheia de erros. E depois? Qual foi o objectivo de Dan Brown, ao escrever este livro? Revelar, ao mundo, que, afinal, Jesus Cristo teve vida sexual, que fornicou com Madalena e que ela teve o seu filho – ou “apenas” ganhar uns milhões de dólares, escrevendo um best-seller? E, como best-seller, como livro de aeroporto, que se devora numa viagem de avião, está, ou não está, muito bem esgalhado?

Mas se, no que respeita ao livro, a Igreja católica e os guardiões da Verdade cristã se mantiveram, mais ou menos, indiferentes, no que respeita ao filme, as coisas mudaram de figura – e de que maneira!

Não admira: há muitos católicos analfabetos ou que nunca leram um livro na vida (nem a Bíblia!). Mas a imagem tem mais poder.

Até o Papa Ratzinger se sentiu na obrigação de dizer isto: “(actualmente) também há pessoas que querem falsificar a palavra de Cristo e retirar a verdade ao Evangelho”. Será que o livro e o filme são assim tão importantes, que mereçam que o Papa se incomode e que chame a atenção dos fiéis para essa grande “conspiração” que nos quer fazer crer que, afinal, Cristo não passava de um homem como os outros? Será que, ao fim e ao cabo, a Igreja, nesta história toda, tem segredos a esconder?

Nos EUA, organizaram-se manifestações, em frente aos cinemas, para protestar contra o filme. Nos jornais, pregadores evangélicos pagaram páginas inteiras de anúncios contra o filme. Vi um destes anúncios, no USA Today, da responsabilidade da American Society for the Defense of Tradition, Family and Property, que incitava: “reject this film and show your love for Our Lord Jesus Christ, by joining me in one of 1000 peaceful prayer vigils before theaters across América”.

Tanto barulho para nada! O filme até é fraquinho, não conseguindo transmitir-nos o suspense que o livro nos provoca. Tom Hanks pode ser um bom guarda prisional, um bom comandante da Apollo 13, ou até um bom totó, preso num aeroporto porque o seu país deixou de existir – mas não é um Professor Langdon convincente. Do mesmo modo, Audrey Tautou não consegue deixar de ser uma Amélie parvinha, que aterrou neste filme por engano. Depois, Howard quis enfiar o Rossio na Betesga, isto é, não adaptou o livro, tentando enfiar todos os pormenores do livro, em duas horas e meia de filme.

Não conseguiu.

Crime Scene Investigation – 2ª série

csi_2.jpgNos EUA, o CSI continua em grande, com séries de Las Vegas, Nova Iorque e Miami. Nas lojas de souvenirs, há t-shirts com o logo do CSI e, por baixo, o nome de qualquer cidade ou lugarejo.

Nas televisões, passam verdadeiras maratonas de episódios e, neste momento, a série de Las Vegas, já deve ir na 5ª ou 6ª época.

A 2ª série não traz grandes novidades, em relação í  anterior. A série estava, ainda, em desenvolvimento. Mantêm-se as mesmas personagens e a opção dos autores é deixar a vida privada das personagens afastada dos enredos – ao contrário do que acontece, por exemplo, no ER e no Nip/Tuck. Portanto, cada episódio foca-se, apenas, num determinado crime e na maneira como a equipa do CSI consegue resolvê-lo, com recurso í s tecnologias já nossas conhecidas.

Espero que, na 3ª série, surja algum pormenor novo, caso contrário, o tédio pode começar a instalar-se.

Frida Kahlo, Vida e Obra – Exposição no CCB

Frida Kahlo, filha de uma mexicana e de um alemão, nasceu no México, em 1907 e toda a sua obra está marcada pelos acontecimentos dramáticos da sua vida. Vítima de poliomielite infantil, aos 6 anos, ficou com a perna direita defeituosa, mais delgada e curta que a perna esquerda; aliás, o membro inferior direito acabaria por ser amputado. Aos 18 anos, foi vítima de um acidente brutal: o autocarro onde viajava foi abalroado por um eléctrico; Frida foi trespassada por um varão metálico, sofrendo danos irreversíveis na coluna vertebral. Tudo isto fez com que passasse longos períodos na cama, quer em casa, quer no hospital, sendo submetida a diversas cirurgias e tendo usado, por várias vezes, coletes de gesso, para estabilizar a coluna. A sua vida sentimental também parece ter sido muito conturbada, tendo sido casada, por duas vezes, com Rivera, o famoso muralista mexicano, cerca de 20 anos mais velho do que ela.

frida.jpgAs obras de Frida reflectem estas e outras vicissitudes da sua vida de um modo muito particular, incluindo o facto de ter abortado por três vezes.

As suas pinturas são perturbadas e perturbadoras e, não sendo surrealistas, como ela própria disse várias vezes, um observador isento não pode deixar de pensar que a artista sofria de graves perturbações psiquiátricas (se calhar, digo isto porque sou médico…)

Claro que, agora, a Frida Kahlo está na moda, sobretudo depois do filme de Julie Taymor (2002), com Selma Hayek, que nos mostrou uma Frida heróica no seu sofrimento, uma mulher emancipada, dominadora, remetendo a figura de Diego de Rivera para um segundo plano. E, quando um artista está na moda, de repente, tudo o que produziu passa a ser obra determinante na História de Arte.

De qualquer modo, algumas das pinturas de Frida Kahlo não me deixaram indiferente, nomeadamente, “A Coluna Partida”, aqui reproduzida e, por exemplo, “Hospital Henry Ford”, que ela pintou em Detroit, após mais um dos seus abortos. Mas tocaram-me mais por representarem algo de penoso na vida da pintora, do que propriamente pela obra em si mesma.

Frida morreu em 1954, aos 47 anos.